21/02/09

"Um grito,um desabafo"

"Este livro não pretende ser uma reflexão cinzenta sobre os problemas da saúde em Portugal. É antes, como diz Ney Matogrosso numa das suas canções, "um grito, um desabafo". Um grito de alarme, porque a situação actual é verdadeiramente critica e um desabafo pelas dificuldades diárias que confrontamos. Ainda e talvez mais importante, um desafio a que se pensem os problemas da saúde de forma diferente."
(Joaquim Sá Couto, Medicina Ilegal, Edições Vida Económica, 2001)

Da Blogosfera


Um slogan por semana no Senhor Luís.
Ontem lembrei-me desta música no Ma-Schamba e eu desta letra e deste cantor.
O Carnaval começa hoje!


20/02/09

Tripeiros

Insisto, ver o país dentro dum quartinho é o nosso problema! E por isso, gostava que me explicassem o que é isso de ser tripeiro. Eu conheço "O Tripeiro" revista fundada em 1908 e propriedade da Associação Comercial do Porto, que traduz o que é ser a burguesia do Porto, quem são os nomes e as elites da cidade, o que deixaram e construiram, mas não vejo o que é que isso tem a ver com o ser tripeiro e de não ter vergonha de ter nascido no Porto. É claro, que eu compreendo bem o Rui Moreira, quando há tempos falava no seu avô homem de Lisboa que se instalou no Porto, e também sei porque razão ele é visto como um cosmopolita na cidade, apesar de se sentir tão tripeiro, que até edita "O Tripeiro"e até há quem o considere demasiado elitista. Compreendo igualmente que a cidade tem de estar ao nível de outras cidades, mas a questão é saber como medimos a grandeza duma cidade. Pela qualidade das suas gentes, pela qualidade dos restaurantes e saídas nocturnas, pela beleza das mulheres e qualidade dos sapatos dos homens, pela natureza das empresas, pela riqueza do património, pela classe dos seus representantes, pelas instituições, pelo reconhecimento nacional e internacional? É por tudo isto ou é apenas por ter nascido no Porto, ser do FCP e usar cachecol, vir de avião assistir à bola mesmo que se viva a 2000 km, ter um programa pessoal bem arranjado e animado há anos por amizades colaborantes que saltam para a ribalta no momento adequado? Vamos ver quem é que é mais tripeiro e quem é que corre pela cidadania e pelo sentido cívico nacional. De quartinhos regionais não precisamos e esse comboio já mudou de estação, enquanto os potenciais vendedores andaram a ver a bola e a fazer pela vida noutras paragens.

O Arrojo do negócio

Há dias o Avelino arreliado dizia que os centros de formação estavam a patrocinar cursos para cabeleireiras e que o país ia vender caracóis. Eu própria comentei aqui que o nosso homem de Guimarães tinha razão porque um salão de cabeleireiro se podia fazer num quartinho lá de casa. Ver o país dentro dum quartinho tem sido o problema nacional, praticamente, desde que existimos. Tirando pequenas referências históricas, sempre nos vimos pequenos, feios e atarracados, mesmo que alguns nos venham falar nos descobrimentos, da grandeza da nação e na pujança do passado. Escritores e artistas de várias áreas, sempre tivemos em quantidade e qualidade suficiente. É certo, que muitos não passaram do consumo interno, mas temos muitos que saíram do quartinho e voaram para outra dimensão. Souberam passar o testemunho da alma portuguesa e do ser português e deixaram obra e nome que não tem fronteiras. A nossa tragédia foi sempre ao nível do empreendedorismo. Aí temos falhado consecutivamente, não porque não saibamos fazer, mas porque temos a vista curta e a dimensão do mar não nos deixa alcançar outros lugares sem apanhar um transporte. Por terra sempre foi difícil e por mar parecendo mais fácil só levou a que uns partissem e outros ficassem na praia a aguardar a chegada dos primeiros. Porque nós voltamos sempre, às vezes até animados, mas não somos combativos. E não sabemos tirar partido do que vemos e não conseguimos por em prática por medo de falhar, por falta de ambição, por cautela à critica, por desconfiança. Apesar de regressados acabamos por ficar com uma mão à frente e outra atrás. A da frente tapando a miséria e a de trás protegendo o corpo que o diabo amassou e do qual não soubemos fugir. Nesta fase difícil, de recuperação económica das nações, em que os modelos de crescimento estão a ser repensados e a globalização a ser posta em causa, podíamos olhar e aprender com quem já sabe, tem garra e arrisca. E em vez de criticar o marketing das ideias fazê-lo crescer de acordo com as necessidades do momento. Nem o consumidor é demasiado racional nem o marketeer irracional, pelo contrário, "a oportunidade está em mostrar ao consumidor racional que está a ser irracional (Seth Godin)" E também não há muito para descobrir, mas adaptar o que até aqui se entendia como global. Eu sei que é vira o disco e toca o mesmo para os da área, mas enquanto escolhemos a música e o aparelho, as variáveis invertem-se e quem sabe algo de novo aparece. Se não tentarmos ficamos na verdade a vender caracóis no quartinho de casa, enquanto podíamos ter o ARROJO de fazer crescer o negócio numa dimensão local mas que já provou ser inovadora, mesmo que isto aqui não seja a América nem o país Nova Iorque.

Kirk Whalum

17/02/09

"Escuta, Zé ninguém!"

Se as coisas nos chegam às mãos por alguma razão é. A minha atenção foi desviada do propósito inicial que já não sei qual era e o meu olhar caiu no livrinho de capa amarela. Está na minha biblioteca pessoal desde Agosto de 1976, foi comprado na Livraria do Diário de Notícias, no Rossio, em Lisboa e custou 60 escudos. Classificação numérica de entrada:752!
Wilhelm Reich, 6ª edição, colecção Viragem, publicado pela Dom Quixote com tradução de Maria de Fátima Bivar.

"Chamam-te “Zé Ninguém!” “Homem Comum” e, ao que dizem, começou a tua era, a “Era do Homem Comum”. Mas não és tu que o dizes, Zé Ninguém, são eles, os vice-presidentes das grandes nações, os importantes dirigentes do proletariado, os filhos da burguesia arrependidos, os homens de Estado e os filósofos. Dão-te o futuro, mas não te perguntam pelo passado.
Tu és herdeiro de um passado terrível. A tua herança queima-te as mãos, e sou eu que to digo. A verdade é que todo o médico, sapateiro, mecânico ou educador que queira trabalhar e ganhar o seu pão deve conhecer as suas limitações. Há algumas décadas, tu, Zé Ninguém, começaste a penetrar no governo da Terra. O futuro da raça humana depende, a partir de agora, da maneira como pensas e ages. Porém, nem os teus mestres nem os teus senhores te dizem como realmente pensas e és, ninguém ousa dirigir-te a única critica que te podia tornar apto a ser inabalável senhor dos teus destinos. És “livre” apenas num sentido: livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse, acima da autocrítica..."

(excerto, da obra citada)

14/02/09

Bebo Valdés y su mundo