31/12/09

Boas entradas em 2010

Cenas do frio e da neve norte americanas

O poder do Inverno - Ottawa Rideau Canal (CA)

O poder no Inverno - USA Project
Fotos da Net

30/12/09

Madness de fim de ano!


Herbie Hancock - Jazz Fusion Cantelope Island

29/12/09

O filme e a minha neta

A minha neta Francisca faz hoje um ano. Este é um filme da sua geração. Sons e imagens que induzem sentimentos e acções. Um turbilhão de hipóteses imaginárias ou possiveis conforme o tempo a que se referem. Ao contrário da geração da avó que vivia da fantasia sonhada e das imagens do quotidiano alavancadas, esta é a geração em que tudo lhes parece possivel. Uma excelente combinação de imaginário, ciência, produção, arte, fantasia, aspiração e um mundo à sua frente.


AVATAR - Leona Lewis ( I See You )

Nem só de expansão vive o homem

O Corte Inglés instalou-se no Outlet de Vila do Conde. Nada a assinalar se não fossem as condições inacreditáveis com que se debruçam as pessoas que trabalham no local de pagamento. Os senhores que conceberam o espaço não pensaram que naquele sitio iriam estar funcionárias durante o seu período laboral sem qualquer condição de trabalho e clientes que apesar da barateza das compras teriam de apanhar com o frio e o vento nas trombas. Se fosse em Espanha imagino que não teria sido aprovado, mas aqui tudo passa e não passa nada. O cliente refila, paga e desaparece para voltar a manifestar-se na próxima visita. O funcionário trabalha porque tem de ser e cala porque não tem remédio e é aqui que se manifesta a prepotência dos que se instalam no país dos outros, utilizam a mão de obra que não abre a boca e que ainda tem de se sentir contente porque tem emprego e ganha mais um pouco. Pergunto eu, se não seria tempo das inspecções de trabalho e quejandos estarem atentas a estas situações? Na minha opinião, um escândalo mesmo que pequeno comparado a outros que por aí possam andar. E mesmo que a economia se regozija com a iniciativa, é por estas e por outras, que é cada vez mais difícil não sentir o peso da responsabilidade social.

Comprar e vender

Os números podem ser apresentados de muitas formas. Neste caso, fica bem mostrar que os portugueses estão confiantes no futuro. As estatísticas revelam que este ano os portugueses compraram mais que no ano anterior. Quer dizer, os portugueses comparam mais, endividaram-se mais, viajaram mais, comeram mais e o cidadão normal não entende. Não entende que numa época de contenção global em que tudo é de dimensão universal haja cidadãos que num canto da Europa lhes parece normal e natural gastar, consumir, desperdiçar. São tempos estranhos que passam por Portugal, mas que contribuem para animar a vidinha e dar ânimo a quem passa 60 horas a trabalhar atrás do balcão!

28/12/09

Good Madness à segunda - feira!


Bob Dylan - Blowing in the wind

27/12/09

26/12/09

Esta casa faz dois anos

Obrigada, obrigada podem dar-me os parabéns que esta casa faz hoje dois anos. Um grande abraço a todos os que por aqui passam e fizeram desta casa o que ela hoje é. Quando iniciei este projecto há dois anos, o objectivo era construir um espaço onde me pudesse sentar tranquila com os meus pensamentos, as minhas graças, as minhas alfinetadas, as minhas músicas, as minhas jóias verdadeiras, de pechisbeque, de feira ou de leilão e deixar fluir o tempo. Um cantinho que a exemplo do meu espaço caseiro poderia ser um porto de abrigo. Hoje, ele é muito mais. É uma sala dentro da minha casa. É o lugar onde os amigos entram sem bater à porta e partilham a alegria, a tristeza, a sagacidade de este ou aquele argumento. Devo dizer que o maior elogio que me têm feito é o de ter sentido de humor, porque na verdade, essa é uma das qualidades que mais prezo na vida. Ser capaz de olhar para as pessoas e tirar o maior proveito da sua companhia com graça, sem preconceitos e com a certeza de que sem piada a vida seria absolutamente detestável. Mais uma vez obrigada e um grande abraço a todos.

25/12/09

A dança da TAP

O grande objectivo é conseguir a participação colectiva. Uma iniciativa que apesar de tudo conseguiu alguns sorrisos.


TAP - Aeroporto de Lisboa

24/12/09

A Ceia de Natal

Juan Carlos o enfermeiro disse bom dia e com o seu ar atencioso advertiu-me para diferentes aspectos da ajuda doméstica. Caso eu não a tivesse deveria ter cuidado com as espinhas de peixe. Nada de arranjar o peixe, pegar em coisas quentes ou fazer trabalhos forçados. Gostei de o ouvir e a partir de agora na minha cozinha existe um cadeirão dedicado à preguiça laboral. A minha secretária interna pensa que é para ela. Pois, está enganada. Queria, mas é aqui de "moi même"! E vamos a andar com a Ceia de Natal que se faz tarde. Com as batatas e o bacalhau a cozer, tratar das pencas e das cenouras, olhem os ovos e cuidado que o arroz doce que se queima, deitem um olho às rabanadas, vejam o óleo, é necessário trocar. E o queijo da serra está no seu lugar? O bolo rei do Vieira, os sonhos este ano estão melhores, o pão de ló e a aletria junto à sopa dourada, o bolo de chocolate e o pudim de leite, as frutas cristalizadas, as nozes e as avelãs, os figos e as ameixas com chocolates à mistura ao lado da lampreia e dos ovos moles para quem ainda tem barriga.
E amanhã 25 surge o peru com o puré de maçã e a batata palha sem esquecer a roupa velha que antecede, as frutas exóticas e o ananás dos Açores e a canja de galinha com hortelã para terminar. Mas eis que este ano temos uma aniversariante recém chegada à família. Vamos comemorar com bolo de framboesa. Ainda alguém tem fome ou já podemos dizer que o dia 26 está a amanhecer?

