29/03/09

23/03/09

Jane Fonda regressa à Broadway

Jane Fonda regressa à Broadway depois de 46 anos. Está em cena em Nova Iorque a peça intitulada "33 Variations" e que se baseia num dos maiores mistérios que a música clássica tem mantido, ao longo dos últimos 185 anos. O mistério para o qual não parece haver resposta e que se baseia no facto de Beethoven ter passado os últimos quatro anos da sua vida a escrever 33 variações para uma valsa, mesmo que a pedido de Anton Diabelli. Este enigma que Kaufman trouxe para uma peça de teatro é contado através de uma jovem compositora obcecada pela música de Beethoven e que sofrendo de uma doença rara conhecida por doença de Lou Gehrig's torna a sua vida numa obsessão de tal forma que faz dela uma missão desesperada e urgente. Através da análise de comportamentos contemporâneos a obsessão e a música do compositor é feita em paralelo tornando a peça uma admirável performance para a actriz que não tem visto a passagem do tempo e trazendo um tema muito actual nos nossos dias. Saber lidar com pessoas, doenças e obsessões falsas ou verdadeiras.

20/03/09

Limpar o acento e dar brilho ao assento!

Caro MO, está tudo resolvido...
Falei com a "minhotinha das merendas" que se mostrou disponível para limpar os acentos em navegação. Fez apenas uma exigência. Para além do combinado em creolina, ela quer dar brilho aos assentos da casa. Já tem o produto que dará o colorido das oliveiras em flor e uma síncope ao imaginário de serviço. É necessário fazer diáriamente um inquérito sobre o sal e o caroço da azeitona, enquanto come o respectivo pãozinho. Por via satélite a "minhotinha" vai enviar um cesto de merendas. Enquanto o elevador estiver fora de serviço, cada um que se amanhe porque não haverá entregas ao domicílio.
Em caso de órgência, aconselha o pãozinho bijú que se descongela durante a noite no Café do Aires. Brevemente poderá distribuir feijão e mandioca se o fornecedor não falhar com as encomendas que serão enviadas por asa delta.
Até breve e boas ondas!

19/03/09

Entre a fé e a dignidade

A visita deste Papa ou dos seus antecessores a Países africanos ou da América latina tem sempre como ponto de honra, o discurso sobre a questão dos preservativos ou da abstinência sexual. Para a Igreja Católica faz todo o sentido que o discurso se faça do ponto de vista dos princípios e valores que não me interessa aqui debater. O que me parece pertinente é continuar a apelar-se à renúncia de métodos que, por um lado, as equipas de saúde tentam por em pratica diariamente, com ajuda humanitária, com a sensibilização de ONG, com o apelo à contribuição de fundos comunitários e a todos os meios disponíveis para melhorar a educação e a aprendizagem de cuidados básicos, e por outro, continuar-se a deixar nascer, morrer e infectar pessoas. Este é o tipo de discurso que não queremos ver no mais alto comissário de Deus. Ninguém no seu perfeito juízo dirá que o Papa quer que as pessoas morram ou sejam infectadas com a Sida. Já os nascimentos sabemos que é para isso que os Evangelhos nos dizem que viemos ao mundo, mesmo sabendo os actuais representantes do ensinamento da fé, que as taxas de natalidade e mortalidade infantil estão desesperadamente desequilibradas naqueles países. Promover a continuidade das tradições e da família africana como foi dito nos Camarões, merece todo o meu respeito. Promover o desenvolvimento económico dos povos também, mas querer que o Continente africano continue na era da pedra, não me parece que leve outros povos e outras culturas à aventura de ali se instalarem e praticarem o bem comum de ajudar o próximo a saber ser independente e livre.

