31/12/09

Boas entradas em 2010

Cenas do frio e da neve norte americanas

O poder do Inverno - Ottawa Rideau Canal (CA)

O poder no Inverno - USA Project
Fotos da Net

30/12/09

Madness de fim de ano!


Herbie Hancock - Jazz Fusion Cantelope Island

29/12/09

O filme e a minha neta

A minha neta Francisca faz hoje um ano. Este é um filme da sua geração. Sons e imagens que induzem sentimentos e acções. Um turbilhão de hipóteses imaginárias ou possiveis conforme o tempo a que se referem. Ao contrário da geração da avó que vivia da fantasia sonhada e das imagens do quotidiano alavancadas, esta é a geração em que tudo lhes parece possivel. Uma excelente combinação de imaginário, ciência, produção, arte, fantasia, aspiração e um mundo à sua frente.


AVATAR - Leona Lewis ( I See You )

Nem só de expansão vive o homem

O Corte Inglés instalou-se no Outlet de Vila do Conde. Nada a assinalar se não fossem as condições inacreditáveis com que se debruçam as pessoas que trabalham no local de pagamento. Os senhores que conceberam o espaço não pensaram que naquele sitio iriam estar funcionárias durante o seu período laboral sem qualquer condição de trabalho e clientes que apesar da barateza das compras teriam de apanhar com o frio e o vento nas trombas. Se fosse em Espanha imagino que não teria sido aprovado, mas aqui tudo passa e não passa nada. O cliente refila, paga e desaparece para voltar a manifestar-se na próxima visita. O funcionário trabalha porque tem de ser e cala porque não tem remédio e é aqui que se manifesta a prepotência dos que se instalam no país dos outros, utilizam a mão de obra que não abre a boca e que ainda tem de se sentir contente porque tem emprego e ganha mais um pouco. Pergunto eu, se não seria tempo das inspecções de trabalho e quejandos estarem atentas a estas situações? Na minha opinião, um escândalo mesmo que pequeno comparado a outros que por aí possam andar. E mesmo que a economia se regozija com a iniciativa, é por estas e por outras, que é cada vez mais difícil não sentir o peso da responsabilidade social.

Comprar e vender

Os números podem ser apresentados de muitas formas. Neste caso, fica bem mostrar que os portugueses estão confiantes no futuro. As estatísticas revelam que este ano os portugueses compraram mais que no ano anterior. Quer dizer, os portugueses comparam mais, endividaram-se mais, viajaram mais, comeram mais e o cidadão normal não entende. Não entende que numa época de contenção global em que tudo é de dimensão universal haja cidadãos que num canto da Europa lhes parece normal e natural gastar, consumir, desperdiçar. São tempos estranhos que passam por Portugal, mas que contribuem para animar a vidinha e dar ânimo a quem passa 60 horas a trabalhar atrás do balcão!

28/12/09

Good Madness à segunda - feira!


Bob Dylan - Blowing in the wind

27/12/09

26/12/09

Esta casa faz dois anos

Obrigada, obrigada podem dar-me os parabéns que esta casa faz hoje dois anos. Um grande abraço a todos os que por aqui passam e fizeram desta casa o que ela hoje é. Quando iniciei este projecto há dois anos, o objectivo era construir um espaço onde me pudesse sentar tranquila com os meus pensamentos, as minhas graças, as minhas alfinetadas, as minhas músicas, as minhas jóias verdadeiras, de pechisbeque, de feira ou de leilão e deixar fluir o tempo. Um cantinho que a exemplo do meu espaço caseiro poderia ser um porto de abrigo. Hoje, ele é muito mais. É uma sala dentro da minha casa. É o lugar onde os amigos entram sem bater à porta e partilham a alegria, a tristeza, a sagacidade de este ou aquele argumento. Devo dizer que o maior elogio que me têm feito é o de ter sentido de humor, porque na verdade, essa é uma das qualidades que mais prezo na vida. Ser capaz de olhar para as pessoas e tirar o maior proveito da sua companhia com graça, sem preconceitos e com a certeza de que sem piada a vida seria absolutamente detestável. Mais uma vez obrigada e um grande abraço a todos.

25/12/09

A dança da TAP

O grande objectivo é conseguir a participação colectiva. Uma iniciativa que apesar de tudo conseguiu alguns sorrisos.


