31/12/10

Feliz 2011!

Safa!

Parece uma idiotice ter chegado ao final de 2010 invejosa por ter encontrado quem fez melhor do que eu em matéria de cancro, mas foi o que senti ontem. Sem nos termos falado durante o ano, deixámos para o final  o telefonema de boas festas. Olá, olá, como estás, estou em falta, não estás nada eu é que estou, este ano foi difícil, conta lá. Bolas, não digas estamos iguais e não nos cruzamos nas poltronas e na radio por um triz, foi questão de dois ou três meses. Continuaste sempre a trabalhar e ainda fizeste os exames? Bolas, caramba, pensava eu que tinha feito muito bem, conseguiste isso tudo, fantástico, mulher! Quando é que nos vemos? tens exames até final de Fevereiro e só podes depois, ok! havemos de tomar um café tu com os teus quilos a mais e eu com os meus, tu com a tua protese capilar como gostas de chamar ao teu cabelo emprestado, eu com os meus caracóis verdadeiros, escada abaixo, escada acima, havemos de nos encontrar. Feliz ano novo, com muita saúde. olha lá, afinal o que é que mudou em ti, para além de teres ficado sem unhas, sobrancelhas, cabelo e pestanas? Estás na mesma, cheia de agitação, trabalho, astral elevado, tenho inveja da tua resistência tive dias em que me fui abaixo, não consegui trabalhar a tempo inteiro, nem sempre pude tomar conta da neta, houve dias em que as forças me faltaram, outros em que as lágrimas teimosamente me correram na pele, andei confusa, olhei o chão para logo ficar alegre e encontrar força para acreditar. Um dia, ainda me vais dizer onde guardaste os teus dias difíceis, porque eu sei que os tiveste. Um bom ano para ti, havemos de nos encontrar! bolas, nem mesmo em matéria de cancro se facilita, vá lá entender-se este conceito chamado competição na comunicação!

26/12/10

Três anos

Mais um ano para festejar. Este ano a casa andou um bocado desarrumada, por vezes pensei que seria melhor meter trancas à porta, resisti, fiz bem. Fizemos hoje três anos juntos. Um abraço a todos os que por aqui passam, entram e animam esta casa com belas jóias.

25/12/10

23/12/10

Vale a pena. Boas Festas!

Chegamos ao  Natal, o fim do ano está à porta, desejamos a todos boas entradas e uma feliz consoada e a maioria apesar de depenada na azafama das compras e lembranças não encontra nada de novo para festejar. É pena! Pena, porque o país nada tem para oferecer, ninguém acredita em nada, todos andam indiferentes, mesmo aqueles cuja voz ainda se faz ouvir, os rostos abrigam olhares distantes e nem mesmo a solidariedade para com uns e a vontade de estender a mão a outros nos parece trazer felicidade. Há dias, o Mike, citava um momento de reflexão sobre o PIB, o JM escrevia sobre o salário mínimo, falavam sobre o mesmo por via diferente. Concordo com os dois, é o problema dos dois olhos, um peso e duas medidas, do "on the other hand", do qual a vida é feita. O balanço, o equilíbrio, o pêndulo, diferentes para cada um, igual para a maioria. Vivemos em busca da felicidade e meditamos sobre o eterno, questionamos o impossível, pesquisamos o infinito. Vivemos em função dum bocadinho de nada que nem sabemos se existe. Acreditamos que somos capazes de mudar o percurso indesejável e afinal não o conseguimos fazer sozinhos. Tal como o corpo humano, o país (todos nós) necessita de acreditar no esforço do corpo e da mente, porque tal como o milagre da fé  pode ser um complemento do medicamento, também a intervenção de outras forças e correcções financeiras só pode funcionar se todos acreditarmos que somos capazes. Assim se venceram eleições, assim se movimentaram povos, assim se iniciaram projectos. Acreditar que um Messias virá resolver os nossos problemas, só nos deixa à espera do milagre que apenas acontece se a fé estiver ao lado do medicamento. O meu Jóia chegou à fé divina pela razão acreditando que a cura de qualquer doença só se faz com um esforço peregrino e nesse sentido, foi ao lugar que considerou certo, para trazer o que me faltava. Sabemos os dois que sem o químico não havia tanta certeza. Eu acredito um bocadinho mais no químico e na razão e ele na razão da fé. Estamos equilibrados, ambos trabalhamos para conseguir o que os dois desejamos - a felicidade e a vida eterna. A vida eterna que se manifesta, todos os dias através de actos, de lembranças, de seres que nascem, de embriões que deixamos gerar, de pessoas que continuam o nosso percurso. Que todos os dias sejam vida e que ninguém se esqueça de a alimentar com a fé e a razão durante o ano que brevemente se inicia, sem deixar de lado as razões do PIB, da educação, do Euro e dos mercados, da paz e da guerra. Vale a pena reflectir, vale a pena partir o bolo e não deixar de lado quem necessita de o comer. Vale a pena, olhar para os bons exemplos que conhecemos e acreditar que o destino está nas nossas mãos e acreditarmos que somos capazes. Boas Festas a todos!

Prenda de Natal

A Austeriana presenteou-me há dias com este livro. Uma excelente escolha pela coragem e  inspiração em tempos difíceis. Também me deixou uma cabazada de "queijadas de requeijão" para compensar os tempos mais frios de 2010 e aquecer os de 2011. Feliz Natal!

17/12/10

Logo hoje

Bem, logo hoje não posso ficar azeda,  já que continuo agradecida aos profissionais que me levaram para o bloco operatório, há um ano por volta desta hora, e me ajudaram a manter a vitalidade que sempre me assolou. Foi um dia cheio de acontecimentos, uns mais positivos que outros, mas que felizmente me trazem hoje aqui para dizer, bem hajam! Feliz Natal a todos os que me ajudaram nesse dia e em todos os outros que desde então se seguiram, ao longo deste ano. 2010 foi um ano que me desequilibrou do meu suposto equilíbrio físico, mental, espiritual  e pessoal. Outro equilíbrio tive de reinventar, melhor uns dias, pior noutros, razoável a maior parte do tempo. Uma constatação eu fiz, por muito que sejamos, por muitas glórias que tenhamos atingido, por muitos momentos inesquecíveis que se tenha passado, nenhum se compara à alegria de mais um dia vivido com saúde em paz, amor e liberdade.

