A propósito da vergonha da Dulce lembrei-me do baptizado de sábado passado. Chegado o momento o sacerdote chamou os avós. Para os amigos, nada de especial porque já estamos habituados a que a família seja fora do comum, mas o padre não esperava por tanta gente. Apresentou-se o avô materno e companheira, a avó materna, o avô paterno e companheira, a avó paterna e companheiro e ainda os bisavós maternos acompanhados das respectivas e respectivos portanto quatro em vez de dois, mais o bisavô paterno. Uma família que apesar de ser diferente não é disfuncional. Em vez de sair um e entrar outro, acumulam os novos e os antigos à mesma mesa. Na verdade, uma mistura de gente que apesar das divergências consegue estar harmoniosamente em paz com as escolhas feitas. Não é vulgar e quem não os conhece não entende, mas eu que os vejo com oitenta, sessenta e cinquenta e tantos anos só lhes encontro juventude e paz de espírito no olhar. Se é um exemplo a seguir não sei, mas que é uma forma de manter unida uma família que à partida estaria condenada é, sem dúvida. A proeza tem no entanto dois protagonistas - um bisavô emprestado que se revelou um verdadeiro elo e uma neta verdadeira que a todos empresta a sua amizade. E assim, uma família fora do comum reune duma só vez quatro gerações.
Mars 2020 Perseverance rover
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