Pouco se falou, até à data na imprensa, sobre a escravatura humana e trafico de mulheres e crianças. E este, foi o ponto que me pareceu mais interessante no discurso do Papa nesta sua visita a África, tanto mais, que a utilização de preservativos diminuiria nascimentos e doenças, para além de contribuir para o aumento de qualidade de vida, controlando também este problema social.
O número de mulheres que são vendidas como gado, e as crianças que levam o mesmo caminho é uma questão mal formulada porque pertence a vários continentes e deve ser reposta nos discursos sobre Direitos Humanos. Neste processo de comprador, vendedor e diferentes intermediários, o menos culpado, talvez seja, o consumidor final que já nem sabe, nem lhe interessa onde se iniciou a cadeia de valor do produto que dá pelo nome de raça de gente sem escrúpulos!
Hoje celebra-se o Dia do Pai e em nome de todos os filhos e filhas que nascem todos os dias, era bom que a Igreja Católica se lembrasse que é a Mãe de todos nós e que o Pai se o quisermos conhecer temos de ter muita fé e acreditar que um dia teremos a recompensa da nossa passagem pela Terra.

Dia do Pai



Barack Obama's Speech on Father's Day

Haverá, porventura, outros discursos igualmente importantes, mais curtos e em português. O discurso de Obama no Dia do Pai, não foi apenas um discurso de campanha. Foi o discurso dum filho para um pai e dum pai para as filhas. Acima de tudo é um discurso sobre a família, sobre responsabilidade, amor, dedicação, orgulho e expectativa. E nunca é demais relembrar, ouvir, fixar e pensar!


Barack addressed the congregation at the Apostolic Church of God in Chicago, IL on June 15, 2008.

18/03/09

Nós por cá todos bem

Apesar das dúvidas em relações ao exterior, em Portugal está tudo fixe, apenas com uma ligeira preocupação sobre o peso do Presidente, que já está medicado com vitaminas extra. Eu fico contente porque o que é preciso, é ter saúde. A preocupação é grande não só com o Presidente mas segundo sei com outros portugueses. Até já andam a controlar os padeiros com a questão do sal, o que também me parece adequado, desde que não nos estraguem os queijos, os enchidos e as outras iguarias que vamos ter dificuldade de manter à venda. De qualquer forma como o bolso anda magro e enquanto enche, o povo educa o paladar, tornando todos mais contentes e podendo cumprir com rigor a legislação e alterar os hábitos alimentares. Os banquetes com reis, rainhas e ilustres estão a dar nas vistas em Portugal e o sal e a pimenta têm de ser qb.
Ao que parece anda também por aí, uma grande vontade de encontrar os lugares certos em mesa especial. Ouvi qualquer coisa sobre a falta de cadeiras mas o problema foi resolvido com bancos e cadeiras de praia. Ao que parece ninguém queria perder o lugar no "jogo do lenço", porque o castigo era ter de dançar funáná.
Por outro lado, a coordenação europeia no combate à crise precisa de agitação. E Carlos Queiroz já disse que "temos de trabalhar e não ter uma atitude de bebés chorões". Dizem-me que isto não tem nada a ver com o resto, era de futebol que ele falava.
Lá fora, quer dizer, no resto do mundo, Obama prepara plano para as pequenas e médias empresas o que levará a que tudo esteja resolvido daqui a um a ano no máximo dois, apesar de Krugman entender que a resposta europeia é decepcionante e que o plano americano corresponde a um terço do valor necessário enquanto o europeu a bem menos de metade. Parece igualmente que a queda do PIB na Europa é maior que nos Estados Unidos e por outro lado que Portugal se arrisca a ser um cheque sem cobertura por causa do endividamento, como nos alerta Abel Mateus. Contaram-me que devo estar atenta ao Bernarke que prevê a retoma nos EUA já em 2010 e também para o consultor Charan que garantiu em Lisboa que a crise económica mundial recupera dentro de 5 a 6 meses.
Nós por cá para não complicar muito, temos empresas, Cimpor, a cair 38,5%, a criação de empresas recuou 44,7% e para dar um toque internacional, os Britânicos perderam 28% da riqueza em ano e meio. Enquanto isto, apesar do nosso ministro Manuel Pinho ter pedido 132 milhões de indemnização à Opel por fechar a fabrica da Azambuja, parece que só vamos receber 18, o que também dá ideia que já foi feito.
Para terminar, a única coisa que corre bem é o sector da distribuição alimentar que criou 15 mil empregos e a notícia de que a Unicer vai investir 1 milhão nas Festas de Lisboa. Vai haver bebida e comida para todos, espectáculos, concertos e esperemos que venham pelo menos mais cinco turistas. Também espero que os jovens saibam beber com conta, peso e medida.
Para não maçar mais, abstenho-me de fazer links para os nomes que acabei de citar, porque como já sabemos isso agora já não interessa nada!