Por uma grama de açúcar

Quando o pânico se instala por um grão de açúcar é caso para nos preocuparmos. Acredito que na época natalícia a preocupação com a feitura das rabanadas se manifeste de forma aguerrida a ponto de alguns se levantarem bem cedo a um domingo de manhã e se dirigirem ao supermercado mais próximo. Mas ao ponto de numa manhã terem tido necessidade, só no meu bairro que ainda por cima é numa zona in da cidade em que as pessoas andam sempre em dieta, de comprar 850kg de tal ingrediente? Fiquei preocupada, especialmente por me ter lembrado daqueles anos em que o bacalhau se vendia às escondidas, as mercearias passavam a farinha, o arroz, o açúcar, as conservas, o azeite, enfim o cabaz de alimentos básicos por debaixo do balcão aos clientes, que verdes de medo da revolução de Abril, açambarcavam para a seguir jogar no lixo, o que em situação e comportamentos normais chegaria para todos os que pudessem comprar. Aliás, nessa época foram exactamente os que podiam comprar, que com medo de terem de ficar fechados em casa o fizeram. Igualmente, me lembro dos depósitos sempre cheios para a eventualidade da fuga de alguns o que em contrapartida não permitia que os outros se abastecessem para motivos normais de circulação. Como mais tarde se viu e hoje sabemos, não havia necessidade para tal. As notícias recentes da subida de preço dos bens essenciais, seja pela subida do iva a partir de Janeiro ou pela escassez daqueles que face à subida dos preços no mercado internacional chegarão mais caros, ou ainda, pelas dificuldades de cumprimento dos prazos de pagamento por parte dos importadores nacionais, tem levado a que por um lado se deseje a entrada do FMI e por outro se encham as prateleiras da despensa. Situações que parecem contraditórias por um lado e representativas deste povo que continua à espera que outros o governem e lhe digam o que fazer, continuando a fazer à sucapa aquilo que a economia paralela o aconselha. Compra e enche a prateleira não vá uma oportunidade de venda com lucro surgir ou um ganho não previsto ajudar. Um bolso açucarado substitui uma prateleira vazia e uma chupeta molhada em açúcar adormece a insónia, mas por uma grama de açúcar será que vale a pena?

16/12/10

Concurso de Natal - ovelhas

Este ano andei de tal forma choné que até deixei para o fim a participação neste grandioso Concurso.  A ovelha choné foi aceite fazendo de mim uma das participantes mais felizes. O júri, para além da imagem enviada, ainda acrescentou esta actuação da choné.

07/12/10

Qual é o espanto?

No país dos absurdos encontro tema para aqui voltar. Leio que Rui Pedro Soares e Emídio Rangel vão lançar um novo meio de comunicação, com capital aqui do lado. O accionista principal é um apoiante de Zapatero e seu conterrâneo. Nada mais se estranha neste país, e nem mesmo a chegada das eleições, muito a propósito, ou o processo dum deles impede a clareza das notícias que se propõem fazer. Não tenho dúvida que haverá leitores para tal periódico, não penso que seja mais um, será concerteza mais uma cambada deles que sentem necessidade de ter uma voz direccionada, mas pelo menos não enganam ninguém em relação à sua agenda política. Ficamos a saber quem paga e quem lê.

Por isso

Por mais que tente o espírito volta sempre ao mesma tema, por isso não tenho escrito. Tal como no período da gravidez, em que todas as mulheres nos parecem mais grávidas do que o costume, vivo hoje um tempo em que as histórias ligadas ao cancro me seduzem mais do que quaisquer outras. Por isso não tenho escrito, para não aborrecer quem me lê porque as coisas do cancro só interessam a quem o tem, teve ou o vive de perto. Para os outros caímos no risco de nos tornarmos uns chatos. Por isso continuo à procura do my new normal.

06/12/10

Olá, mais um ano

Êrnani Lopes

Gostava tanto de S. Martinho do Porto que escolheu o lugar para sua última morada. Todos os anos aí nos encontrávamos, "olá, mais um ano", dizia ele, naquele nosso cumprimento à beira-mar. Gostava de fazer uma caminhada até à duna de Salir, umas vezes caminhava sozinho, outras com a Isabel. Gostava de usar uma túnica branca sobre o calção de banho e o eterno chapéu. Andava com elegância no seu corpo esguio, mantendo o porte desenvolto pela sua excelente condição física.
No Verão a seguir à declaração da doença não deixou de aparecer mesmo que não pudesse andar com os netos na água e referia-se "a esta chatice do cancro que me apareceu" com a naturalidade de quem não permite que a doença se instale. Durante anos, desceu a rampa da rua dos cafés bem depois das onze da noite, com a Isabel pelo braço fazendo a pose de quem sabe que está bem e é admirado. A nossa conversa era de circunstância, uma opinião aqui e outra ali, sobre economia, sobre o país, mas sobretudo sobre a praia e o sol, mais recentemente quando me tornei avó, sobre os netos e S. Martinho de que tanto gostamos.
Este ano, fui eu que não o encontrei, não pude dizer-lhe "olá, mais um ano" e acrescentar, desta vez coube-me a mim ter esta chatice do cancro.

26/11/10

Porquê?

As primeiras neves caíram em Fribourg, na Suiça, cidade que aconchega a minha filha mais velha. Os pneus de neve substituiram os anteriores, as vacas que lhe faziam companhia do outro lado da janela, já tinham desaparecido há uns dias, os aquecimentos aumentaram dando calor durante o dia e conforto durante a noite. Os dias vão tornar-se mais enfadonhos e os fim-de-semana mais ensonados, mas isso ela ainda não sabe. Para já, o que a Sofia já sabe é que ou vai ao ginásio ou vai ao supermercado até às 4 da tarde, o que para quem estava habituada ao espírito madrileno lhe está a fazer uma reviravolta quotidiana. É assim, quem chega tem de se adaptar ao que encontra. Agora, pergunto eu, por que razão os jovens preferem sair do país tão jeitoso onde nascerem, com tanto sol, tanta gentileza e delicadeza na organização de eventos, tanta azeitona e bolota, com vinho e flores, com MAR e mercados sem fim? Será porque têm ambição e horizontes largos? Será porque têm espírito de aventura? Será porque nós pais da geração de 50 projectámos neles as nossas ambições e os preparámos para tal? Ou será esta nossa condição de eternos descobridores que a Diáspora nos concede e que nos torna em errantes passageiros?
Porque é isso que fazemos, chegamos adaptamo-nos, fazemos bem, gostamos do que temos e passado uns tempos, ficamos cheios, cansados, parados e desejosos de partir e recomeçar, de preferência noutro lugar. Porquê, quando olho para outros povos que se mantêm no mesmo lugar, partindo e regressando, apenas?

22/11/10

Pedro Beça Múrias

E quando um fica pelo caminho, lembramo-nos que pelo facto dos exames estarem bem não quer dizer que se esteja curado. Foi com pesar que li a notícia da morte do Pedro Beça Murias. Peguei no seu livro e reli algumas das suas crónicas na sala de espera. Afinal, a sala era mesmo de espera e não demorou muito a chegar o seu dia. Que reste em paz!

21/11/10

Produtos genuínos

Um país, cujo povo até há bem pouco tempo só se lembrava dos azulejos, do vinho do Porto e da panela de pressão como produtos identificativos e originalmente produzidos em Portugal, deve ter ficado eufórico com a portuguese lidership associada à cimeira e ao Bo.

