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08/07/11

Tempo com qualidade

Uma das perguntas frequentes, aquando das entrevistas personalizadas, é a de saber como gostaria o/a entrevistado/a de ser recordado após a sua morte. Confesso, que se me fizessem a dita pergunta assim de repente, eu não saberia responder. Penso, também,  que o mesmo aconteceria à maioria das pessoas, a menos que já tivessem ensaiado a resposta ou nada mais fizessem do que auto avaliar-se e na sequência do deslumbramento se auto-elogiassem. Porque é um elogio que todos ambicionam ou é uma avaliação desapaixonada do seu desempenho de vida?
Para aqueles que reconhecem o papel da fé cristã, a caminhada é orientada em termos de etapas. Assim, a nossa vida pode ser coberta de passagens boas, más, amigas e adversas, merecidas ou injustiçadas. O seu desenrolar ditará como diz o JdB "o tempo com qualidade" porque é esse que conta e só ele que cura. " O tempo não cura nada, o que cura é a qualidade do tempo"! E o tempo é eterno ou limitado conforme o soubermos compreender.  As etapas vencem-se, atingem-se, representam um marco no nosso tempo. Por outro lado, as fases ultrapassam-se com maior ou menor benevolência, teimosia, ansiedade, repulsa, tristeza ou alegria, dor ou saudade.
A maioria aceita as fases, alguns determinam-nas em etapas. Ontem o DN publicou a ultima crónica de Maria José Nogueira Pinto. Em "Nada me faltará" deixa-nos o relato de uma vida e como gostaria que na sua passagem a recordássemos.

21/05/08

Prémios e galardoados

É tão raro atribuirmos prémios com nomes de professores, que não posso deixar de mencionar o Prémio Manuel Baganha que a Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) vai atribuir ao Economista Revelação 2008. O Prémio não é original já que outras Universidades o têm feito, pela mão daqueles empresários filantropos bem ao gosto do Joaquim.
O que me leva a escrever é o homem em si. O Professor Baganha era talvez um dos professores mais austeros da FEP, homem de feições duras, esguio no porte e seco nas palavras, fumava cigarro atrás de cigarro, as suas aulas no anfiteatro 101 devem ser lembradas por quem foi seu aluno. Mas o Professor Baganha era o único académico, que mal o aluno concluía a licenciatura, o tratava por Colega. Durante anos, Manuel Baganha cruzou-se comigo quase todas as noites. Eu comprava o jornal, ele comprava cigarros. E nunca deixou de dizer "Boa noite, Colega!"
O Prémio Economista Revelação, não podia ter melhor mentor. Ele era na verdade, uma revelação humana e o símbolo de uma ética esquecida.

11/03/08

Menopausa à Portuguesa

De repente todos os canais de televisão desataram a apresentar o passado. Ele é sons de ontem, imagens do antes, palavras de poetas e artistas revivendo o antigamente. Das duas uma: ou estão todos a atravessar momentos difíceis ou este país está mesmo numa meno-andropausa pegada, que nem o Fernando Tordo e a Tourada conseguem animar.
Esta nostalgia da comparação não traz nada de bom. O antes do 25 de Abril representou para quem o viveu momentos importantes de crescimento, de conhecimento e acima de tudo de intervenção. Para os muito jovens que estavam cheios de energia, folêgo no peito e cabeça fervilhando ideias, foram tempos de aprendizagem. No entanto, quem viveu os anos 70 não deixava de ser ingénuo e muitas vezes míope.
Por muito que nos choque, não são os jovens de hoje que precisam de abrir os olhos, mas sim os de 50 anos. É que estes, continuam míopes, pacóvios e alcoviteiros como antigamente. Resta, portanto, a classe intelectual que antes, durante e depois de 74 já eram "os esclarecidos". A triste conclusão é que apenas os menopausicos e os andropausicos falam uns com os outros, em debates e programas de "esclarecidos para esclarecidos", brincando à cabra cega num fazer de conta que estamos todos a reflectir sobre o futuro do país a bem dos mais novos. Só que esta paisagem precisa de muita compensação hormonal para fazer efeito e dar resultado.