30/04/09

Parabéns à Porta do Vento

Parabéns à Porta do Vento que faz hoje dois anos. Como a Ana diz é um Clube de Amigos que se juntam todos os dias para beber um chocolate quente, ler um livro, ouvir umas sinceridades, dizer alguns disparates numa mistura de palavras e de concertos.

29/04/09

"Night train to Lisbon"

Leio na contracapa do livro: "Raimund Gregorius ensina e vive uma vida rotineira na Suiça. Um dia encontra uma mulher portuguesa que o leva a reflectir sobre a vida e lhe dá a conhecer Amadeu do Prado, um médico dotado de magnetismo e inteligência rara e um anti-Salazarista. Raimund decide viajar para Lisboa." (tradução minha)
Foi na Borders em Boston que este livro de Pascal Mercier, professor de filosofia, nascido em 1944 em Berna e a viver presentemente em Berlim, me chamou a atenção. Não conheço o autor e a edição de 2008 é uma tradução da que foi publicada em alemão em 2004.
Ainda vou no início, e começa assim "Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colónia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente." (Fernando Pessoa, Livro Do Desassossego)
Já me está a parecer bem, mesmo que no final chegue à conclusão que é apenas mais um romance xarope. Ver autores de outros países a escrever sobre nós é um excelente começo e descobri-lo numa livraria de Boston também.

28/04/09

A terceira



Qualquer mãe de rapazes imagina a sua princesinha com fartos cabelos enfeitados com ganchos e fitinhas, bandeletes e acessórios diversos. Mas não foi o caso, porque a princesinha apresentou-se bald, careca, sem cabelo! E assim ficou até completar um ano de idade. A primeira rapariga que nasce numa família onde já existem rapazes é por um lado mais competitiva e por outro mais coquette e protegida. É uma perfeita combinação do anjo e do diabo em forma de serpente. Ela transforma-se em sereia e encanta quem a ouve e tem garras de gato grande quando se aproxima a oportunidade. Ela é forte como o touro, ataca como o escorpião e persistente como a formiga. A minha terceira já tem cabelos lindos, olhos de avelã e um quarto de século feito mulher. Imagino que ela prefere Sex and the City, mas para mim ela continua a ser my Little Mermaid. Parabéns, filhota!

Quem é que pediu uma Grande Jóia?


Ellen Barkin

27/04/09

Good Madness à segunda feira!


Cesaria Evora - Angola

Cesaria Evora - Mar de Canal

25/04/09

Onde é que eu estava no 25 de Abril

in República, n. 15446 / 2ª série, p. 5
O ritual repetia-se todas as noites. Esperava que todos estivessem a dormir e ficava a ler e a ouvir música. Tinha um pequeno transístor que me acompanhava para todo o lado. Naquela noite havia matéria para estudar e no rádio tocava mais uma vez a música que nos últimos tempos se fazia ouvir com alguma insistência. Lembro-me de ter pensado que era tarde para continuar a ouvir música. "Grândola Vila Morena" ficaria para a história e seria ouvida como hino daí em diante.
Quando o dia amanheceu ninguém sabia se o que estava a acontecer era a favor ou contra o Governo. Na Assembleia Nacional já havia vozes de discórdia, Miller Guerra era o meu preferido. O livro de Spínola "Portugal e o Futuro" tinha sido publicado e circulava uma versão em francês do "Portugal Amordaçado" de Mário Soares. Há muito que os estudantes liam "O Jornal do Fundão", o "República", viam "O Couraçado Potemkin" e encomendavam a um distribuidor diligente uma edição francesa do "Capital" de Karl Marx.
Mário Murteira e Pereira de Moura eram meus professores. Ninguém tinha, no entanto, noção do que se estava a passar mas lembro-me que as pessoas estavam silenciosas à espera dos jornais e também contentes sem saber porquê. A euforia deu-se mais pela tarde quando se percebeu que o regime tinha caído. Os dias a seguir foram de balbúrdia, confusão, trapalhadas, caça aos pides, cenas completamente disparatadas em que bastava um "agarra que é pide" para a população despir a pessoa em plena rua. Estas e outras cenas que os jovens como eu achavam completamente divertidas viviam-se várias vezes ao dia.
A chegada de Mário Soares e de Álvaro Cunhal ao Aeroporto da Portela ficaram no nosso subconsciente e a participação no 1º de Maio uma manifestação que nunca mais poderemos esquecer. A excitação que se vivia faz parte do nosso subconsciente colectivo e, é por isso que este ano a urgência de mudança é ainda maior.
Onde é que eu estava no 25 de Abril? Em Lisboa!

Um outro cantar


25 de Abril a Cantar - Sara Tavares