13/11/10

Amor peregrino

Não foi fácil regressar mas aqui estou, as malas já estão desfeitas mas o pensamento ainda vagueia por outras bandas. É sempre assim quando partimos por tempo incerto, temos de redescobrir o que deixamos e reanimar o que ficou enquanto choramos o que deixámos. Encontro motivos para querer continuar mas falta de energia para quebrar o que deixei e pergunto-me se não é demasiada liberdade que tenho em mãos face a tantas outras pequenas realidades. Pergunto-me se não é demasiado alguém estar a fazer uma peregrinação por mim. Eu que apenas sou corpo e mente e um dia me transformarei em pó. E pergunto-me se valho tanto sacrifício, eu que felizmente me sinto bem, que acredito estar curada e que sou apenas uma pequeno grão no solo. Não é fácil aceitar e agradecer os sacrifícios de quem nos quer bem sem termos de os justificar ou questionar. Acima de tudo não há palavras, há actos e há amor.

06/10/10

Eu volto

Agora que já tenho asas ninguém me apanha. Primeiro andei pelo Reino Unido com a filhota mais nova e agora parto para a Suiça ao encontro da mais velha. Vai ser um fartote de filhas, depois de um ano mais pasmado e sem o chilrear do mulherio.

Mas eu volto e conto tudo!)

29/09/10

Os últimos

Agora dizem que fomos os últimos a tomar as medidas que os outros já fizeram há muito. E ainda não terminamos porque este é apenas o começo. Mas será que estávamos à espera de ser os primeiros?

19/09/10

Foi há um ano

que o meu príncipe levou ao altar a sua princesa. Parabéns aos dois.

17/09/10

Fazer anos

Houve uma época em que não passava um ano sem fazer uma festa, era o tempo da adolescencia. Mais tarde, os aniversários foram substituídos pelas festas com as crianças, era o tempo da maternidade. O desejo de dar alegria foi-se tornando mais importante do que o de ter alegria em fazer festas de aniversário próprio. Apagar velas passou a ser um hábito que não tinha grande importância, até ao dia em que as outras velas espreitaram à minha porta. Hoje, celebro com muito gosto e alegria os meus 56 anos, é o tempo da maturidade e da recompensa.

09/09/10

Mais-valia e riqueza

Há dias em Maputo a população insurgiu-se pelo aumento do preço do pão dando origem a desordens e mortes. Joaquim Chissano disse mais tarde que a população não sabe que Moçambique não produz todo o trigo necessário para abastecer o país. Acrescentou, que a população tem de ser ensinada para poder compreender o processo. O pão é um dos alimentos base da alimentação dos pobres. Moçambique está entre os 10 países mais pobres do globo. O governo acabou por ceder às exigências da população.
Na Índia, a população fez greve porque o preço do arroz aumentou. O consumo de arroz naquele país representa o principal bem de consumo e é o alimento dos pobres. A população, apesar de ter mais acesso à educação continua a pertencer ao segmento mais pobre do globo.
Em Portugal, o governo inaugurou esta semana um conjunto de escolas e jardins de infância. As famílias mais carenciadas são as que têm um maior numero de filhos, diz-se que é necessário ensinar os métodos de prevenção da gravidez, em especial na adolescência. O número de mães solteiras em idade escolar tem vindo a aumentar, bem como o número de desempregados e de pessoas dependentes de subsídios do Estado. Segundo um relatório da OCDE, Portugal está em 20º lugar entre os 31 países que fazem parte do estudo sobre as verbas atribuídas por estudante. Em 2007 o país gastou 5189 euros por aluno face aos 11089 euros que os Estados Unidos atribuíram ao seu estudante. Ou seja estamos entre os menos gastadores, mas incentivamos os nascimentos e utilizamos fundos comunitários para construir jardins de infância.
A educação é a maior mais-valia de um povo, porque é a única arma, que a seu tempo poderá tirar um maior número de pessoas, em massa, da miséria e por isso é fundamental continuar com as politicas de educação que efectivamente ensinem. Construir espaços e fechar outros não será a solução melhor ou pior, é seguramente a mais fácil, e a população compreendendo o processo continuará tranquilamente sentada a aguardar pelo seu pão. Eu preferia que a população soubesse que viver de subsídios não é um modo de vida, e que é necessário criar outras fontes de riqueza em vez de continuar a encher o papo. E assim sendo, continuo a apoiar todas as medidas que conduzam a melhores meios de formação e educação desde pequenino a crescidinho, mesmo que pelo meio haja gente que nunca vai passar e outros que não deixarão de o fazer.

06/09/10

George


Com um sorriso nos lábios e uma gargalhada interior. Aqui

Good Madness à segunda-feira!


Katie Melua - Blowing in the wind

04/09/10

Paróquia de Arroios, 4 de Setembro de 1976

Igreja de S. Jorge de Arroios, Lisboa (foto da net)

Há 34 anos dois miúdos com 21 e 22 anos escolheram este dia para casar. Não estamos iguais, estamos mais amigos e seguramente mais cúmplices do que estávamos há um ano, porque hoje sabemos que a vida nos pode faltar e o que seria se perdessemos a companhia do outro. Este ano sinto este aniversário de forma distinta, ele é o dia da continuidade da vida, da esperança e do amor. Obrigada, companheiro, brindemos!

30/08/10

Setembro aproxima-se

Já ontem tinha olhado para aquela água no final do dia, limpa, calma e convidativa. As ondas chegam sem pressa, os primeiros pássaros sobrevoam a areia e não tarda que a brisa mais fria paire devagar dando-nos tempo para nos habituarmos ao arrefecer dos dias. Gosto do ar lavado do mês que está a chegar, ainda não está frio mas o calor já se encaminha para outras paragens. Gosto das manhãs de Setembro.


"September morning"Paul Anka

27/08/10

Correntes

E quando eu pensava que já pouco me poderia surpreeender, avançou para a porta, fez uma pausa e olhando-me nos olhos deixou sair um obrigado. Pela primeira vez, talvez a única, em que senti que há correntes que nos unem e que nos alimentaram. E do momento se fez luz, ao reconhecer aquela voz que um dia me pediu, que por ele olhasse, não uma vez mas todas as que fossem necessárias.

22/08/10

A day in Brighton

19/08/10

Hoje

Faz hoje três meses que acabei a quimioterapia, faz hoje uma semana que uso shampoo, faz hoje um dia que passei a andar com a cabeça descoberta na rua. O meu cabelo desalinhado tem um não sei quê que me agrada e um charme que me espanta. É uma enorme conquista sentir que volto à normalidade.

16/08/10

Good Madness à segunda-feira!


Fribourg Jazz Orchestra Big Band SING SANG SUNG Lou Soloff

15/08/10

Sean Riley and the Slowriders

Gostei de os ver ontem, pena que o serão não tivesse chamado mais assistência. As noites já estão o normal de S. Martinho, casaco precisa-se. E já agora o melhor é levar um agasalho para os fins de tarde na praia, que o vento já por aqui anda e o pôr do sol só se faz lá pelas oito e tal.


