15/11/09

Pela BR101 (Rio de Janeiro - Santos)

E foi assim que o caminho de regresso se iniciou. Depois de um roadshow de economia, mercados financeiros e gestão de empresas familiares ficaram “as Curvas da Estrada de Santos”. Contrariando quem nos diz que é arriscado viajar de carro no Brasil, parti do Rio de Janeiro para São Paulo pela BR101, percorrendo a famosa estrada de Santos e as curvas da canção. Para melhorar o andamento comprei o CD “Elas cantam Roberto Carlos” que as funcionárias e clientes das Lojas Americanas tão embevecidas ouviam e viam no écran.


(As Curvas da estrada de Santos, Paula Toller)

Primeira paragem na Praia do Frade em Angra dos Reis. Linda paisagem, tempo a condizer e condução apurada. Uma visita a Paraty para beber a cultura local, a cachaça que a acompanha a música e a literatura que a envolve. Uma bonita cidade colonial num dia em que até quem lá mora reclama o calor que se faz sentir. Depois de cinco semanas no Brasil, eu já respondo como a carioca que conheci em Manaus, para mim está tudo jóia!

Paraty,RJ

Segunda paragem em Maresias, seguindo os conselhos de quem já lá esteve. O hotel bem localizado, simpático e perfeito para um mergulho antes da trovoada que já se adivinhava em S. Sebastião. A opção de Ilhabela e dos seus atractivos fica para outra oportunidade, desta vez eu dei um jeito e "arrumei-me" o melhor que pude, substituindo a onça-pintada e o meu acompanhante descendente primata, colocou roupa nova para jantar. A Mata Atlântica tem o senão dos mosquitos que podem dar cabo de qualquer visitante mesmo o que munido daquele aroma a Repelex se prepara para minimizar as consequências.


Surf em Maresias

Terceira paragem em Santos e a mais do que esperada visita ao Edifício da Bolsa Oficial de Café, hoje o Museu dos Cafés do Brasil. Uma bela lição da história do café, dos portugueses que o transacionavam, dos ingleses que implementaram estruturas de caminho de ferro e de negócio, dos imigrantes japoneses e escravos africanos que trabalhavam os campos e dos corretores que o valorizavam em bolsa. "A edificação da sede dos negócios do café em Santos, consolidou a região como a maior praça cafeeira do mundo", segundo reza a sua apresentação em brochura.


Santos, Museu da Bolsa de Café

Daqui até São Paulo foi um pulo, terminando uma extraordinária viagem por terras brasileiras onde a diversidade da paisagem é igual à da sua gente. No bolso trouxe um punhado de areias com tons e coloridos, nos olhos a observação e na mente a reflexão. E como dizia o meu acompanhante, é muito dificil regressar sem algumas angústias e o desejo de que a pobreza diminua ou pelo menos deixe de ser tão desigual. Até breve, Brasil!

7 comentários:

Catarina disse...

Ainda bem que voltou a escrever! Venho cá todos os dias, à espera de novidades.
:-)))

GJ disse...

Catarina,estou de volta. Obrigada pelas suas palavras e também pelas suas novas :))

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Antes de mais, renovo os meus votos de boas-vindas, que já lhe deixei lá no CR.
Paraty é uma pérola e Angra dos Reis um paraíso ( embora já tivesse sido mais...)
Quanto aos receios de viajar de carro no Brasil, também acho um mito. Fiz milhares de quilómetros po lá e, salvo me ter safo in extremis de um camião em contra-mão, completamente desembestado, nunca tive ameaças de assaltos.

GJ disse...

Obrigada, Carlos. Mesmo com chuva é sempre bom voltar a casa. E neste caso, voltar também a esta minha segunda casa.
Em relação à condução no Brasil, o pior é o que diz, manobras completamente despropositadas, lombas ou quebras molas que nos dão cabo dos nervos e do carro. E os peões que saem dos mais variados sítios em plena estrada.

Mike disse...

E eu a ler este post com um sorriso rasgado... ;)

GJ disse...

Mike, porque será? Gostoso, né?
:)))

ana v. disse...

Oba, Grande Jóia, grande reportagem! Agora fiquei eu com inveja...
Que tal começarmos a pensar num roteiro de viagens a meias, com muita aventura, imprevistos e... mosquitos?

Um beijo e seja muito bem-vinda a casa.