22/12/09

I will survive



Gloria Gaynor - I will Survive

Viver em esperança

Amazónia, Brasil 09 (Foto minha)

Hoje saí do hospital, tenho um bocado a menos de corpo e um bocadão a mais de esperança. O próximo ano será difícil, não o planeei assim, vou ter de levar o dia a dia conforme conseguir sem saber o que me espera, apesar de saber o que me vão fazer. O ano que termina foi intenso, cheio de coisas dentro da agenda, com a possibilidade de ter todo o tempo do mundo à minha disposição. O casamento dum filho, uma neta a festejar o seu primeiro aniversário e a dar os primeiros passos, uma fantástica viagem pelo Brasil, projectos a dois e um sem número de outras frivolidades apaziguadoras. Termina de forma não encomendada e não merece a pena perguntar porquê, foi! Teve de ser como tinha de acontecer, o cancro aparece quando menos o desejamos, nunca o desejamos, mas ele existe para todos e desta vez fui seleccionada. A intervenção foi feita e o regresso a casa e aos meus em vésperas natalícias. Este ano a árvore ainda a fiz, o peru e o bacalhau será feito por quem me os viu fazer nos anos anteriores. Os doces serão por mim orientados e a mesa continuará a meu cargo com a ajuda de quem já a fazia. A mesa estará maior porque a família cresceu e é assim que deve ser. O ano termina de forma desajeitada mas não triste. O ano que vem será diferente e quando o cabelo me começar a cair não sei o que sentirei. Neste momento sei que vou adiar os meus planos por uns meses, que outras coisas estão primeiro, sei que vou lutar com toda a força que tenho e sei igualmente que por aqui continuarei não da mesma forma, não com a mesma assiduidade mas com alguma regularidade. Duma coisa estou certa, só o amor pelos outros e pela vida nos dá resistência para ultrapassar todos os lados negativos que porventura a vida nos apresenta. E é nestes momentos difíceis, em que nada faria prever o que nos atormenta, que desejamos intensamente que o hoje tivesse sido ontem para podermos dar todo o tempo que não temos a todos os que dele necessitam. Viver em esperança, acreditar e deixar que a medicina nos ajude tal como a seiva que alimenta a árvore da vida.

17/12/09

Merecido Prémio


O júri deliberou e muito bem que o meu burro merecia ganhar. Foi em ex-aequo com os outros 26 concorrentes, eu sei, mas o que é que esperavamos? A concorrência sendo feroz dá nisto e nada a fazer.Parabéns a todos, Feliz Natal e excelente Ano de 2010. Para o ano, cá estaremos, Senhor Luís!

Clarice Lispector

"Escrevo ou não escrevo?Saber desistir. Abandonar ou não abandonar — esta é muitas vezes a questão para um jogador. A arte de abandonar não é ensinada a ninguém. E está lon­ge de ser rara a situação angustiosa em que devo de­cidir se há algum sentido em prosseguir jogando. Serei capaz de abandonar nobremente? ou sou daqueles que prosseguem teimosamente esperando que aconteça al­guma coisa? como, digamos, o próprio fim do mundo? ou seja lá o que for, como a minha morte súbita, hi­pótese que tornaria supérflua a minha desistência?"

16/12/09

Antes ex-fumadora que assim assim

(Foto da net)
É verdade que um ex-fumador se torna um chato para o fumador. Ele passa o tempo a refilar com o fumo do outro, não quer janelas e portas abertas, detesta o cheiro que o fumador lhe trás para casa e entra no carro com o nariz no ar sempre que a mais pequena beata lhe aparece no cinzeiro. Claro que o fumador também se queixa cada vez que o ex-fumador torce o nariz ao seu hábito, fica pior que estragado quando alguém lhe chama à atenção para o mal que o tabaco faz à saúde, apresenta logo as estatísticas do cancro do pulmão versus morte por acidentes de automóvel para além das mil e uma razões para justificar o prazer de fumar. Vem isto a propósito do post da Austeriana, pessoa muito sensata que diz o que pensa e que "se passou" com o moralismo dos não fumadores e seus direitos. Por isso o fumador ao ter igualmente os seus direitos não deveria sentir-se a mais nos lugares que escolhe para fumar. Acontece, que para um não fumador o fumo e o cheiro do tabaco são sempre intrusos que prejudicam a saúde e o ambiente. Para o fumador, que conseguiu o feito de ser ex-fumador a questão tem um valor acrescido. Ele, agora que já passou pelos mesmos males do fumador, que passou o ultraje de se sentir a mais, está em posição de se vingar de todos aqueles anos em que fumou com grande prazer e, também, daqueles que passou a detestar as pessoas com cheiro a tabaco e, igualmente, aquelas que lhe atiram com o fumo a toda a hora. E como os fumadores representam uma minoria, a maioria faz aquilo que todas as maiorias conseguem: fazer sentir mal e a mais quem é diferente! O moral da história é que estes dois grupos raramente se entendem, mas acaba por prevalecer a vontade da maioria seja nos espaços públicos ou privados. Na época, em que eu fumadora tinha de vir para o corredor de serviço, sentia que não valia a pena "ouvir os olhos" que me deitavam os que por mim passavam. Vivia nessa época no Canadá, não foi por isso que deixei de fumar. Não era o corredor, os olhares e a reprovação que me incomodavam, era sim a falta de prazer e o não poder fumar e trabalhar ao mesmo tempo. Fumar tem um ritual, ninguém fuma por fumar, excepto à noite quando já devia estar a dormir e vai fumar mais um cigarro antes de se deitar. O prazer de fumar e o cheiro do tabaco na pele e na roupa fazem parte dos sentidos e não é fácil desviar o sentido do prazer. Deixar de fumar para um fumador é um pecado que comparado com a virtude não compensa, tal como deixar de fumar para o ex-fumador é um pecado a menos que passa a ter. A relação custo-benefício é maior para o primeiro que para o segundo. Assim o primeiro continua o seu prazer o segundo deixa-o cair porque o considera vicio. Do ponto de vista económico há mais pessoas para quem a relação anterior se verifica um benefício qualquer. Pode ser de saúde, cívico, ambiental, moral ou qualquer outro que se entenda. Por isso, está igualmente relacionado com a liberdade de contrariar o que nos ensinaram a escolher ser: anjo ou diabo. Céu, inferno ou purgatório. Poucos serão os que querem ser toda a vida apenas uma coisa daí, haver fumadores, ex-fumadores e aqueles que ficaram assim-assim. Por mim prefiro, apesar de tudo, ser ex-fumadora que assim-assim.

