A propósito da vergonha da Dulce lembrei-me do baptizado de sábado passado. Chegado o momento o sacerdote chamou os avós. Para os amigos, nada de especial porque já estamos habituados a que a família seja fora do comum, mas o padre não esperava por tanta gente. Apresentou-se o avô materno e companheira, a avó materna, o avô paterno e companheira, a avó paterna e companheiro e ainda os bisavós maternos acompanhados das respectivas e respectivos portanto quatro em vez de dois, mais o bisavô paterno. Uma família que apesar de ser diferente não é disfuncional. Em vez de sair um e entrar outro, acumulam os novos e os antigos à mesma mesa. Na verdade, uma mistura de gente que apesar das divergências consegue estar harmoniosamente em paz com as escolhas feitas. Não é vulgar e quem não os conhece não entende, mas eu que os vejo com oitenta, sessenta e cinquenta e tantos anos só lhes encontro juventude e paz de espírito no olhar. Se é um exemplo a seguir não sei, mas que é uma forma de manter unida uma família que à partida estaria condenada é, sem dúvida. A proeza tem no entanto dois protagonistas - um bisavô emprestado que se revelou um verdadeiro elo e uma neta verdadeira que a todos empresta a sua amizade. E assim, uma família fora do comum reune duma só vez quatro gerações.
25/01/10
Uma família onde todos são bem vindos
A propósito da vergonha da Dulce lembrei-me do baptizado de sábado passado. Chegado o momento o sacerdote chamou os avós. Para os amigos, nada de especial porque já estamos habituados a que a família seja fora do comum, mas o padre não esperava por tanta gente. Apresentou-se o avô materno e companheira, a avó materna, o avô paterno e companheira, a avó paterna e companheiro e ainda os bisavós maternos acompanhados das respectivas e respectivos portanto quatro em vez de dois, mais o bisavô paterno. Uma família que apesar de ser diferente não é disfuncional. Em vez de sair um e entrar outro, acumulam os novos e os antigos à mesma mesa. Na verdade, uma mistura de gente que apesar das divergências consegue estar harmoniosamente em paz com as escolhas feitas. Não é vulgar e quem não os conhece não entende, mas eu que os vejo com oitenta, sessenta e cinquenta e tantos anos só lhes encontro juventude e paz de espírito no olhar. Se é um exemplo a seguir não sei, mas que é uma forma de manter unida uma família que à partida estaria condenada é, sem dúvida. A proeza tem no entanto dois protagonistas - um bisavô emprestado que se revelou um verdadeiro elo e uma neta verdadeira que a todos empresta a sua amizade. E assim, uma família fora do comum reune duma só vez quatro gerações.
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amizades
Good Madness à segunda-feira!
Joshua Redman Quartet - Straight Ahead
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23/01/10
22/01/10
Olá
Um dia, todos os dias. Sempre que o céu estiver cinzento e a chuva ameaçar ou sempre que a tormenta se aproximar lembrar-me-ei que já é bom dizer olá a outro dia. Life is a cabaret.
Bom fim de semana, a todos!
Cabaret, Liza Minelli
Bom fim de semana, a todos!
Cabaret, Liza Minelli
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grandejoia e companhia
13/01/10
Avatar no Vaticano
Acho X
Há dias lembrei-me das expressões à volta da cozinha. Acho que não deve haver país que enrole tanto como o nosso. Enrolamos a palavra, enrolamos a fralda da camisa, enrolamos os assuntos, enrolamos quem nos ouve, enrolamos iguarias com condimentos, enrolamos couves lombarda, enrolamos. E também temos as almofadas. Almofada para o que der e vier, almofada para dormir, almofada para cair, almofada para comer. E trouxas que ouvem coisas de encantar, dormem nas almofadas sedosas e são enrolados sem saber mesmo quando lhes fazem elogios apetitosos. Para além do mar que enrola na areia e as areias que enrolam kilómetros. São enrolamentos sem parar.
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11/01/10
Camisola poveira
Quem nasce num país quente ou moderado como Portugal não sabe conviver com o frio. A gracinha das primeiras nuvens cinzentas e dos flocos de neve são cheios de risos e gritinhos para passarem rapidamente a desejos de calor. A neve branquinha como o algodão é linda durante umas horas para logo se transformar num caos de pernas para o ar. Os dias que se têm sentido podiam ser encarados como uma forma de promoção do nosso país como temperado e um refúgio em tempos de invernia. Talvez promover o que temos de bom quando os outros têm frio na casa dos 30 e 40 negativos. E nós temos de bom tudo aquilo que faz parte do nosso inverno. O fumeiro, a caça, os queijos, os vinhos, os licores, as compotas e os doces conventuais, as casas senhoriais com o conforto antigo, as mantas e as camisolas da região. Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo deveriam encontrar o seu momento de glória num pacote de turistas desejosos de um pouco de calor. Aliás, sendo os portugueses pródigos em utilizar o linguajar gastronómico esta seria uma bela ocasião para lançar livros sobre a gastronomia, a música e a língua portuguesa.Reciclar os clássicos e trazer a rota da sua escrita às regiões onde nasceram. Pode ser que alguém se lembre disso enquanto se enchouriça com roupa para o frio ou se enrola na manta para aquecer. Eu cá, vou vestir a minha camisola poveira enquanto aguardo os turistas.
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