11/06/08

Pontes, cidades e países em sintonia

Ottawa Brigde Canal, Canadá
Ponte da Arrábida,Porto

Ponte 25 de Abril, Lisboa


Casablanca

Mourir d'aimer

Percy Sledge

10/06/08

Viver a dois

Existem duas alturas na vida em que o viver a dois se revela uma tarefa de aprendizagem. A primeira surge quando duas pessoas decidem viver juntas. A partilha do espaço, a concessão de direitos e deveres, a inter-ajuda em tarefas mal assumidas e de difícil aceitação e muita rejeição à perda de liberdade.
O jovem casal tem de aprender a ceder e a gostar de dar prazer e não é líquido que gostem os dois da mesma música ou que queiram ver o mesmo filme. O mais certo é que queiram sentar-se no mesmo sítio do mesmo sofá, que um queira ver o futebol e o outro um documentário qualquer, para além da divisão das tarefas domésticas não ser situação pacífica.
Os dois jovens que até aqui faziam como bem entendiam, cada um tinha o seu canto com os seus hábitos e particularidades, partem para a relação a dois com o mesmo espírito. Os dois passam muitas vezes de amantes a gladiadores. O bom senso levará o navio a bom porto, se os dois quiserem.
A segunda fase de aprendizagem a dois, surge quando os filhos saem de casa. O casal que se habituou a ter as actividades distribuídas volta agora a ter de partilhar tempo, coisas e espaços. O tempo é fácil e pacífico, mas o espaço e as coisas é pior. É que tudo volta ao princípio. As mulheres que passaram a vida a partilhar tudo o que tinham com os filhos e com o marido estão iguais, só que com menos alvos alternativos. Os homens que também se habituaram a ser dependentes da mulher para umas coisas e a não dar informações para outras, acham estranho serem questionados sobre os seus assuntos. E o ambiente volta a ser de concessão e de perda de liberdade.
Por outro lado, os que conseguiram criar uma identidade própria, manter a sua independência e não caíram no erro de querer modificar o outro, conseguem voltar a bom porto. O único problema é que não querer modificar o outro, é sabedoria que só se adquire com a idade e muitas vezes, já é tarde para perceberem os dois, que o pior que pode acontecer ao casal é querer ser uma só pessoa.

07/06/08

Inês Sobreira

Inês é uma criadora de jóias de quem gosto. Fiz uma mostra do seu trabalho há uns anos, penso que em 1999. Já se antecipava que iria ser uma das pessoas de quem gostamos.
“Construir” uma peça, juntar diferentes elementos, destacá-los ou escondê-los, dar-lhes preciosidade, é o que pretendo quando pego numa agulha, fio e começo a tecer as minhas peças. Valorizo a cor, o ritmo, os pormenores, o contraste do brilho da prata na borracha, a flexibilidade das estruturas que se adaptam ás formas do corpo. As peças vivem no e para o corpo e só aí é que as considero prontas."

06/06/08

Jóias de remediados

Existe uma ideia falacciosa sobre a questão da riqueza em Portugal. É corrente ouvirmos os do Norte dizer que o dinheiro está em Lisboa e os de Lisboa retorquírem que é no Porto e no Norte que estão os grandes senhores do dinheiro. Nada mais falso. O país está falido e num autentico pasmatório. Se é verdade que, no passado o Norte concentrava as indústrias tradicionais como os têxteis e o calçado, hoje é esse Norte que está sem norte. Se no Sul estavam as grandes empresas que atraiam gentes de outros lados hoje, apesar de continuarem mesmo sítio, ou seja a Sul, não são concorrenciais. E se dividirmos o país como sempre o fizemos em Lisboa e Porto, a realidade continua igual ao que era. Portugal tem hoje uma classe média que nasceu depois do 25 de Abril e que vive como pode e do que pode.
No passado, o país tinha uma pequena franja de pessoas abastadas em Lisboa ligadas às indústrias do cimento e das pescas. No Porto, uma elite burguesa intelectual já com pouco na algibeira e à sua volta famílias com empresas de indústrias tradicionais que vestiam uns e alimentavam outros. Os muito pobres deixavam de o ser, quando abandonavam o campo e vinham para as cidades, e de resto Portugal era um grande amontoado de gente que apesar de tudo sabia ao que andava. De uma maneira geral, todos tinham um bocadinho. Até o "pobrezinho do mês" que assim se intitulava, quando todos os meses tocava à campainha tinha o seu rendimento mínimo garantido.
Hoje, pelo contrário, somos um país com "jóias de remediados" à procura de um rumo para o endividamento. E a não ser que venha algo do Além, eu não vejo além nada que me ajude a continuar a não ser fechar a porta, apanhar o comboio e seguir em segunda classe, que terceira já não existe.