02/12/09

Convicções energéticas

Escrevi diversas vezes que o meu ministro preferido, era Manuel Pinho. A razão que me levava a descrever o economista desta forma, era a sua capacidade de nos querer alegrar com grande convicção e expectativa. Pinho tinha resposta para tudo e um optimismo que num país sempre envergonhado nos dava alento e desconfiança. Por isso, tão fácil se tornou falar de Manuel Pinho com um sorriso nos lábios e ao mesmo tempo ver homenagens empresariais de dedicadas regiões que, animadas pelo optimismo da alocação de verbas a projectos locais, lhe concederam ruas e outras pequenas boutades. Manuel Pinho tem sido um entusiasta defensor do projecto eólico e do desenvolvimento das energias renováveis. Enquanto ministro andou pelo país a inaugurar, projectar e criar parceiros de negociação. Fazer de Portugal um dos pontos mais fortes da Europa em matéria de energia renovável foi o seu empenho.
A sua crónica hoje no "i" sobre o tema da Cimeira de Copenhaga, encerra um conjunto de ensaios sobre as Alterações Climáticas e o futuro de Portugal. Que "somos um país pequeno" já o sabemos, que "podemos ser um dos líderes na criação de um modelo sustentável em termos de energia e ambiente", suspeitamos, que "este é um dos grandes desafios do séc.XXI", não temos dúvida, agora que "consigamos agarrar esta oportunidade com as duas mãos", estamos para ver, somos descrentes. Por isso, é importante que nos digam que somos capazes e que "a imagem internacional de Portugal está bastante associada às energias renováveis, a termos o maior parque eólico da Europa, a maior central solar do mundo, o primeiro projecto experimental de energia das ondas...e o maior programa de grandes barragens da Europa".
É importante que não nos aconteça como à mulher traída, que é a última a saber o que todos sabem e ninguém diz. Portugal perde, consecutivamente, o comboio para os destinos mais próximos porque chega atrasado à estação. Ficamos no apeadeiro a economizar no trajecto e a tentar que a boa sorte nos traga um burro ou uma charrua a cavalo. Somos, muitas vezes, apesar de termos tido a visão da descoberta, lentos a organizar e a implementar estratégias. Portanto, que venham muitos optimistas como Manuel Pinho lembrar, mesmo exagerando na convicção, que somos um pequeno grande país!

2 comentários:

Luísa disse...

Se aquilo que o Manuel Pinho diz (não no plano das convicções, mas no plano dos factos internacionalmente reconhecidos) é verdade, tiro-lhe o chapéu, GJ.
P.S.: A minha pequena aversão ao Pinho é de índole muito pessoal. Acho-lhe um arzinho pedante, que me irrita ligeiramente… :-S

GJ disse...

Luísa, por isso é que ele consegue passar aquelas mensagens tão pouco prováveis e ao mesmo tempo tão convictas...;)