TAP - Aeroporto de Lisboa

24/12/09

A Ceia de Natal

Juan Carlos o enfermeiro disse bom dia e com o seu ar atencioso advertiu-me para diferentes aspectos da ajuda doméstica. Caso eu não a tivesse deveria ter cuidado com as espinhas de peixe. Nada de arranjar o peixe, pegar em coisas quentes ou fazer trabalhos forçados. Gostei de o ouvir e a partir de agora na minha cozinha existe um cadeirão dedicado à preguiça laboral. A minha secretária interna pensa que é para ela. Pois, está enganada. Queria, mas é aqui de "moi même"! E vamos a andar com a Ceia de Natal que se faz tarde. Com as batatas e o bacalhau a cozer, tratar das pencas e das cenouras, olhem os ovos e cuidado que o arroz doce que se queima, deitem um olho às rabanadas, vejam o óleo, é necessário trocar. E o queijo da serra está no seu lugar? O bolo rei do Vieira, os sonhos este ano estão melhores, o pão de ló e a aletria junto à sopa dourada, o bolo de chocolate e o pudim de leite, as frutas cristalizadas, as nozes e as avelãs, os figos e as ameixas com chocolates à mistura ao lado da lampreia e dos ovos moles para quem ainda tem barriga.
E amanhã 25 surge o peru com o puré de maçã e a batata palha sem esquecer a roupa velha que antecede, as frutas exóticas e o ananás dos Açores e a canja de galinha com hortelã para terminar. Mas eis que este ano temos uma aniversariante recém chegada à família. Vamos comemorar com bolo de framboesa. Ainda alguém tem fome ou já podemos dizer que o dia 26 está a amanhecer?

22/12/09

I will survive



Gloria Gaynor - I will Survive

Viver em esperança

Amazónia, Brasil 09 (Foto minha)

Hoje saí do hospital, tenho um bocado a menos de corpo e um bocadão a mais de esperança. O próximo ano será difícil, não o planeei assim, vou ter de levar o dia a dia conforme conseguir sem saber o que me espera, apesar de saber o que me vão fazer. O ano que termina foi intenso, cheio de coisas dentro da agenda, com a possibilidade de ter todo o tempo do mundo à minha disposição. O casamento dum filho, uma neta a festejar o seu primeiro aniversário e a dar os primeiros passos, uma fantástica viagem pelo Brasil, projectos a dois e um sem número de outras frivolidades apaziguadoras. Termina de forma não encomendada e não merece a pena perguntar porquê, foi! Teve de ser como tinha de acontecer, o cancro aparece quando menos o desejamos, nunca o desejamos, mas ele existe para todos e desta vez fui seleccionada. A intervenção foi feita e o regresso a casa e aos meus em vésperas natalícias. Este ano a árvore ainda a fiz, o peru e o bacalhau será feito por quem me os viu fazer nos anos anteriores. Os doces serão por mim orientados e a mesa continuará a meu cargo com a ajuda de quem já a fazia. A mesa estará maior porque a família cresceu e é assim que deve ser. O ano termina de forma desajeitada mas não triste. O ano que vem será diferente e quando o cabelo me começar a cair não sei o que sentirei. Neste momento sei que vou adiar os meus planos por uns meses, que outras coisas estão primeiro, sei que vou lutar com toda a força que tenho e sei igualmente que por aqui continuarei não da mesma forma, não com a mesma assiduidade mas com alguma regularidade. Duma coisa estou certa, só o amor pelos outros e pela vida nos dá resistência para ultrapassar todos os lados negativos que porventura a vida nos apresenta. E é nestes momentos difíceis, em que nada faria prever o que nos atormenta, que desejamos intensamente que o hoje tivesse sido ontem para podermos dar todo o tempo que não temos a todos os que dele necessitam. Viver em esperança, acreditar e deixar que a medicina nos ajude tal como a seiva que alimenta a árvore da vida.

17/12/09

Merecido Prémio


O júri deliberou e muito bem que o meu burro merecia ganhar. Foi em ex-aequo com os outros 26 concorrentes, eu sei, mas o que é que esperavamos? A concorrência sendo feroz dá nisto e nada a fazer.Parabéns a todos, Feliz Natal e excelente Ano de 2010. Para o ano, cá estaremos, Senhor Luís!

