07/05/09

Saudavelmente absorvidos

Nesta época, a vida em Portugal era mais "descomplicada", o país acordava para as novelas brasileiras, que eram divertidas, com imagens dum país distante através de um escritor. Jorge Amado que tinha sido lido pelas elites, podia agora ser visto por todos. Já não era preciso saber ler, bastava ver e ouvir. Hoje, instalada a democratização das imagens, elas são bem mais folclóricas, mas igualmente menos belas. E o país está quase a chegar ao ponto de rebuçado. Eu não sou grande coisa nesta história de pontos de açúcar, mas julgo ter lido que a partir daí fica em ponto caramelo, o tacho está esturricado e o doce estragado.

4 comentários:

fugidia disse...

Jantar tomado, mesa levantada, cozinha arrumada e todas nós
(mãe, avó, manas mais novas e eu: os cinco mais velhos já tinham saido de casa)
e o meu pai,
nos seus lugares, sentados, assistiamos encantados.

Ainda a preto e branco...

Foi a primeira telenovela que vi "às claras": as seguintes (Casarão e Companhia, vi às escondidas - risos -, que o meu pai achou que não eram próprias para a nossa idade. No Dancing Days já voltámos à sala, com o argumento, aceite, de que era espectacular ver aquilo tudo a cores... :-D)

E mal começou o video, GJ, comecei a cantar: nunca esquecerei esta letra, a sensualidade da voz e das pausas, a melodia.
Nunca esquecerei aqueles serões entre familia.
Nunca esquecerei o Archie Bunker, lembra-se?

Sorrio.
E por aqui me fico...
:-)

(P. S. Por favor, apague o que resta dos comentários anteriores: pequeninos lapsos fizeram-me reescrever o comentário. Este post merece tudo limpinho, como o meu caderno da primária :-D)

Grande Jóia disse...

Se me lembro, Fugidia.
Aqueles tempos merecem mesmo ser limpinhos como um caderno de instrução primária.:)
Eu tinha acabado de casar, imagine... e a minha casa parecia uma casa de bonecas. A sala tinha um sofá de dois lugares e uma mesa oval enorme para sentar muita gente à volta. E a novela enchia a sala apesar da televisão ser pequenina :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Lembro-me que foi no dia 2 de Agosto de 1977. Cheguei a Lisboa pela manhã para passar umas curtas férias ( estva a estudar nos Estados Unidos)e alguns amigos foram esperar-me ao aeroporto, manhã bem cedo. Vinha cansado, porque na ltura não conseguia pregar olho nos aviões.
como eles também tinham de ir trabalhar, propus que nos encontrássemos para jantar.
Sim, mas só depois das 10, por causa da Gabriela?
Fiquei a saber ao princípio da noite.Não percebi a loucura dos meus amigos- apesar da atracção especial Sónia Braga.
Acabaria por ver a Gabriela,10 anos mais tarde,já em Macau.
Obrigado por me fazer recordar este episódio.

Grande Jóia disse...

Estas histórias são engraçadas vista em retrospectiva. Dois ou três anos depois e ainda nos cruzámos nessa andança dos aeroportos entre a América do Norte e a Portela. Os aviões saíam por volta da meia noite de lá e chegavam às seis ou sete da manhã de cá. Viagens para trás e para a frente, com as cabines cheias de fumo. Chegavamos tão a leste do paraíso e a nossa realidade era bem diferente. Tempos que também recordo sem nostalgia, mas com um sorriso igual ao deslumbramento que sentiamos tanto à partida como à chegada.
Ter conhecido a Sónia Braga também era um acontecimento, Carlos, mesmo dez anos depois:)