Sean Riley and the Slowriders - "This Woman"

14/08/10

Para o ano


S. Martinho tem-me recebido pela tardinha e apesar do mar ainda não ser meu este ano, pelo menos a areia e a sombra que a barraca me proporciona pertencem-me. Levo um livro mas o que me prende são as conversas e as risadas à minha volta. No primeiro dia, senti os olhos que me perguntavam o que tinha acontecido, onde estavam os fatos de banho, os meus banhos de mar, as minhas passeatas e o que fazia o Sr. Jóia sozinho na praia? Na verdade, há coisas que ainda faltam para tudo parecer normal e como dantes. As tardes vão devagar como tudo o que diz respeito à recuperação e o tempo é o nosso melhor aliado. Como passei muitos dias com as minhas preocupações, o reinicio das conversas e das histórias têm levado algum treino, é fácil cair na tentação de falar do mesmo ou de deixar que as conversas andem à volta das mesmas perguntas. Eu sei que a preocupação e a curiosidade é própria de quem me quer bem, sei igualmente que é difícil, eu própria, deixar de lado o que me pôs ao lado durante muitos dias, devo deixar ao tempo, o tempo de se encarregar de fazer o seu melhor, porque ainda não é desta que vou deixar de escrever sobre o cancro. Para o ano que vem tudo já deve ter entrado na rotina habitual, só me resta esperar, e então poderei fazer a dois o que ainda não é possivel este Verão. O Miguel e a Maria João que já vão mais avançados que nós, bem o dizem e melhor o escrevem e eu fico feliz por eles.

10/08/10

Moda

Seguindo a proposta da Mónica, iniciei a ronda das revistas com a moda Outono-Inverno. E pelo jeito, o melhor é recuperar as blusas que por aí andam perdidas. Ao reciclar peças interessantes, fico com a sensação de criatividade atingida e com a ideia de que aforrei o suficiente para a estação seguinte. Claro que entre a realidade e a fantasia vai um passo, mas nada como o sonho para nos fazer feliz sem nos comandar a vida.

09/08/10

A internacionalização dos comes e bebes

Este ano, a minha praia do costume está diferente. Ela foi invadida por franceses, ingleses e americanos verdadeiros, daqueles que dizem hotdog e pommes frites e gostam de red wine servido a copo às 5 da tarde. Penso que dada a proximidade do campo de golfe de Óbidos, o imobiliário que se foi vendendo especialmente a ingleses e respectiva divulgação feita pelos próprios, a terra se internacionalizou, deixando os meus conterrâneos, por um lado, à deriva e assustados com tanto estrangeiro a usar e a comprar os nossos produtos, e por outro a esfregar as mãos de contentamento provisório. Claro, que esta grandiosa alteração veio provocar igualmente um aumento não dos preços, que esses já estavam previstos pelos comerciantes atentos ao aumento do iva e outros impostos, mas da oferta de comes e bebes. Assim, para além dos habituais cafés e esplanadas de verão, temos mais cafés e mais esplanadas o que se traduz numa maior variedade de sandwiches, sopas, e saladas, que substituem as empadas, rissóis, croquetes,pastelinho de bacalhau e chamuchas de sempre. Mesmo assim, ainda não temos um belo sortido de quiches, antevendo-se um nicho de mercado que será aproveitado no próximo verão,aliás, eu própria estou a equacionar candidatar-me a empresária de tartes doces e salgadas já este ano, dada a minha disponibilidade sombria e enquanto o negócio se mantém longe do fisco. Para além destes novos atractivos, S. Martinho inaugurou um novo take-away de jovens em idade apropriada para os novos e atraentes países no final das férias. É que com tanto estrangeiro(a) os namoros vão pegar e vão dar que falar até ao natal, época em que as esplanadas darão lugar a verdadeiros pontos de pasmaceira, a menos que os bifes se mantenham cá na terra.

Um deleite?

A rapariga ainda estava com o registo afrancesado quando lhe pedi um pão de leite, é que o rapaz anterior tinha pedido uma hamburga, um cão(que é como vocês dizem(?), um de filete. Chegada a cliente da burka, olhou para mim e perguntou outra vez: um deleite? A que é que vocês chamam deleite?
Olhe menina, nós (eu, na realidade) não chamamos nada porque não fomos a lado nenhum, agora que isto é e sempre foi pão de leite, na minha e na sua terra é que é uma verdade! Amanhã peço em português de france e então é que vai ser um autêntico deleite assistir ao seu français. Vivam as férias no mês de Agosto!

01/08/10

Bom Domingo


Mr. Bean

31/07/10

Livre

Entrei ligeira e saí depressa, não com o ar cansado do costume mas com a andar leve e solto de quem está livre. Entrei no carro, rumei para sul e nunca pensei que a viagem me desse tamanho prazer. Olhei o mar, senti o cheiro, vi a liberdade no pranto, senti o suspiro, as lágrimas correram, e o meu corpo de pele escaldada finalmente, serenou. Voou em liberdade como só o preso deve conhecer e senti que, a partir de hoje não tenho direito a lamentos mas apenas a comemorações. Aos amigos que me acompanharam nestes últimos meses o meu muito obrigada!

30/07/10

Radioterapia

Quando chegamos à radioterapia fazemos parte dos sem rosto, a nossa identidade vai levar tempo a ser reposta. Caras iguais, cabeças desnudadas e intimidades à vista. Com o tempo e à medida que as semanas vão passando, os rostos começam a ter alma, o cabelo inicia a sua caminhada, as pestanas e as sobrancelhas fazem-se gente e a rotina da normalidade renasce. O verbo continua, no entanto, no gerúndio e o tempo vai-se fazendo. A calma é uma constante e o mais difícil é reencontrar a nossa identidade. Não serve pegar no que deixamos há nove meses porque, na verdade, temos de recomeçar o ponto. Como no crochet, nota-se que a sequência está laça, precisa de reganhar o ritmo para ficar um trabalho perfeito. Há dias, perguntaram-me porque me protegia, eu tanto, no passado. Porque queria ser perfeita e ambicionava que me vissem desse jeito. Hoje, passado o tempo de contemplação, continuo a querer o mesmo com a diferença do meu tempo ser mais alentejano. Sinto que as minhas angústias são mais passageiras e as minhas lamentações menos graves, vejo-me com igual impaciência para as questões de falta de ética ou de incompetência, tenho a mesma preferência por gelado de framboesa e limão, mas não me irrito se me trazem manga com baunilha.
A radioterapia cansa, queima, entristece o corpo. E mesmo sabendo que estamos a chegar ao fim desta fase da luta, não sentimos que a batalha esteja vencida. Na verdade, continuamos com todas as nossas forças a reequilibrar o que ninguém nos disse como era feito. Mais uma vez reconhecemos que a força só pode ser nossa se ela estiver cá desde o inicio. Ficamos diferentes talvez, e essa diferença ainda não a temos, ela virá decerto com o tempo e à medida que recuperarmos a nossa identidade.
Amanhã, farei a 35ª e última sessão de tratamentos de radioterapia. Hoje, tive alta e sinto-me grande no porte e na felicidade de me encontrar a caminho da próxima escalada, mesmo que ainda não saiba o destino final. Ao longo destes meses, tentei racionalizar a doença para a ultrapassar e vencer. Dei comigo a reflectir sobre assuntos ou vertentes pessoais às quais não tinha atribuído importância anteriormente. Neste tempo de auto-análise tendemos a particularizar sentimentos que só têm significado num contexto de fragilidade e na realidade, não fui eu que passei a ter outra visão de mim e dos outros, mas apenas tempo a mais para os enxergar. Como o dia-a-dia se faz de muitas sequências, demasiado tempo com a mente à solta passa a ser uma eternidade com reflexões mais ou menos tolas em tempo de pressa. Entre altos e baixos, os meses fizeram-se com ligeireza, com saudades de mim, vontade de chegar ao fim e com a convicção que o cancro também se vence.

