05/02/10

Rotinas com savoir-faire

De repente tenho tempo a mais, quer dizer, não me falta tempo. Assim para matar o tempo leio na imprensa todas as notícias, títulos e anedotas, passo a pente fino os jornais diários ( já que em breve não poderei passar na cabeleira), leio todas as letrinhas e conto os minutos que restam entre o momento em que termino my pot of coffee e pouso os periódicos. Como sou uma privilegiada, tenho, a par da "menina dos caroços", uma ajudante que me presenteia todas as manhãs com o pãozinho biju e o jornal acabadinho de sair da fornada. Tornei-me, portanto, numa leitora de jornais antes de abrir o meu computador. Confesso que passada a cabazada de imprensa diária já não tenho apetite para leitura na net e muitas vezes só ligo à corrente horas mais tarde. Como continuo a ter muito tempo, saio e ando a pé. Um dia destes dei comigo na paragem do autocarro. Verifiquei, que faz anos e já nem me lembro quantos, que deixei de viajar nos transportes públicos. Tirando a experiência do andante, não me lembro onde se compram as senhas de autocarro e muito menos quanto custam. Tenho uma vaga ideia da época em que os meus filhos me pediam dinheiro para comprar blocos de senhas, valor que não é para confiar dada a capacidade daquelas almas para terem sempre fotocopias e outras coisas para gastar, o que juntando às senhas não deve ser valor fiável. Fui a pé e gostei do cheiro da cidade e do sol que me brindava com os seus raios.
Nas minhas voltas com o tempo, saio para o passeio matinal, dou a volta necessária para fazer tempo e regresso com montes de tempo. No outro dia, entrei na loja do sr. Augusto e comprei mais do que devia. Vim com os sacos pesados, não de cerejas a 10,00/kg mas de belas tangerinas e queijo regional e mais uns doces caseiros para não falar do folar transmontano. Como me disseram para ter cuidado com um dos braços, pensei no outro e encontrei o cateter. Fiz de conta e caminhei até casa, na entrada fui à garagem e coloquei tudo na mala do carro. Subi e pedi à minha ajudante para retirar as coisas. Ela assim pensou que fui de carro e não me deu cabo do juízo. É por coisas destas que eu gosto das mordomias da minha ajudante, mesmo que ela me faça perder a paciência de tempos a tempos.
Há dias, numa das minhas fases de tempo li, enquanto esperava pela minha vez, uma crónica da Fernanda Câncio em que ela dizia que os portugueses podem não ter muita coisa, mas têm um índice de bem-estar elevado, medido pelo número de horas pagas a uma pessoa a dias em função do número de horas de lazer que nos proporciona. Comparado com outros países onde as pessoas são mais ricas mas têm de limpar e passar a ferro, nós seriamos uns felizardos. Neste aspecto, eu estou de acordo com a analogia, acontece apenas que para termos essas mordomias temos de ter capacidade e savoir-faire entre empregada e patroa, coisa que nem todos sabem ter ou fazer.

17 comentários:

Mike disse...

A Fernanda Câncio que fale por ela, já que parece não viver no mesmo país que eu, GJ. E que deixe de fundamentar a generalização do índice de bem estar dela com perspectivas e visões "Harvardescas de trazer por casa". Sim, o meu humor não está ao nível do índice de bem estar da Fernanda já se viu. Mas gostei de a ler GJ. Gostei mesmo. :)

fugidia disse...

:-)

(e eu cheia de inveja do seu tempo, GJ, dou por mim a pensar que razão tem uma amiga que me diz que isto de não termos tempo depende mesmo só e apenas da nossa vontade)

Gostei de a ler.
Um bom fim-de-semana :-)

Ana Paula Sena disse...

Gostei muito de ler esta sua crónica, GJ :) Muito mesmo!

Bom fim-de-semana...

GJ disse...

Bom fim de semana, Mike;)
Bom fim de semana, Fugidia:)
Bom fim de semana, Ana Paula:)

ana v. disse...

Goze bem esse seu tempo de lazer, GJ, sem stress por excesso de tempo livre nem por saudades da falta dele!
E não repita muito as batotas da garagem, veja lá... embora eu a perceba muito bem e também ache que uma rebeldia, de vez em quando, nos sabe muito bem!

Luísa disse...

Querida GJ, o único «savoir-faire» entre empregada e patroa que pratico chama-se «horários desfazados». Quando ela entra, eu já saí. Quando ela sai, eu ainda não cheguei. Note que sou a única das minhas amigas que consegue conservar as mesmas empregadas anos a fio e, por acaso, todas da mesma família, porque vão «recomendando» a minha «liberalíssima» pessoa umas às outras. ;-D

Dulce Braga disse...

Tempo...um bem precioso, que por escassez faz-me muitas vezes sentir paupérrima, apesar de contar com a mesma coloboradora na prestação de serviços domésticos há 28 anos.
bjs

ana v. disse...

Luísa, já me ri com o seu comentário... sabe porquê? Porque esse foi sempre o meu truque também, e sempre me dei bem com ele! As minhas empregadas fazem sempre o que querem e como querem, por isso têm de ser organizadas, responsáveis e criativas. E têm sido, quase sempre.
:-)

Luísa disse...

É isso, Ana, máxima liberdade com máxima responsabilidade. Também sempre me dei bem com estas «máximas». :-D

Errata: onde se lê, no meu anterior comentário, «horários desfazados», deve ler-se «horários desfasados».

GJ disse...

Luísa, gostei dos comentários e dicas de savoir-faire.;)
Eu também gosto de praticar de forma idêntica e também as guardo anos a fio com esses horários desfasados.

GJ disse...

Ana, criativas ainda não consegui. Se calhar já, eu é que não entendi:)

GJ disse...

Dulce, 28 anos tem que se lhe diga. Neste momento já deve ser ela que lhe dá ordens ;)))

GJ disse...

Mike, então que é isso? ;)))
Conte lá o seu segredo de savoir-faire doméstico...(risos)

Mike disse...

Na verdade, GJ, vou desapontá-la porque não há nenhum segredo de savoir faire doméstico. Poderemos chamar-lhe, com alguma propriedade, cumplicidade, não savoir faire. A MJ (há dias tive que chamar a atenção à minha mais nova porque se referiu a ela como "empregada") está comigo (não se aplica "servir") há cerca de 16 anos. Vi-lhe nascer os 3 filhos, ela viu nascer 2 dos meus, a minúscula casa onde habita serviu de refúgio uma noite ou outra de uma filha de pais publicitários sem horários, levou-me o jantar (feito a mais a pensar em mim) em momentos de solidão quando vivia no mesmo prédio em que ela era porteira, etc, etc, etc. Não é savoir faire, pois não? Já é cumplicidade. Ou se calhar alguém poderá ver aqui savoir faire... para quem tenha afastamento, que não é o meu caso. :)

GJ disse...

Bonito, Mike. Agora a minha ajudante vai querer ser sua cumplice ;)))
Gostei da sua resposta, a sério mesmo. Os meus filhos tiveram uma professora no colégio, que um dia nos disse o seguinte "os vossos filhos são os únicos que tratam as empregadas como pessoas da família". Foi um enorme elogio para eles e para nós pais.

ana v. disse...

Mike, isso é mais do que cumplicidade: é Amizade. Tenho-a também por duas ou três "cúmplices" que passaram pela minha vida e dos meus filhos, felizmente.

日月神教-向左使 disse...

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