24/02/10

O rei vai nu

Jogamos com a probabilidade do não acontecimento. Pensamos que a nós nunca e que estas situações só acontecem nos países do terceiro mundo. Ainda há dias tivemos o Haiti e, aí sim, pensará a maioria os desastres acontecem, agora na nossa ilha encantada, não! Um dos nossos cartões de visita no turismo nacional e internacional, vê-se dum dia para o outro nas páginas internacioanais pelos piores motivos. O desastre natural, as mortes, os feridos e enfim a lama a vir ao de cima. O Carnaval ainda estava aí há uns dias e agora o rei vai nu e tem de admitir que as ribeiras não têm a solução adequada e que o que estiver sem remédio tem de ser construído de novo. Alberto João que se mascarou de Vasco da Gama para encontrar Portugal, não deve ter tanta vontade de rir neste momento. E a nossa Madeira recebe, agora sim, os 50 milhões de euros que tanta polémica geraram no Parlamento, as contas regionais e o orçamento esquecem-se por uns tempos para ajudar a nossa ilha, Alberto João continuará a rir do Continente, os turistas regressarão em alta e as pessoas afectadas ficarão em banho maria durante o tempo necessário. No entretanto, a pergunta que fica é o que é que se deveria ter feito em matéria de construções, de bacias hidrícas das ribeiras e todas essas infraestruturas dos países desenvolvidos. Mas talvez, a Madeira não se considere Portugal e estivesse à espera que o deus da terra os ajudasse em dias de intempérie. Como uma desgraça nunca vem só, Alberto João sairá desta vitorioso e ainda dirá que meteu o governo do Continente na ordem. E esta é mais uma das nossas calamidades.

2 comentários:

Luísa disse...

Outra grande calamidade, GJ, é que a situação no Continente não é melhor. Em Lisboa, já nem são necessárias intempéries para que as casas ruam no centro turístico da cidade. Por aqui, também vão abundando os avisos, mas não vejo que alguém os oiça. E o pior é que a natureza parece andar numa ebulição. Resta-nos acolher-nos à velha fé de que «ça n’arrive qu’aux autres».

GJ disse...

Confiamos demasiado na sorte e deixamos o óbvio ao acaso. As cidades precisam de revisão antes que cheguem os arqueólogos...