14/12/09

Itália, italianos e o resto

O caso da agressão a um dos mais alegados corruptos da esfera europeia não foi um acto que se recomende, é uma manifestação importante e não deve ser desprezada ou considerada um acto isolado. O mundo começa a não ter paciência para gente que continua sem pestanejar no poder, que o mantém sob controlo e com fortuna a condizer. O tempo em que as populações aguardavam pacificamente pela resolução dos seus problemas ou dos seus anseios está a rarear, o que por um lado é uma pena, e pelo outro extremamente perigoso. Itália não deve servir de exemplo a ninguém e muito menos no que toca ao uso da violência para resolver conflitos. É que a violência chama mais perigo, mais poder, outras armas que destroem e que para os europeus, em especial os dos países mais ao sul da Europa, ainda representam pouco tempo de liberdade democrática. Que não passe pela cabeça de italianos, espanhóis e portugueses o que já passa pela cabeça dos gregos e por aí fora. Neste caso, a união de interesses pela paz é um elemento que identifica os países que pertencem a uma comunidade e que só por isso é de todo o interesse manter viva e coesa. No momento em que a Europa se dividir pelos interesses políticos, uma vez que pelos económicos já se manifesta de várias formas, o Continente Europeu volta a ser apetente para outras manifestações bélicas. A geração de setenta ainda está a tactear em democracia e para as outras o tempo não é sequer correspondente à actual esperança de vida. Muito pouco tempo que não nos deve apetecer encurtar ou confundir.

Good Madness à segunda-feira!



13/12/09

Concurso de Natal

Este ano o Presépio tinha de ficar com esta jóia. O burro em faiança com olhar meigo e orelhas atentas aprecia o aconchego das palhinhas e aquece quem estiver por perto. Foi enviado com muita expectativa para o Concurso de Natal -2009 organizado pelo nosso Barbeiro residente Luís Novaes Tito. Mesmo sabendo que a concorrência é apertada, tenho confiança no meu burro e aguardo o prémio vencedor.

Johnny Hallyday

Com uma carreira cheia de altos e baixos, ele não será um herói mas o seu público continua à espera de o ver regressar aos palcos.

11/12/09

Ibirapuera 2009

Ibirapuera, SP 2009

10/12/09

Barack Obama - Nobel da Paz

Uma escolha e uma distinção a seu tempo. "Citizens of America and Citizens of the World" , parabéns!

Acho VIII

Acho que o Parlamento estaria melhor sem a palhaçada do deputado da província e da senhora de Cascais! Mereciamos melhores representantes. E o caso não é para rir, antes pelo contrário é uma autêntica dor de cabeça.

09/12/09

Laços de família

As relações familiares são laços muito delicados. Contava-me uma amiga que este ano os irmãos andam que nem baratas tontas e ninguém sabe onde passará o Natal. A minha amiga é a única que fala com todos e tenta compreender o pai que, viúvo há um ano e com 72 anos, já tem uma companheira. Uma mãe faz muito falta e o primeiro ano passado sem ela, é um dos momentos mais tristes que um filho pode ter na sua vida adulta. Um primeiro ano natalício sem o pai é, igualmente, um dos momentos de maior desalento familiar. Mas o pior que pode acontecer é a família não ser capaz de homenagear o espírito de união, que toda a mãe e todo o pai devem ter deixado primar na educação e na passagem de valores aos seus filhos. Os filhos homens tendem a ser mais guerreiros nestas ocasiões e as filhas mais compreensivas. A diferença, se é que existe, é que as filhas não sentem que a memória da mãe esteja a ser desvalorizada, pelo contrário entendem que o pai ao fazer-se acompanhar de alguém e de considerar uma companhia no seu dia a dia lhes está a demonstrar a vontade de ser independente, de continuar a sua vida, de não ser um estorvo para os filhos ou um fardo para os netos. Ele está a tentar lidar o melhor possível e da única forma que sabe, isto é - viver acompanhado por uma mulher. Assim, é na geração dos nossos pais que devemos colocar os olhos enquanto temos tempo para nos perguntarmos como é, e como será um dia na nossa vez. Não se zanguem, por isso, os filhos e não se privem, por enquanto, os netos de celebrar as luzes de Natal, apenas porque uma nova cara se junta à família e partilha o carinho do dono da casa.

08/12/09

Solidariedade

Tributos em Vida

Nelson Mandela Tribute, New York (2009)

"That's What Friends Are For"
Dionne Warwick, Stevie Wonder, Luther Vandross & Whitney Houston

Teatro da vida

O morto

O morto já era morto antes de ser. Claro que à volta dele todos faziam de conta que nada se passava ou seja, falavam como se o morto já estivesse morto há uns dias. O tempo em que o morto tinha palavra sobre os seus assuntos tinha um tempo que já era morto. O morto mal tentava abrir a boca para dizer alguma coisa viva logo lhe calavam a voz com um olhar que o podia matar. O morto estava mais vivo que todos os outros, mas morria de cinco em cinco segundos com a capacidade mortífera das palavras dos que o queriam morto. Pelo caminho levantava uma perna, depois um braço e perante o espanto daqueles que o tinham retalhado, o morto continuava de carne e osso a ouvir as palavras que lhe matraqueavam o cérebro. O problema é que também o tentavam aterrorizar com sábios venenos a quatro estações. Até ao dia em que o morto decidiu matar todos os vivos e constituir uma comunidade em que aparentemente todos estavam mortos e podiam falar livremente dos vivos que se mantinham mortos.

