Mars 2020 Perseverance rover
Há 3 meses
O Corte Inglés instalou-se no Outlet de Vila do Conde. Nada a assinalar se não fossem as condições inacreditáveis com que se debruçam as pessoas que trabalham no local de pagamento. Os senhores que conceberam o espaço não pensaram que naquele sitio iriam estar funcionárias durante o seu período laboral sem qualquer condição de trabalho e clientes que apesar da barateza das compras teriam de apanhar com o frio e o vento nas trombas. Se fosse em Espanha imagino que não teria sido aprovado, mas aqui tudo passa e não passa nada. O cliente refila, paga e desaparece para voltar a manifestar-se na próxima visita. O funcionário trabalha porque tem de ser e cala porque não tem remédio e é aqui que se manifesta a prepotência dos que se instalam no país dos outros, utilizam a mão de obra que não abre a boca e que ainda tem de se sentir contente porque tem emprego e ganha mais um pouco. Pergunto eu, se não seria tempo das inspecções de trabalho e quejandos estarem atentas a estas situações? Na minha opinião, um escândalo mesmo que pequeno comparado a outros que por aí possam andar. E mesmo que a economia se regozija com a iniciativa, é por estas e por outras, que é cada vez mais difícil não sentir o peso da responsabilidade social.
Os números podem ser apresentados de muitas formas. Neste caso, fica bem mostrar que os portugueses estão confiantes no futuro. As estatísticas revelam que este ano os portugueses compraram mais que no ano anterior. Quer dizer, os portugueses compraram mais, endividaram-se mais, viajaram mais, comeram mais e o cidadão normal não entende. Não entende que numa época de contenção global em que tudo é de dimensão universal haja cidadãos que num canto da Europa lhes parece normal e natural gastar, consumir, desperdiçar. São tempos estranhos que passam por Portugal, mas que contribuem para animar a vidinha e dar ânimo a quem passa 60 horas a trabalhar atrás do balcão!
Obrigada, obrigada podem dar-me os parabéns que esta casa faz hoje dois anos. Um grande abraço a todos os que por aqui passam e fizeram desta casa o que ela hoje é. Quando iniciei este projecto há dois anos, o objectivo era construir um espaço onde me pudesse sentar tranquila com os meus pensamentos, as minhas graças, as minhas alfinetadas, as minhas músicas, as minhas jóias verdadeiras, de pechisbeque, de feira ou de leilão e deixar fluir o tempo. Um cantinho que a exemplo do meu espaço caseiro poderia ser um porto de abrigo. Hoje, ele é muito mais. É uma sala dentro da minha casa. É o lugar onde os amigos entram sem bater à porta e partilham a alegria, a tristeza, a sagacidade de este ou aquele argumento. Devo dizer que o maior elogio que me têm feito é o de ter sentido de humor, porque na verdade, essa é uma das qualidades que mais prezo na vida. Ser capaz de olhar para as pessoas e tirar o maior proveito da sua companhia com graça, sem preconceitos e com a certeza de que sem piada a vida seria absolutamente detestável. Mais uma vez obrigada e um grande abraço a todos.
Juan Carlos o enfermeiro disse bom dia e com o seu ar atencioso advertiu-me para diferentes aspectos da ajuda doméstica. Caso eu não a tivesse deveria ter cuidado com as espinhas de peixe. Nada de arranjar o peixe, pegar em coisas quentes ou fazer trabalhos forçados. Gostei de o ouvir e a partir de agora na minha cozinha existe um cadeirão dedicado à preguiça laboral. A minha secretária interna pensa que é para ela. Pois, está enganada. Queria, mas é aqui de "moi même"! E vamos a andar com a Ceia de Natal que se faz tarde. Com as batatas e o bacalhau a cozer, tratar das pencas e das cenouras, olhem os ovos e cuidado que o arroz doce que se queima, deitem um olho às rabanadas, vejam o óleo, é necessário trocar. E o queijo da serra está no seu lugar? O bolo rei do Vieira, os sonhos este ano estão melhores, o pão de ló e a aletria junto à sopa dourada, o bolo de chocolate e o pudim de leite, as frutas cristalizadas, as nozes e as avelãs, os figos e as ameixas com chocolates à mistura ao lado da lampreia e dos ovos moles para quem ainda tem barriga.
