30/09/09

Filipinas, terra de tempestades

Quem visita Manila, não esquece o que vê. Há tempos falei do Haiti, país que conheço melhor e onde permaneci alguns meses. As pessoas vivem uma pobreza medonha, do tamanho que eu julgava impossível existir nos nossos dias. Em Manila, convivi com os últimos anos da presidência de Corazon Aquino. Era uma mulher extraordinária, que queria dar a volta a um país corrupto, pobre e fustigado pelas calamidades naturais. Amanhecia um dia de sol, para passadas umas horas as enxurradas levarem tudo à frente. No dia seguinte a lama misturava-se com os dejectos, com os mercadorias espatifadas e o mercado era a maior pouca vergonha que eu já vi. Dum lado as bancas e os seus vendedores, do outro os cavalos misturados com crianças, cães, galinhas e pelo meio carros com turistas, e comerciantes ambulantes que tentavam vender petiscos locais. E depois, a prostituição infantil para a qual não há palavras. Foi em Manila, que me pediram para revistar malas e carteiras à entrada do hotel, e que em cada corredor havia um polícia que nos identificava, para segurança de quem lá estava. A piscina tinha guardas e polícias que passeavam todo o tempo, misturando-se com os turistas que tentavam ser turistas e apanhar um pouco de sol. Era impossível uma mulher sair sozinha sem ser incomodada, conheci uma alemã que trabalhava para uma multinacional e que me convidou para conhecer a cidade. O luxo de ter motorista e belo automóvel, numa terra cheia de miséria é das situações mais confrangedoras por que me lembro de ter passado. Seguir à frente de todos, ter tratamento diferenciado nos armazéns e regressar à minha conferência cheia de colegas que, superiormente, não consideraram importante sair do hotel, foi uma das razões para aquela viagem ser a confirmação da superioridade dos países desenvolvidos e da falsa pretensão de ajuda a quem não é desenvolvido. Olhar para aquele grupo de conferencistas, que em representação da ONU dizia procurar soluções para os países desfavorecidos, foi igualmente motivo, para ficar a saber como funcionam os organismos internacionais a bem da comunidade local. A democracia pode ser instaurada pela força da revolução, mas um povo só vive democraticamente se lhe ensinarem a viver dentro dos princípios da nova situação sociopolítica. Há dias, as Filipinas tiveram mais uma tempestade natural e Manila ficou alagada. A população teve mais uma vez de recolher bens, tentar um abrigo e sobreviver. Para isso recorreu à ajuda internacional. Corazon Aquino morreu este ano, deixou o país com a democracia, as organizações internacionais continuam a fazer conferências, e o país está exactamente no ponto em que o deixei, faz agora 18 anos.
Por isso, quando vemos a nossa democracia em perigo, temos de escutar todos os sinais para nunca vivermos o caos das misérias miseráveis. Aliás, ter a democracia instalada e não ser democrata é uma péssima conjugação para qualquer país.

29/09/09

Sou forçado, sou forçado!

Ora bem, tivemos os esclarecimentos do nosso PR, em versão interpretada dos factos. Na sua breve declaração, Cavaco Silva interpretou os factos e disse, o que pensou e pensa o Presidente. Não gostou de o fazer, não o costuma partilhar e foi forçado, forçado, repetiu! Tudo isto porque "queriam colar o Presidente ao PSD e desviar as atenções" e por outro lado centrar o problema na segurança informática, fica bem. Pelo caminho levantou dúvidas, que considerou não ser crime, visto ser normal todo o cidadão poder, em termos pessoais, ter dúvidas. Mas também levantou suspeitas em relação a assessores, a jornais, à confidencialidade e à segurança informática da Casa Civil. No fim de contas deixou bem presente que ninguém fala por ele e que o Presidente só fala quando promete e no momento que lhe convier. Siga a música, que desta já lavei as mãos.

Cadeiras "ongoing"

O vai e vem das cadeiras começou. Moniz regressa à TVI, diz a imprensa, com lugar diferente e melhor comando. É o início de outras mudanças. Preparemo-nos e quem tiver lugar que se cuide, porque a função e o lugar são coisas distintas. Uma pessoa poder ficar com o assento e não ter função, pode ter cargo sem função, pode ter função sem cadeira, pode ter ministério sem pasta, pode ter pasta e não ter papel, pode ter no pior dos casos uma cadeira duvidosa, também! Desta vez, foi só um instantinho, para o que sempre foi viesse ao de cima. Nada mais que fusões e aquisições. Tanta confusão para uma simples negociação "ongoing". Porque é que somos assim?

