16/11/09

Entre custo e investimento

Hoje perguntaram-me porque é que as nossas ideias nunca funcionam, enquanto outros as implementam. Regressada do Brasil eu tenho a resposta. Não funcionam porque não vamos aos lugares conhecer o local. Integrados numa politica de globalização acreditamos que as ideias se colocam da mesma forma em todos os lugares e que se copiam a papel químico. Não é verdade, eu própria já ensinei muita gente a acreditar comigo que os produtos se podem vender transversalmente em qualquer lado desde que sejam ao mesmo segmento. A ideia de adaptar localmente ou de utilizar outsourcing para realizar tarefas ou funções que do outro lado do atlântico funcionam de forma diferente é uma realidade necessária. O que leva muitas empresas pequenas a não internacionalizar não é a sua dimensão, mas sim a dimensão das ideias dos responsáveis e dirigentes que as administram. Uma, duas, três, e as necessárias visitas a um potencial mercado ou parceiro não é um custo, é investimento. O mal da maioria das empresas portuguesas é que os custos se tornaram de tal forma o motivo do dia a dia, que tudo é considerado um esbanjamento de recursos. Podemos dar toda a formação a dirigentes, funcionários, colaboradores, alunos e outros, mas ela nunca sairá do papel se apenas o fizermos na sala de aula. Podemos convidar milhões de palestrantes mas se não conhecermos a realidade local não funcionará. Podemos chamar muita música e governante mas a fanfarra só fica no ouvido se compreendermos a letra da canção e o motivo que a gerou. Cantarolar todos o podemos fazer, agora explicar a letra da canção é que é mais complicado se não falarmos a mesma língua. Assim, pelo menos uma vez na vida talvez fosse bom pensar no investimento, deixar a contenção de custos de lado e olhar para o velho Canfield que apesar de ser de uma área paralela, foi motor e incentivo para muita equipa de venda de ideias e conceitos logo a seguir à crise financeira dos anos 30.

4 comentários:

fugidia disse...

Assim como assim, ao lê-la, deu-me para pensar que isto aplica-se, com pequenas nuances, à actividade legislativa: mania dos governantes fazerem leis tão lindinhas no papel (e isto tb já deixou de ser verdade, que algumas são bem mázitas) sem cuidar de saber junto de quem anda no terreno se são necessárias e em que termos são e devem ser feitas...

fugidia disse...

*cuidarem

Mike disse...

Ia escrever que quem fala assim não é gago! E quem escreve assim revela uma lucidez e conhecimento assinaláveis. Há dias, num workshop para Top Management, descobrimos que um dos nossos problemas é não estudarmos (leia-se não haver estudos e pesquisa) sobre os vários momentos críticos por que já passámos. Depois, quando aparentemente surgem boas ideias para fazer face a esses momentos (que acabam por, ciclicamente, voltar) elas carecem de fundamento e solidez. Se a GJ soubesse como "encanito" quando as pessoas (algumas delas com reputação) misturam custo e investimento...
Por aqui me fico, que já estou a abusar... estamos quites, o que, nos tempos que correm já não é mau. ;)

Luísa disse...

Tem razão, GJ. Na minha perspectiva, as coisas começaram a correr-nos mal no dia em que os financeiros derrubaram a gente da produção, por um lado, e das vendas, por outro – sobretudo das vendas! - e abocanharam o poder empresarial. ;-)