20/11/09

O teste da barata

Natalia Colection

Andam para aí umas pessoas com trolhas emprestados e com pronúncia do norte , mais aqueles que apresentam descaradas campanhas de marketing. Assim não dá! Proponho com este teste da barata, que me digam o que devo fazer.

Just perfect

Obrigada ao RAA que me considera "just perfect". E eu toda vaidosa renomeio quem me nomeou, e devolvo aos amigos que me têm proporcionado momentos vip e de grande calibre. Obrigada a todos e porque eles sabem quem são, deixo aqui o convite para passarem a corrente.

16/11/09

Entre custo e investimento

Hoje perguntaram-me porque é que as nossas ideias nunca funcionam, enquanto outros as implementam. Regressada do Brasil eu tenho a resposta. Não funcionam porque não vamos aos lugares conhecer o local. Integrados numa politica de globalização acreditamos que as ideias se colocam da mesma forma em todos os lugares e que se copiam a papel químico. Não é verdade, eu própria já ensinei muita gente a acreditar comigo que os produtos se podem vender transversalmente em qualquer lado desde que sejam ao mesmo segmento. A ideia de adaptar localmente ou de utilizar outsourcing para realizar tarefas ou funções que do outro lado do atlântico funcionam de forma diferente é uma realidade necessária. O que leva muitas empresas pequenas a não internacionalizar não é a sua dimensão, mas sim a dimensão das ideias dos responsáveis e dirigentes que as administram. Uma, duas, três, e as necessárias visitas a um potencial mercado ou parceiro não é um custo, é investimento. O mal da maioria das empresas portuguesas é que os custos se tornaram de tal forma o motivo do dia a dia, que tudo é considerado um esbanjamento de recursos. Podemos dar toda a formação a dirigentes, funcionários, colaboradores, alunos e outros, mas ela nunca sairá do papel se apenas o fizermos na sala de aula. Podemos convidar milhões de palestrantes mas se não conhecermos a realidade local não funcionará. Podemos chamar muita música e governante mas a fanfarra só fica no ouvido se compreendermos a letra da canção e o motivo que a gerou. Cantarolar todos o podemos fazer, agora explicar a letra da canção é que é mais complicado se não falarmos a mesma língua. Assim, pelo menos uma vez na vida talvez fosse bom pensar no investimento, deixar a contenção de custos de lado e olhar para o velho Canfield que apesar de ser de uma área paralela, foi motor e incentivo para muita equipa de venda de ideias e conceitos logo a seguir à crise financeira dos anos 30.

Sabor de Maboque

Acabei de ler o "Sabor de Maboque" da Dulce Braga. A "cria" como ela lhe chama é o resultado de um tempo fora do tempo e da época em que tudo estava de pernas para o ar. Havia vários graus de pernas para o ar, mas o que é certo, é que no dia seguinte apesar da reordem estava tudo outra vez de pernas para o ar. Os dias passam a ser vividos um a um e este é o relato duma vida que a guerra amadureceu antes do tempo. O maboqueiro tem um fruto que eu desconheço, mas que este livro me ensina no seu cheiro. O detalhe da escrita da Dulce é um dos seus pontos fortes, bem como a urgência que transmite ao leitores. O ritmo do livro, também, por ser vivido hora após hora, permite interiorizar os sentimentos da adolescente, dos seus sonhos e até de alguma infantilidade posterior. A autora inicia o seu relato, recuando no passado até onde podia lembrar-se. A necessidade de passar ao leitor factos assinalados e reconhecidos contribui para uma melhor compreensão da narrativa. Transmite, no entanto, rapidamente para o visitante que entra na sua alma uma sensação de reconforto e irmandade. As experiências vividas naquele período da história de Portugal e suas ex-colónias, tem de ser compreendida e reposta aos olhos de todos nós. "Sabor de Maboque" consegue criar um sentimento de insegurança e desespero em que a rapidez do anoitecer é igual à necessidade de ter o amanhã de volta para outro dia ultrapassar. Se no início dos capítulos encontramos uma autora completamente brasileira, com o decorrer do tempo memorizado, o português assume a sua forma tradicional em frases e estilos da escrita. Voltando a ser sabiamente intercalado com o presente, este é um livro que só podia ser escrito pela Dulce Braga e nunca pela Dulce Tavares. A primeira vive hoje em paz e foi nos Braga que encontrou os momentos de tranquilidade para pegar no passado. A pequena Dulce que se preocupava com o Pedro Dias não tinha maturidade para o fazer. A pessoa transformada pela alegria de uma sociedade aberta e cheia de luz, fez dela uma mulher a par do seu tempo e refeita dos seus males escondidos. Esta é a autobiografia de um tempo não perdido mas achado. Parabéns Dulce!