28/09/09

Good Madness à segunda - feira!


Jobim Sinfonico - Garota de Ipanema

Os portugueses "deitaram" em todo o país

Os portugueses deram o seu veredicto e disseram, que apesar de apoiarem o PS, não tinham a certeza que governos maioritários fossem a solução para governar com rigor e sem prepotência. O espectro da arrogância desapareceu e deu lugar a outros ouvidos. É uma boa solução, especialmente quando se esperava pouca convicção na orientação do voto.
Para o PSD é uma machadada bem acertada para quem não quis ajuda em campanha e acabou por ter de camuflar a verdade. Exige-se que a segunda maior força política se renove, que passe a viver com ideologia, que abandone as políticas de maldicência, típicas da calúnia e boatos de corredor. O PSD de Sá-Carneiro fundado pela ala liberal do tempo de Marcelo Caetano, preocupava-se em passar e viver com esses fundamentos. Hoje, foi consideravelmente penalizado a favor do CDS e nem o recém-chegado Paulo Rangel fez a diferença que Manuela Ferreira Leite antecipou com as eleições europeias. Espera-se, a bem da democracia, que limpe e areje as bases, as cúpulas e angarie novos militantes ou simpatizantes convictos.
O CDS deve o resultado a Paulo Portas e a Nuno Melo, o seu melhor deputado. Considero que é um dos vencedores da noite, veremos se não se considerará mais papista que Sócrates quando chegar o momento de analisar as propostas apresentadas na AR. Concluo com os cinco pontos que considero relevantes:
PS ganhou com maioria relativa ; CDS ultrapassou a barreira dos dígitos; PSD foi consideravelmente penalizado; Bloco de Esquerda não teve a percentagem aguardada; CDU manteve o seu lugar político.
Neste momento, penso que as forças políticas se encontram equilibradas como não se via há alguns anos. O espírito da revolução voltou e eu considero que é uma vantagem para Portugal, porque passamos de amorfos a gente que pensa e bem ou mal actua em conformidade. Muitos portugueses terão votado sem convicção e muitos em sentido contrário do que tinham feito em Junho. Se o fizeram, algo está mal, muitas coisas até, e essa foi a forma de o expressarem com confiança no futuro.

27/09/09

A lei da metamorfose para reflexão

"Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo como a imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo."
(Herberto Helder, "Os Passos em Volta", Assírio & Alvim, 2001, pgs 23,24)

25/09/09

Trabalhar e laborar


Tributo a Alvar Aalto

É preciso distinguir e esmiuçar

(imagem retirada da Internet)

Zézinha, diz que é um valor seguro. Se há valores seguros, para além do prémio pago às instituições financeiras, é arriscado assegurar. Admiro-me que não tenha sido esmiuçado, porque se há valor seguro, então vale mais do que aparenta e até pode ser garantido. O ponto é que no último ano nem com suspensórios conseguimos segurar o que quer que fosse. A começar pelas bolsas e a terminar na nossa carteira, podemos dar a bolsa com facilidade e não vale a pena gritar, acudam que é ladrão!
Para isso, mais vale trabalhar que laborar porque cansa mas não estafa. Laborar indica força física e a menos que sejamos treinadores de algo, o melhor desporto para não cansar é trabalhar sentado. Quando entramos numa fábrica encontramos pessoas a laborar e outros a trabalhar. Quando entramos num escritório encontramos pessoas a trabalhar e descansar. Quando entramos num atelier de moda, de arte, de design, de arquitectura encontramos pessoas a construir o que outros vão laborar e a trabalhar para o descanso da reforma. Quando entramos numa repartição pública, encontramos pessoas muitos cansadas mas não estafadas, porque estiveram a remexer papéis e a palrar, alguns também a escutar, só que tiveram de se ausentar para descansar. Laborar na óptica da teoria da acumulação mundial capitalista é coisa do passado, é "trabalho vivo". Já o trabalhar do pós revolução industrial é mais "trabalho morto".
Agora, era preciso esmiuçar porque se lembrou Ferreira Leite da teoria marxista e dos ensinamentos do Capital. Um grande capital para explicar no próximo dia de eleições, prende-se com o grau de cansaço, fadiga, esgotamento, debilidade, fraqueza e a clareza da distinção dos votos e da lavoura conseguida.
(PS: que me desculpem os puristas da economia no trocadilho apresentado, que pode conter algumas imprecisões com necessidade de esmiuçar!)

