25/01/10

Uma família onde todos são bem vindos

A propósito da vergonha da Dulce lembrei-me do baptizado de sábado passado. Chegado o momento o sacerdote chamou os avós. Para os amigos, nada de especial porque já estamos habituados a que a família seja fora do comum, mas o padre não esperava por tanta gente. Apresentou-se o avô materno e companheira, a avó materna, o avô paterno e companheira, a avó paterna e companheiro e ainda os bisavós maternos acompanhados das respectivas e respectivos portanto quatro em vez de dois, mais o bisavô paterno. Uma família que apesar de ser diferente não é disfuncional. Em vez de sair um e entrar outro, acumulam os novos e os antigos à mesma mesa. Na verdade, uma mistura de gente que apesar das divergências consegue estar harmoniosamente em paz com as escolhas feitas. Não é vulgar e quem não os conhece não entende, mas eu que os vejo com oitenta, sessenta e cinquenta e tantos anos só lhes encontro juventude e paz de espírito no olhar. Se é um exemplo a seguir não sei, mas que é uma forma de manter unida uma família que à partida estaria condenada é, sem dúvida. A proeza tem no entanto dois protagonistas - um bisavô emprestado que se revelou um verdadeiro elo e uma neta verdadeira que a todos empresta a sua amizade. E assim, uma família fora do comum reune duma só vez quatro gerações.

Good Madness à segunda-feira!


Joshua Redman Quartet - Straight Ahead

23/01/10

22/01/10

Olá

Um dia, todos os dias. Sempre que o céu estiver cinzento e a chuva ameaçar ou sempre que a tormenta se aproximar lembrar-me-ei que já é bom dizer olá a outro dia. Life is a cabaret.
Bom fim de semana, a todos!

Cabaret, Liza Minelli

13/01/10

Haiti em tempo de ruínas

No tempo em que havia pessoasSem tempo no meio dos escombros

No tempo em que as pessoas ainda passeavam

A tempo de salvar uma vida

Com o tempo para salvar vidas

A calamidade instalada no tempo

No tempo em que o Palácio derrubado é o que menos interessa

Um país em que o desespero acontece todos os dias e continua na manhã seguinte não deveria estar sujeito a mais esta calamidade. Recordo o que escrevi há tempos e que deixo aqui e aqui outra vez.
(Fotos da net)

Avatar no Vaticano

Houve tempos em que o Vaticano não se pronunciava a não ser em latim. Agora, por assim dizer tem palavra a dizer sobre tudo. Neste caso, o filme Avatar foi o contemplado considerando o Papa que é perigoso idealizar a natureza como uma potencial divindade. O Vaticano que tem alertado para a preservação da natureza e do ambiente, parece assustado com a capacidade e o impacto da projecção a 3D. Não vá o diabo tecê-las e virar-se o feitiço contra o feiticeiro, proponho que se chame o Al Gore para por James Cameron na ordem. Como diz o outro, haja paciência!

Acho X

Há dias lembrei-me das expressões à volta da cozinha. Acho que não deve haver país que enrole tanto como o nosso. Enrolamos a palavra, enrolamos a fralda da camisa, enrolamos os assuntos, enrolamos quem nos ouve, enrolamos iguarias com condimentos, enrolamos couves lombarda, enrolamos. E também temos as almofadas. Almofada para o que der e vier, almofada para dormir, almofada para cair, almofada para comer. E trouxas que ouvem coisas de encantar, dormem nas almofadas sedosas e são enrolados sem saber mesmo quando lhes fazem elogios apetitosos. Para além do mar que enrola na areia e as areias que enrolam kilómetros. São enrolamentos sem parar.