07/12/09

Good Madness à segunda - feira!


A Estrada - Rodrigo Leão

06/12/09

Tem de ser, o tempo!

Ao som duma voz esganiçada pelo tanto chamar, acordava regularmente. Quero dormir mais mas não posso, tem de ser! levantar rápido, vestir depressa, engolir, não gosto, está quente mas tem de ser! Ao som da água que me lava ao pente que me penteia. Cabelos rebeldes, não quero o cabelo para trás, mas tem de ser! Olha no espelho, que bonita ficas! Desce, a carrinha já está à porta, vai com cuidado, leva o chapéu, a pasta, o lanche no thermos que será servido ao almoço. Não gosto, mas tem de ser! um, dois, três, levanta, baixa, flecte, frente, atrás, o espaldar, o plinto, o salto, a trave. Não gosto, sonho com ballet, mas tem de ser! Anda, põe-te em pé e o momento mais solene do dia vira o pesadelo do ano. Como caiu, não podia ser, mas era. Um fiasco que tinha de ser! Veste bata, tira bata, monograma liberdade, eléctrico. No Jardim da Estrela uma cigana lê a sina, um homem de "fardas altas" chegará um dia num navio preto. Só há navios brancos? Então tem de ser mentira. Volta, não volta e volta a girar, um furo por tablette de chocolate, sai amarelo, encarnado e o maior é o verde, tinha de ser. Sobe e desce do comboio, entra e sai da camioneta. Porta da frente a passar com licença e a ficar, tem de ser! Vestido branco olhar cintilante e o pé que fica ao lado do outro, só pode ser! A aliança no dedo e o cabelo esticado, o salto no pé e o pé aos saltos. Vou e já volto, hoje e amanhã, agora e sempre, dias que voam, que se apanham. Cansada, cuida de ti olha o stress, tem de ser! Estavas aí? E não paraste para olhar no tempo, agora tem de ser! Não gosta? O frasco é muito grande e tem de ser tudo? Não gosta, tem de ser! O cartão? era preciso? deixei na mesa de cabeceira. Trago na próxima vez, pode ser? Não gosta, mas olhe tem de ser! Come a papa, menina, come a papa, tem de ser! Acorda, levanta, tem de ser! Estuda, vence, anda, despacha-te, tem de ser! Luta, vive, ama, odeia, fica, não partas. Chegou a hora? Não há tempo, tem de ser!

Secção de pedidos

Luzes de Natal Para a , claro...!

Alain Delon "novinho em folha" para a Fugidia. Fica igualmente o Brosnan a seu pedido

mas não se compara ...

Este é para mim! "A vida portuguesa" no Porto, uma ideia da Catarina Portas. Uma verdadeira jóia!
O primeiro é para empatar a Sí que não nos dá tréguas e ainda por cima diz que esquece coimas e outras coisas e tal. O segundo é para a Fugidia e já vai atrasado. O terceiro é para mim mesma e dá resposta a mais do que um "direito" dos que vivem nesta cidade e aos outros que gostam de a visitar. ;)

05/12/09

Dependência celular

Outros sons e compassos



Ana Belén - 'Historia de Lily Braun'

04/12/09

Mirtilos e ares da PresidentA, o meu final #1

... e o mirtilo sem graça, foi levado para a casa mais próxima, agasalhado e alimentado.
Passado uns dias, já com cor e cheiro que se sentisse, elegante e prazenteiro mirava ao seu redor. De longe a longe sonhava com os campos brancos e frios de neve. Entreabria os olhos e sem querer acordar ouvia o tinlitar dos sinos distantes. Do outro lado do vidro havia quem sonhasse com as estrelas em fantasia de jasmim, misturadas em mirtilos. Danças e amores em forma de rebuçado, tartes de açúcar e crocantes sons a acompanhar.
Mais valia o mirtilo fazer parte do tacho dos doces, pensava o olho envidraçado. E foi o que aconteceu no dia em que entre a dúvida e a consolação, o mirtilo viu o borbulhar da sua cor misturada com o açúcar e a colher de pau a rodopiar. A cor escura e elegante do fruto estava agora transformada em compota. Guardada em belos e elegantes frascos com rótulos aveludados pelas estrelas é adorado por todos e amado por muitos. O doce é hoje um dos preferidos do reino e não há princesa ou gambuzino que não o cobice aqui ou além-mar.

Desculpe, pode repetir?


Foi impressão minha, ou ouvi há pouco na Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira dizer que era necessário saber se a França está disposta a largar a PAC ? Estamos a falar daquela que esteve na origem do começo, dos primórdios, da comunidade entre os países europeus, verdade? A Política Agrícola Comum, 1962 certo?

02/12/09

Os 30 mil cadetes de Obama

É claro que não serão todos cadetes, mas não foi por acaso que uma das declarações mais difíceis sobre o Afeganistão foi feita perante a academia de cadetes. Jovens convictos e empenhados em servir o seu país, em defender os valores da liberdade, com olhos atentos e ouvidos abertos, cheios de orgulho. A maior dificuldade passa por saber se a estratégia adoptada é a melhor. É sempre assim, em situações de guerra e conflito, em situações delicadas e com vidas pelo meio. Cortar e actuar no momento certo, com estratégia e continuidade absoluta. Cortando no orçamento da defesa com retiradas apressadas ou enviando tropas e aumentando contingentes? A estratégia seguinte é muito mais delicada que a decisão dos cortes orçamentais. Dela virá a erradicação do mal que afecta não um país ou região do mundo, mas a sobrevivência de uma cultura e dos valores ocidentais. Lutar contra o medo do ataque também, constituir uma estratégia não de ataque mas de vigilância futura. Daí que Obama, não tivesse muito por onde escolher. Oxalá, os americanos o entendam, oxalá a estratégia seja certeira. Enviar mais cadetes americanos e outros das nações aliadas, mostrando novas armas de conhecimento, preparando o Afeganistão a defender-se pelos seus próprios meios. Dado que é muito cedo para antecipar o resultado futuro, fico pela análise e biopsia do que sabemos. Neste caso, todo o cuidado é pouco e é com pezinhos de lã que Obama vai andar nos próximos tempos.

