13/06/09

Alcachofras e dias Santos

Houve uma época em que os dias santos e os feriados me divertiam. Hoje sinto que são uma perda de tempo. É porventura uma patetice, mas o ritmo dos dias passa de tal forma a correr que a ideia dos feriados não ajuda a recuperar o que deixamos para ontem. E é pena porque me parece que antigamente o meu olhar tinha mais carinho ou se calhar era apenas menos crítico. Não sei se os santos eram mais santos e o António de Alfama, da Costa do Castelo, da Mouraria ou da Madragoa era mais simples e prazenteiro, comia sardinhas e dançava nas vielas, fazia altares e pedia tostões ou seria eu que tinha mais jeito e destreza para saltar a fogueira, escolher o manjerico com a melhor quadra popular, queimar as alcachofras e colocar à janela para ao amanhecer me revelar o amor jurado na noite anterior?
Uma coisa eu sei, as marchas passaram a desfile de passerelle e as sardinhas já não se comem em cima do pão. As noivas de Sto António entram pela primeira vez na Igreja e os vestidos são patrocinados por estilistas e as viagens por agências que vendem sonhos. A tradição deixou de ser o que era, eu fiquei resingona e o que me vale é a alcachofra!

5 comentários:

Rita Vasconcellos disse...

:-)

GJ disse...

Ó Rita, adorava ser capaz de ilustrar os meus rascunhos ;)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já passei por diversas fases. Actualmente, aprecio os feriados embora, destes dois últimos, nem me tenha apercebido por estar a trabalhar.

Luísa disse...

GJ, é o nosso olhar que está mais crítico. E a mediocridade dos arranjos, que hoje já não é porque a obra sai das mãos «toscas» do povo, mas porque o investimento comercial é pesado na balança do custo-benefício, salta demasiado à vista. Diz quem assistiu que, este ano, as marchas na Avenida foram de um pífio confrangedor.

GJ disse...

Concorda comigo, Luísa? Ainda bem, afinal estou lúcida. :))
Sabe o que é olharmos para as coisas, identificarmos exactamente porque foi feito daquela forma e não haver nada a dizer, porque sabemos?

Carlos, quando o trabalho nos dá prazer nem damos conta que é feriado.