11/01/10

Camisola poveira

Quem nasce num país quente ou moderado como Portugal não sabe conviver com o frio. A gracinha das primeiras nuvens cinzentas e dos flocos de neve são cheios de risos e gritinhos para passarem rapidamente a desejos de calor. A neve branquinha como o algodão é linda durante umas horas para logo se transformar num caos de pernas para o ar. Os dias que se têm sentido podiam ser encarados como uma forma de promoção do nosso país como temperado e um refúgio em tempos de invernia. Talvez promover o que temos de bom quando os outros têm frio na casa dos 30 e 40 negativos. E nós temos de bom tudo aquilo que faz parte do nosso inverno. O fumeiro, a caça, os queijos, os vinhos, os licores, as compotas e os doces conventuais, as casas senhoriais com o conforto antigo, as mantas e as camisolas da região. Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo deveriam encontrar o seu momento de glória num pacote de turistas desejosos de um pouco de calor. Aliás, sendo os portugueses pródigos em utilizar o linguajar gastronómico esta seria uma bela ocasião para lançar livros sobre a gastronomia, a música e a língua portuguesa.
Reciclar os clássicos e trazer a rota da sua escrita às regiões onde nasceram. Pode ser que alguém se lembre disso enquanto se enchouriça com roupa para o frio ou se enrola na manta para aquecer. Eu cá, vou vestir a minha camisola poveira enquanto aguardo os turistas.

Good Madness à segunda-feira!


Nina Simone - Ain't Got No...I've Got Life

08/01/10

Elvis

Os Messias

Começam a surgir os aguardados Messias. Fernando Ulrich, Presidente do BPI apresenta o seu Estudo de final de ano. Como bom político em ascensão não apresenta linhas directrizes, apenas os factos, porque o resto virá no programa do Partido (leia-se PSD). Uma "combinação" início do ano que se apresenta e que o outro Presidente, o de Portugal, aprecia. Veremos quem são os senhores que se seguem. No entretanto, os economistas disponíveis para os lugares que chegam ao fim de mandato já se agitam com palestras e crónicas de jornal. É sempre um prazer ver Portugal a tocar baixinho tal e qual a guitarra portuguesa.

06/01/10

Parabéns, meu rei!

Na verdade o que ele mais gosta é de fazer anos e de receber prendas úteis. Claro que prendas úteis para um homem não são tachos ou panelas, muito menos máquinas Nespresso, lápis e sombras para os olhos ou ainda lingerie a condizer com o exterior. Nada de pensar que o meu Jóia não é um senhor sensível, pelo contrário, ele gosta de imensas coisas desde que se resumam ao mesmo de sempre. Os mesmos livros com títulos diferentes, os mesmos sapatos com solas mais novas, os mesmos trajes de jogging porque ele é um atleta, os mesmos perfumes porque ele só gosta do mesmo, os cremes porque tem a mania dessas coisas que passaram a ser do uso diário dos cavalheiros metrosexuais e enfim os vinhos e os charutos mais para os amigos, porque ele prefere os cigarros e as cigarrilhas. Ele gosta de aniversários, adora juntar os amigos à volta, de servir um bom vinho, de apresentar as suas teorias que misturadas com polémica aquecem o ambiente e dão excelentes noitadas de cavaqueira. Para além disso, e talvez por ter nascido no Dia de Reis ele não dispensa ser "adorado". Por isso, o meu presente fica aqui à laia de clip de video. Muitas divas adorando o seu rei e eu adorando o meu que faz hoje 50 + 6 anos. Parabéns, meu rei!

04/01/10

Educação e criatividade no século XXI

A Vision of K-12 Students Today

Good Madness à segunda - feira!


Take the A Train - 4 horns 1995

01/01/10

O meu amor por você,Cidade

Estou no sítio certo. Estou no Porto a cidade que me abrigou e me abraça sempre que eu necessito. Ela cativou-me, eu entreguei-me, sou feliz. Podia ter Paris, Nova Iorque, Londres, Madrid ou São Paulo. Podia ser em Ottawa, Chicago ou arredores mas é Porto, não é Lisboa, não é Wawa. Por ti, cidade da minha vida, eu tenho este amor, mas não me perguntes coisas que eu não saberei explicar. Deixa, apenas que a música nos embale neste ano que agora começa. Feliz 2010!