Convicções energéticas

Escrevi diversas vezes que o meu ministro preferido, era Manuel Pinho. A razão que me levava a descrever o economista desta forma, era a sua capacidade de nos querer alegrar com grande convicção e expectativa. Pinho tinha resposta para tudo e um optimismo que num país sempre envergonhado nos dava alento e desconfiança. Por isso, tão fácil se tornou falar de Manuel Pinho com um sorriso nos lábios e ao mesmo tempo ver homenagens empresariais de dedicadas regiões que, animadas pelo optimismo da alocação de verbas a projectos locais, lhe concederam ruas e outras pequenas boutades. Manuel Pinho tem sido um entusiasta defensor do projecto eólico e do desenvolvimento das energias renováveis. Enquanto ministro andou pelo país a inaugurar, projectar e criar parceiros de negociação. Fazer de Portugal um dos pontos mais fortes da Europa em matéria de energia renovável foi o seu empenho.
A sua crónica hoje no "i" sobre o tema da Cimeira de Copenhaga, encerra um conjunto de ensaios sobre as Alterações Climáticas e o futuro de Portugal. Que "somos um país pequeno" já o sabemos, que "podemos ser um dos líderes na criação de um modelo sustentável em termos de energia e ambiente", suspeitamos, que "este é um dos grandes desafios do séc.XXI", não temos dúvida, agora que "consigamos agarrar esta oportunidade com as duas mãos", estamos para ver, somos descrentes. Por isso, é importante que nos digam que somos capazes e que "a imagem internacional de Portugal está bastante associada às energias renováveis, a termos o maior parque eólico da Europa, a maior central solar do mundo, o primeiro projecto experimental de energia das ondas...e o maior programa de grandes barragens da Europa".
É importante que não nos aconteça como à mulher traída, que é a última a saber o que todos sabem e ninguém diz. Portugal perde, consecutivamente, o comboio para os destinos mais próximos porque chega atrasado à estação. Ficamos no apeadeiro a economizar no trajecto e a tentar que a boa sorte nos traga um burro ou uma charrua a cavalo. Somos, muitas vezes, apesar de termos tido a visão da descoberta, lentos a organizar e a implementar estratégias. Portanto, que venham muitos optimistas como Manuel Pinho lembrar, mesmo exagerando na convicção, que somos um pequeno grande país!

30/11/09

Raul Indipwo

27/11/09

Emigrantes por defeito ou opção?

Quanto mais tempo estamos no nosso cubículo mais chatos nos tornamos. Seja em casa junto da família, no emprego junto dos colegas, na paragem do autocarro junto dos outros utentes, na carruagem do metro, na pastelaria da esquina que frequentamos diariamente e onde esboçamos um sorriso forçado. Todos nos parecem uns aborrecidos idiotas e nós uns ilustres sábios continuamos a massacrar quem temos por perto. Os políticos e os programas de televisão não fogem à regra e até já nem nos blogues nos livramos de aborrecer quem nos lê. Olhamos para o nosso umbigo, dentro do cubículo que se tornou o nosso dia a dia e a porta do nosso país continua fechada a pessoas com outras características e talvez, quem sabe, capazes de trazer outra cor, outros motivos e outras histórias mais alegres, soltas, e de maior dimensão e está cada vez mais ampla e aberta a todos os que decidem encontrar lugar , emprego ou alegria noutro espaço. Tudo nos parece pequeno, tudo é grande aos olhos de quem é pequeno e tudo vai continuando conforme o nosso pedaço de humor. Sei que não é fácil ultrapassar esta tarefa, que à portuguesa herdamos e onde sempre tropeçamos. A saudade do que já foi, o que é e podia ter sido, que não nos larga e consome por tudo e por nada. Pergunto, para que servem as entrevistas a pessoas que não nos esclarecem, as reportagens de assuntos já ressequidos e que tresandam a esturro, mesmo que pelo meio esteja a senhora que perdeu o dinheiro numa instituição e que agora se senta ao relento numa avenida da cidade, greve de fome, diz ela, Quimonda fala ela, enganada e desempregada, expectativas frustradas acrescenta. Mas pergunto eu, ainda alguém liga a estas acções de voluntarismo sem jeito? E o resto que continua, agora é face oculta , amanhã cara alegre, e todos continuam à procura do "ninguém" que tem razão. Pobre país o meu que continua à procura de quem lhe diga onde se encontra o paraíso e só procura emigrar!

25/11/09

Leite Derramado

"Ao passo que o tempo futuro se estreita, as pessoas mais novas têm de se amontoar de qualquer jeito num canto da minha cabeça. Já para o passado tenho um salão cada vez mais mais espaçoso, onde cabem com folga meus pais, avós, primos distantes e colegas da faculdade que já tinha esquecido, com os respectivos salões cheios de parentes e contraparentes e penetras com suas amantes, mais as reminiscências dessa gente toda, até ao tempo de Napoleão"
(Chico Buarque, in Leite Derramado, pp21)