António Feio e Tiago Alves

Ontem foi a morte de António Feio, há dias foi a de Tiago Alves um judoca com apenas dezoito anos.

Dois talentos que não deviam ter partido, cada um com o cancro que os deixou ficar mal!

29/07/10

É o conceito, puxa!

Como o conceito conta, uma oportunidade de ouvir bom fado ou boa guitarra é bem diferente do que ir aos fados num qualquer lugar onde o artista de ocasião se esganiça, e com os trejeitos habituais nos pretende convencer que o que nos impinge, é fado e guitarra portuguesa. Felizmente, sabemos ser criteriosos naquilo que é nosso mas é pena que ainda exista a ideia de que para estrangeiro qualquer coisa serve, se venda gato por lebre a preços de faisão ou ainda que se esfole quem gosta de fado.
Estive recentemente no Clube de Fado onde a boa música se faz ouvir e a guitarra de Mário Pacheco é magistral. Quem lá vai fica com a sensação de espectáculo bem conseguido, mas a conta é pecaminosa e mais para estrangeiro pagar do que para português apreciar. No final da noite é difícil convencer quem paga a factura, que aquele lugar é melhor do que a tradicional casa de fados da rua da Barroca. Se ainda o repasto fosse original, eu e imagino que outros como eu, estariamos perdoados. Não sendo assim, lá terei de arrastar o meu cartão de crédito para cima da mesa na próxima ocasião, e voltar a dizer: ó pá é o conceito, puxa!


Mario Pacheco live in Belem - Despertar da Cidade


Ha Uma Musica do Povo - Mario Pacheco & Mariza

Por outro lado, Ana Moura e Prince fazem títulos e capas a cantar no Meco. Afinal, em que ficamos em relação ao conceito? Bom, lá terei de iniciar tudo de novo. Ó Jóia, tá bem, puxa!



Prince e Ana Moura - Vai dar de beber à dor

26/07/10

Babies

23/07/10

Abutres em Portugal

Leio que há quarenta anos que não havia crias de abutre-preto a voar em Portugal. Não me espanta que estejam a regressar os que andavam fugidos, mas fico apreensiva. Já tínhamos tanta espécie à solta e ainda vêm mais estas juntar-se, aos de outras cores, que por aqui têm andado.

19/07/10

Good Madness à segunda-feira!


LED ZEPPELIN : Stairway to Heaven

17/07/10

Rosa

16/07/10

A gente...

"A gente não faz amigos, reconhece-os." Vinicius de Moraes

15/07/10

Silêncios

Cada vez aprecio mais o silêncio. Da casa, das ruas, do mar, dos rios, do mundo poluído de sons. Só não gosto do silêncio das pessoas e dos povos. Estaremos todos adormecidos ou é coisa de Verão?

Silêncio

Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;
redoma de cristal este silêncio imposto.
Que lívido museu! Velado, sepulcral.
Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!

Um hálito de medo embaciando o vidrado
dá-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.
Na silente armadura, e sobre si fechado,
ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.

Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós
que a própria voz do mar segue o risco de um disco...
Não cessa de tocar; não cessa a sua voz.
Mas já ninguém pretende exp'rimentar-lhe o risco!

(David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão)

12/07/10

Good Madness à segunda-feira!


Stevie Wonder - Superstition

09/07/10

Aos meus filhos

De vez em quando os filhos perguntam-me porque os estou a olhar. A resposta é isso aí, não tem grande explicação. Cada um pelas próprias razões de um dia os ter trazido ao mundo. É isso aí.


"E isso ai" Ana Carolina y Seu Jorge

08/07/10

Parabéns Mariana!

A mais nova faz hoje 20 anos e como adora fado, deixo-lhe este presentinho. Parabéns à minha filhota Mariana!

Carminho- Escrevi Teu Nome no Vento

06/07/10

Que raiva

Uma pessoa sai de casa cedo, o tempo está mais do que bom, as aulas terminaram e o trânsito deverá fluir com mais rapidez, mas não. As escolas de condução pensaram o mesmo e eis-las à minha frente, devagarinho como manda a lei, a aprender com muito cuidado e a engarrafar as ruas. No momento em que nos libertamos, aparecem todos aqueles com matricula sem ano e senhoras que vêem as montras enquanto guiam. E quando finalmente chegamos ao destino, um fangio qualquer buzina-nos a traseira porque fizemos uma manobra mais arrojada. Dá-me cá uma raiva!

05/07/10

La piscine (1969)


O Biquini faz anos


1946 - Micheline Bernardini
1970 - BB

Good Madness à segunda-feira!


Aretha Franklin " A Natural Woman " Italy 1971

04/07/10

Larry King Live


Larry King and Tina Turner

Todos iguais

A Fernanda acabou o tratamento, a Augusta tem mais uns dias, a Filomena diz-nos adeus na quarta. Eu acabei a terceira semana de radioterapia, faltam outras tantas. O ar do IPO é mais pesado que o dos corredores do Hospital de Sto António, as pessoas estão quase todas a fazer e a pensar o mesmo. A comunidade de utentes passa horas à espera "do tratamento", ouvem-se risos misturados com relatos pessoais e indignações de vez em quando. É também um local de estacionamento dos familiares que acompanham quem vem de longe. As SCUTS são tema de conversa, o preço dos bens alimentares e a sardinha que alguém tem de assar quando acabar o tratamento desse dia, também. Repetidamente, Fernanda, Celeste, Augusta, António, "ao tratamento". De vez em quando, Joaquina, sala de tratamento 1. Cinco dias na semana e pelo menos duas a três horas passadas na sala de espera. O ar é pesado, as histórias vão passando e a esperança renova-se até ao dia seguinte. Nota-se, no entanto, uma certa segmentação de grupos. Os grupos dividem-se por áreas geográficas. Eu gosto de me sentar junto do grupo de Paços de Ferreira, pelo caminho vou sabendo que um dos maridos é serralheiro, outro carpinteiro, um é irmão e primo de outro acolá e as mulheres com a pele tisnada pelo sol, e sem rugas, falam dos filhos adolescentes ou universitários. É bom saber, que apesar da ruralidade os jovens querem seguir outros caminhos e têm pais para os incentivar. É reconfortante perceber que apesar de tudo somos todos iguais. "Que idade você tem? pergunta-me a Fernanda. "Olhe, que está bem conservada!". Todos iguais, com mais ou menos make-up!