O caso da agressão a um dos mais alegados corruptos da esfera europeia não foi um acto que se recomende, é uma manifestação importante e não deve ser desprezada ou considerada um acto isolado. O mundo começa a não ter paciência para gente que continua sem pestanejar no poder, que o mantém sob controlo e com fortuna a condizer. O tempo em que as populações aguardavam pacificamente pela resolução dos seus problemas ou dos seus anseios está a rarear, o que por um lado é uma pena, e pelo outro extremamente perigoso. Itália não deve servir de exemplo a ninguém e muito menos no que toca ao uso da violência para resolver conflitos. É que a violência chama mais perigo, mais poder, outras armas que destroem e que para os europeus, em especial os dos países mais ao sul da Europa, ainda representam pouco tempo de liberdade democrática. Que não passe pela cabeça de italianos, espanhóis e portugueses o que já passa pela cabeça dos gregos e por aí fora. Neste caso, a união de interesses pela paz é um elemento que identifica os países que pertencem a uma comunidade e que só por isso é de todo o interesse manter viva e coesa. No momento em que a Europa se dividir pelos interesses políticos, uma vez que pelos económicos já se manifesta de várias formas, o Continente Europeu volta a ser apetente para outras manifestações bélicas. A geração de setenta ainda está a tactear em democracia e para as outras o tempo não é sequer correspondente à actual esperança de vida. Muito pouco tempo que não nos deve apetecer encurtar ou confundir.
Este ano o Presépio tinha de ficar com esta jóia. O burro em faiança com olhar meigo e orelhas atentas aprecia o aconchego das palhinhas e aquece quem estiver por perto. Foi enviado com muita expectativa para o Concurso de Natal -2009 organizado pelo nosso Barbeiro residente Luís Novaes Tito. Mesmo sabendo que a concorrência é apertada, tenho confiança no meu burro e aguardo o prémio vencedor.
Uma escolha e uma distinção a seu tempo. "Citizens of America and Citizens of the World" , parabéns!
Acho que o Parlamento estaria melhor sem a palhaçada do deputado da província e da senhora de Cascais! Mereciamos melhores representantes. E o caso não é para rir, antes pelo contrário é uma autêntica dor de cabeça.
As relações familiares são laços muito delicados. Contava-me uma amiga que este ano os irmãos andam que nem baratas tontas e ninguém sabe onde passará o Natal. A minha amiga é a única que fala com todos e tenta compreender o pai que, viúvo há um ano e com 72 anos, já tem uma companheira. Uma mãe faz muito falta e o primeiro ano passado sem ela, é um dos momentos mais tristes que um filho pode ter na sua vida adulta. Um primeiro ano natalício sem o pai é, igualmente, um dos momentos de maior desalento familiar. Mas o pior que pode acontecer é a família não ser capaz de homenagear o espírito de união, que toda a mãe e todo o pai devem ter deixado primar na educação e na passagem de valores aos seus filhos. Os filhos homens tendem a ser mais guerreiros nestas ocasiões e as filhas mais compreensivas. A diferença, se é que existe, é que as filhas não sentem que a memória da mãe esteja a ser desvalorizada, pelo contrário entendem que o pai ao fazer-se acompanhar de alguém e de considerar uma companhia no seu dia a dia lhes está a demonstrar a vontade de ser independente, de continuar a sua vida, de não ser um estorvo para os filhos ou um fardo para os netos. Ele está a tentar lidar o melhor possível e da única forma que sabe, isto é - viver acompanhado por uma mulher. Assim, é na geração dos nossos pais que devemos colocar os olhos enquanto temos tempo para nos perguntarmos como é, e como será um dia na nossa vez. Não se zanguem, por isso, os filhos e não se privem, por enquanto, os netos de celebrar as luzes de Natal, apenas porque uma nova cara se junta à família e partilha o carinho do dono da casa.
O morto já era morto antes de ser. Claro que à volta dele todos faziam de conta que nada se passava ou seja, falavam como se o morto já estivesse morto há uns dias. O tempo em que o morto tinha palavra sobre os seus assuntos tinha um tempo que já era morto. O morto mal tentava abrir a boca para dizer alguma coisa viva logo lhe calavam a voz com um olhar que o podia matar. O morto estava mais vivo que todos os outros, mas morria de cinco em cinco segundos com a capacidade mortífera das palavras dos que o queriam morto. Pelo caminho levantava uma perna, depois um braço e perante o espanto daqueles que o tinham retalhado, o morto continuava de carne e osso a ouvir as palavras que lhe matraqueavam o cérebro. O problema é que também o tentavam aterrorizar com sábios venenos a quatro estações. Até ao dia em que o morto decidiu matar todos os vivos e constituir uma comunidade em que aparentemente todos estavam mortos e podiam falar livremente dos vivos que se mantinham mortos.