Cole Porter "Let's do it"

17/03/09

Homens sem nome

Lunch time at "The Empire State Building"
Construction setting (1930)

New York,1930 - Let's do it!

Apesar das escavações terem começado a 22 de Janeiro, o início da construção do edifício tem a data simbólica de 17 de Março, coincidindo com o St. Patrick's Day. O projecto envolveu 3.400 trabalhadores, na sua maioria emigrantes europeus e canadianos. Foi inaugurado a 1 de Maio de 1931. E tornou-se o edifício mais alto do mundo, naquilo que foi uma das maiores competições em Nova Iorque, for "the title of the world's tallest building. Two other projects fighting for the title, 40 Wall Street and the Chrysler Building, were still under construction when work began on the Empire State Building. Each held the title for less than a year, as the Empire State Building surpassed them upon its completion, just 410 days after construction commenced. "

Fonte: Wikipedia

14/03/09

Os Beatles na Universidade

The Beatles, Popular Music and Society é o primeiro mestrado, no género, a ser oferecido por uma universidade, e que a Hope University de Liverpool está a organizar. O tema tem atraído vários interessados, o que não é de admirar. Segundo, Mike Brocken, professor naquela universidade, apesar de haver cerca de 8000 livros sobre os Beatles a análise sobre a sua influência na música popular tem sido pontual e raramente aprofundada por estudos académicos. Apesar das já esperadas críticas da comunidade académica internacional, este é um tema que provavelmente já merece tese de mestrado. Eu gostava de saber como vão reagir em Portugal os nossos académicos sempre desconfiados de teses "à la minuta". E vá lá que a Grã-Bretanha não aderiu ao processo de Bolonha, caso contrário já se previa a atribuição de mais uma fantasia "à la carte". Permitir o estudo de áreas que seriam impensáveis de creditar numa licenciatura de física, engenharia ou literatura em tempos passados é de louvar, mesmo que se possa por em causa a qualidade de alguns temas ou ensino e aprendizagem de outros. Com a devida contenção de créditos, qualquer um pode hoje ter uns lamirés sobre qualquer assunto. E este pode ser o primeiro passo para que continue o estudo de áreas, fora do seu percurso inicial, mas que o podem tornar especialista noutras que nunca tinha pensado. Desde que não fique pelos lamirés, claro está!

12/03/09

Ao jeito do anjo e do diabo

Um outro filme

Nhaque-nhaque-nhinhos

Continuando a leitura dos jornais e como qualquer verdadeiro tripeiro poderia ter percebido, e até antecipado, parece que a candidata "independente" e disponível para apresentar a sua candidatura com o apoio do PS, está um bocado atrapalhada com o que também já era mais do que esperado pelos da casa. Parece que apenas 20 dias depois de ter cantado ao lado de Rui Veloso, o conhecido socialista Orlando Gaspar não achou piada que uma pessoa, e logo a candidata disponível para dar a cara pela cidade onde não tem vergonha de ter nascido, queira pelo sim pelo não, ser candidata às eleições europeias e também à Câmara do Porto.
Por estas e por outras é que uns são da terra e outros apenas cá nasceram. E esta é uma história de ti-nó-ni e ti-nó-nó, idêntica à do fanhoso que queria comprar cinco tostões de nhaque-nhaque-nhinhos.