03/07/10

Os corredores da vida

Na casa da minha infância havia um corredor que a atravessava. Naquela época os corredores estavam destinados a representar parte do dia-a-dia de quem lá vivia. Os espaços estavam organizados para acolher, esconder e viver segundo linhas traçadas a rigor. Nos últimos anos de vida, a minha mãe quando instigada a caminhar para o seu bem-estar fisico, retorquia que se fartava de andar no corredor. Os corredores eram sombrios e muitas vezes sussuravam mistérios e segredos de mulheres. Antigamente as mulheres tinham muitos segredos que escondiam dos olhares e dos ouvidos masculinos. Só os filhos homens as ouviam e logo as esqueciam assim que chegavam à fase adulta. Lembro-me da casa sempre cheia de gente que entrava e saía. Mais tarde, era um prazer poder fingir aulas e estudos que me permitiam estar sózinha. A casa estava sempre em burburinho, desde os próprios habitantes a aqueles que constantemente aí batiam. As vendedeiras, o rapaz da mercearia, o cigano que vendia cortes de tecido, o pobrezinho do mês, as senhoras da igreja, as amigas da minha mãe. A casa tinha as duas empregadas, que na época ninguém se aborrecia que fossem criadas, a costureira, o marido da antiga criada que todas as tardes antes de ir para casa passava para cumprimentar a madrinha e ao mesmo tempo namorar a criada mais nova enquanto depenicava o jantar que estava a ser preparado, e os familiares menos desafogados que sempre apareciam, por acaso e por estarem de passagem, à hora das refeições ou ao domingo de manhã antes da hora da missa, significando que ficariam para almoçar. Depois havia o meu bisavô galego que por ser invisual reunia muitos à sua volta. Este meu bisavô que fazia questão em dizer que era galego quando lhe perguntavam se era espanhol, recebia com frequência os primos que viviam na Galiza e que traziam chocolate e levavam café. Da minha primeira infância, recordo sentimentos de morte no ar que conviviam amenamente com o resto. Havia sempre alguém que morria e as idas ao cemitério faziam parte do nosso quotidiano. Passei várias tardes empenhada a mudar flores no jazigo da família e a olhar as fotografias dos que nunca conheci. Aquilo não me afligia, pelo contrário, eram casas que pertenciam a famílias, que tal como a minha, tinham para onde ir quando morressem. O cemitério do Alto S. João tem moradas imponentes. Os cemitérios, portanto, nunca me fizeram transtorno e anos mais tarde, quando regressava das aulas em vez de caminhar por fora do cemitério fazia-o muitas vezes pelo corredor interno que fica junto à Morais Soares. Penso que era o silêncio que eu procurava e também atazinar as colegas que morriam de medo.
A vida tem muitos corredores. No dia em que decidi passar à segunda infância, o corredor era mais amplo e a minha mãe mais terna, mais conservadora e algo rígida também. Nunca percebi se ela era mais ou menos feliz, apenas que os olhos sorriam enquanto no passado riam. Sei, que estava mais serena e acomodada, e este sentimento determinou que a minha vida se abrisse a outros corredores. Assim que surgiu a idade adulta, e com ela a oportunidade, eu corri para outra cidade. Muitas outras estórias sem importância me aconteceram incluindo a que tenho vindo a contar. Nunca se saberá a veracidade delas, ou o riso de quem as conta, apenas que por aqui ficam numa tarde, deste dia de Julho.

02/07/10

Bloggar

Tentando bloggar nas salas de espera do IPO ou como enviar várias vezes a mesma mensagem para os vizinhos :)))
Bom fim-de-semana a todos!

Good Madness à segunda-feira!

Seal - Fly like an Eagle

30/06/10

Pontos de encontro

As viagens servem para questionarmos o que andamos a fazer. Por isso é importante levar o coração ao largo e deixar entrar as emoções. A serenidade deve estar presente e não devemos deixar que o coração se aperte. Passamos melhor a fase de adaptação e mantemos a capacidade para nos posicionarmos no ponto de partida e nos prepararmos para o de chegada. Voltar ao local do passado quando dele partimos sem vontade, é um exercício de condescendência gradual. Desarrumar gavetas e abrir pacotes com teias de aranha não ajuda a apaziguar feridas, pelo contrário aumenta a alergia. Os sótãos só têm interesse quando o caixote está cheio de brinquedos e fotografias alegres ou de registos dos outros. Sempre que regressamos em busca do que já foi, ou temos o sótão pessoal muito bem arrumado ou dificilmente encontramos o que pensávamos que estava lá. Por isso o melhor é deixar o passado no lugar que deve ter, e procurar o outrora nosso com o coração ao largo sem antecipação e olhando para ele como se fosse a primeira vez. As viagens são diferentes à partida e à chegada. É bom regressar com o sentimento de chegar a casa, apesar de muitas vezes sentirmos que a casa podia estar noutros lugares mais distantes. Ao invés, regressar e sentir o coração apertado de quem não encontrou o seu destino final é o sentimento de quem não está bem no espaço que frequenta, e é por isso que o desejo de voltar a partir se instala tão facilmente. A eterna saudade do viajante é algo que um dia deixaremos a outros para que a guardem no sótão. Até lá, as viagens servem para nos reencontrarmos com a vida, connosco e com os outros.

Acho XIV

"Não tenho cabeça" e "sou um ser humano, estou a sofrer e tenho o direito de sofrer sozinho".
Tudo bem, ó capitão, eu só acho é que foi pena as pernas terem falhado e o hino também.

28/06/10

Good Madness à segunda - feira!


Ray Charles - Georgia On My Mind

25/06/10

Have a nice week-end!



LUZ CASAL - LA PASIÓN - "HISTORIA DE UN AMOR"

Straight and clean

Descoberto ao acaso, gostei do que vi e do que li. Um blogue para ficar de olho porque me recorda vivências canadianas.

24/06/10

Finalmente, Alberto!

O Mónaco anuncia o noivado de Alberto com Charlene. Calma, que ainda há esperança e pode haver fogo, até ao anúncio do casamento.

Nos Açores

Em Angra do Heroísmo o São João tem festa e touradas.

Tanto fogo o Porto viu

Fogo de artificio no São João

22/06/10

Ainda a frase

Independentemente da polémica em redor do ter ou não ter estado presente no funeral, do pior que eu ouvi Cavaco Silva dizer a propósito de Saramago, foi que nunca tinha tido o privilégio de o ter conhecido ou com ele ter privado. E isto para justificar o que fazem os amigos e admiradores de alguém em relação ao dever do chefe de Estado. Se eu fosse Presidente de todos os portugueses teria feito alguma coisa para conhecer o único português com o Nobel da Literatura.

21/06/10

E a paixão?