Clarice Lispector

"Escrevo ou não escrevo?Saber desistir. Abandonar ou não abandonar — esta é muitas vezes a questão para um jogador. A arte de abandonar não é ensinada a ninguém. E está lon­ge de ser rara a situação angustiosa em que devo de­cidir se há algum sentido em prosseguir jogando. Serei capaz de abandonar nobremente? ou sou daqueles que prosseguem teimosamente esperando que aconteça al­guma coisa? como, digamos, o próprio fim do mundo? ou seja lá o que for, como a minha morte súbita, hi­pótese que tornaria supérflua a minha desistência?"

16/12/09

Antes ex-fumadora que assim assim

(Foto da net)
É verdade que um ex-fumador se torna um chato para o fumador. Ele passa o tempo a refilar com o fumo do outro, não quer janelas e portas abertas, detesta o cheiro que o fumador lhe trás para casa e entra no carro com o nariz no ar sempre que a mais pequena beata lhe aparece no cinzeiro. Claro que o fumador também se queixa cada vez que o ex-fumador torce o nariz ao seu hábito, fica pior que estragado quando alguém lhe chama à atenção para o mal que o tabaco faz à saúde, apresenta logo as estatísticas do cancro do pulmão versus morte por acidentes de automóvel para além das mil e uma razões para justificar o prazer de fumar. Vem isto a propósito do post da Austeriana, pessoa muito sensata que diz o que pensa e que "se passou" com o moralismo dos não fumadores e seus direitos. Por isso o fumador ao ter igualmente os seus direitos não deveria sentir-se a mais nos lugares que escolhe para fumar. Acontece, que para um não fumador o fumo e o cheiro do tabaco são sempre intrusos que prejudicam a saúde e o ambiente. Para o fumador, que conseguiu o feito de ser ex-fumador a questão tem um valor acrescido. Ele, agora que já passou pelos mesmos males do fumador, que passou o ultraje de se sentir a mais, está em posição de se vingar de todos aqueles anos em que fumou com grande prazer e, também, daqueles que passou a detestar as pessoas com cheiro a tabaco e, igualmente, aquelas que lhe atiram com o fumo a toda a hora. E como os fumadores representam uma minoria, a maioria faz aquilo que todas as maiorias conseguem: fazer sentir mal e a mais quem é diferente! O moral da história é que estes dois grupos raramente se entendem, mas acaba por prevalecer a vontade da maioria seja nos espaços públicos ou privados. Na época, em que eu fumadora tinha de vir para o corredor de serviço, sentia que não valia a pena "ouvir os olhos" que me deitavam os que por mim passavam. Vivia nessa época no Canadá, não foi por isso que deixei de fumar. Não era o corredor, os olhares e a reprovação que me incomodavam, era sim a falta de prazer e o não poder fumar e trabalhar ao mesmo tempo. Fumar tem um ritual, ninguém fuma por fumar, excepto à noite quando já devia estar a dormir e vai fumar mais um cigarro antes de se deitar. O prazer de fumar e o cheiro do tabaco na pele e na roupa fazem parte dos sentidos e não é fácil desviar o sentido do prazer. Deixar de fumar para um fumador é um pecado que comparado com a virtude não compensa, tal como deixar de fumar para o ex-fumador é um pecado a menos que passa a ter. A relação custo-benefício é maior para o primeiro que para o segundo. Assim o primeiro continua o seu prazer o segundo deixa-o cair porque o considera vicio. Do ponto de vista económico há mais pessoas para quem a relação anterior se verifica um benefício qualquer. Pode ser de saúde, cívico, ambiental, moral ou qualquer outro que se entenda. Por isso, está igualmente relacionado com a liberdade de contrariar o que nos ensinaram a escolher ser: anjo ou diabo. Céu, inferno ou purgatório. Poucos serão os que querem ser toda a vida apenas uma coisa daí, haver fumadores, ex-fumadores e aqueles que ficaram assim-assim. Por mim prefiro, apesar de tudo, ser ex-fumadora que assim-assim.