Thriller à portuguesa


"Ministério Público procura 200 milhões de euros do BPP"
(Cristina Ferreira, Público pg 29)

11/03/09

Bento da Cruz

Bento da Cruz responde, de pronto, à chamada: «Lá na minha aldeia, a terra estava dividida em leiras. Cada um trabalhava a sua. Pincipiei por sachar a minha como via fazer a todos os outros. Fui aquilo que hoje se chama um trabalhador infantil. Mas então ninguém falava nisso. Quando troquei a enxada pela caneta, a minha leira passou a ser o Barroso».
E ainda: «Para mim, Barroso é um Paraíso. O único ou dos poucos que restam à face da terra. Tudo no Barroso: paisagem, sol, luz, estrelas, flores, aves, bichos, gentes mantêm uma pureza e uma frescura edénicas. Estivesse eu naquele estado de graça do nosso pai Adão, antes da trincadela na maçã, e decerto arrancaria à minha leira verdadeiros tesoiros» (
BOTICAS, 26 de Maio de 2008)


Não foi aqui que conheci o autor, mas em casa de uma amiga que tem a distinta particularidade de organizar jantares recheados de surpresas. E Bento da Cruz mantém a ruralidade dos escritores passados e a ingenuidade dos tempos em que havia tempo. A cidade e a profissão não retiraram nem a candura à escrita nem a ingenuidade ao homem.

Crónicas do Barroso

"Pertenço a uma família de caçadores inveterados. Eu não cheguei a viciar-me porque sou pitosga de nascença e só comecei a usar óculos aos vinte e tal anos. Suponho que foi por isso. Ou não seria. O certo é que, quando de férias, uma vez por outra, pegava na espingarda e saía para o monte.
O meu pretexto era esticar as pernas. Minha mãe e irmãs, no entanto, partiam do principio de que, se eu ia à caça, tinha obrigação de trazer coelho, perdiz ou lebre para arroz. Neste pressuposto, se a sorte me favorecia, quer dizer, se os cães agarrassem qualquer coisa para eu pôr à cinta, elas recebiam-nos de sorriso aberto e mesa posta. Se não, corriam os cães da cozinha a pontapés, como a dizer-me:
- Era o que tu merecias...
Também hoje merecia pontapés. Saí de casa à cata de assunto para este prolegómeno e trouxe apenas um braçado de flores silvestres. É à volta delas que vou circunvagar.
... Já trazia um ramalhete de dedaleiras. Juntei-lhe outro de mentrastos e fui andando...
... Colhi um ramo de flores de sabugueiro e fui andando...Em breve as flores eram mais do que os meus braços podiam abarcar. Retrocedi.
Em sentido oposto vinham duas jovens de palhinha, biquini e sandálias...
Elas continuaram a descer em direcção ao rio e eu fiquei a observá-las pelas costas.
Decerto convencida que eu havia continuado, uma delas fez o seguinte comentário:
- O homem parece uma jarra de flores.
- O que ele parece é um jarreta - acrescentou a outra." (in op, O Jarreta, pgs 211 -213)

10/03/09

09/03/09

Ventos Amigos

A Ana convidou-nos a escrever e eu aceitei com muito prazer. Não estava à espera era de ver o meu petit texto publicado a seguir a um belo poema do António Lobo Antunes.
Obrigada Amiga, e que responsabilidade para mim e que risco para si!

Células estaminais

President Barack Obama is applauded by members of Congress, and others, after signing an Executive Order on stem cells and a Presidential Memorandum on scientific integrity, Monday, March 9, 2009.

A aprovação e o fim do entrave à utilização de recursos financeiros na investigação através das células estaminais vem apenas dar continuidade aos estudos já iniciados e postos em causa pela administração Bush desde 2001. Corresponde a uns dos pontos da agenda de Obama e uma vitória da comunidade cientifica internacional. E este é um assuntos que está mais do que nunca na ordem do dia. O meu aplauso a Obama, Yes Sir!