Vive-se a época do sensacionalismo, mas onde está a paixão? Nos últimos tempos parece que tudo o que se apregoa tem de ser enviado com o exagero de emoção, mas esquecendo que é o mensageiro que traduz o fôlego e o ímpeto da acção. No mundo dos negócios se as equipas de venda não forem apaixonadas pelo produto não serão capazes de traduzir esse espírito de empatia e necessidade de ouvir. O marketing tem passado por momentos difíceis e as empresas e seus gestores põem ênfase principal na diminuição de custos e apresentação de resultados, esquecendo que o bem principal tem de ser vendido em primeiro lugar. Uma empresa com gestores que só se preocupam em reduzir custos e estão alheios à angariação de clientes não vai longe. Com o tempo, mesmo aqueles que ainda têm alguma paixão, passam a desinteressados que tentam vender a outros desinteressados. É urgente voltar a acreditar que o mundo não é feito só de episódios negativos e que não é uma questão de esperança que nos move, mas sim a nossa capacidade de mudar mentalidades, situações, empenhos e outras tendências que estão à nossa mão. Como Seth Godin muito bem nos relembra, "people who don't care, selling products to people who care less" é verdadeiro. Por isso é tão importante que os CEOs se lembrem das pessoas que dirigem e dos produtos e serviços que pretendem que elas representem. Mas para isso, eles terão de se apaixonar, em primeiro lugar, por aquilo que fazem.

Good Madness à segunda-feira!


Somewhere over the rainbow - Sarah Vaughan

19/06/10

José Saramago (1922-2010)

A RTP2 passou ontem em repetição, uma entrevista de José Saramago a José Rodrigues dos Santos, parte de um programa intitulado "Conversas de escritores" que foi transmitido há cerca de um ano e que é importante rever. A conversa orientada para a obra a maior parte do tempo, revelou Saramago de forma simples, afável como não o terá sido noutras épocas da sua vida, condescendente com os seus erros e sem nada mais a provar num tempo que ele próprio terá reconhecido como próximo do fim. Saramago, soube no final da sua vida, criar o impacto que levará muitos a querer conhecer a sua obra. No final vi aquilo que ele quereria que eu tivesse compreendido - uma certa forma de ser- em formato de travessão gramatical. Saramago, tal como Borges, que ele admirava, vai ficar na história da literatura não apenas pelo prémio Nobel que todos querem reclamar, mas pelo estilo que soube criar com muitas ou poucas virgulas, com ou sem minúsculas nos nomes próprios, com ou sem memória para contar. O próprio deixou claro que os livros mais representativos da sua obra são o "Caderno de Pintura e Caligrafia" e "Levantado do Chão". Que reste em paz, quem tão polémico foi!

18/06/10

Camas mal arrumadas

Diz o ditado que cama mal arrumada não dá sonos repousantes e mais, que quem a cama faz e nela se deita não tem de que se queixar. Acontece porém, que lá pelo Algarve há quem queira pôr fim a esta pouca vergonha de camas emprestadas à prima, vendidas livre de impostos e sem as respectivas receitas fiscais, a todos os que nelas se queiram deitar. Ainda por cima agora que o governo anda à caça de receitas e se deu conta desta riqueza nacional que dá pelo nome de economia paralela. A malta já desconfiava que era uma questão de tempo até virem em cima do colchão que temos a mais na garagem para o que der e vier, mas assim de repente não está certo. Por um lado pedem-nos para fazermos férias dentro de casa e que nos tornemos novos empresários e agora querem que deitemos fora as camas que nos davam o rendimento extra do negócio. Em Portugal a economia paralela só continua a ser fenómeno para quem gosta de passar por tanso, para os outros é representativo de uma economia frágil, desorganizada e onde os que se dizem espertos fazem pela vida e chegam a lugares de responsabilidade. Infelizmente sempre existiu e está aí para continuar nos mais diversos sectores. O turismo é apenas o último a ser chamado à pega, sem ninguém o conseguir controlar. São coisas do meu país em tempos de desarrumação.

Olha, casaram!

Harrison Ford e Calista casaram. Como este é o actor que mais influenciou o meu rapaz mais velho na arte "Starwars", fico agora a aguardar o desenrolar dos acontecimentos aqui em casa...:)

17/06/10

Geração 700

Estaremos assim tão distantes da geração 700, e seremos tão diferentes dos gregos como alguns querem acreditar? Não me parece. Sofremos dos mesmos males, temos jovens com excesso de cursos e empregos a menos, temos jovens a viver em casa dos pais até idades tardias e a custos não recompensados, temos trabalhadores que se debatem com reformas que provavelmente nunca receberão, temos salários para recém-licenciados que se encontram a valores idênticos e temos uma geração que não acredita que é capaz de viver sem o estado providência. A geração 700, assim designada pelo valor do salário do recém-licenciado tem muitas vezes vários graus académicos, mas não tem perspectivas de empreendedorismo. Tem medo de lutar em ambiente desconhecido e no entanto, é detentora de cursos e diplomas que supostamente lhe ensinaram a criar o seu próprio emprego, é sabedora de métodos de gestão que deveriam incentivar e motivar quem procura emprego. Em Portugal tal como na Grécia os jovens querem emprego, mas ninguém lhes ensinou que era necessário querer entrar no mercado de trabalho. Para quem esteve habituado a viver em casa dos pais até tarde, a ter tudo aquilo que queria e a estudar não o que devia mas o que lhe parecia ser a moda, não tem grande capacidade para fazer face às dificuldades. Os jovens não estão habituados a fazer sacrifícios e os pais também não os deixam fazer. Vivemos hoje "ensandwichados" entre a geração que tudo pensou para os que haveriam de vir e aquela que não faz a mínima ideia de como aqui chegou. E a conclusão é que esta é uma cultura instalada seja aqui, ou na Grécia, ou em Espanha ou em Itália ou, eu diria, em todos os pontos da Europa remediada.

Vuvuzelas

Depois daquele choro entre as 22 horas e as 6 da manhã do recém nascido, seguido pelo estardalhaço do adolescente à procura de estabilidade hormonal, haverá brinquedo com som mais irritante?

11/06/10

Celebration Concert 2010 South Africa

Dois fantásticos momentos num espectáculo não menos formidável.


Angelique Kidjo FIFA World Cup Kick-off Celebration Concert 2010

Shakira - Waka Waka - 2010 FIFA World Cup Kick-off Celebration Concert

31/05/10

Good Madness à segunda-feira!


LOUIS ARMSTRONG and ELLA FITZGERALD

28/05/10

Have a nice week-end!