14/12/09

Itália, italianos e o resto

O caso da agressão a um dos mais alegados corruptos da esfera europeia não foi um acto que se recomende, é uma manifestação importante e não deve ser desprezada ou considerada um acto isolado. O mundo começa a não ter paciência para gente que continua sem pestanejar no poder, que o mantém sob controlo e com fortuna a condizer. O tempo em que as populações aguardavam pacificamente pela resolução dos seus problemas ou dos seus anseios está a rarear, o que por um lado é uma pena, e pelo outro extremamente perigoso. Itália não deve servir de exemplo a ninguém e muito menos no que toca ao uso da violência para resolver conflitos. É que a violência chama mais perigo, mais poder, outras armas que destroem e que para os europeus, em especial os dos países mais ao sul da Europa, ainda representam pouco tempo de liberdade democrática. Que não passe pela cabeça de italianos, espanhóis e portugueses o que já passa pela cabeça dos gregos e por aí fora. Neste caso, a união de interesses pela paz é um elemento que identifica os países que pertencem a uma comunidade e que só por isso é de todo o interesse manter viva e coesa. No momento em que a Europa se dividir pelos interesses políticos, uma vez que pelos económicos já se manifesta de várias formas, o Continente Europeu volta a ser apetente para outras manifestações bélicas. A geração de setenta ainda está a tactear em democracia e para as outras o tempo não é sequer correspondente à actual esperança de vida. Muito pouco tempo que não nos deve apetecer encurtar ou confundir.

Good Madness à segunda-feira!



13/12/09

Concurso de Natal

Este ano o Presépio tinha de ficar com esta jóia. O burro em faiança com olhar meigo e orelhas atentas aprecia o aconchego das palhinhas e aquece quem estiver por perto. Foi enviado com muita expectativa para o Concurso de Natal -2009 organizado pelo nosso Barbeiro residente Luís Novaes Tito. Mesmo sabendo que a concorrência é apertada, tenho confiança no meu burro e aguardo o prémio vencedor.

Johnny Hallyday

Com uma carreira cheia de altos e baixos, ele não será um herói mas o seu público continua à espera de o ver regressar aos palcos.

11/12/09

Ibirapuera 2009

Ibirapuera, SP 2009

10/12/09

Barack Obama - Nobel da Paz

Uma escolha e uma distinção a seu tempo. "Citizens of America and Citizens of the World" , parabéns!

Acho VIII

Acho que o Parlamento estaria melhor sem a palhaçada do deputado da província e da senhora de Cascais! Mereciamos melhores representantes. E o caso não é para rir, antes pelo contrário é uma autêntica dor de cabeça.

09/12/09

Laços de família

As relações familiares são laços muito delicados. Contava-me uma amiga que este ano os irmãos andam que nem baratas tontas e ninguém sabe onde passará o Natal. A minha amiga é a única que fala com todos e tenta compreender o pai que, viúvo há um ano e com 72 anos, já tem uma companheira. Uma mãe faz muito falta e o primeiro ano passado sem ela, é um dos momentos mais tristes que um filho pode ter na sua vida adulta. Um primeiro ano natalício sem o pai é, igualmente, um dos momentos de maior desalento familiar. Mas o pior que pode acontecer é a família não ser capaz de homenagear o espírito de união, que toda a mãe e todo o pai devem ter deixado primar na educação e na passagem de valores aos seus filhos. Os filhos homens tendem a ser mais guerreiros nestas ocasiões e as filhas mais compreensivas. A diferença, se é que existe, é que as filhas não sentem que a memória da mãe esteja a ser desvalorizada, pelo contrário entendem que o pai ao fazer-se acompanhar de alguém e de considerar uma companhia no seu dia a dia lhes está a demonstrar a vontade de ser independente, de continuar a sua vida, de não ser um estorvo para os filhos ou um fardo para os netos. Ele está a tentar lidar o melhor possível e da única forma que sabe, isto é - viver acompanhado por uma mulher. Assim, é na geração dos nossos pais que devemos colocar os olhos enquanto temos tempo para nos perguntarmos como é, e como será um dia na nossa vez. Não se zanguem, por isso, os filhos e não se privem, por enquanto, os netos de celebrar as luzes de Natal, apenas porque uma nova cara se junta à família e partilha o carinho do dono da casa.

08/12/09

Solidariedade

Tributos em Vida

Nelson Mandela Tribute, New York (2009)

"That's What Friends Are For"
Dionne Warwick, Stevie Wonder, Luther Vandross & Whitney Houston

Teatro da vida

O morto

O morto já era morto antes de ser. Claro que à volta dele todos faziam de conta que nada se passava ou seja, falavam como se o morto já estivesse morto há uns dias. O tempo em que o morto tinha palavra sobre os seus assuntos tinha um tempo que já era morto. O morto mal tentava abrir a boca para dizer alguma coisa viva logo lhe calavam a voz com um olhar que o podia matar. O morto estava mais vivo que todos os outros, mas morria de cinco em cinco segundos com a capacidade mortífera das palavras dos que o queriam morto. Pelo caminho levantava uma perna, depois um braço e perante o espanto daqueles que o tinham retalhado, o morto continuava de carne e osso a ouvir as palavras que lhe matraqueavam o cérebro. O problema é que também o tentavam aterrorizar com sábios venenos a quatro estações. Até ao dia em que o morto decidiu matar todos os vivos e constituir uma comunidade em que aparentemente todos estavam mortos e podiam falar livremente dos vivos que se mantinham mortos.