08/03/09

Um Porto cheio de eventos

Ainda dizemos que o Porto não tem eventos e é uma cidade sem graça! Pois este fim de semana o difícil era conseguir ir a todos, ser visto em todos e ter tempo para apreciar o que se nos oferecia. A selecção ia desde a passagem pela Exposição de Camélias no Pavilhão Rosa Mota com visita ao Palácio de Cristal e Casa Tait, o must da inauguração do pavimento da autoria de Ângelo de Sousa na Miguel Bombarda, e visita às galerias de arte, a actual Feira do Livro, a participação na prova da Essência do Vinho no Palácio da Bolsa, a visita ao Festival de Gastronomia de Trás-os-Montes no Edifício da Alfandega, já para não falar das múltiplas sugestões para assinalar o Dia Internacional da Mulher. Estamos de vento em popa e ainda bem que as cidades começam a ter coisas para ver e que finalmente as pessoas percebem que há mais do que centros comerciais. Continuamos a pecar na divulgação, mas enfim vamos podendo dar de beber à alma porque a dor já está está mais do que saciada. O importante é criar o hábito que o monge vem de seguida. Em Londres, por exemplo, o tempo não interessa a quem lá vive porque uma pessoa nunca se aborrece, tem sempre coisas para fazer. E mesmo que a determinada altura a falta de sol nos inquiete, rapidamente encontramos soluções para gente de todas as idades, e esta é a grande diferença. Nós somos aborrecidos não por causa do tempo mas porque não temos eventos que nos agucem a curiosidade e a distracção. Eu até estou desconfiada que é por isso que os nossos políticos nos tentam divertir com as suas larachas. E por partidas, isto vai ser uma alegria na cidade e tudo o que se inaugurar a partir de agora, vai ser algo já previsto pelo anterior autarca socialista, e que só agora se fez por "teimosia" do actual. A campanha começou minha gente, e é ver quem é que mais puxa a brasa à sardinha. Como dizia António Barreto sobre outro assunto no jornal Público "até é possível que seja legal mas não tenho a certeza é que seja honesto". Eu também concordo, não tenho a certeza que esta gente seja séria ao reclamar a obra para si quando na verdade o dinheiro é de todos nós, e neste momento o que me interessa é que foi feita, independentemente de quem a pôs no planeamento da autarquia.

07/03/09

06/03/09

Proteger a liberdade individual?

"Vá dizer aos adolescentes que namoram, que querem dar o passo seguinte e viver em união de facto, que agora vão ter que assumir tudo isto. E que quando a relação acabar têm de indemnizar o outro. Esta esquerda que se diz moderninha quer entrar em casa das pessoas e impor os seus padrões" (Nuno Melo)

O deputado do CDS apesar de ter razão no essencial e da sua adolescência já ir longe, atirou uma frase bombástica típica do ambiente da AR mas desvia a atenção do que interessa. E o que está mesmo à vista é que se o PS não conseguir aprovar a lei do casamento homossexual, tem por antecipação, a lei que vigora sobre as uniões de facto muito mais apertada e distinguindo-se pouco do que vigora no casamento civil, permitindo também, a seu tempo, facilitar a adopção por pessoas que vivam em comunhão ou em união de facto. Com isto pretende-se fazer lei à força, com a subtileza de nos fazer pensar que vamos todos ficar melhor. Provavelmente é fazer justiça alargada, mas é sem sombra de dúvida uma rasteira para todos, a começar pelos que querem que o casamento não tenha género e que seja aprovado. Este é um ponto onde naturalmente os partidos nunca vão estar de acordo e é também por se saber disso que o PS e o resto da esquerda quer adiantar serviço e aprovar o que já existe. E se for tão semelhante ao casamento que pouco distingue os regimes, a imposição de direitos retira pertinência a outros debates, mesmo que ao abrigo da liberdade ou da igualdade. E quanto a proteger as pessoas para que decidam livremente sobre as suas vidas, não me parece que necessitemos do estado para nos dizer como fazer.

