07/05/09

À espera do avião

Dizem-me que lá em baixo está um caos. O cidadão fartou-se de ser enganado e veio a correr, só que o BPP está a secos e molhados. Quem se trama com esta saga são os que têm de chamar a polícia, falar com a televisão, tapar a entrada e fugir aos olhares de quem passa. Os que ficaram são os que menos têm para contar e os que estão dentro aguardam calmamente que os processos sigam com o ritmo que conhecem. Pelo caminho, uns são pessoas de bem sem dinheiro, outros são os que acreditaram no faz que faz, na aparência e no discurso de festa, e ainda alguns que acreditam que o seu há-de chegar um dia. Há-de, sim! Só se for nesta versão - de avião e à beira-mar sobrevoando o oceano.

4 comentários:

Mike disse...

Que tonteria descabida, essa que eu vi na "versão". Os que acreditam que o seu dia há-de chegar, bem podem esperar que o BPP já não levanta vôo, quanto mais dar dinheiro. Dar não, restituir.

Luísa disse...

GJ, vi ontem uma entrevista no telejornal com uma dessas depositantes no BPP e fiquei revoltadíssima. A senhora tinha lá colocadas as suas poupanças, que não eram de um valor extraordinário, estava desempregada, desesperada, sem nada, e apenas queria a devolução do que era seu. Pois o comunicado do Banco chamava-lhe «cliente sitiante», para não lhe chamar «cliente assaltante». É extraordinário que os prevaricadores sejam os que apenas reclamam o que lhes pertence, e que os outros continuem a aparecer na vida pública como se fossem as vítimas, sem um pingo de vergonha, absolutamente impunes. Não há o direito!

Grande Jóia disse...

Não há mesmo direito, Luísa. As pessoas foram literalmente iludidas para não dizer enganadas. Muitas assinaram contratos sem ler as entrelinhas, por terem confiança nas pessoas que conheciam. Mas o mais dramático é muitos dos comerciais não sabiam o que estavam a vender, por falta de informação interna. É bom que os comerciais que ganham por objectivos tenham noção do produto que vendem. Nenhuma instituição pode oferecer taxas garantidas superiores aos de um depósito a prazo sem investir uma parte com risco.
Muitas destas pessaos tinham contratos de depósito a prazo e foram levadas a assinar, contratos que julgavam ser iguais mas com rentabilidades maiores. O que os contratos dizem é que uma parte PODE ser investido. É aqui que os Clientes perdem razão, porque o Banco não diz nem deixa de dizer que investe. Pode! E os depositantes nem olharam para o "pode".

Grande Jóia disse...

A questão, Mike, é que como os Bancos "não estavam" à espera da crise internacional, investiram em produtos pura e simplesmente foram ao ar. E também a maioria não sabe que o seu banco investe em Fundos de outro que por sua vez investe em países como a Islândia, por exemplo,e que uma vez falido não tem dinheiro para devolver a ninguém. E venham os advogados e os tribunais que daqui a 20 anos os depositantes portugueses, espanhóis,etc, gastaram em processos e ainda são eles a dever ao banco ou à Islândia.
É aqui que a globalização entra em colapso, embora eu acredite que este é um processo irreversível.