Good Madness a segunda - feira!


Claudio Roditi - Bossa Pra Donato

15/11/09

Pela BR101 (Rio de Janeiro - Santos)

E foi assim que o caminho de regresso se iniciou. Depois de um roadshow de economia, mercados financeiros e gestão de empresas familiares ficaram “as Curvas da Estrada de Santos”. Contrariando quem nos diz que é arriscado viajar de carro no Brasil, parti do Rio de Janeiro para São Paulo pela BR101, percorrendo a famosa estrada de Santos e as curvas da canção. Para melhorar o andamento comprei o CD “Elas cantam Roberto Carlos” que as funcionárias e clientes das Lojas Americanas tão embevecidas ouviam e viam no écran.


(As Curvas da estrada de Santos, Paula Toller)

Primeira paragem na Praia do Frade em Angra dos Reis. Linda paisagem, tempo a condizer e condução apurada. Uma visita a Paraty para beber a cultura local, a cachaça que a acompanha a música e a literatura que a envolve. Uma bonita cidade colonial num dia em que até quem lá mora reclama o calor que se faz sentir. Depois de cinco semanas no Brasil, eu já respondo como a carioca que conheci em Manaus, para mim está tudo jóia!

Paraty,RJ

Segunda paragem em Maresias, seguindo os conselhos de quem já lá esteve. O hotel bem localizado, simpático e perfeito para um mergulho antes da trovoada que já se adivinhava em S. Sebastião. A opção de Ilhabela e dos seus atractivos fica para outra oportunidade, desta vez eu dei um jeito e "arrumei-me" o melhor que pude, substituindo a onça-pintada e o meu acompanhante descendente primata, colocou roupa nova para jantar. A Mata Atlântica tem o senão dos mosquitos que podem dar cabo de qualquer visitante mesmo o que munido daquele aroma a Repelex se prepara para minimizar as consequências.


Surf em Maresias

Terceira paragem em Santos e a mais do que esperada visita ao Edifício da Bolsa Oficial de Café, hoje o Museu dos Cafés do Brasil. Uma bela lição da história do café, dos portugueses que o transacionavam, dos ingleses que implementaram estruturas de caminho de ferro e de negócio, dos imigrantes japoneses e escravos africanos que trabalhavam os campos e dos corretores que o valorizavam em bolsa. "A edificação da sede dos negócios do café em Santos, consolidou a região como a maior praça cafeeira do mundo", segundo reza a sua apresentação em brochura.


Santos, Museu da Bolsa de Café

Daqui até São Paulo foi um pulo, terminando uma extraordinária viagem por terras brasileiras onde a diversidade da paisagem é igual à da sua gente. No bolso trouxe um punhado de areias com tons e coloridos, nos olhos a observação e na mente a reflexão. E como dizia o meu acompanhante, é muito dificil regressar sem algumas angústias e o desejo de que a pobreza diminua ou pelo menos deixe de ser tão desigual. Até breve, Brasil!

12/11/09

“Homem Tijolo” (PP)

(Clicar sobre para ampliar)
O arquitecto dá sempre jeito para fazer arquitectura diz ele, rindo-se de si próprio. A arquitectura é feita de experiências e experimentações e o resultado possível depende da combinação de muitos factores, a começar pela imaginação de quem faz arquitectura e o engenho de quem a executa. Um dia cruzaram-se junto ao elevador do prédio que ambos habitavam. Coincidia a hora da saída de um e a hora de entrada do outro. Era o passeio higiénico e o regresso do atelier. Entre o boa noite e o até amanhã foi o início de uma apresentação agora e uma conversa depois. Um dia estava o condomínio a fazer obras de reparação e benfeitorias do interior, quando o arquitecto e a economista entraram no elevador conversando sobre a cor adoptada para pintar as escadas e a entrada do prédio. E já agora, que tal o vão do elevador e o interior das portas sugeriu um, concordou o outro.
Nas obras nada pior que “o já agora”, é esta frase que dá origem a muitos desvios orçamentais e a grandes dores de cabeça. E este não foi um caso diferente. Ainda hoje quem lá vive pergunta onde se terá inspirado o arquitecto naquela combinação tijolo e azul anilado. O arquitecto e a economista riem da sua primeira obra conjunta, à cor do vestido juntou-se o tijolo da obra, dando início à representação daquela perfeita harmonia de humor.
O Arquitecto PP apresenta agora a sua exposição em que o tijolo é a sua própria cabeça e a obra passa a ser vista como arte. O arquitecto ensinou a economista a procurar outros vultos nas cores e segundo ele, a interessada aprende depressa. O convite para sem pressa apreciar a mostra de trabalhos fica aqui. Por mim, sei que na impossibilidade de estar na inauguração, terei o privilégio duma visita guiada e anilada.