Faz dias que recebi da Teresa este Abraço. É grande o gesto que agradeço e devolvo com amizade blogosférica. Responder às perguntas colocadas faz parte do desafio:15/10/09
Grande Abraço
Faz dias que recebi da Teresa este Abraço. É grande o gesto que agradeço e devolvo com amizade blogosférica. Responder às perguntas colocadas faz parte do desafio:14/10/09
Vozes com eco
O fim da primeira parte da minha estadia em São Paulo, começa aqui. A Estação da Luz, a 25 de Março e o Mercadão, símbolos duma cidade em que todos têm um lugar.
Apesar de ser fora do Museu que o idioma essencialmente se fala, é dentro dele que a língua se mistura com a sua origem cultural se ensina e se renova. Tem por objectivo dinamizar a importância do português no Brasil e orientar jovens, estudantes, professores e interessados em geral, na leituras de textos e de autores da lusofonia. Diversas exposições centradas no português têm lugar na antiga Estação da Luz que, neste momento, assinala em exposição os 120 anos do nascimento e obra da escritora Cora Coralina.
Algumas vozes mais conservadoras não consideram aquele espaço um Museu, mas apenas uma exposição. Para mim, foi o que eu estava à espera, ou seja, um espaço falante e interactivo entre o português de Portugal, o português do Brasil e o português Africano. Um Museu de português, com sotaques distintos e sem necessidade de acordos ortográficos para todos se entenderem. E como todos os espaços que não parecem museus, tinha gente e pessoas interessadas pelo que se lhes apresentava e que mais não era do que o respirar lusófono.

Quem vai para aquela zona da cidade, segue o trilho da 25 de Março. Aquele caos no meio da rua, num sábado de manhã, foi puro entusiasmo turístico e não me impressionou em particular. A segurança é, no entanto, quase total devido ao policiamento bem marcado. O aglomerado de gente a vender cuecas, meias, e diversos artigos de "marca" não é diferente das nossas feiras a não ser na dimensão. Nas lojas ou galerias de cada lado da rua podemos comprar por um terço do preço e com atendimento personalizado, mas mesmo aí, temos de ter muito tempo para escolher bem. E nesse caso, encontramos de forma mais confortável na Av. Paulista, algumas galerias de "marca" ao preço da chuva e sem tantos apertos ou perdigotos. Na verdade, tudo se repete como se estivessemos numa qualquer grande cidade em que as marcas se encontram no quarteirão seguinte, caso o comprador não a tenha visto no primeiro momento ou queira repetir a dose. A diferença é o tal do intangível valor intrínseco. O diabólico e glorioso empenho seria conseguir levar um dia, este público ao Museu sem artes ou artimanhas.
Mercado Municipal de São Paulo
O Mercadão mostra o tamanho do bolso de cada um. Entre frutas exóticas, carnes, peixes e bacalhau "do Porto", queijos e linguiças, milho, frutos secos, azeites e temperos diversos, as lanchonetes do pão com mortadela, o bolinho e o pastel de bacalhau, o sushi da moda e o choupe da ordem, fazem deste lugar um espaço onde todos podem saborear o tradicional e o desejável a preços democráticos. Do ponto de vista humano, é um lugar de mistura de sabores e de tradição étnica segundo a origem de cada um.
Enquanto esperava um lugar para me sentar as "moças" ouviram a minha voz e afirmaram. "Ela é portuguesa. Conheço o sotaque!". A conversa estava estabelecida e o lugar para me sentar garantido. "É só um instantinho e você se senta aqui. Tá bom assim?"
Claro que estava mais do que bom, no fim de contas, estavamos as três em casa e eu ia comer e beber o mesmo. Fiquei a saber que uma tinha família a trabalhar em Portugal, outra tinha enviado um filho para estudar. Vidas comuns de gente igual e com eco na fala.
Nota: Fotografias tiradas da Net
09/10/09
Corrida para o Nobel da Paz
05/10/09
03/10/09
Pedi emprestado por uns tempos
02/10/09
30/09/09
Filipinas, terra de tempestades
Quem visita Manila, não esquece o que vê. Há tempos falei do Haiti, país que conheço melhor e onde permaneci alguns meses. As pessoas vivem uma pobreza medonha, do tamanho que eu julgava impossível existir nos nossos dias. Em Manila, convivi com os últimos anos da presidência de Corazon Aquino. Era uma mulher extraordinária, que queria dar a volta a um país corrupto, pobre e fustigado pelas calamidades naturais. Amanhecia um dia de sol, para passadas umas horas as enxurradas levarem tudo à frente. No dia seguinte a lama misturava-se com os dejectos, com os mercadorias espatifadas e o mercado era a maior pouca vergonha que eu já vi. Dum lado as bancas e os seus vendedores, do outro os cavalos misturados com crianças, cães, galinhas e pelo meio carros com turistas, e comerciantes ambulantes que tentavam vender petiscos locais. E depois, a prostituição infantil para a qual não há palavras. Foi em Manila, que me pediram para revistar malas e carteiras à entrada do hotel, e que em cada corredor havia um polícia que nos identificava, para segurança de quem lá estava. A piscina tinha guardas e polícias que passeavam todo o tempo, misturando-se com os turistas que tentavam ser turistas e apanhar um pouco de sol. Era impossível uma mulher sair sozinha sem ser incomodada, conheci uma alemã que trabalhava para uma multinacional e que me convidou para conhecer a cidade. O luxo de ter motorista e belo automóvel, numa terra cheia de miséria é das situações mais confrangedoras por que me lembro de ter passado. Seguir à frente de todos, ter tratamento diferenciado nos armazéns e regressar à minha conferência cheia de colegas que, superiormente, não consideraram importante sair do hotel, foi uma das razões para aquela viagem ser a confirmação da superioridade dos países desenvolvidos e da falsa pretensão de ajuda a quem não é desenvolvido. Olhar para aquele grupo de conferencistas, que em representação da ONU dizia procurar soluções para os países desfavorecidos, foi igualmente motivo, para ficar a saber como funcionam os organismos internacionais a bem da comunidade local. A democracia pode ser instaurada pela força da revolução, mas um povo só vive democraticamente se lhe ensinarem a viver dentro dos princípios da nova situação sociopolítica. Há dias, as Filipinas tiveram mais uma tempestade natural e Manila ficou alagada. A população teve mais uma vez de recolher bens, tentar um abrigo e sobreviver. Para isso recorreu à ajuda internacional. Corazon Aquino morreu este ano, deixou o país com a democracia, as organizações internacionais continuam a fazer conferências, e o país está exactamente no ponto em que o deixei, faz agora 18 anos.Por isso, quando vemos a nossa democracia em perigo, temos de escutar todos os sinais para nunca vivermos o caos das misérias miseráveis. Aliás, ter a democracia instalada e não ser democrata é uma péssima conjugação para qualquer país.



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