27/02/09

Serei só eu?

Alguma alma me pode explicar porque razão só os homens usam óculos nas recepções? Eu olho para as revistas, eu olho nos restaurantes, eu olho na televisão, eu olho e vejo porque tenho óculos, ou como diz o meu oculista "óculo". Sim, porque eu não compro em qualquer sítio e tirando a boutique em frente à praia , vulgo Dona Maria, frequento casas de rigor onde as palavras contam e em que as malas são carteiras e os óculos são óculo de preferência de sol, apesar das notas serem todas notas ou money. E nestes sítios não existem supermercados mas lojas gourmet e também ninguém vai ao lugar da fruta e também não há sombrinhas e nêsperas são magnórios. Ah estava-me a esquecer que ninguém conhece peros, aqui só há maçãs.
Eu sei que podemos usar lentes mas o contacto com elas tem de ser como um casamento. Ou dá ou não dá. Também sei que podemos usar uma lente num olho só, e podemos fazer de conta que estamos a comer pouco por não ter fome, mas na verdade temos é falta de visão. Também sei que podemos ter as lentes para ver tudinho e usar óculos para trabalhar. Mas o problema é que se não usarmos os óculos não vemos nada ao perto. E deve ser por isso que ninguém usa para não ver, não comprar e não comer. Por isso é que somos um país de gente feliz. Agora uma coisa eu digo, uma pessoa não ver um gajo giro é um desperdício, não ver para poder contar não tem graça. E essa dos homens poderem ver tudo e as senhoras quererem ter todas olhos de lince quando na verdade são toupeiras é que não tem piada nenhuma. Portanto, eu continuo com óculo e apesar de já me escapar muito coisinha, prefiro que seja assim e os de sol são graduados daqueles que só dá para conduzir e desviar o olhar sem ferimentos. Devo confessar que às vezes o interior das lojas me parece muito escuro e também tenho uma luta com o meu médico que me diz para comprar uma lupa se quero ver melhor. E já agora, porque é que os hotéis se esquecem de colocar os espelhos de aumento nas casas de banho?

Este país não é para nós

Decidamente é verdade, nem este país é para nós nem nós somos feitos para o frio. E é uma pena porque a conjugação é perfeita e teria tudo para ficar bem. A semana tem estado prazenteira, o sol aquece o corpo e as águas da Baía já têm o movimento do Verão. Apenas a cor continua a assumir que é apenas a Primavera que espreita. Na praia algumas pessoas aproveitam a pausa do almoço, apenas um ente masculino tem a coragem de estender a toalha e apanhar o sol no corpo despido. A maioria continua preparada para embarcar para o Polo Norte, com grandes casacos, camisolas e golas altas. Ninguém se atreve a por o pé na água, inclusive eu, que normalmente iria "ver como está a água". Quem me conhece sabe que não aguento mais de quinze minutos sem entrar na água e que para mim praia sem água não é praia. É quase como lavar a cara em água quente, um absurdo. Mas o que nos torna absurdos é que não temos tempo, nem dinheiro nem feitio para aproveitar o clima que este país nos proporciona. E também porque temos de trabalhar e não podemos ir de férias quando nos dá na telha, e porque o país está em estado de crise.
E o absurdo continua porque nem os escandinavos utilizam o nosso tempo e nós que não fomos feitos para o frio andamos atrás do que não temos e não usamos o que é nosso. Não digo que uns dias de frio não sejam agradáveis e que a neve nos alicie e que o desporto seja revigorante e que as bochechas vermelhas e as orelhas a cair não nos parecem aventuras interessantes.
Este país que não é aproveitado pelos portugueses, devia ser promovido com os nossos produtos, as nossas gentes, a nossa cultura, as nossas excentricidades, as nossas características. Nós devíamos gostar muito do nosso país e por um tempo esquecer que o país não são meia dúzia de escândalos, porque todos os países os têm. Um país mede-se pela força e pela coragem de acreditar que somos capazes. Um país são famílias, todas têm as suas crises e as suas glórias, o primo taralhoco, o tio ou a tia com passado duvidoso, mas ninguém anda a falar no assunto fora do cerco e da intimidade familiar e não quer com isso dizer que seja assunto a esconder, apenas que não temos de aborrecer os outros com detalhes a despropósito. Claro, que se contarmos a nossa história picante, o clima torna-se mais propicio a que outro nos conte o seu problema. Mas o facto de não estarmos sozinhos na desgraça e de não sermos únicos na tragédia, não quer dizer que não se faça alguma coisa para mudar. Daí que mesmo que a crise seja internacional, mundial e outros tal, não podemos ficar conformados e confortados com a semelhança dos casos. E também não é altura para nos regozijarmos da desgraça alheia ou de dizermos que vamos aprender com o que o que outros fizeram de errado. É que muitas vezes não fizeram errado, apenas nada fizeram!

26/02/09

Aqui há gato!


A Luísa, desafia-me a confessar seis factos verdadeiros, mesmo que semi ficcionados, da minha vida real e três outros desejos completamente improváveis, mas que eu teria gostado de ter vivido.

1- Sou dona de um banco e de uma caixa. Mas invisto no porquinho mealheiro.

2- Um dia um "Ministro sem pasta" pediu-me para lhe comprar uma para os dentes.

3- No St.Christopher's Inn partilhei um quarto com desconhecidos. Fiquei com a chave do quarto desactivada, tive de ir com "roupa menor" e toalha ao ombro à recepção. A recepção ficava no exterior e a um quarteirão de distância.

4- Fui casada com um estudante, depois com um professor, de seguida com um polémico articulista, finalmente com um financeiro. Hoje estou casada com todos eles e com um filósofo de ideias fixas.

5- Numa viagem Londres - Porto, perdi três táxis, uma estação de metro, dois combóios e um avião.

6- Comemorei as bodas de prata no MGM de Las Vegas.

7- A primeira vez que dormi num hostal e partilhei o quarto com desconhecidos foi em 2008.

8- Em 1972, participei no Festival RTP da Canção.

9- Sou arquitecta de profissão, médica e economista em pensamento.

Para todos nós

Para todas nós

23/02/09

Penélope Cruz

"Has anybody ever fainted here? I might be the first one."
Best Supporting Actress in Vicky Cristina Barcelona

21/02/09

Sangue Latino

Sangue Latino Ney Matogrosso
Composição: João Ricardo / Paulinho Mendonça


Jurei mentiras
E sigo sozinho
Assumo os pecados
Uh! Uh! Uh! Uh!...

Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido...

Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Uh! Uh! Uh! Uh!
Minh'alma cativa...

Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo...

E o que me importa
É não estar vencido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa...