31/12/08

Enquanto não chega o reveillon


O tempo entre o Natal e o Ano Novo é cheio de experiências. Por um lado os desejos de "caber" no vestido da passagem do ano exigem esforço e preparação física adicional. Se há coisa que a doçaria e as iguarias portuguesas não fazem, é emagrecer! Por outro lado, a vontade de comer mais um pedacito do queijo ou fatia de bolo rei ou pior ainda, comer a fatia de bolo-rei barrada a queijo da serra, ou trincar um dos chocolates que insistem em espreitar-nos mesmo depois da caminhada à beira mar, é tarefa árdua. Nem o cheiro do mar ou o voo das gaivotas nos leva o desejo ou o pecado. Das duas uma, ou cedemos à tentação ou vestimos o vestido, mas entre os dois, o êxito do vestido ainda não é prioritário no dia 30.
A seguir ao vestido, temos de ir preparando o local que ou foi pensado com antecedência ou é a solução, não menos boa, da casa da praia em tempo de sossego. A casa da praia no Inverno tem o encanto de estar fria, não ter roupas adequadas ao evento e acima de tudo não ter vizinhos, leia-se vizinhas, nem conhecidos a olhar para os vestígios dos doces do Natal. Também tem a beleza do mar com as ondas fortes ou o vento que sopra até as orelhas nos caírem. Eu gosto das duas hipóteses. A primeira, porque vestimos o vestido e a segunda porque nos dá desculpa para uma compra nos saldos após o Natal: luvas, camisolão e gorro!
Voltando à ideia da festa de réveillon com vestido a propósito a cena seguinte é o cabeleireiro, e isto tem que se lhe diga pois, qualquer mulher sabe, que o cabelo só fica bem quando o levamos ao nosso fiel e habitual "afinador de cabelos". Noutro sítio ou país o penteado fica meramente lavado! As nossas mães, sempre nos recomendaram que a partir de certa idade o cabelo deve ser curtinho, mas nós gente insensata não as ouvimos. E também, já devíamos saber desde os 12 anos, que só a Françoise Hardy é que tem o cabelo liso, brilhante e com franja esticada 365 dias no ano.
E finalmente os sapatos. Estes têm de ser de salto bem alto e super cómodos para dançar noite fora, coisa que só acontece se o acompanhante adormecer ao lado das colunas de som e os outros estiverem todos ocupados.
É claro que daqui a pouco, umas não conseguirão vestir o vestido e resta a solução improvisada das calças pretas com túnica meio abotoada para disfarçar, ou o camisolão, as luvas e o gorro para as mais ajuizadas. Como eu não sou diferente, tenho a certeza que tudo vai estar nos trinques. Pelo sim, pelo não levo umas sandálias rasas, o cabelo encaracolado, um vestido "arejado" e o meu companheiro de sempre que meia hora depois das 12 badaladas está pronto para vir embora.

26/12/08

Eu nunca direi adeus


Festival RTP 1966 - Sérgio Borges - Eu Nunca Direi Adeus

Um ano a escrever "coisas"

Alguém me perguntou o que é que leva uma pessoa a ter um blogue. A resposta foi rápida: uma necessidade de mudança.
A Grandejóia tem 1 ano e durante este período andei a escrever coisas. Coisas, que foram tomando rumo e definição. O que escrevi nos primeiros momentos foram ao sabor do passado e de tudo o que me apetecia deixar. Não sabia bem o que daqui iria sair, estava a iniciar um projecto que não tinha sido pensado. Apenas sabia que tinha vontade de fazer outras coisas e precisava de parar o meu dia a dia, a minha rotina e acima de tudo alargar o olhar. Esse tempo, veio depois do Verão, altura em que entrei em sabático e encontrei espaço. Espaço para admirar e apreciar, para não sentir o sufoco anterior e poder adoptar outros mundos, outras paixões, outros encantos. Pelo caminho deitei fora desencantos e aprendi a conviver com os inevitáveis e encontrei tempo, e tenho descoberto o que me faltava e tinha esquecido. Tenho lido livros comprados e acumulados por falta de tempo e estou disponível para a vida, para os outros. E o sentimento de estarmos disponíveis é uma jóia muito querida. Sinto, no entanto, que ainda não é tempo de voltar. Dei o primeiro passo, mas não estou cansada de mim nem dos meus dias, não sinto ainda o produto acabado, não tenho ainda a exaltação que antecede o dia da apresentação. O tempo é ainda um espécimen que tem de ser olhado, contemplado, amado, cantado e esgotado. Só depois, poderei voltar ao terreno com o sentimento de antecipação. Para já, continuarei a escrever coisas conforme o dia e a hora e agradecer a todos os que me quiserem visitar. E para finalizar, proponho um brinde a acompanhar o encontro deste meu espaço e desta minha preciosa e privilegiada liberdade.

25/12/08

Palavras soltas

"O tempo e o espaço não são categorias do reino da Amizade" (no masculino)

Boas Festas, Cabo Verde !


Para a minha médica que faz hoje anos e está em Cabo Verde.
Muitos Parabéns e Feliz Natal.

24/12/08

Feliz Natal !


Vozes da Rádio - Boas Festas

23/12/08

O meu Natal

Já começaram a chegar. A primeira foi a que veio do frio, a londrina. Chegou linda e radiante, com saudades da família e dos amigos e a tagarelar sobre os novos colegas, sobre a Universidade e as diferenças culturais. A vizinhança já deu conta, pelo barulho e pela cantoria. A seguir a joaninha que voou de Madrid airosa e a palavrear castelhano, a contar histórias de colegas e chefias e a rir. As raparigas são sempre uma algazarra, roupa, pinturas, cabelos, discussões e gargalhadas animarão os próximos dias. Pelo caminho chegarão mais calmos os rapazes. O mais velho adoptou o estilo gravata ao lado, sério e compenetrado, sorriso nos lábios de quem espera a primeira filha, vaidoso com as suas princesas. Pelo caminho esquece-se e fica menino traquina a dizer disparates e a pedir gelado de chocolate. E o senhor que se segue com os seus caracóis que insistem em continuar rebeldes, aparece com o seu assobio característico herdado do avô. É uma forma de dizer, eu continuo aqui em casa. Mais tarde virá o resto da família e quando nos sentarmos à mesa será uma festa. Mas antes, teremos passado algumas horas de roda das rabanadas, do arroz doce e da aletria, dos sonhos, do bacalhau e do peru, enquanto o dono da casa pergunta se é preciso ajuda, sabendo que será apreciada a sua distância dos tachos. A ele está destinado o heróico prazer de ser mimado com a presença dos seus rebentos, da sua família, da árvore que construiu.
Em criança cabia-me fazer a árvore com o meu pai e com ele pôr a mesa nos dias de festa. Hoje, a tradição mantém-se sendo agora um dos meus filhos que me acompanha nessa segunda arte.
Meu pai dizia, "minha filha, a mesa é sagrada e devemos partilhar o que temos e aproveitar o momento com o nosso melhor requinte". E minha mãe, fazia com que tudo parecesse fácil e requintado.
E é isso, que eu continuo a fazer, meu pai, minha mãe, meu legado.