12/03/09
Nhaque-nhaque-nhinhos
Continuando a leitura dos jornais e como qualquer verdadeiro tripeiro poderia ter percebido, e até antecipado, parece que a candidata "independente" e disponível para apresentar a sua candidatura com o apoio do PS, está um bocado atrapalhada com o que também já era mais do que esperado pelos da casa. Parece que apenas 20 dias depois de ter cantado ao lado de Rui Veloso, o conhecido socialista Orlando Gaspar não achou piada que uma pessoa, e logo a candidata disponível para dar a cara pela cidade onde não tem vergonha de ter nascido, queira pelo sim pelo não, ser candidata às eleições europeias e também à Câmara do Porto.Por estas e por outras é que uns são da terra e outros apenas cá nasceram. E esta é uma história de ti-nó-ni e ti-nó-nó, idêntica à do fanhoso que queria comprar cinco tostões de nhaque-nhaque-nhinhos.
Etiquetas:
politiquices à portuguesa
11/03/09
Bento da Cruz
Bento da Cruz responde, de pronto, à chamada: «Lá na minha aldeia, a terra estava dividida em leiras. Cada um trabalhava a sua. Pincipiei por sachar a minha como via fazer a todos os outros. Fui aquilo que hoje se chama um trabalhador infantil. Mas então ninguém falava nisso. Quando troquei a enxada pela caneta, a minha leira passou a ser o Barroso».E ainda: «Para mim, Barroso é um Paraíso. O único ou dos poucos que restam à face da terra. Tudo no Barroso: paisagem, sol, luz, estrelas, flores, aves, bichos, gentes mantêm uma pureza e uma frescura edénicas. Estivesse eu naquele estado de graça do nosso pai Adão, antes da trincadela na maçã, e decerto arrancaria à minha leira verdadeiros tesoiros» (BOTICAS, 26 de Maio de 2008)
Não foi aqui que conheci o autor, mas em casa de uma amiga que tem a distinta particularidade de organizar jantares recheados de surpresas. E Bento da Cruz mantém a ruralidade dos escritores passados e a ingenuidade dos tempos em que havia tempo. A cidade e a profissão não retiraram nem a candura à escrita nem a ingenuidade ao homem.
Etiquetas:
grandejoia e companhia
Crónicas do Barroso
"Pertenço a uma família de caçadores inveterados. Eu não cheguei a viciar-me porque sou pitosga de nascença e só comecei a usar óculos aos vinte e tal anos. Suponho que foi por isso. Ou não seria. O certo é que, quando de férias, uma vez por outra, pegava na espingarda e saía para o monte. O meu pretexto era esticar as pernas. Minha mãe e irmãs, no entanto, partiam do principio de que, se eu ia à caça, tinha obrigação de trazer coelho, perdiz ou lebre para arroz. Neste pressuposto, se a sorte me favorecia, quer dizer, se os cães agarrassem qualquer coisa para eu pôr à cinta, elas recebiam-nos de sorriso aberto e mesa posta. Se não, corriam os cães da cozinha a pontapés, como a dizer-me:
- Era o que tu merecias...
Também hoje merecia pontapés. Saí de casa à cata de assunto para este prolegómeno e trouxe apenas um braçado de flores silvestres. É à volta delas que vou circunvagar.
... Já trazia um ramalhete de dedaleiras. Juntei-lhe outro de mentrastos e fui andando...
... Colhi um ramo de flores de sabugueiro e fui andando...Em breve as flores eram mais do que os meus braços podiam abarcar. Retrocedi.
Em sentido oposto vinham duas jovens de palhinha, biquini e sandálias...
Elas continuaram a descer em direcção ao rio e eu fiquei a observá-las pelas costas.
Decerto convencida que eu havia continuado, uma delas fez o seguinte comentário:
- O homem parece uma jarra de flores.
- O que ele parece é um jarreta - acrescentou a outra." (in op, O Jarreta, pgs 211 -213)
Etiquetas:
escritores portugueses
10/03/09
09/03/09
Ventos Amigos
A Ana convidou-nos a escrever e eu aceitei com muito prazer. Não estava à espera era de ver o meu petit texto publicado a seguir a um belo poema do António Lobo Antunes.
Obrigada Amiga, e que responsabilidade para mim e que risco para si!
Etiquetas:
blogues,
ventos amigos
Subscrever:
Mensagens (Atom)




No fado das palavras