Ao som duma voz esganiçada pelo tanto chamar, acordava regularmente. Quero dormir mais mas não posso, tem de ser! levantar rápido, vestir depressa, engolir, não gosto, está quente mas tem de ser! Ao som da água que me lava ao pente que me penteia. Cabelos rebeldes, não quero o cabelo para trás, mas tem de ser! Olha no espelho, que bonita ficas! Desce, a carrinha já está à porta, vai com cuidado, leva o chapéu, a pasta, o lanche no thermos que será servido ao almoço. Não gosto, mas tem de ser! um, dois, três, levanta, baixa, flecte, frente, atrás, o espaldar, o plinto, o salto, a trave. Não gosto, sonho com ballet, mas tem de ser! Anda, põe-te em pé e o momento mais solene do dia vira o pesadelo do ano. Como caiu, não podia ser, mas era. Um fiasco que tinha de ser! Veste bata, tira bata, monograma liberdade, eléctrico. No Jardim da Estrela uma cigana lê a sina, um homem de "fardas altas" chegará um dia num navio preto. Só há navios brancos? Então tem de ser mentira. Volta, não volta e volta a girar, um furo por tablette de chocolate, sai amarelo, encarnado e o maior é o verde, tinha de ser. Sobe e desce do comboio, entra e sai da camioneta. Porta da frente a passar com licença e a ficar, tem de ser! Vestido branco olhar cintilante e o pé que fica ao lado do outro, só pode ser! A aliança no dedo e o cabelo esticado, o salto no pé e o pé aos saltos. Vou e já volto, hoje e amanhã, agora e sempre, dias que voam, que se apanham. Cansada, cuida de ti olha o stress, tem de ser! Estavas aí? E não paraste para olhar no tempo, agora tem de ser! Não gosta? O frasco é muito grande e tem de ser tudo? Não gosta, tem de ser! O cartão? era preciso? deixei na mesa de cabeceira. Trago na próxima vez, pode ser? Não gosta, mas olhe tem de ser! Come a papa, menina, come a papa, tem de ser! Acorda, levanta, tem de ser! Estuda, vence, anda, despacha-te, tem de ser! Luta, vive, ama, odeia, fica, não partas. Chegou a hora? Não há tempo, tem de ser!
Para a Sí, claro...!
Alain Delon "novinho em folha" para a Fugidia. Fica igualmente o Brosnan a seu pedido
mas não se compara ...
Este é para mim! "A vida portuguesa" no Porto, uma ideia da Catarina Portas. Uma verdadeira jóia!
... e o mirtilo sem graça, foi levado para a casa mais próxima, agasalhado e alimentado.
É claro que não serão todos cadetes, mas não foi por acaso que uma das declarações mais difíceis sobre o Afeganistão foi feita perante a academia de cadetes. Jovens convictos e empenhados em servir o seu país, em defender os valores da liberdade, com olhos atentos e ouvidos abertos, cheios de orgulho. A maior dificuldade passa por saber se a estratégia adoptada é a melhor. É sempre assim, em situações de guerra e conflito, em situações delicadas e com vidas pelo meio. Cortar e actuar no momento certo, com estratégia e continuidade absoluta. Cortando no orçamento da defesa com retiradas apressadas ou enviando tropas e aumentando contingentes? A estratégia seguinte é muito mais delicada que a decisão dos cortes orçamentais. Dela virá a erradicação do mal que afecta não um país ou região do mundo, mas a sobrevivência de uma cultura e dos valores ocidentais. Lutar contra o medo do ataque também, constituir uma estratégia não de ataque mas de vigilância futura. Daí que Obama, não tivesse muito por onde escolher. Oxalá, os americanos o entendam, oxalá a estratégia seja certeira. Enviar mais cadetes americanos e outros das nações aliadas, mostrando novas armas de conhecimento, preparando o Afeganistão a defender-se pelos seus próprios meios. Dado que é muito cedo para antecipar o resultado futuro, fico pela análise e biopsia do que sabemos. Neste caso, todo o cuidado é pouco e é com pezinhos de lã que Obama vai andar nos próximos tempos.
Escrevi diversas vezes que o meu ministro preferido, era Manuel Pinho. A razão que me levava a descrever o economista desta forma, era a sua capacidade de nos querer alegrar com grande convicção e expectativa. Pinho tinha resposta para tudo e um optimismo que num país sempre envergonhado nos dava alento e desconfiança. Por isso, tão fácil se tornou falar de Manuel Pinho com um sorriso nos lábios e ao mesmo tempo ver homenagens empresariais de dedicadas regiões que, animadas pelo optimismo da alocação de verbas a projectos locais, lhe concederam ruas e outras pequenas boutades. Manuel Pinho tem sido um entusiasta defensor do projecto eólico e do desenvolvimento das energias renováveis. Enquanto ministro andou pelo país a inaugurar, projectar e criar parceiros de negociação. Fazer de Portugal um dos pontos mais fortes da Europa em matéria de energia renovável foi o seu empenho.