23/09/09

Acho IX

Acho, que uns fazem a música da lista ganhadora, enquanto outros fazem listas de escutas perdedoras. O bom samaritano diz que não fala, mas afinal ouviu e despachou quem o podia incomodar. A colega da matemática deve ter ficado a fazer contas de cabeça e quem se matou foi o mexilhão que por ali andava há muitos anos. Tal como William compôs e Perlman diz, não era necessário ser vítima, bastava conhecer e sentir a história do holocausto para conceber a música do filme. Por aqui, resta agora a marquise no Possolo para aprender a ouvir outros sons, mas antes disso, queremos ouvir o Presidente contar a história que escutou, que lhe disseram para escutar ou que apenas existia para ajudar a derrubar governos ou a fazer vítimas.


John Williams, Itzhak Perlman - Schindler's List

21/09/09

Good Madness à segunda - feira!


LA Woman - The Doors

O segundo príncipe

Dizem que ele é o príncipe quando se referem ao rapaz que nasceu no mês das vindimas e que, talvez por isso, foi consagrado pelo ano da colheita. Há pessoas que têm a particularidade de atrair outras e, que pelo facto de serem conciliadoras, mantêm uma aura brilhante e olímpica toda a vida. Quando me pedem para o descrever, saem-me palavras e frases que descrevem actos, acções e paixões. Qualidades enaltecidas por gestos e histórias a condizer. Pequenas palavras que traduzem o momento em que uma mensagem me fez sorrir, uma anedota me ajudou a continuar ou um beijo me compôs o dia. Segundo Frei Pedro, é o rapaz que numa época em que a taxa de divórcios aumenta, teve a coragem de querer casar e dizer sim ao compromisso familiar. Estará, portanto, de parabéns pela decisão tomada e pelos 28 anos igualmente celebrados.
Perguntam-me, agora, o que significa levar um filho ao altar. Querem saber e eu não tenho resposta pronta. Sei apenas o que senti, quando um pai generosamente entregou a noiva ao futuro marido. Senti a lágrima, que teimosamente queria saltar do meu olho que não podia ficar esborratado. Senti a extensão dum abraço, senti que nenhum protocolo substituiria o gesto daquele homem que abraçava outro homem com a determinação dum pai e a confiança no filho. Gestos, que uma mãe sente que também lhe são atribuídos. Abraços que se estendem e famílias que se entrecruzam em celebração da vida, da alegria e da tristeza. É só isto que eu sei do meu segundo e da sua princesa. É só isto, que eu tenho para dizer, príncipe de cabelo encaracolado, olhos de mel, sorriso largo e gargalhada solta.

20/09/09

There was something going on ...

Eu suspeitava que andava alguma coisa no ar. Afinal era casamento novo, casamento antigo, era uma divertida dupla que cheia de vida, decidiu acreditar que a estatística também se engana. Valia a pena arriscar.Valia a pena querer fazer, valia a pena continuar a tradição, valia a pena aprender com a geração anterior. Love is in the air, congratulations!


John Paul Young - Love Is In The Air (1978)