23/11/09

Prevenção e controlo do Dengue em Cabo Verde

Cabo Verde vive uma situação difícil. O dengue, inexistente até há pouco tempo no país, dificultou a identificação da doença na sua fase inicial e tomou proporções fora de controlo. A ajuda, inclusive de médicos portugueses que se têm deslocado para os principais centros de infecção e o pedido de medicamentos tem sido uma realidade. Nesse sentido, publico um email que recebi, através de familiares caboverdianos.
Hoje, o João Branco publica no seu blog este texto , que merece, igualmente, cuidada reflexão.
___________________________________________
"Saudações amigas
Na verdade tem sido muitos os pedidos de apoio em medicamentos para a luta contra a epidemia do dengue que não pára de causar vítimas. E agora está a surgir o pior que é a associação desta doença com a Gripe sazonal e vários casos já detectados de Gripe A. Tudo isso devido à mudança de clima e de temperatura que se faz sentir nestes dias....Desde que aqui na nossa Paróquia organizamos uma equipa de apoio às pessoas mais carenciadas e a necessitar de apoio medicamentoso....os pedidos não tem parado....estamos a atender em média por dia cerca de 25 pessoas....
Assim, vimos reforçar o pedido em nos ajudarem no envio de medicamentos mais urgentes para estes casos:- paracetamol- Vitamina C- Amox- Vibrocil. E como prevenção repelentes e redes mosquiteiros.
Os mosquiteiros e outras coisas em maiores quantidades poderão ser enviados no próximo contentor a ser carregado a 28 deste mês.
Agradecemos, mais uma vez, toda a vossa colaboração e ajuda para esta doença que tem alarmado Cabo Verde.
Um abraço amigo
Pe. Nuno"
PS: (O endereço do Padre Nuno será divulgado por email a quem o requisitar)

Good Madness à segunda - feira!


Maria Gadú - Lounge

21/11/09

Amazonas


Blog Instigante

A Austeriana atribuiu-me este selo de reconhecimento. Considerar que nesta casa se aprende sempre alguma coisa é mais do que eu poderia esperar. De vez em quando eu já acharia bom. Fico muito sensibilizada e tenho de admitir que já estou inchada de peneiras. Muito obrigada!
Como este prémio visa distinguir e passo a citar os «Blogs que, além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos, nos provocam a necessidade de reflectir, questionar, aprender e – sobretudo – que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria.», vou passar aos que fazem parte do meu percurso blogueiro, aqueles onde tenho aprendido a reflectir e a partilhar e que são sempre instigantes.

Bicho-Carpinteiro (Aust), Nocturno (Luísa), Ares da Minha Graça (Patti), Catharsis (Ana Paula)
De si para si (Si), Delito de Opinião (Pedro Correia e al), Crónicas do Rochedo (Carlos)
Outros Lugares (Ricardo AA), Blog Experimental (Vasco), Porta do Vento ( Ana e al)
Desconversa (Mike), Esconderijo (Fugidia), Cronicas da Teresa (Teresa)
Sabor de Maboque (Dulce), Cantinho da Luzcia (Luz), Inquietações (Lisa),
A Barbearia do Senhor (Luís), Ma-Schamba (JPT).

20/11/09

O teste da barata

Natalia Colection

Andam para aí umas pessoas com trolhas emprestados e com pronúncia do norte , mais aqueles que apresentam descaradas campanhas de marketing. Assim não dá! Proponho com este teste da barata, que me digam o que devo fazer.

Just perfect

Obrigada ao RAA que me considera "just perfect". E eu toda vaidosa renomeio quem me nomeou, e devolvo aos amigos que me têm proporcionado momentos vip e de grande calibre. Obrigada a todos e porque eles sabem quem são, deixo aqui o convite para passarem a corrente.

16/11/09

Entre custo e investimento

Hoje perguntaram-me porque é que as nossas ideias nunca funcionam, enquanto outros as implementam. Regressada do Brasil eu tenho a resposta. Não funcionam porque não vamos aos lugares conhecer o local. Integrados numa politica de globalização acreditamos que as ideias se colocam da mesma forma em todos os lugares e que se copiam a papel químico. Não é verdade, eu própria já ensinei muita gente a acreditar comigo que os produtos se podem vender transversalmente em qualquer lado desde que sejam ao mesmo segmento. A ideia de adaptar localmente ou de utilizar outsourcing para realizar tarefas ou funções que do outro lado do atlântico funcionam de forma diferente é uma realidade necessária. O que leva muitas empresas pequenas a não internacionalizar não é a sua dimensão, mas sim a dimensão das ideias dos responsáveis e dirigentes que as administram. Uma, duas, três, e as necessárias visitas a um potencial mercado ou parceiro não é um custo, é investimento. O mal da maioria das empresas portuguesas é que os custos se tornaram de tal forma o motivo do dia a dia, que tudo é considerado um esbanjamento de recursos. Podemos dar toda a formação a dirigentes, funcionários, colaboradores, alunos e outros, mas ela nunca sairá do papel se apenas o fizermos na sala de aula. Podemos convidar milhões de palestrantes mas se não conhecermos a realidade local não funcionará. Podemos chamar muita música e governante mas a fanfarra só fica no ouvido se compreendermos a letra da canção e o motivo que a gerou. Cantarolar todos o podemos fazer, agora explicar a letra da canção é que é mais complicado se não falarmos a mesma língua. Assim, pelo menos uma vez na vida talvez fosse bom pensar no investimento, deixar a contenção de custos de lado e olhar para o velho Canfield que apesar de ser de uma área paralela, foi motor e incentivo para muita equipa de venda de ideias e conceitos logo a seguir à crise financeira dos anos 30.

