08/07/11

Tempo com qualidade

Uma das perguntas frequentes, aquando das entrevistas personalizadas, é a de saber como gostaria o/a entrevistado/a de ser recordado após a sua morte. Confesso, que se me fizessem a dita pergunta assim de repente, eu não saberia responder. Penso, também,  que o mesmo aconteceria à maioria das pessoas, a menos que já tivessem ensaiado a resposta ou nada mais fizessem do que auto avaliar-se e na sequência do deslumbramento se auto-elogiassem. Porque é um elogio que todos ambicionam ou é uma avaliação desapaixonada do seu desempenho de vida?
Para aqueles que reconhecem o papel da fé cristã, a caminhada é orientada em termos de etapas. Assim, a nossa vida pode ser coberta de passagens boas, más, amigas e adversas, merecidas ou injustiçadas. O seu desenrolar ditará como diz o JdB "o tempo com qualidade" porque é esse que conta e só ele que cura. " O tempo não cura nada, o que cura é a qualidade do tempo"! E o tempo é eterno ou limitado conforme o soubermos compreender.  As etapas vencem-se, atingem-se, representam um marco no nosso tempo. Por outro lado, as fases ultrapassam-se com maior ou menor benevolência, teimosia, ansiedade, repulsa, tristeza ou alegria, dor ou saudade.
A maioria aceita as fases, alguns determinam-nas em etapas. Ontem o DN publicou a ultima crónica de Maria José Nogueira Pinto. Em "Nada me faltará" deixa-nos o relato de uma vida e como gostaria que na sua passagem a recordássemos.

2 comentários:

Bacouca disse...

GJ
O seu texto é filosófico e teria que o o ler e reler para lhe responder com tino!
Como gostaria de ser recordada após a minha morte: com saudade! Saudade do que fiz, do que lutei, do que amei.
Quando o meu filho Afonso partiu eu ouvi de todos os seus amigos: Obrigado pelo Afonso! Esta frase mexeu muito pela positiva pois normalmente é o tradicional: sentimento: é preciso coragem: bláblá.
Vi que o Afonso na sua curta passagem tinha semeado muito.
Quanto às fases e etapas há na verdade uma diferença e a sua está muito bem definida. Contudo para mim as etapas são mais profundas,mais difíceis pois são várias diferenciando de pessoa para pessoa. Já tive várias fases mas as etapas são mais difíceis de ultrpassar.
Tentei ir ao blog que mencionou mas não consegui. Estou bastante curiosa.
Vou tentar novamente senão recorro novamente a si.
A Maria José foi uma mulher de muita fé e isso ajudou-a a lutar até ao fim e a deixar o seu testemunho poucos dias antes de partir. Gostava de o puder fazer para os meus filhos e marido.
beijo

JB disse...

Obrigado pela visita que fez ao Adeus e obrigado pela referência ao texto. É um exercício diário, sabe, este de encontrar a qualidade do tempo. Passados quase dez anos do tempo em que o tempo parou, ainda estou a aprender.
JdB