John Lennon - Woman


Dolly Parton & Kenny Rogers - Islands in the stream

17/09/09

A globalização da solidão

Em 1979 fui viver para o Canadá. Aterrei no mês de Janeiro, num dia em que os termómetros marcavam 19º negativos. Foi o meu primeiro impacto com o frio, a rudeza do clima e o recolhimento das pessoas. Nos países quentes e com famílias numerosas, o difícil é encontrar um momento de solidão tranquila. Pelo contrário, naqueles em que as temperaturas requerem que se esteja dentro de portas muitos dias do ano e muitas horas por dia, as pessoas tendem a ver-se pouco e a falar menos. No início, tudo era uma novidade, a cidade estava linda, branca, e com muito sol, com a claridade que é uma característica canadiana e um frio fininho que entra pelos ossos e parte as extremidades do corpo. Com o tempo pude verificar que também pode partir o coração por inteiro. Estando eu sozinha, com um pequenote que ainda não andava, um marido a estudar, uma casa vazia de móveis para limpar, sem automóvel para me deslocar, sem pessoas para conversar, sem telefone a tocar, sem dinheiro para passear, sem possibilidade de trabalhar e com todo o tempo do mundo à minha disposição, o silêncio das portas e do ar fazia-se sentir de forma pesada. Descobri, então, que para falar com alguém tinha de ser eu a iniciar a conversa. Até aqui, nada de especial para uma tagarela portuguesa. Mas, trocado o bom dia e o boa tarde, e o have a nice day, ficávamos por aqui com os anglófonos e falávamos o inglês macarrónico típico das pessoas de nacionalidades diversas e que tateiam o idioma. As lavandarias comuns e os jardins dos prédios ajudavam a conhecer outras pessoas, geralmente mães com filhos pequenos e companheiros universitários. As primeiras, que se tornariam amizades vinham da Venezuela e do Panamá. Mais tarde, juntaram-se pessoas da antiga Pérsia, da Índia, do Sri-Lanka, da Nigéria, do Líbano, da antiga União Soviética, da Roménia. Os europeus, conheci-os mais tarde na Universidade e através uns dos outros.
Os primeiros tinham uma coisa em comum, ninguém recebia cartas ou telefonemas, mas as caixas do correio estavam cheias de folhetos, catálogos, jornais gratuitos, informações diversas ou do take-away mais próximo. A partir daí era uma felicidade ver o correio, porque vinha carregada de correspondência anónima dirigida à minha excelentíssima pessoa. O hábito ficou de tal maneira que passei, a não só imaginar folhetos para outros, como a não resistir ao hábito de coleccionar peças de informação ou divulgação por todo o lado que passo. Guardadas junto a cada elemento e recordação de viagem estão os hotéis que nunca irei visitar, os restaurantes que podem dar jeito para um dia, a informação camarária de pequenas cidades que será pouco provável que volte a ver. Se aprendi que a solidão também pode ser um estado de espírito, que temos de ser nós a dar o primeiro passo para o alterar, também me agrada hoje ver a internet juntar o útil ao agradável, estreitando interesses comuns e relacionando o que não tinha voz nem palavra, nem som, nem cor. Também trouxe o desagradável e assim deitamos fora o que antigamente nos entrava apenas pelas vulgares caixas de correio. A globalização que nos tornou mais próximos sem nos conhecermos e os meios que agora nos chegam às caixas de correio são iguais, com a diferença que são virtuais. Fora o resto, tudo é idêntico, excepto no calor que faltava ao frio canadiano e que se encontra nas terras brandas e nas pessoas do sul. O silêncio também já o temos, e até os defeitos da solidão e do have a nice day. Quanto à publicidade, não a consigo deitar fora sem lhe dar pelo menos uma vista de olhos. Hábitos que ficaram e manias que nos acompanham.

55 jóias

Parece que foi mais ou menos assim. Uma senhora distinta, bonita e talentosa era filha de uma radiosa galega e de um elegante viúvo das Beiras. Um dia a bonita senhora perdeu-se de amores com um jovem e divertido galanteador de jóias do Norte. Consta que a jóia seguinte só deveria ter nascido em Outubro, mas uma queda verdadeira ou a calhar, provocou um parto antes do esperado e que a jovem senhora teve de explicar à avó galega. A menina, escolheu o dia de aniversário do seu bisavô materno, conseguindo disfarçar alguma patifaria escondida e não comprovada. Faz hoje 55 anos que a pequenita chorou pela primeira vez e desde então muitas chuvas passaram e muitas luas ficaram. De acordo com o horóscopo chinês a jóia nasceu no ano do cavalo, é independente, fala pelos cotovelos, é impaciente com tudo menos com o trabalho e não houve opiniões. Quem a conhece dirá que pelos cotovelos ela fala, independente também é, senhora que não ouve opiniões é falso porque ela tem ouvidos de grande jóia. Mas o melhor que ela tem é a capacidade de rir com as suas próprias graças.

