Mars 2020 Perseverance rover
Há 3 meses
Já não sei se os intangíveis existem ou se fazem parte da nossa realidade fantasiada. No início tentámos objectivos que se diziam inatingíveis. Depois, passamos a falar de variáveis endógenas e exógenas, a montante e a jusante, de gestão e de marketing, de técnicas de comunicação de tangíveis da produção comparadas com os intangíveis da comunicação. Da emoção, da capacidade de indução e de captação, da arte de atrair, afastar e acrescentar valor. De vender, não um produto, mas uma marca com atributos intrínsecos, de medir e valorar o conjunto das variáveis que a produziu com aquele que a inventou e que a colocou no mercado. Mercado inventado por todos porque a mão invisível, afinal, parece que não existe. E eis que estamos outra vez a pressupor que afinal o homem não tinha necessidades e que tudo foi inventado por quem tinha de vender expectativas de crescimento e de globalização.
Parabéns em primeiro lugar ao Carlos o nosso organizador oficial da Silly Season 2009. Os blogues são divertimento e partilha de interesses para além da seriedade que se impõe alguma das vezes. Nesta época do ano tudo vale e nada fica mal e passar as férias a falar de política seria "um saco".
Walter Cronkite é uma referência do jornalismo, "That's the way it is" era a forma como terminava as suas reportagens, morreu ontem com 92 anos. O jornalismo devia ser um meio em que Transparency works if it's authentic e que interessante seria que os nossos meios de comunicação fossem ditados por gente, que tal como Walter, puderam fazer jornalismo e dar lições de fiabilidade ao mundo. E poderem criar certezas e deixar dúvidas sobre assuntos que nos cabe a nós leitores, ouvintes e espectadores decidir em vez de ser o jornalista não a concluir por si, mas a concluir conforme lhe dizem para fazer. A época em que os jornalistas falavam na primeira pessoa e relatavam factos, deixou de se fazer na maior parte dos meios. Os projectos empresariais ditam as necessidades de notícias que são títulos de escândalos de pequenas palavras de duplos sentidos para chamar audiências e vender folhas de jornal ou vender espaço televisivo. Sempre se soube que a qualidade da programação dependia da qualidade dos anunciantes, hoje as agências de publicidade fazem os seus spots conforme a qualidade de quem lhes paga. E quem o pode fazer, nem sempre é quem tem melhor qualidade ou melhor produto, mas sim maior número de ouvintes ou espectadores e também maior capacidade para comprar espaço publicitário, que se tornou acessível aos que outrora o ambicionavam. Os jornalistas têm de cumprir prazos e programação ou editoriais conforme o plano de gestão. A linha editorial quase que não existe ou vai mudando conforme os ventos políticos. A cor do dinheiro veio alterar toda a transparência do que é noticiado, do que é passado como informação. O espectador é cada vez mais livre de pensar o que quiser mas cada vez mais incapaz de ter uma opinião, de saber o que dizer, de saber distinguir os factos do palavreado que o induz a pensar bem ou mal, conforme a capacidade de manipulação de quem o disse. Por isso, quando alguns jornalistas e articulistas vêm finalmente dizer que não seria pior que se soubesse o que se passa no interior das redacções, eu tenho de concordar, aplaudir e juntar-me a eles mesmo não sendo jornalista. E pedir transparência não só mas também, nas outras áreas que lidam com a comunicação com a informação e com o poder. A democracia e a cidadania também anda por aqui, certo?
Hamlet, 23 de Setembro de 1926 - Long Island, 17 de Julho de 1967
O país está na mesma, podemos ir de férias e regressar que nada de especial aconteceu. É como nas telenovelas, estamos um mês sem as ver e no espaço de dois dias o enredo está actualizado. Alegra-me passar pelas agendas culturais que neste Verão são para todos os gostos. Desde Glenn Miller Orchestra no Algarve para todas as idades, até ao Tony Carreira que há-de estar algures, passando pelas bandas que já por aí andam. O país está em festa e podíamos até dizer " este país parece uma discoteca" mas cuidado não se engasguem com os saltos e com a dança enquanto comem o rebuçado. Eu fiquei até muito apaziguada com as afirmações de Vítor Constâncio. Afinal Portugal só recupera em 2011 ao contrário do que tinha sido afirmado há dois meses. Nessa altura a recuperação era em 2010, mas estavamo-nos a esquecer de pequenos azares que esta malvada crise nos tem trazido. E as estatísticas, que coisa! Têm de ser publicadas de tempos a tempos sem massajar os números como já vem alertando o PR desde 2007. Fiquei mais tranquila, porque afinal o ex-Ministro Pinho não era o único que nos alegrava com notícias pisca-pisca. Hoje uma coisa, amanhã o invés. Com tanta festa neste Portugal a questão geradora tem trabalhado mais por causa do pisca-pisca eléctrico. Mas nada de nos assustarmos, porque o povo é sereno, o nosso Presidente fez 70 anos e representa a família feliz que Portugal é. Todos unidos e o importante é o jantarinho ou o almocinho.