05/03/09

O género do casamento

Depois de uma vigília a favor da causa, continua hoje nos EUA o debate sobre a revisão da decisão do Tribunal Supremo da Califórnia sobre a aprovação do casamento homossexual. Este é um debate que tem dividido vários países, incluindo o nosso, e que muitos apontam como uma questão cultural, incluindo os Estados Unidos. Esta questão que para alguns gera polémica incendiada e para outros não tem sequer lugar a dúvidas por ser um assunto de liberdade e igualdade, merece que lhe dedique mais atenção. Por hoje, terá direito a destaque de um comentário feito e lido nas notícias internacionais.
“Let homosexuals get married. Big deal. Plus, why should only men and women go through the misery of divorce. Let a couple of alternatives go through it. After a while they will ban marriage themselves.”
Independentemente da opinião de cada um e de cada qual, a igualdade do casamento tem também este lado das competências, e provavelmente o comentador tem razão no que diz. Assim que tivermos todos os mesmos direitos e deveres independentemente da natureza do género, vêm igualmente a seguir e da forma mais tradicional possível, todas as consequências do acto. E aí poderíamos ver se o número de divórcios aumentaria, se os casais com filhos adoptados ou não seriam mais conservadores, se as maleitas tradicionalmente associadas ao casamento surgiriam com maior ou menor frequência, se a adopção é o assunto mais importante nesta discussão ou apenas mais um direito que faz parte do pacote a que se tem direito, se o número de casais homo crescia de forma tendencialmente superior que o dos casais hetero, se os filhos tinham ou não diferenças na aprendizagem, se a questão cultural é a natureza do desgaste. Ou seja, na verdade, poderíamos analisar se o conceito de família se destruía ou pelo contrário repunha princípios esquecidos e quais são os valores que determinam a natureza dos seres. Mesmo sabendo que a dimensão da amostra teria de ser significativa para podermos comparar, "e outras coisas sendo iguais", eu gostaria de poder fazer esta análise em tempo de vida.

03/03/09

Olha o guito, Barreto!

A malta cá da terra tinha umas poupanças mas atenção que não somos ricos, portanto não andem para aí a dizer que lá porque entregamos o dinheiro a um banco que era apenas pequeno e de investimento, somos ricos. Não, nada disso os depósitos a prazo que na verdade não eram a prazo mas de capital garantido com retorno absoluto, eram em média de 200.000,00 euros. E os bancos de investimento dos ricos são coisa diferente, aceitam valores muito superiores e isto não era para a maralha e agora não venham com tretas de gente rica a querer ter a devolução do que perderam. Os ricos têm cultura em geral por isso depositaram em bancos grandes que garantem o dinheiro. Agora a maralha só tem "coltura", a maralha também não percebe nada de contratos, que aliás não lê, nada percebe dessa história de spreads, investimentos curtos, longos, com risco, sem risco e a maralha o que quer é o seu juro e esse era bem gordo e chorudo. Só que o pobre costuma desconfiar da fartura e neste caso não quis saber. O que quis foi ter e ser igual aos outros tansos que acreditaram que a banca não enganava. Cultura financeira vamos ter a partir de agora, por sugestão da dra. Fátima da televisão que vai pedir à dra Maria de Lurdes do ministério que inclua essa disciplina no secundário. Aliás muito mais interessante do que outras disciplinas das quais os alunos estão mais do que fartos de ter e onde nada aprendem, pelo menos com esta vão aprender a não ser ursos e a ler tudo o que lhes puserem à frente. E também que em vez de acreditar nas instituições per si devem questionar os conselheiros da banca. E já agora ter a certeza que a rapaziada sabe do que fala.
Quem não precisa nada disto porque já nasce ensinado, e tem olho vivo é que se tramou. Daí que o Barreto sendo um homem importante e viajado, com o dinheiro ganho pelo suor e com a enxada a ajudar, tenha ficado aflito quando a maralha que lhe entregou as poupanças começou a telefonar lá dos países evoluídos. "Ó Barreto tu vê lá do guito, pá! Dizem que os bancos andam para aí a perder dinheiro a torto e a direito, tu vê lá Barreto que a malta está aqui emigrada e confia em ti!". E o Barreto ficou assustado e aproveitou a boleia e toca de contar a sua história. Eu gostei do Barreto, mas o que já me está a enervar é esta recente necessidade e falta de tato de colocar nos programas de"gente fina para seus iguais" os uns e os outros, cultura vs "coltura" e querer ensinar a maralha com ares de sabedoria mal aprendida tratando-nos a todos como maralha. O debate transforma-se num cine falcatrua com actores feitos à pressa e eu não gosto, "prontos"!