29/09/08

Comunicação de crise

Para aqueles que todos os dias vivem os altos e baixos do sentimento do mercado, não é fácil fazer humor. Podemos tentar alguma palavra de conforto, raramente ouvida se os mercados estão de facção contrária ao nosso sentimento, se as notícias nos induziram em erro ou se a crise nos assola o bolso. Viver em sobressalto é o pior que pode acontecer ao decisor de mercado. Todo o decisor de investimentos sabe que por muitas análises que faça, nem sempre o resultado é o melhor, só que ele acredita que no dia seguinte conseguirá inverter a tendência e ganhar o que perdeu no dia anterior. Aqueles que têm a coragem de assumir os piores momentos estão no bom caminho. Oportunidades de mercado sempre aconteceram nos momentos de crise.
Não é só um bom slogan que faz a receita, ajuda, isso é verdade, mas é a comunicação de crise que faz o filme de bilheteira. Tempos muito complicados se avizinham para as economias globais e tal como diz aqui o os conceitos têm de ser repensados. E, numa época em que o capitalismo está a ser posto em causa, uma nova ordem social tem de surgir e novos lideres também.

Humor: she said!

Sarkozy bling bling Carla Bruni

28/09/08

Atazinando espanhóis, franceses e americanos

Dizem-me que Sarah Palin não sabe quem é Sarkozy, que McCain não sabe que Zapatero é o Primeiro de Espanha, leio que Sarah só tem passaporte há um ano, leio que Obama ganhou a noite do debate. A última não estou de acordo, penso que ninguém ganhou nada, para já. Em relação às primeiras só podem ser "bocas da reacção", porque num país onde a população hispano-americana representa uma bela fatia do eleitorado, imagino que pelo menos o "jámon" ou uma "parillada de pescado" devam ser conhecidas e espero que nuestros hermanos tenham conseguido ultrapassar o senhor das "enchilladas de pollo" e ainda que a Cindy não faça só "burritos" para o jantar. Por outro lado a questão do passaporte significa que Sarah que tem estado bem ocupada em todas as suas actividades de mulher, mãe e profissional bem sucedida, só tem tido tempo para, além do Alaska, conhecer o resto da América e ilhas de veraneio adjacentes ou o vizinho Canadá, lugares onde qualquer americano apenas necessitava do bilhete de identidade, até há um ano atrás mais coisa menos coisa.
E desconhecer Sarkozy é grave e também quer dizer que Carla Bruni não tem vendido nas "american tabloids" ou nessa "rigorosa" publicação chamada " The National Enquirer". A Europa tem na verdade problemas mais importantes para resolver, para além da crise política ou económica que por aí anda.

The Standells - Dirty Water

Regresso em águas turvas

À chegada olho os títulos dos jornais. A CMP terá candidata lá para o final do ano. Em Guimarães houve comício à laia de Obama, a inflação continua em alta, parece que o desemprego diminuiu devido à saída de mais uns tantos portugueses para outros países. É a bendita deslocalização. Sócrates distribui o "Magalhães" nas escolas do país. O país compra o "Magalhães" nas grandes superfícies. O nosso ministro Pinho conclui que terá sido optimista em relação ao crescimento económico do país. As falências do sector financeiro e crise da economia norte-americana preocupa o mundo, mas "Portugal deve conseguir passar sem grandes aflições" como se o país fosse imune ao resto do mundo. O governo para evitar que "o nosso país se deixe contagiar pela crise norte americana" reforça a regulamentação das entidades de supervisão financeira, mas o governo está preocupado com a criminalidade. Os governantes estão atentos às falências do sector financeiro norte-americano, mas mesmo assim as criminalidade continua a ser a notícia dos matutinos. A comunicação é a passo de caracol e eu não sei o que se passa na banca portuguesa, mas parece que nada de mais. Os empresários estão ansiosos com a situação e a situação mantém os governantes em governação. O legislador continua a procurar legislação e assaltam-me com as análises sobre o fim do capitalismo tal como o conhecemos: verdade, mentira, sim ou não?
Não muito longe na América, Obama vs McCain: debate sim ou não? Na Europa, falências: sim ou não, mas talvez? Em Portugal, crise do sector financeiro: oi? Você falou?
Finalmente é sábado, acordo e leio a crónica de Daniel Bessa no Expresso. "Regresso à Política" diz ele. Assusto-me. Eu que pensava que ele nunca tinha saído dela, afinal vai regressar? Não, afinal é apenas um teaser de leitura académica. Fico mais sossegada e concluo que devemos todos participar na política. Será?
Continuo a leitura de fim de semana e o transtorno da preocupação continua quando vejo que Chávez está de regresso ao meu país e que Portugal é o país europeu que o político argentino mais visitou. Mas o sossego regressa quando me informam que o governo vai vender o "Magalhães" na Venezuela e que os nossos empresários irão construir "condomínios" de fabricação prévia em terras longínquas. Afinal o "Magalhães" a exemplo do outro Magalhães veio abrir outras portas à navegação. Nem tudo pode ser azares, caramba!

27/09/08

Paul Newman's Last Race

Paul Newman (1925-2008)

" Beautiful and piercing blue eyes "
"Why go out for hamburger when you have steak at home?"

26/09/08

Por onde começar?