1954

Year Of The Horse
(1918, 1930, 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002)

People born in the Year of the Horse are popular. They are cheerful, skillful with money, and perceptive, although they sometimes talk too much. The are wise, talented, good with their hands, and sometimes have a weakness for members of the opposite sex. They are impatient and hot-blooded about everything except their daily work. They like entertainment and large crowds. They are very independent and rarely listen to advice. They are most compatible with Tigers, Dogs, and Sheep.

16/09/09

O regresso de Whitney

Among other topics Whitney Houston discussed on “The Oprah Winfrey Show” was her marriage to Bobby Brown and its increasing difficulties. “He was my drug,” she said. “I didn’t do anything without him.”
Os casos de abuso são de várias ordens. No caso de Whitney Houston foi a dependência e acima de tudo a falta de respeito pelo seu corpo e pela sua mente. A entrega a uma pessoa e a dependência viciante e doentia dum marido, da sua droga, das suas drogas. Deve haver tantos casos por esse mundo fora e por Portugal dentro, pessoas que não se conseguem libertar de outras, mulheres que não têm outras que lhes dêem a mão, mulheres que não querem essa mão estendida porque ainda não viram, não descobriram a luz. Um exemplo que pelo menos pode servir para outras tomarem decisões na vida. A entrevista que foi dada, mostra uma mulher a tentar refazer os cacos da vida. Mesmo sendo estrela de Hollywood, ela é em primeiro lugar uma mulher que conta a sua história e que tenta recuperar o tempo onde ficou esquecida. Novas músicas e oxalá uma nova mulher.

Reposição de stocks estruturais

Um país pequeno cheio de contradições. Temos e não temos, queremos e odiamos, agarramos e afastamos, é nosso e deitamos fora, compramos e devolvemos. Aquilo que não teria qualquer importância noutro lugar, transforma-se num alvoroço em terras lusitanas mesmo que os juros sejam elevados. Fazemos contas de merceeiro, olhamos para o custo do açúcar em vez de olharmos para o preço do bolo. Depois, esta falta de humor só pode ser reflexo do nosso complexo de "piqueno". Já vai longe o tempo da baixela de prata, da criada de crista e luvas brancas, do menino que não entra na cozinha e da menina que aprendeu todos os bordados, cerzidos e sabe chulear bainhas. Também já lá vai o tempo em que nos perguntavam se falávamos espanhol. Por muito que custe, o país vai pertencendo ao mundo moderno, vai perdendo graça numas coisas e ganhando noutras. Por muito que se desconfie da vizinha Espanha e se diga mal de Bruxelas as coisas são assim mesmo, o território não pode continuar de costas viradas para o desenvolvimento e perder mais uma vez não só comboio mas a estação. O tempo dos apeadeiros, embora bucólico e enternecedor, deve ficar no tempo a que pertence, ou seja no passado e junto ao tempo em que não havia pressa e as meninas corriam e saltavam, os meninos aprendiam a correr atrás delas, as criadas ajudavam a esconder uns e perseguiam outros, as senhoras bebiam chá e jogavam canasta e os cavalheiros fumavam charutos na sala de fumo. Hoje, por muito que se suspire, os homens e as mulheres são cada vez mais iguais, os países cada vez menos desiguais e as culturas mais globais. E quanto mais não fosse, a globalização começa logo pela atribuição dos fundos estruturais que nos tira todas as peneiras e altivez. Façamos, então, o que é necessário sem falsas modéstias e argumentos fora de moda, mesmo que este ajustamento à globalização venha tarde e a más horas.

15/09/09

Uma questão de bóias

"Estamos todos debaixo de água, mas ele entende que é igual morrer afogado a 12 metros de profundidade ou a 13 metros." (Manuela Ferreira Leite, referindo-se a José Sócrates e à economia portuguesa)

Mais um problema que o país tem de resolver e também uma oportunidade de negócio para o mercado dos insuflados. Produção de bóias de salvação para quem necessita, no mínimo, de um assessor de comunicação. As frases multiplicam-se, as gaffes aumentam e a credibilidade vai esmorecendo dia para dia. Como diz o ditado é nas pequenas coisas que uma pessoa tropeça, já que as grandes estão à vista. Manuela Ferreira Leite está a usar o método inverso à sua imagem rígida, fria, supostamente convincente e recta. Se em política tudo vale, então não deve mesmo fazer diferença a questão da ética e da separação dos poderes da comunicação. Por mim, continuo a observar se é a água que sobe ou se é o nadador que chega à montanha. Quanto às bóias, tenho uma de salvamento e sei nadar, mas parece que o que necessitamos é mesmo de salvação no campo das ideias e das competências.