Sabor de Maboque

Acabei de ler o "Sabor de Maboque" da Dulce Braga. A "cria" como ela lhe chama é o resultado de um tempo fora do tempo e da época em que tudo estava de pernas para o ar. Havia vários graus de pernas para o ar, mas o que é certo, é que no dia seguinte apesar da reordem estava tudo outra vez de pernas para o ar. Os dias passam a ser vividos um a um e este é o relato duma vida que a guerra amadureceu antes do tempo. O maboqueiro tem um fruto que eu desconheço, mas que este livro me ensina no seu cheiro. O detalhe da escrita da Dulce é um dos seus pontos fortes, bem como a urgência que transmite ao leitores. O ritmo do livro, também, por ser vivido hora após hora, permite interiorizar os sentimentos da adolescente, dos seus sonhos e até de alguma infantilidade posterior. A autora inicia o seu relato, recuando no passado até onde podia lembrar-se. A necessidade de passar ao leitor factos assinalados e reconhecidos contribui para uma melhor compreensão da narrativa. Transmite, no entanto, rapidamente para o visitante que entra na sua alma uma sensação de reconforto e irmandade. As experiências vividas naquele período da história de Portugal e suas ex-colónias, tem de ser compreendida e reposta aos olhos de todos nós. "Sabor de Maboque" consegue criar um sentimento de insegurança e desespero em que a rapidez do anoitecer é igual à necessidade de ter o amanhã de volta para outro dia ultrapassar. Se no início dos capítulos encontramos uma autora completamente brasileira, com o decorrer do tempo memorizado, o português assume a sua forma tradicional em frases e estilos da escrita. Voltando a ser sabiamente intercalado com o presente, este é um livro que só podia ser escrito pela Dulce Braga e nunca pela Dulce Tavares. A primeira vive hoje em paz e foi nos Braga que encontrou os momentos de tranquilidade para pegar no passado. A pequena Dulce que se preocupava com o Pedro Dias não tinha maturidade para o fazer. A pessoa transformada pela alegria de uma sociedade aberta e cheia de luz, fez dela uma mulher a par do seu tempo e refeita dos seus males escondidos. Esta é a autobiografia de um tempo não perdido mas achado. Parabéns Dulce!

Good Madness a segunda - feira!


Claudio Roditi - Bossa Pra Donato

15/11/09

Pela BR101 (Rio de Janeiro - Santos)

E foi assim que o caminho de regresso se iniciou. Depois de um roadshow de economia, mercados financeiros e gestão de empresas familiares ficaram “as Curvas da Estrada de Santos”. Contrariando quem nos diz que é arriscado viajar de carro no Brasil, parti do Rio de Janeiro para São Paulo pela BR101, percorrendo a famosa estrada de Santos e as curvas da canção. Para melhorar o andamento comprei o CD “Elas cantam Roberto Carlos” que as funcionárias e clientes das Lojas Americanas tão embevecidas ouviam e viam no écran.


(As Curvas da estrada de Santos, Paula Toller)

Primeira paragem na Praia do Frade em Angra dos Reis. Linda paisagem, tempo a condizer e condução apurada. Uma visita a Paraty para beber a cultura local, a cachaça que a acompanha a música e a literatura que a envolve. Uma bonita cidade colonial num dia em que até quem lá mora reclama o calor que se faz sentir. Depois de cinco semanas no Brasil, eu já respondo como a carioca que conheci em Manaus, para mim está tudo jóia!

Paraty,RJ

Segunda paragem em Maresias, seguindo os conselhos de quem já lá esteve. O hotel bem localizado, simpático e perfeito para um mergulho antes da trovoada que já se adivinhava em S. Sebastião. A opção de Ilhabela e dos seus atractivos fica para outra oportunidade, desta vez eu dei um jeito e "arrumei-me" o melhor que pude, substituindo a onça-pintada e o meu acompanhante descendente primata, colocou roupa nova para jantar. A Mata Atlântica tem o senão dos mosquitos que podem dar cabo de qualquer visitante mesmo o que munido daquele aroma a Repelex se prepara para minimizar as consequências.


Surf em Maresias

Terceira paragem em Santos e a mais do que esperada visita ao Edifício da Bolsa Oficial de Café, hoje o Museu dos Cafés do Brasil. Uma bela lição da história do café, dos portugueses que o transacionavam, dos ingleses que implementaram estruturas de caminho de ferro e de negócio, dos imigrantes japoneses e escravos africanos que trabalhavam os campos e dos corretores que o valorizavam em bolsa. "A edificação da sede dos negócios do café em Santos, consolidou a região como a maior praça cafeeira do mundo", segundo reza a sua apresentação em brochura.


Santos, Museu da Bolsa de Café

Daqui até São Paulo foi um pulo, terminando uma extraordinária viagem por terras brasileiras onde a diversidade da paisagem é igual à da sua gente. No bolso trouxe um punhado de areias com tons e coloridos, nos olhos a observação e na mente a reflexão. E como dizia o meu acompanhante, é muito dificil regressar sem algumas angústias e o desejo de que a pobreza diminua ou pelo menos deixe de ser tão desigual. Até breve, Brasil!

12/11/09

“Homem Tijolo” (PP)

(Clicar sobre para ampliar)
O arquitecto dá sempre jeito para fazer arquitectura diz ele, rindo-se de si próprio. A arquitectura é feita de experiências e experimentações e o resultado possível depende da combinação de muitos factores, a começar pela imaginação de quem faz arquitectura e o engenho de quem a executa. Um dia cruzaram-se junto ao elevador do prédio que ambos habitavam. Coincidia a hora da saída de um e a hora de entrada do outro. Era o passeio higiénico e o regresso do atelier. Entre o boa noite e o até amanhã foi o início de uma apresentação agora e uma conversa depois. Um dia estava o condomínio a fazer obras de reparação e benfeitorias do interior, quando o arquitecto e a economista entraram no elevador conversando sobre a cor adoptada para pintar as escadas e a entrada do prédio. E já agora, que tal o vão do elevador e o interior das portas sugeriu um, concordou o outro.
Nas obras nada pior que “o já agora”, é esta frase que dá origem a muitos desvios orçamentais e a grandes dores de cabeça. E este não foi um caso diferente. Ainda hoje quem lá vive pergunta onde se terá inspirado o arquitecto naquela combinação tijolo e azul anilado. O arquitecto e a economista riem da sua primeira obra conjunta, à cor do vestido juntou-se o tijolo da obra, dando início à representação daquela perfeita harmonia de humor.
O Arquitecto PP apresenta agora a sua exposição em que o tijolo é a sua própria cabeça e a obra passa a ser vista como arte. O arquitecto ensinou a economista a procurar outros vultos nas cores e segundo ele, a interessada aprende depressa. O convite para sem pressa apreciar a mostra de trabalhos fica aqui. Por mim, sei que na impossibilidade de estar na inauguração, terei o privilégio duma visita guiada e anilada.

