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11/01/10

Camisola poveira

Quem nasce num país quente ou moderado como Portugal não sabe conviver com o frio. A gracinha das primeiras nuvens cinzentas e dos flocos de neve são cheios de risos e gritinhos para passarem rapidamente a desejos de calor. A neve branquinha como o algodão é linda durante umas horas para logo se transformar num caos de pernas para o ar. Os dias que se têm sentido podiam ser encarados como uma forma de promoção do nosso país como temperado e um refúgio em tempos de invernia. Talvez promover o que temos de bom quando os outros têm frio na casa dos 30 e 40 negativos. E nós temos de bom tudo aquilo que faz parte do nosso inverno. O fumeiro, a caça, os queijos, os vinhos, os licores, as compotas e os doces conventuais, as casas senhoriais com o conforto antigo, as mantas e as camisolas da região. Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo deveriam encontrar o seu momento de glória num pacote de turistas desejosos de um pouco de calor. Aliás, sendo os portugueses pródigos em utilizar o linguajar gastronómico esta seria uma bela ocasião para lançar livros sobre a gastronomia, a música e a língua portuguesa.
Reciclar os clássicos e trazer a rota da sua escrita às regiões onde nasceram. Pode ser que alguém se lembre disso enquanto se enchouriça com roupa para o frio ou se enrola na manta para aquecer. Eu cá, vou vestir a minha camisola poveira enquanto aguardo os turistas.