14/09/09

Good Madness à segunda - feira!


Oscar Peterson & Count Basie - Slow Blues

13/09/09

Se dizem, eu acredito! II

A Austeriana considera este blogue um local viciante e recomenda o sentido de humor do blogger. Eu fico muito agradecida e vaidosa porque não é fácil os outros acharem piada às graças que muitas vezes só existem na nossa cabeça ou no nosso ego. Nesse sentido, acrescento os seguintes blogues:
Adeus até ao meu Regresso
Pedro Rolo Duarte
Murcon
Valor das Ideias
Ladrões de Bicicletas
Tempo das Cerejas

Sensualidade e Inocência



Scent of woman - Tango

12/09/09

Zero a Zero ganha o Benfica

Matar o pai e a mãe para depois dizer que é órfão, foi uma tentativa de gargalhada duvidosa. O apagão do SNS no programa da verdade é uma gargalhada repetida, mas interessante. As políticas de privatização da saúde e da educação, são piadas bem apanhadas em conjunto com a frase da doutora que não gosta do SNS. O melhor da noite foi a definição de SNS. Para que se saiba, não é Serviço Nacional de Saúde, mas Sistema Nacional de Saúde e aqui está toda a diferença. Um serviço presta-se um sistema constrói-se, um serviço nacional é um direito do cidadão e um dever da governação, um sistema é um esquema que pode ser delineado de formas diversas e de acordo com as variáveis e as necessidades assumidas. Um sistema pertence a quem o pensa e tem de ser testado, por isso não é um dado adquirido, nem um dever assumido. Pode ser alterado e rasgado se não der certo. A revisão do sistema depende também da política subjacente, já o serviço é o resultado do sistema e da política instituída. Nacional diz respeito ao país e ao povo, se for serviço é um direito aplicado a todos. Já o sistema nacional é um conjunto de políticas que vão ser testadas e postas em prática conforme a melhor racionalidade e eficiência, neste caso económica. A saúde é uma necessidade de todos, o serviço de saúde é um direito de todos, o sistema depende da vontade de quem governa e quanto à eficiência resulta da qualidade dos agentes que a estudaram e dos outros que a testaram. O serviço depende da qualidade dos agentes que a executam e que no caso da saúde ou são os médicos ou são os agentes económicos que asseguram os cuidados de recrutamento dos profissionais junto dos privados. No fundo, o que queremos saber é se o público por si só pode responder às necessidades de quem o utiliza, e se o privado é alternativa a quem o procura. Por outro lado, se o endividamento do País permite mais despesa por parte do Estado, ou se a privatização da saúde e da segurança social são inevitáveis. Ping-Pong para lá e jogada para cá, Sócrates e Ferreira Leite não saíram do empate.

Vai dar ao mesmo

Identificar o produto pela marca é um hábito que uma vez adquirido leva tempo a desfazer. Foi o que aconteceu com a Compal durante muito tempo e nas terras do interior um "compal de pêra" ainda é bebida que se pede, mesmo que o produto e a marca sejam outros. O cliente esclarecido diz o que quer, mas para outros o que conta é a bebida, não necessariamente o produto e muito menos a marca. Durante muito tempo quando pedíamos uma Coca-Cola, serviam-nos uma Pepsi com toda a ligeireza, porque não havia diferença para quem vendia. Para as empresas, o cliente indiferenciado não interessa tal como os trabalhadores indiferenciados não interessam às empresas com dimensão e estrutura empresarial competitiva. O nosso país tem 80% de empresas com 4 trabalhadores. Não é esse o problema, as empresas virtuais podem ter apenas 1 trabalhador e serem muito lucrativas e eficientes. O ponto está em que 75% dos 80% tem 4 trabalhadores com habilitações para os cargos e o dobro ou o triplo de indiferenciados. É isto que representa um dos casos mais grave do país. Um país que qualquer coisa lhe serve porque tanto faz e vai dar ao mesmo. Coca-cola ou Pespi o que conta é a lata para continuar e o gás que ajuda a desfazer qualquer mal estar.