O "Vira" das comissões de honra começou. Quem o souber dançar melhor vai ganhar. As comissões de honra são assim intituladas por integrarem pessoas que ou representam um grupo, ou se distinguiram na sua área profissional, política ou humanitária, garantem as intenções de quem dança e devem ser conhecidas dos eleitores votantes. E aqui temos um ponto sem nó e um problema de dança. Poucos a sabem dançar apesar de quase todos a conhecerem. Por outro lado muitos sabem que quem a ensina, é por regra, quem vai ao baile desde pequeno. A idade e o espaço favorecem também quem pratica em casa. E mestre Orlandinho há muito que vira e revira pelos salões da cidade do Porto e sem ele não há "Vira" para ninguém.
A polémica que tem andado em redor da mãe americana, que tem neste momento catorze filhos fruto do avanço da medicina, é um dos tais casos que julgamos só existir nos EUA, mas que rapidamente pode passar ao resto do mundo.
Fotografia da Isabel
Intriga-me que cada vez que se fala na candidatura de Elisa Ferreira à CMP, apareça a seguinte frase "até já fez as malas e já não tem casa em Bruxelas". E daí? Alguém estava à espera que a candidata, que diz ter os pés no chão do Porto e estar de alma e coração na cidade, estivesse a pensar manter o apartamento parlamentar para passar férias? E já agora, quantos casas tem Elisa em Portugal para pernoitar sempre que vem de Bruxelas para ir à bola? Claro que também se pode dar o caso de só frequentar o Estádio do Dragão e portanto jogar em casa. Mas mesmo assim, continuo intrigada, porque mesmo que a casa fosse da própria e esta não fique a ver a bola nos Aliados, será que não há quem queira esta inquilina ou aliado que queira partilhar um espaço? Coisa estranha que me deixa intrigada. Por outro lado, fico mais tranquila quando vejo que Elisa Ferreira continua as suas visitas e passeios programados. Se ultrapassar esta solitária cruzada, não vão faltar "pólos", "desafios", "animação ao abrigo do QREN", "pasmatório nas artes, nos jardins e hospitais" e o Porto será finalmente Uma Nação em forma de cluster com dimensão nacional e internacional. Será que o Rui Moreira que usa o relógio no pulso direito logo, é boa pessoa, tem casa para arrendar em Bruxelas?
Acho que atingimos o cúmulo da pantominice. Afinal não havia qualquer intenção de rasgar fosse o que fosse. O verbo rasgar tem várias leituras. A ideia pode ser rasgar a ilusão, espreitar a configuração, alterar o cenário, procurar novos slogans, papar o distraído. O povo anda tão excitado que confunde as palavras e mete água. O meu amigo Rui Moreira, que ultimamente anda muito activo, diz que o governo foi atropelado pela conjuntura. Concordo que não deixa de ter o seu quê de verdade, no entanto, não ponho de lado a hipótese disto tudo ser uma conjectura. Do género das que antigamente ocorriam com os dados estatísticos. Ou seja, se as coisas não agradavam rasgava-se o cenário, massajava-se a ilusão e tínhamos apenas uma questão de interpretação de números e de comunicação a cumprir. Hoje em dia, temos a putativa desvantagem dos meios informáticos, da blogosfera, do twitter, do facebook e dos jornais. Para além, do recém aparecido porta-voz/comentador do PS que está sempre a falar e não deixa comunicar. Assim não se pode trabalhar! Além disso, deram-me cabo da iniciativa empresarial "RASGAR - princípios e métodos, SA". Uma empresa que se propunha laborar 24 horas sem parar, utilizar sondas electrónicas não poluentes alimentadas por energias eólicas e integrada no Projecto TIC Portugal.
A minha quarta faz hoje dezanove anos. É a última e tal como o primeiro representa o início e o fim da história. E por ser o fim da história é difícil contar como foi. O passado ainda é presente e ela só tem direito a mais um ano para fazer "asneiras". Ser teenager é um alivio para os pais e para o próprio adolescente. A responsabilidade para o último ainda não é muito elevada e para os primeiros significa que o tempo do colo não acabou. A quarta é a mais mimada, é aquela que tem mais Barbies, a que teve mais oportunidades de partilhar, de conhecer e ver mundo. É também a que os irmãos mais têm debaixo de olho. A mais nova é aquela que muitas vezes se sente à margem do que se passa à sua volta e está na lua mais tempo que os outros. A minha quarta nasceu com todos os talentos e conjugou as forças e as fraquezas das gerações anteriores. É impulsiva, lutadora, criativa e defensora de causas, é humana e carinhosa. Tem voz de cristal, coração de mel e olhos de gata. Se eu tivesse de a definir diria que ela é uma força da natureza. Hoje uma jovem, amanhã uma grande Mulher que já fala em profissões e opções. E porque a minha quarta faz hoje anos, eu vou partilhar o excerto de um trabalho que lhe valeu a classificação de 20 valores e que contribuiu para fazer dela uma pessoa melhor. Parabéns, filha!