Old Spice The Man Your Man Could Smell Like

27/05/10

Acho XIII

Acho que limitar a venda de bebidas alcoólicas a menores passando para 18 anos a idade mínima de venda me parece bem, duvido, no entanto, da eficácia da lei. Os jovens saem à noite cada vez mais cedo, frequentam bares e discotecas a partir dos 14 anos, as raparigas forçam make-up e entram sem dificuldade nos lugares nocturnos, os cafés não fiscalizam quem bebe, apenas quem compra e a cerveja é de acesso imediato. Quem controla as vendas no supermercado e nas bombas de gasolina? Por isso, não acredito que a lei per si mantenha os jovens fora do acesso ao álcool e do seu consumo. O comportamento dos jovens é diferente do que era há alguns anos atrás, os hábitos de consumo tendem a manifestar-se muito preocupantes mas não é só através da lei que tal se modifica. Acho, e sei que estou certa, que é no seio familiar que os exemplos se colhem e a formação se faz, que é aos pais, em primeiro lugar, que cabe ensinar os filhos a terem comportamentos saudáveis, cívicos e normais, porque saber beber é normal e não um crime. E acho, igualmente, que muitos pais têm de alterar os seus comportamentos de educação sob pena de transformarem pessoas razoáveis em pequenos e insuportáveis cidadãos para a vida.

26/05/10

Bárbara

Tem 23 anos e esvoaça pelos corredores com os seus lenços a condizer com as roupas. É tão jovem e engraçada que chama imediatamente a atenção. E tem graça, tem estilo e é diferente na sua juventude. Reparei nela um dia no bar do hospital, vestia em tons de lilás. O lenço e as sapatilhas a condizer. Estava com os pais, eles também gente com idade para ter filhos pequenos e faziam parte dum grupo que se distinguia pela forma como a mais nova se comportava. Via-se que os três estavam unidos de uma forma especial. Hoje soube que a Bárbara é filha única, terminou o curso de Gestão no ano passado e quando se preparava para iniciar o mestrado surgiu a dor no ouvido que se veio a verificar ser um linfoma. "Coisas que ninguém conta", diz-me a mãe, "a minha filha foi sempre uma criança saudável. Uma pessoa fica sem chão quando nos dão a notícia, a Bárbara nunca deitou uma lágrima, ouviu tudo com muita calma, o pai esteve três dias sem se chegar a ela, cada vez que tentava desatava a chorar. Se eu pudesse, passava a doença para mim".
Bárbara é um nome de luta e esta menina de olhar determinado é mais um dos exemplos que vamos conhecendo no dia-a-dia dos corredores de hospital. "Vai entrar agora? perguntou-me, "é que eu podia ensinar-lhe outras formas de colocar os lenços". Lenços entrançados, feitos de tecido a metro e encomendados na costureira, tal e qual os vestidos. Uma graça que só a juventude consegue, ela que podia ser minha filha e que naquele momento era, também, uma divertida companheira de luta. "Então fica para outro dia, agora vou matar o bicho!" finalizou, enquanto se dirigia para a sala das poltronas com o sorriso e a juventude espalhados no rosto.

24/05/10

Good Madness à segunda-feira!


Jeanne Moreau sings India Song

23/05/10

Os livros ajudaram e o meu tango também

Os livros são parte da minha vida, vivo rodeada deles, há-os para todos os gostos e enchem metros de parede, fazem parte do meu tango. Por isso quando o meu querido cônjuge encomendou mais uns tantos sobre tudo o que lhe parecia ser útil para entender o cancro em primeiro lugar e o meu em particular, não me admirei de os ver entrar. Aos dois, os livros e o Sr. Jóia. E muito menos estranhei que o segundo passasse metade do tempo, eu diria que nalguns dias foi trabalho a tempo inteiro, a ler tratados de quimioterapia, manuais de sobrevivência do cancro, do cancro da mama, da ajuda do marido, da alimentação apropriada, das medicinas alternativas, das experiências de sobreviventes de cancro, para além de outros que alimentam o espírito e tranquilizam a alma. Por isso, e por tudo o resto que temos vivido eu estou-lhe eternamente grata e é nestes momentos, que nos lembramos das tais palavras ditas um dia, naquela altura em que não fazemos a mínima ideia de como são importantes, e que rezam assim - ... na alegria e na tristeza, na saúde e na doença ... - seguido do beijo que as sela para a vida.
Usei pouco a net para me documentar, li o que me pareceu suficiente e preferi ir lendo à medida que a minha tranquilidade me permitia assimilar o que era importante. Recusei informação a magotes e que se revela desnecessária e concentrei-me na clareza das palavras que me acompanharam na leitura de alguns dos tais livros recentes. Quando temos uma biblioteca pela frente com vários títulos e abordagens à nossa disposição sobre o mesmo assunto, temos de saber escolher. Foi o que fiz. Pelo caminho juntei alguns artigos recentes da net e alguns testemunhos, nomeadamente, "Crónicas da sala de espera" do Beça Múrias de que falei em tempos.
Deixo as referências dos que me ajudaram a compreender e a ultrapassar medos, preconceitos e estigmas sociais, em particular aqueles que nos habituamos a considerar só dos outros e nunca nossos. Perder a referência pessoal e profissional e entrar na categoria de doente é difícil, mas a seu tempo torna tudo mais fácil.
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Referências:
John Link, "The Breast Cancer Survival Manual", fourth edition, Toronto: Holt Paperbacks, 2007.
Lillie Shockney and Gary Shafiro, "100 Questions & Answers About Advanced and Metastic Breast Cancer", Toronto: Jones and Barlett Publishers, 2009.
David Servan-Schreiber, "Anticancro - Um novo estilo de Vida", 1ª edição, Lisboa: Caderno, 2008.

22/05/10

Un homme et une femme


O cônjuge

Se para o doente lidar com o cancro carece de aprendizagem, para o cônjuge não é melhor. Eu diria até, que em certos momentos é pior. Para o doente a expectativa é temporária, a pessoa está sujeita a tratamentos durante um determinado tempo, a esperança é infinita e a força imensa. A pessoa doente ao contrário do cônjuge nunca faz lutos, mesmo que a imagem seja uma pequena visão do que fisicamente é. O fenómeno é igual ao do envelhecimento interior. Ele nunca existe se nós formos pessoas mentalmente saudáveis e de bem connosco. A imagem pode ter rugas e cabelos diferentes, mas o interior mantém-se com vinte anos. Com a doença pode ser igual, estamos doentes, sentimo-nos fracos mas não deixamos que os outros nos tratem como tal, por isso lutamos para que nos vejam como efectivamente sabemos que voltaremos a estar e a ser. O cônjuge passa por muitos sentimentos e vive muitos estados de alma. Ele tem de fazer o luto da pessoa saudável, aprender a viver com a pessoa doente e compreender a doença. Depois tem de aprender a fazer o luto da pessoa doente e a reaceitar aquela que ainda há pouco tinha sido alvo do luto. E tudo isto no espaço de meses e acreditando que o pesadelo passou e não volta. Não é fácil, porque na verdade o pesadelo pode voltar e os dois têm de acreditar na racionalidade do tratamento e ter fé na remissão da doença. E acima de tudo têm de acreditar no futuro e aceitar o presente; têm de reaprender a fazer planos e a acreditar no seu cumprimento. Têm de atirar a doença para lá e viver ora cá e ora lá, como no antigamente, como no antes de, sem medos e sem rede.