07/09/09

Good Madness à segunda - feira!


Miles Davis - It Never Entered My Mind

06/09/09

Entre marido e mulher não metas a colher

Há muito que não se via um casal tão unido como o José Eduardo Moniz e a Manuela Moura Guedes. Também devo dizer que nunca vi o jornal da TVI a não ser nos apontamentos publicados nos blogues ou através do YouTube. Parece-me no entanto, que a saída de Moniz levaria mais tarde ou mais cedo ao afastamento de MMG pela simples razão de que ela só era subdirectora e tinha linha de acção para dizer e fazer o que lhe apetecia, não por ser uma jornalista séria, mas porque quem mandava na estação era a dupla marido e mulher. Quem não sabe isto deve andar muito distraído porque sempre assim foi. Por acaso, a jornalista tem talento suficiente para alguma estação televisiva ou é apenas mais uma forma de entretenimento para entrevistas e audiências? E alguém é ingénuo para acreditar que a Prisa a deixaria continuar com o estilo abusivo com que conduzia a informação e a falta de integridade jornalística com que abordava os temas ao abrigo da verdade? Pois aí está, parece que a política da verdade passou a cobrir melhor os noticiários desde que os dois retomaram o mesmo espaço.
Eduardo Moniz, sempre estimado pelos colegas, disse que não via razão para que MMG também saísse da TVI. A relação marido e mulher e não dois jornalistas que por acaso são casados um com o outro, privilegiou o alinhamento do Jornal Nacional. É pena porque passou a vitimização nacional e argumento contra o partido do governo, nomeadamente, contra José Sócrates que ao esquecer que "não podia morder o cão", ajudou o par na sua mediatização, e aumentou as hipóteses de reemprego para Moura Guedes dando trunfos à oposição. Uma chachada duma salgalhada numa altura em que o país o que menos precisava era de mais distracções eleitorais. Assim sendo, diz lá agora Manela, quanto é que tu ganhas com esta ajudinha à partidite.

04/09/09

América no seu melhor...

Acho que estas coisas só acontecem na América. Andamos nós a tentar brincar aos cow-boys num país de sisudos e a querer imitar o impossível. Por um lado ainda bem, por outro é assim que se vê a capacidade de ganhar eleições com o poder dos media à mistura. Num país onde os preconceitos não existem, todos são artistas e tudo é exportado . É a diferença entre o palhaço pobre e o palhaço rico. No circo as crianças gostam do pobre e tendem a detestar o rico. Em adultos fazem de ricos sendo apenas uns pobres palhaços. A América no seu melhor e no meio da crise, diverte-se com políticos e gente desconhecida. Portugal no seu pior e no final de campanha, imagina casamentos sem tango ou melodia entre gente conhecida, enquanto aguarda pelos incógnitos. Sinais que eu sei que nós sabemos e vós sabeis, digo eu!


'JK Wedding Entrance Dance'

As time goes by


Kenny G - As Time Goes By

03/09/09

Emmanuel Jal

"For five years, young Emmanuel Jal fought as a child soldier in the Sudan. Rescued by an aid worker, he's become an international hip-hop star and an activist for kids in war zones. In words and lyrics, he tells the story of his amazing life."

"

