20/04/17

Por outro lado

Leio nas Crónicas do Rochedo que se alugam camas em Lisboa em prol do capitalismo. Interessante! Mas será que devemos atribuir ao capitalismo a culpa duma situação dos tempos? Antigamente usávamos a expressão desenfreado para designar as situações que nos pareciam menos cómodas e mais óbvias da precariedade social. Hoje Lisboa ou Londres com soluções para o imediatismo conturbado dum social a necessitar de ordem ou apenas sinais de uma Europa muito igual na sua desigualdade? Soluções e reflexões, à parte, não chega analisar situações. Fazedores ou seguidores?

Soluções e reflexões

Dedilhando no teclado, deparei-me com uma página da BBC Scotland, sobre solidariedade e formas de apoio social. Jovens que pensam soluções para combater a solidão. Cerca de 83% dos jovens entre os 18 e os 34 anos dizem-se sozinhos em cidades como Londres. Uma das soluções apresentadas é a partilha de apartamento, combatendo a solidão e permitindo partilhar os custos. Não se vê nada de novo ou especial nesta proposta, mas chamou-me a atenção o facto de andarmos a promover a independência de jovens, que na ânsia de saírem de casa para se tornarem adultos, viverem experiências diferentes, ou partilharem interesses sem fronteiras, se tornam seres inseguros e mal preparados para enfrentar dissabores e dificuldades, nomeadamente a solidão. Aprender a viver consigo próprio antes de tempo não parece estar a dar os resultados esperados. Pertenço à geração que fruto da nossa vontade lutou contra regras e ordens pré-estabelecidas, educou filhos em liberdade e hoje verificamos que, afinal estes jovens precisam de abraços e cercas para se reequilibrarem. 
No mínimo, devemos refletir.

23/10/16

25/07/16

O homem e o cão: two of a kind




Todas as manhãs, algures na imagem, o homem moreno, alto, esguio e o seu cão preto magro e sério passam. Ele  corre e o cão acompanha. Não se desligam do seu percurso. Não olham para ninguém, correm, fixam o ponto de chegada e deixam o ponto de partida nas costas. É um homem bonito, enigmático, conhecido daqueles trilhos. Quem é? Ninguém sabe,conhecem. Durante meses, o homem desapareceu. Onde estará, quem será, onde terá parado?
Apareceu há dias, diferente! O cabelo está comprido, veio menos moreno e não corre, apenas caminha, brinca e fica sentado num daqueles bancos de descanso. Contempla. O cão está mais gordo Perdeu parte da graça que tinha, porventura está mais simpático, os caracóis negros caem-lhe sobre os olhos. Perde-se em conversas com uma jovem que também vem acompanhada por um cão. Está mais vulgar e normal, menos interessante, sem mistério. Deixou de ser o mais belo, é apenas um homem  perdido de amores pela rapariga da mochila, deixou que a transformação se fizesse. No meio das árvores e enquanto o sol nasce e desaparece vejo-os estender a mãos e deixando que os respectivos cães corram, partilham a felicidade que a natureza oferece.

07/03/16

08/02/15