Fui à Madeira pela primeira vez em 1976. O bilhete postal era exactamente o que a ilusão da viagem me tinha segredado. A ilha linda, as flores exóticas e bem cheirosas, os ramos grandes e vistosos, o preço elevado para o turista e para o local. Vi bananeiras pela primeira vez e os cachos à porta de qualquer habitante tanto no Funchal como noutro ponto da ilha. A gastronomia não tinha nada que enganar espada preto, espadarte e atum, milho frito, batata e semilha, abóbora, espetadas e papaia, pêra abacate, anonas, maracujá e demais frutos tropicais. Bolo de mel, bolo do caco, rebuçados de funcho e vinho afamado. Os bordados, os cestos e o artesanato. O centro do Funchal mantinha as caraterísticas dos edifícios antigos, o Jardim Botânico já era um orgulho, a tradição e a passagem dos ingleses era visível. A Estrada Monumental mostrava as piscinas naturais do Lido e a cidade tinha diversão nocturna para oferecer. As Desertas estavam ao longe e em dias bons avistava-se o Porto Santo. Para visitar a ilha era necessário tempo e curiosidade, coisa que não faltava a gente de vinte anos. Os transportes eram precários, as estradas uma lástima de perigo mas lindas de emoção e um suicídio para principiantes ao volante. Eram necessários pelo menos três dias para ver e visitar. O táxi acabava por ser o transporte mais eficiente e os taxistas eram novos, conheciam os lugares certos e mostravam o que deviam. Não senti que houvesse mais pobreza que aqui nas nossas aldeias, senti que havia maior atraso nas cidades e vilas e que a Madeira era o exemplo da casa de bonecas de Portugal Continental com um cheirinho a Ultramar exótico.
Quando somos muito jovens tudo nos parece fácil de resolver cortando o mal pela raiz. Apesar de ser verdade, que há situações em que não devemos deixar crescer a árvore e em que a raiz deve ser cortada logo no início, outras há, em que deveríamos parar para pensar e o tempo ajudaria a não deixar de falar com muitas delas. Assim, vamos dando cabo de muitas árvores que nunca chegam a nascer e de muitas raízes que não seriam, necessariamente, daninhas se lhes tivéssemos dado uma oportunidade. Também é por isso que quanto mais jovens mais dados a fazer aquilo que os mais velhos reprovam, e também a ser mais activos e independentes, mais francos e espontâneos e menos diplomáticos. À medida que os anos vão passando ficamos mais sabedores. E ficamos mais sensatos ao deixar crescer raízes que nunca seremos capazes de cortar, mesmo que nos incomodem de vez em quando, ou que nos levantem a relva e nos deixem marcas no soalho.
Fotografia: Nuno Ferreira Santos
Acho que os anos são para se festejar. Uma amiga muito querida fez 50 anos há uns meses. Disse que não queria fazer festa mas, nós amigos íntimos, insistimos e aparecemos. Houve bolo e festa campestre.
Há dias importantes e gente com sorte. Os dias importantes podem ser positivos ou negativos e as pessoas com sorte podem ser adoráveis ou detestáveis, nunca neutras. Detesto pessoas neutras. Aquelas que ficam em cima do muro analisando o lado para que devem cair ou de que lado sopra o vento. E não acredito que seja sensatez que as faz assim, não é. É o jogo de rins que as equilibra e as mantém permanentemente na corda bamba. A corda bamba é um exercício que pegou moda em vários países. Há dias conheci um médico dentista que nos intervalos fazia corda bamba, no mês passado falaram-me num outro especialista da saúde que faz a dança do varão e dizem-me amigos comuns que o melhor é tratarmos de encontrar um hobby à medida. Desenvolver novos talentos é muito importante e ajuda nos momentos mais complexos. Tenho estado a pensar que talento devo desenvolver agora que estou menos ocupada com as maçadas empresariais. As minhas amigas sugerem que procure novos mundos, novas gentes, que faça um liftting, que me dedique ao prazer das compras e dos cabeleireiros, dos spas e dos solários. Os meus filhos perguntam de mansinho se estou disponível para os netos, as noras querem enfiar-me na hidroginástica, ou na natação, falam em prevenir os problemas ósseos. As filhas querem que me realize a ir às compras de preferência com elas e com os cartões de crédito à vista. Já para não falar do Senhor Jóia que decidiu comprar a colecção completa do "Faça você mesmo Jardinagem" e pedir-me ajuda com as ferramentas de jardim. Ele que só conhece a foice e o martelo do Karl e campo só se for o de golfe. Ainda não tenho genros com direito a opinar. Estou certa que seriam os mais certeiros a bem planear a arte de me colocar na cozinha a fazer bolos.