07/12/09

Good Madness à segunda - feira!


A Estrada - Rodrigo Leão

06/12/09

Tem de ser, o tempo!

Ao som duma voz esganiçada pelo tanto chamar, acordava regularmente. Quero dormir mais mas não posso, tem de ser! levantar rápido, vestir depressa, engolir, não gosto, está quente mas tem de ser! Ao som da água que me lava ao pente que me penteia. Cabelos rebeldes, não quero o cabelo para trás, mas tem de ser! Olha no espelho, que bonita ficas! Desce, a carrinha já está à porta, vai com cuidado, leva o chapéu, a pasta, o lanche no thermos que será servido ao almoço. Não gosto, mas tem de ser! um, dois, três, levanta, baixa, flecte, frente, atrás, o espaldar, o plinto, o salto, a trave. Não gosto, sonho com ballet, mas tem de ser! Anda, põe-te em pé e o momento mais solene do dia vira o pesadelo do ano. Como caiu, não podia ser, mas era. Um fiasco que tinha de ser! Veste bata, tira bata, monograma liberdade, eléctrico. No Jardim da Estrela uma cigana lê a sina, um homem de "fardas altas" chegará um dia num navio preto. Só há navios brancos? Então tem de ser mentira. Volta, não volta e volta a girar, um furo por tablette de chocolate, sai amarelo, encarnado e o maior é o verde, tinha de ser. Sobe e desce do comboio, entra e sai da camioneta. Porta da frente a passar com licença e a ficar, tem de ser! Vestido branco olhar cintilante e o pé que fica ao lado do outro, só pode ser! A aliança no dedo e o cabelo esticado, o salto no pé e o pé aos saltos. Vou e já volto, hoje e amanhã, agora e sempre, dias que voam, que se apanham. Cansada, cuida de ti olha o stress, tem de ser! Estavas aí? E não paraste para olhar no tempo, agora tem de ser! Não gosta? O frasco é muito grande e tem de ser tudo? Não gosta, tem de ser! O cartão? era preciso? deixei na mesa de cabeceira. Trago na próxima vez, pode ser? Não gosta, mas olhe tem de ser! Come a papa, menina, come a papa, tem de ser! Acorda, levanta, tem de ser! Estuda, vence, anda, despacha-te, tem de ser! Luta, vive, ama, odeia, fica, não partas. Chegou a hora? Não há tempo, tem de ser!

Secção de pedidos

Luzes de Natal Para a , claro...!

Alain Delon "novinho em folha" para a Fugidia. Fica igualmente o Brosnan a seu pedido

mas não se compara ...

Este é para mim! "A vida portuguesa" no Porto, uma ideia da Catarina Portas. Uma verdadeira jóia!
O primeiro é para empatar a Sí que não nos dá tréguas e ainda por cima diz que esquece coimas e outras coisas e tal. O segundo é para a Fugidia e já vai atrasado. O terceiro é para mim mesma e dá resposta a mais do que um "direito" dos que vivem nesta cidade e aos outros que gostam de a visitar. ;)

05/12/09

Dependência celular

Outros sons e compassos



Ana Belén - 'Historia de Lily Braun'

04/12/09

Mirtilos e ares da PresidentA, o meu final #1

... e o mirtilo sem graça, foi levado para a casa mais próxima, agasalhado e alimentado.
Passado uns dias, já com cor e cheiro que se sentisse, elegante e prazenteiro mirava ao seu redor. De longe a longe sonhava com os campos brancos e frios de neve. Entreabria os olhos e sem querer acordar ouvia o tinlitar dos sinos distantes. Do outro lado do vidro havia quem sonhasse com as estrelas em fantasia de jasmim, misturadas em mirtilos. Danças e amores em forma de rebuçado, tartes de açúcar e crocantes sons a acompanhar.
Mais valia o mirtilo fazer parte do tacho dos doces, pensava o olho envidraçado. E foi o que aconteceu no dia em que entre a dúvida e a consolação, o mirtilo viu o borbulhar da sua cor misturada com o açúcar e a colher de pau a rodopiar. A cor escura e elegante do fruto estava agora transformada em compota. Guardada em belos e elegantes frascos com rótulos aveludados pelas estrelas é adorado por todos e amado por muitos. O doce é hoje um dos preferidos do reino e não há princesa ou gambuzino que não o cobice aqui ou além-mar.