11/11/09

Às escuras no Brasil

Pane em Itaipu causa apagão em nove Estados

09/11/09

Outros sons, outros compassos!

Berlim 1989

Nove de Novembro de 1989, o dia em que Ampelmann atravessou a rua para o lado ocidental. Uma data que muitos não gravaram na memória, como recorda RAA e que o jornalista Pedro Bial, correspondente da TV Globo na Europa na década de 80, considera mais importante que Maio de 68. Uma data que passados vinte anos e de acordo com um estudo da revista Stern, 15% dos alemães ocidentais questionam, reclamam e desejariam o retorno ao passado.

Em Maresias a economia soube a pouco

Com o final da tarde veio o vento e mais tarde a trovoada e a chuva. Esta manhã em Maresias o tempo estava sombrio e a chuva fininha não convidava a praia nem antecipava sol. Da minha varanda vejo o céu a querer abrir, dizem -me que amanhã ou depois teremos outra vez sol. Nessa altura estarei a meio caminho do regresso a Portugal. Terei passado Santos, chegado a São Paulo e passado pela última conferência. E logo logo, o avião que me entregará aos céus do oceano e me levará de regresso a casa. A minha aldeia estará à espera e a chuva miudinha alternada por uns raios de sol e frio será o meu porto de abrigo durante os próximos meses.
Esta manhã, ao olhar pela minha janela sem surfistas e com as ondas a crescerem rumo à areia, pensei que terrível seria podermos tomar conta do mundo, do céu e dos mares e termos a capacidade de controlar o tempo físico, misturando o temporal com o intemporal. E debrucei o meu pensamento sobre o conceito de liberdade e desse bem precioso e escasso. Um bem que não sabemos usar e reutilizar sem querer captar o que não nos pertence. O mesmo bem que é nosso e deixa de o ser e as barreiras que nos limitam o passo e a perna. E a divagação num lugar onde o local tem de se sentir e os pertences pertencem aos locais confundindo poder público com poder político, com utilização dos bens públicos com bens privados, um direito que é e já não é, enquanto houver gente que não sabe. Um bem escasso num país que, frequentemente esquece a escassez dos bens públicos, não os cuidando, não lhes atribuindo valor e onde o poder local é uma usurpação do que é de todos e com direitos e deveres iguais a outros bens económicos. Palavras que são elas próprias escassas para passar palavras de democratização e logo a seguir não confundir economia social com lamechices. Lugares onde a emoção não poderia tomar conta da razão mas onde por vezes não deixamos de o fazer. O menino que vende o que a mãe produz e que, mesmo sabendo, que estamos a alimentar um ciclo de economia paralela é muito difícil dizer não. O homem que partilha sentimentos de compaixão e que com a idade parece ficar mais brando e a querer esquecer a economia de mercado. Pessoas que nunca tiveram opção de escolha e outras que nem sabem do que estamos a falar. Economia e política em paralelo, numa tradição de anos de um e de outro sozinhos, em conjunto num só e onde é difícil explicar as leis de mercado que funcionam com ditadura e não funcionam em democracia e vice-versa. Economia que hoje está em alta tornando um país às avessas do resto do mundo, em expansão em momento de crise, para logo aparecer a pergunta do porquê do país em queda com o mundo em expansão. E as respostas da Europa e da América e da crise financeira e logo a seguir a falta de compreensão das perguntas sem resposta da corrupção. Foi há vinte anos e a Europa fez o que tinha de ser feito, reunificando aquilo que o Muro tinha separado. Para mim, é tempo de voltar ao meu tempo e pensar o meu país, a nossa liberdade, os bens do pensamento, a escrita e o que ainda é necessário para celebrar.

28/10/09

Teresina,Piauí


Áreas e sectores em desenvolvimento numa cidade com cerca de 800 mil habitantes, temperatura média anual 36°C ao dia e 23°C à noite.
Teresina representa cerca de 40% do PIB do Piauí, tem o melhor serviço de atendimento de saúde do Nordeste. A indústria têxtil gera cerca de 10 mil postos de trabalho. O turismo é outra fonte de receitas.
Stop! Se é homem e está de bermudas, forget it. No Palácio Karnak não entra, só depois do expediente. Pode acontecer estar fechado, mas nada como voltar.

Entretanto uma visita ao artesanato local é uma alternativa, tem ventoinhas no interior das lojas e fugimos dos Shoppings da cidade.

Casa da Cultura a funcionar só durante a semana. Também quem são os curiosos que andam na cidade "que nem vento tem" ao domingo? O que a GJ inventa em viagem...

Gostava de entrar no Teatro 4 de Setembro e quem sabe assistir ao que está programado? Pois, a intenção até é boa, mas está interdito por falta de segurança, embora a programação continue "programada" ... Que a esperança nunca falte!

Teatro Arena
As novas infraestruturas culturais em Teresina prometem. No Brasil tudo é uma questão de Prefeito e Governador em primeiro, Senador em segundo. Muitas vezes rodam nos cargos e nas eleições. Num todo, a cidade respira a desenvolvimento apesar de ser um Polo ainda em reforma, e no qual o visitante é o único, que passeia num domingo pelas adormecidas ruas dum dia normal, em que o termómetro marca 42ºC. Os residentes estão no Shopping Center apanhando o ar gélido em tempos de contenção energética. Mas esta foi, sem dúvida, uma das grandes invenções do século passado e, também, a razão do desenvolvimento de muito território americano.