De volta ao terreno, por onde começar? Ao longo das semanas vamos escrevendo notas para posts e entradas que muitas vezes nunca chegam a ser. Passados dias, semanas, sei lá, os temas já nos parecem cansados e a frescura da entrada gasta ou a saber a papel. A escrita tem de ser feita no imediato, o pensamento tem de correr à velocidade dos dedos e o teclado faz parte do momentum. O principio transforma-se no fim e o inicio no meio e quando damos por isso outras coisas mais importantes ou mais actuais obrigam os dedos a percorrer o caminho de trás para a frente e de frente para trás.
"Tens o espírito livre", dizem-me à chegada e "tens tempo para escrever" continuam a dizer-me. E eu lembro-me do amigo que uma vez longe do país, deixou de ter tempo para escrever e aparentemente porque tem o espírito livre, e tem tempo. Tanto tempo que não tem tempo para escrever, tem tempo para partir à procura de novos tempos e outras preocupações se alojam no seu espírito. O meu amigo de vez em quando aparece e fala uma linguagem que já ninguém entende. É a linguagem do expatriado, porque o emigrante continua nele. E o linguajar faz-se num português que é estranho para quem o lê, e que alguns se atrevem a corrigir não no sentido mas na grafologia. E neste momento só me ocorre dizer com o poeta " gostava de estar no campo para ter saudades da cidade", porque bem conhecia Pessoa o português - inglês expatriado, emigrante na cidade e no campo, sozinho ou acompanhado, cá ou lá, presente ou ausente. Apenas português com e sem Portugal, sempre presente, sempre ausente!

22/09/08

Música a dois


Pavarotti and Barry White

20/09/08

05/09/08

The Gal from Alaska

Apesar dos azares imprevisíveis - Gustav ou a gravidez da miúda - que envolveram a Convenção Republicana nos Estados Unidos, Sarah Palin tem poder mediático suficiente para assustar os democratas. Não me parece, no entanto, que o eleitorado de Hillary Clinton se deixe levar pelos seus ares de extrema confiança, e que a considere o modelo ideal da mulher americana. Demasiado mãe de família com o poder das caçadas e com a arma na mão, representa o verdadeiro plástico à americana. É a verdadeira chachada com o exagero bem à medida da América, na vertente mais aperfeiçoada e sofisticada.
Sarah tem tudo. Está ali para as curvas e nenhuma de nós pode dizer o contrário, os homens também pensam o mesmo e ainda que ela é inteligente e que tem presença simpática. Tem porte de arma, sabe o que um governador deve fazer, conhece o país no seus aspectos mais profundos, vem duma pequena cidade e dum pequeno Estado que a maioria dos americanos não conhece, ela pesca e caça, e é mãe de 5 filhos. Para enfeitar o ramalhete casou com o colega de escola, foi Miss Alaska, cresceu num meio agreste e conhece bem as dificuldades do clima. Foi educada por um pai que lhe ensinou que homens e mulheres têm as mesmas oportunidades. Profissionalmente bem empenhada, pessoalmente teve um filho num dia e no seguinte estava sentada à secretária a trabalhar. No mínimo fantástico!
Mas será que é este tipo de candidata que o eleitorado quer? E será que estes são os valores que ainda estão na ribalta, junto do eleitorado feminino nos USA? Ou pelo contrário as americanas preferem aquelas que podem tirar licenças de maternidade porque têm sistemas de saúde? E quantas mulheres americanas gostariam que os republicanos já o tivessem feito, por exemplo?
E quanto a Cindy McCain em relação a Michelle Obama temos dito.
A convenção trouxe muitas mulheres tal como a do Obama trouxe muitos afro americanos. Até aqui estão quites. A capacidade de apresentar nomes famosos e apoiantes à medida com mais ou menos plástico, também será idêntica. Resta ver o resto e eu aqui estarei.
Depois de assistir às duas Convenções fiquei com a convicção que Obama só ganhará se os apoiantes Clinton lhe derem os seus votos e será à "rasquinha" se o eleitorado hispanoamericano preferir McCain. Serão eles que vão determinar a diferença dessa pequena percentagem.

01/09/08

De regresso ao trabalho, penso...

De regresso ao trabalho, penso em Carlos Malheiro Dias e que dele pouco sabemos, apenas que deu nome a ruas e em breve a Edifício na Invicta. Penso também, que muito poderíamos enriquecer se as Autarquias e as Escolas de diferentes regiões dessem mais tempo aos conterrâneos que por razões diversas nos dão orgulho em ser português. Esta raça de portugueses que a outra raça não quer saber de onde vem, o que fizeram e o que deixaram.
Penso, que os alunos teriam outro prazer em ler autores identificados pelo lugar onde nasceram, teriam outro gosto e curiosidade em visitar exposições ou museus com o nome de alguém que deixaria de ser um desconhecido escritor, para passar a ser um "escriba" que nasceu na minha terra ou na minha cidade. E seria bom, que eu miúdo nascido na aldeia, pudesse dizer que Amadeo-Souza Cardoso nasceu no meu sítio, ou que Fernando Pessoa é da minha cidade ou que Eunice Muñoz vivia na minha rua e tomava café no "Cenáculo". Até porque no tempo em que todos sabíamos o nome da dono do café, do senhor da mercearia ou da dona da tabacaria era o tempo em que as pessoas tinham valor, nos representavam, nos valiam e nos davam inspiração para continuar o projecto que o Cliente reclama.

O homem a escultura e a caricatura

Carlos Malheiro Dias (1875-1941)
A Escultura de Raul Xavier

A Caricatura de Arnaldo Ressano

A "tricky traveller" momentum

O meu amigo tricky traveller tem razão. Perguntas para quê?