25/02/10

Ainda a Madeira

Ainda ontem falei com familiares madeirenses e a conclusão a que cheguei é que ainda há muita coisa por esclarecer. Falámos sobre as seguradoras e também sobre o facto da maioria não ter seguro. Mais tarde ouvi nas notícias que o Governo Regional tem uma verba alocada às tragédias naturais mas é necessário admitir calamidade pública. E volto à minha questão, para admitir calamidade é necessário dizer toda a verdade e isso está por apurar. Claro que sou a favor das ajudas internacionais, da Comunidade Europeia a fazer minuto de silêncio, das iniciativas musicais e outras acções de solidariedade para ajudar os madeirenses, mas não posso deixar de bater na tecla da irresponsabilidade interna das construções, do ambientalismo e de todas as infraestuturas que não foram feitas a tempo de corrigir os erros de construção do passado. Não basta dizer que o que é da ribeira à ribeira volta, ou que a Madeira conhece estes aluviões de tempos a tempos e que a história registou. O ponto é que as ajudas fazem-se e daqui a uns anos quando acontecer outra desgraça voltamos ao mesmo, tal como no caso da ponte de Entre-os-Rios de que ninguém já se lembra e que se mantém na mesma. Só no caso das pessoas que ficaram sem os seus automóveis, bens necessários numa ilha com transportes contados, a maioria só tinha seguro contra terceiros, o que significa sucata sem valor. O valor estimado só para cobrir a indústria automóvel é de 15 a 20 milhões de euros de indemnizações de acordo com um responsável da associação, apesar da notícia local apurar metade desse valor. Juntando o resto não serão apenas 50 milhões necessários, serão muitos mais em vidas e pessoas que perderam todas as suas poupanças numa terra de emigrantes e de gente que até há bem pouco tempo tinha pobreza à vista no interior da ilha. Por isso, o turismo se bem que crucial para o desenvolvimento não pode ser a receita e a desculpa para o fazer de conta em relação às responsabilidades de ordenamento ambiental.

2 comentários:

Luísa disse...

Está provado, GJ, que a imprevidência humana mata mais do que as calamidades naturais. Ainda hoje, a propósito dos acontecimentos no Chile, alguém dizia que as pessoas morrem porque lhes caem em cima coisas que outras pessoas (ou elas próprias) construíram mal construídas; não porque o planeta abane.

GJ disse...

Verdade, Luísa.