20/04/17

Soluções e reflexões

Dedilhando no teclado, deparei-me com uma página da BBC Scotland, sobre solidariedade e formas de apoio social. Jovens que pensam soluções para combater a solidão. Cerca de 83% dos jovens entre os 18 e os 34 anos dizem-se sozinhos em cidades como Londres. Uma das soluções apresentadas é a partilha de apartamento, combatendo a solidão e permitindo partilhar os custos. Não se vê nada de novo ou especial nesta proposta, mas chamou-me a atenção o facto de andarmos a promover a independência de jovens, que na ânsia de saírem de casa para se tornarem adultos, viverem experiências diferentes, ou partilharem interesses sem fronteiras, se tornam seres inseguros e mal preparados para enfrentar dissabores e dificuldades, nomeadamente a solidão. Aprender a viver consigo próprio antes de tempo não parece estar a dar os resultados esperados. Pertenço à geração que fruto da nossa vontade lutou contra regras e ordens pré-estabelecidas, educou filhos em liberdade e hoje verificamos que, afinal estes jovens precisam de abraços e cercas para se reequilibrarem. 
No mínimo, devemos refletir.

23/10/16

Hot Sardines


25/07/16

O homem e o cão: two of a kind




Todas as manhãs, o homem moreno, alto, esguio e o seu cão preto magro e sério passeiam. Ele  corre e o cão acompanha. Não se desligam do seu percurso. Não olham para ninguém, correm, fixam o ponto de chegada e deixam o ponto de partida. É um homem bonito, enigmático, conhecido daqueles trilhos. Quem é? Ninguém sabe. Durante meses, o homem desapareceu. Onde estará, quem será?
Apareceu há dias, diferente! O cabelo está comprido, veio menos moreno e não corre, caminha, brinca e fica sentado num daqueles bancos de descanso. Contempla. O cão está mais gordo Perdeu parte da graça que tinha, porventura está mais simpático, os caracóis negros caem-lhe sobre os olhos. Perde-se em conversas com uma jovem dona de um cão. Está mais vulgar e normal, menos interessante, sem mistério. Deixou de ser o mais belo, é apenas mais um homem perdido de amores, deixou que a transformação se fizesse. Enquanto o sol nasce e desaparece vejo-os estender as mãos e deixar que os  cães corram. Partilham o que a natureza oferece, seguem caminho e desaparecem nos trilhos da vegetação. Quem são? o que fazem? Ninguém sabe! E os cães? Ah, esses correm atrás um do outro.

07/03/16

Cat Power - Lived In Bars

09/07/15

08/02/15

Estrella Morente

31/12/14

5 Anos de sobrevivência

O ano chega ao fim, outro entra daqui a poucas horas. O balanço foi positivo. Festejei cinco anos de sobrevivência oncológica, tenho de dar graças. Ainda não me habituei a grandes prosas, a vida ainda me parece de poucas palavras e pensamentos maiores. Estou feliz com o que tenho e essa é talvez, a maior virtude da sobrevivência - percebermos que podemos viver com poucas futilidades.Continuamos a dar luta às ameaças porque, na realidade, essas nunca desaparecem.E as ameaças de fonte distinta, do estado a que chegamos neste país, são igualmente cancerígenas. Oxalá, possamos dizer que a elas soubemos sobreviver.
Apesar de tudo, merecemos todos um óptimo 2015!

Por sugestão do meu amigo Ricardo.