26/11/10

Porquê?

As primeiras neves caíram em Fribourg, na Suiça, cidade que aconchega a minha filha mais velha. Os pneus de neve substituiram os anteriores, as vacas que lhe faziam companhia do outro lado da janela, já tinham desaparecido há uns dias, os aquecimentos aumentaram dando calor durante o dia e conforto durante a noite. Os dias vão tornar-se mais enfadonhos e os fim-de-semana mais ensonados, mas isso ela ainda não sabe. Para já, o que a Sofia já sabe é que ou vai ao ginásio ou vai ao supermercado até às 4 da tarde, o que para quem estava habituada ao espírito madrileno lhe está a fazer uma reviravolta quotidiana. É assim, quem chega tem de se adaptar ao que encontra. Agora, pergunto eu, por que razão os jovens preferem sair do país tão jeitoso onde nascerem, com tanto sol, tanta gentileza e delicadeza na organização de eventos, tanta azeitona e bolota, com vinho e flores, com MAR e mercados sem fim? Será porque têm ambição e horizontes largos? Será porque têm espírito de aventura? Será porque nós pais da geração de 50 projectámos neles as nossas ambições e os preparámos para tal? Ou será esta nossa condição de eternos descobridores que a Diáspora nos concede e que nos torna em errantes passageiros?
Porque é isso que fazemos, chegamos adaptamo-nos, fazemos bem, gostamos do que temos e passado uns tempos, ficamos cheios, cansados, parados e desejosos de partir e recomeçar, de preferência noutro lugar. Porquê, quando olho para outros povos que se mantêm no mesmo lugar, partindo e regressando, apenas?

9 comentários:

Rita Roquette de Vasconcellos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rita Roquette de Vasconcellos disse...

Eu acho que é preciso coragem para sair
Sair do muito que se julga já conhecer

Não sei porque saem!

Se for só por desafio o maior desafio somos nós e estando tão perto ... fugimos tantas vezes,
para tão longe
...
bjs

TERESA SANTOS disse...

Penso que a saída dos nossos jovens se deve a factores como o espirito de aventura, o continuarmos eternos descobridores, só que, temos que juntar um outro aspecto: o corte no sonho daqueles que querem voar mais alto, daqueles que não se adaptam à mediocridade do seu país.
Abraço.

Mike disse...

Porque... porque... porque... ah, GJ, isto dava pano para mangas. No meu íntimo, salvo uma ou outra excepção e diferentes motivações muito pessoais, acho que o que nos fez um povo assim (como conta), foi a necessidade. E continua a ser! Gostamos de romantizar, mas acho que foi e continua a ser isso (no geral). E o que nos faz ir ficando por outras paragens? Termos almas de pobres, não termos um perfil de liderança, sermos bem mandados e sentirmo-nos bem e gostarmos de ser mandados. Estou optimista hoje, hein? ;-)
Ou estarei apenas a ser realista? ;-)
O que acha a Colega? Não valem excepções... ;-)

GJ disse...

"Gostarmos de ser mandados", talvez o pior dos nossos atributos. Não termos de pensar pela nossa cabeça, ser mais fácil encarneirar...Ai, Colega, valha-nos, mais uma vez o FMI.:-)

GJ disse...

Rita,eu penso que é mais fácil começar de novo do que remedear o que está errado. Dá trabalho e é necessário muito empenho.

GJ disse...

Concordo, Teresa. Mas será que a mediocridade é sina ou falta de lideres?

Luísa disse...

Todos os factores já apontados, GJ, no seu post e nos comentários, devem influir. Actualmente, influi também a moda curricular, que já não dispensa uma experiência internacional. Conheço alguns miúdos que aí estão, na Europa, nas Américas, nos antípodas, a fazer pós-graduações ou estágios empresariais, mas que pensam regressar por não sentirem afinidades com a sociedade local ou terem dificuldades de adaptação ao clima. Aguentam porque são novos, mas não tencionam aguentar a vida inteira. Para estes, que são muitos, o factor «necessidade» de que fala o Mike não é tão óbvio. Ou é outro tipo de «necessidade». :-)

GJ disse...

Luísa, gostei do termo "moda curricular". Antigamente ia-se para o estrangeiro completar uma área de estudo, trabalhar com um professor específico ou numa universidade de renome para a nossa especialização, hoje vai-se!