24/11/08

Contas de um rosário

Claro, que assinar "as contas" não é o mesmo que pagar as contas ou assinar cheques que pagam contas e compromissos. Claro, que assinar cheques implica movimentar dinheiros e claro que assinar contas também implica responsabilidades de gestão. É claro também, que passar a administrador não executivo dá jeito neste rosário de muitas contas mas não retira responsabilidades a quem o lê, porque o não executivo também assina "as contas" do mesmo rosário e se tem dúvidas deve questionar antes de iniciar a reza.
É igualmente claro, que quando se assinam "as contas", elas já foram auditadas por diferentes organismos a começar pelos revisores e auditores, que já as assinaram mesmo que tenham deixado aquela frase temível "com reservas".
Quem anda pelas empresas e por conselhos de administração sabe que na maioria das vezes os administradores não executivos são meros nomes necessários para compor e fazer bonito nos registos das empresas a troco de remunerações mais ou menos graúdas conforme a igreja e a diocese a que pertence o rosário. Se o rosário é cantado, aí o peso da remuneração aumenta porque tem mais visibilidade e chega até a ser internacional, com direito a orquestra bem conduzida para a ocasião.
Apesar de tudo isto, e mesmo que Dias Loureiro estivesse cheio de boa vontade em transmitir o rosário, que segundo a sua mãe ele aprendeu no seminário, ninguém acredita naquela versão apresentada a Judite de Sousa e a todos os que o ouviram na televisão. Dias Loureiro, um influente político, ex governante com capacidades para ser convidado por ilustres empresários, com dotes de negociação estratégica internacional, que se senta à mesa de Reis e Presidentes não se lembra!
De repente perde a luz e fica às escuras no que respeita à área mais difícil do rosário e não percebe, não é da sua área, da sua responsabilidade, não era da sua competência a área financeira e ele só assinava "as contas".
Eu, que também assino "contas e cheques" sei que não é na Assembleia para aprovação de "contas" referentes ao exercício do ano anterior que se fazem perguntas, mas sim antes. E também sei, que é ao longo do ano que se pedem contas a quem de direito e se analisam "as contas" pedindo esclarecimentos caso haja dúvidas, porque no dia da assembleia apenas se assinam e qualquer explicação pode servir para despachar o assunto e passar ao seguinte, especialmente, quando se têm de assinar muitas "contas", como acontece numa holding. E já agora, também sei que é nesse momento que os accionistas dão o seu voto de confiança e até de louvor à Administração que é composta por Presidente, Administradores Executivos e não Executivos, ficando registado em acta.
Portanto, Dias Loureiro está metido numa grande procissão que pelo que parece ainda vai no adro. Bem pode encomendar missas e rosários bem rezados, mas dá-me ideia que lhe vai faltar água benta e salvação redentora, a menos que nos consiga explicar quais as contas que faltavam ao seu rosário.

4 comentários:

Mike disse...

Bom post, Grande Jóia. E é claro que Dias Loureiro terá muitas dificuldades em explicar as contas que faltam no rosário. E ainda mais claro que a explicação dele será dificilmente aceite.

Grande Jóia disse...

O que me aflige é que a nossa história e um país tão católico tenha tantos rosários sem contas. E eles estão a aparecer como por "milagre" todos os dias. Estariam na gaveta de quem?

Mike disse...

Brandos costumes, um povo que confunde boas maneiras com servilismo e é melhor não fazer ondas (vamos deixar de lado a palavra país e chamar os bois pelos nomes), um povo católico (e servil, lá está) e incompetente, muito incompetente. Dá o quê? Contas a faltar no rosário e rosários a aparecer dentro de gavetas esperando que o tempo os fizesse desaparecer. Ai ai ai...

Grande Jóia disse...

Ai ai...mesmo e é pouco.