02/09/09

As madeiras portuguesas

Ali para a região de Paços de Ferreira a madeira que mais se tem usado ultimamente para desenvolver a indústria do móvel é o pinho. Antigamente, quem queria requinte escolhia as belas e exóticas madeiras africanas. Os móveis eram assim talhados artesanalmente pelos nossos artífices e vendidos mais tarde nas fábricas da região do Vale do Sousa. O país corria a Paços de Ferreira e a Paredes para comprar o que sabíamos ser a qualidade do produto nacional. Com o desenvolvimento das políticas ecológicas e de protecção da floresta, outras soluções como os aglomerados, apareceram e deram origem à famosa Tabopan na região de Amarante, e mais tarde a uma fatia razoável e parte do negócio de Belmiro de Azevedo. Enquanto este, se entendeu com as diversas formas de fazer barato o produto que muita gente aproveitou, o Comendador José de Abreu dono da Tabopan ficou em situação difícil no pós 25 de Abril com os trabalhadores em greve, o negócio em ruínas e sem as mordomias provenientes do anterior regime. Cada um fez o que pode para se enquadrar na nova realidade do Norte do país e das madeiras em geral. No entretanto, quem queria comprar uns móveis baratinhos de cozinha ou coisa simples ia à Rua da Picaria no Porto e escolhido o móvel de madeira de pinho, era só levar para casa acabar de envernizar ou pintar conforme o gosto. A madeira de pinho, nunca teve grande reputação, embora hoje se saiba que é utilizada de forma mais sofisticada por muitos arquitectos. É dura e difícil de trabalhar mas com arte e sabedoria tem sido utilizada com mais frequência e sem o mesmo rancor. Em Portugal, sempre encontramos forma de deitar abaixo o produto nacional, desvalorizar o material até ao dia em que o dito cai em desgraça. Aí, somos exímios em reabilitar a peça. Foi que aconteceu com Manuel Pinho, o nosso ex-ministro da Economia, meu predilecto pela capacidade de desenrascar as situações mais difíceis e também o mais absurdo dos ministros a dialogar com os empresários, que por alguma razão desconhecida e que só pode estar relacionada com a cena dos corninhos, passa a nome de avenida. E nada como a Câmara Municipal de Paços de Ferreira para lhe atribuir tal distinção. Na verdade, foi a graças a Pinho que parte das fábricas foram ao ar, as multinacionais se instalaram, a escola de design se fez, os suecos continuaram alimentar os jantares e eu, uma portuguesa incluída nos convites de apresentação das mega reformas e dos projectos de desenvolvimento tecnológico, comi o tal capão no dia da assinatura do Tratado de Lisboa. O Tratado foi-se e eu já me estou a fazer ao bife que irei saborear na próxima temporada de apresentações à pala de mais uns talhantes da região do Sousa com corninhos à mistura e madeiras do norte da Europa.

01/09/09

Se dizem, eu acredito!

Dois blogues consideram-me viciante ao ponto de me concederem este prémio. Assim sendo, eu só tenho de agradecer e continuar a merecer a distinção. A minha vénia ao Nocturno e ao Delito de Opinião, pela honra atribuída e retribuída.


As regras dizem que devo observar os seguintes pontos:

1. Mencionar três compromissos para o futuro

- Rever os minhas prioridades a partir do dia 30 de Setembro. Porque terei feito 55 anos, porque terei casado um filho, porque sou avó fruto de outro filho, porque tenho uma filha em Madrid e outra em Londres e a vida deve ser pensada a dois e ao final de 33 anos de um feliz casamento.
- Abraçar um novo projecto profissional que será diferente do que até aqui vivi com igual paixão, melhor tempo e sabedoria.
- Visitar todos os países que tenho na lista e ler os livros acumulados nas prateleiras, sem me esquecer do meu país e das minhas responsabilidades de cidadã do mundo desenvolvido.

2. Indicar 10 blogues viciantes

Os meus blogues viciantes são mais que os indicados, fazem parte das minhas rotinas mesmo que nem sempre comente. São visitados diariamente ou com muita frequência e alguns nada têm a ver com os outros. Distinguem-se por esta ou aquela particularidade, são todos locais onde me sinto bem, me divirto, penso, medito e são fonte de inspiração para alguns textos. Todos merecem ser visitados, escolhi estes 21 por ser número ímpar e que corresponde à maioridade da minha geração.

Nocturno
Abencerragem
Catharsis
Porta do Vento
O Privilégio dos Caminhos
De Si para si
Desconversa
Esconderijo
Lobi do Chá
Delito de opinião
A Barbearia do Senhor Luís
Bichocarpinteiro
Crónicas do Rochedo
Ma-Schamba
Geração Rasca
The Tricky Traveller
Walter Ego
Inquietações
Cantinho de Luzcia
Lote 5-1ºDto
O Faroleiro (que devia escrever mais)