Desculpe, pode repetir?


Foi impressão minha, ou ouvi há pouco na Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira dizer que era necessário saber se a França está disposta a largar a PAC ? Estamos a falar daquela que esteve na origem do começo, dos primórdios, da comunidade entre os países europeus, verdade? A Política Agrícola Comum, 1962 certo?

02/12/09

Os 30 mil cadetes de Obama

É claro que não serão todos cadetes, mas não foi por acaso que uma das declarações mais difíceis sobre o Afeganistão foi feita perante a academia de cadetes. Jovens convictos e empenhados em servir o seu país, em defender os valores da liberdade, com olhos atentos e ouvidos abertos, cheios de orgulho. A maior dificuldade passa por saber se a estratégia adoptada é a melhor. É sempre assim, em situações de guerra e conflito, em situações delicadas e com vidas pelo meio. Cortar e actuar no momento certo, com estratégia e continuidade absoluta. Cortando no orçamento da defesa com retiradas apressadas ou enviando tropas e aumentando contingentes? A estratégia seguinte é muito mais delicada que a decisão dos cortes orçamentais. Dela virá a erradicação do mal que afecta não um país ou região do mundo, mas a sobrevivência de uma cultura e dos valores ocidentais. Lutar contra o medo do ataque também, constituir uma estratégia não de ataque mas de vigilância futura. Daí que Obama, não tivesse muito por onde escolher. Oxalá, os americanos o entendam, oxalá a estratégia seja certeira. Enviar mais cadetes americanos e outros das nações aliadas, mostrando novas armas de conhecimento, preparando o Afeganistão a defender-se pelos seus próprios meios. Dado que é muito cedo para antecipar o resultado futuro, fico pela análise e biopsia do que sabemos. Neste caso, todo o cuidado é pouco e é com pezinhos de lã que Obama vai andar nos próximos tempos.

Convicções energéticas

Escrevi diversas vezes que o meu ministro preferido, era Manuel Pinho. A razão que me levava a descrever o economista desta forma, era a sua capacidade de nos querer alegrar com grande convicção e expectativa. Pinho tinha resposta para tudo e um optimismo que num país sempre envergonhado nos dava alento e desconfiança. Por isso, tão fácil se tornou falar de Manuel Pinho com um sorriso nos lábios e ao mesmo tempo ver homenagens empresariais de dedicadas regiões que, animadas pelo optimismo da alocação de verbas a projectos locais, lhe concederam ruas e outras pequenas boutades. Manuel Pinho tem sido um entusiasta defensor do projecto eólico e do desenvolvimento das energias renováveis. Enquanto ministro andou pelo país a inaugurar, projectar e criar parceiros de negociação. Fazer de Portugal um dos pontos mais fortes da Europa em matéria de energia renovável foi o seu empenho.
A sua crónica hoje no "i" sobre o tema da Cimeira de Copenhaga, encerra um conjunto de ensaios sobre as Alterações Climáticas e o futuro de Portugal. Que "somos um país pequeno" já o sabemos, que "podemos ser um dos líderes na criação de um modelo sustentável em termos de energia e ambiente", suspeitamos, que "este é um dos grandes desafios do séc.XXI", não temos dúvida, agora que "consigamos agarrar esta oportunidade com as duas mãos", estamos para ver, somos descrentes. Por isso, é importante que nos digam que somos capazes e que "a imagem internacional de Portugal está bastante associada às energias renováveis, a termos o maior parque eólico da Europa, a maior central solar do mundo, o primeiro projecto experimental de energia das ondas...e o maior programa de grandes barragens da Europa".
É importante que não nos aconteça como à mulher traída, que é a última a saber o que todos sabem e ninguém diz. Portugal perde, consecutivamente, o comboio para os destinos mais próximos porque chega atrasado à estação. Ficamos no apeadeiro a economizar no trajecto e a tentar que a boa sorte nos traga um burro ou uma charrua a cavalo. Somos, muitas vezes, apesar de termos tido a visão da descoberta, lentos a organizar e a implementar estratégias. Portanto, que venham muitos optimistas como Manuel Pinho lembrar, mesmo exagerando na convicção, que somos um pequeno grande país!