30/08/10

Setembro aproxima-se

Já ontem tinha olhado para aquela água no final do dia, limpa, calma e convidativa. As ondas chegam sem pressa, os primeiros pássaros sobrevoam a areia e não tarda que a brisa mais fria paire devagar dando-nos tempo para nos habituarmos ao arrefecer dos dias. Gosto do ar lavado do mês que está a chegar, ainda não está frio mas o calor já se encaminha para outras paragens. Gosto das manhãs de Setembro.


"September morning"Paul Anka

27/08/10

Correntes

E quando eu pensava que já pouco me poderia surpreeender, avançou para a porta, fez uma pausa e olhando-me nos olhos deixou sair um obrigado. Pela primeira vez, talvez a única, em que senti que há correntes que nos unem e que nos alimentaram. E do momento se fez luz, ao reconhecer aquela voz que um dia me pediu, que por ele olhasse, não uma vez mas todas as que fossem necessárias.

22/08/10

A day in Brighton

19/08/10

Hoje

Faz hoje três meses que acabei a quimioterapia, faz hoje uma semana que uso shampoo, faz hoje um dia que passei a andar com a cabeça descoberta na rua. O meu cabelo desalinhado tem um não sei quê que me agrada e um charme que me espanta. É uma enorme conquista sentir que volto à normalidade.

16/08/10

Good Madness à segunda-feira!


Fribourg Jazz Orchestra Big Band SING SANG SUNG Lou Soloff

15/08/10

Sean Riley and the Slowriders

Gostei de os ver ontem, pena que o serão não tivesse chamado mais assistência. As noites já estão o normal de S. Martinho, casaco precisa-se. E já agora o melhor é levar um agasalho para os fins de tarde na praia, que o vento já por aqui anda e o pôr do sol só se faz lá pelas oito e tal.


Sean Riley and the Slowriders - "This Woman"

14/08/10

Para o ano


S. Martinho tem-me recebido pela tardinha e apesar do mar ainda não ser meu este ano, pelo menos a areia e a sombra que a barraca me proporciona pertencem-me. Levo um livro mas o que me prende são as conversas e as risadas à minha volta. No primeiro dia, senti os olhos que me perguntavam o que tinha acontecido, onde estavam os fatos de banho, os meus banhos de mar, as minhas passeatas e o que fazia o Sr. Jóia sozinho na praia? Na verdade, há coisas que ainda faltam para tudo parecer normal e como dantes. As tardes vão devagar como tudo o que diz respeito à recuperação e o tempo é o nosso melhor aliado. Como passei muitos dias com as minhas preocupações, o reinicio das conversas e das histórias têm levado algum treino, é fácil cair na tentação de falar do mesmo ou de deixar que as conversas andem à volta das mesmas perguntas. Eu sei que a preocupação e a curiosidade é própria de quem me quer bem, sei igualmente que é difícil, eu própria, deixar de lado o que me pôs ao lado durante muitos dias, devo deixar ao tempo, o tempo de se encarregar de fazer o seu melhor, porque ainda não é desta que vou deixar de escrever sobre o cancro. Para o ano que vem tudo já deve ter entrado na rotina habitual, só me resta esperar, e então poderei fazer a dois o que ainda não é possivel este Verão. O Miguel e a Maria João que já vão mais avançados que nós, bem o dizem e melhor o escrevem e eu fico feliz por eles.

10/08/10

Moda

Seguindo a proposta da Mónica, iniciei a ronda das revistas com a moda Outono-Inverno. E pelo jeito, o melhor é recuperar as blusas que por aí andam perdidas. Ao reciclar peças interessantes, fico com a sensação de criatividade atingida e com a ideia de que aforrei o suficiente para a estação seguinte. Claro que entre a realidade e a fantasia vai um passo, mas nada como o sonho para nos fazer feliz sem nos comandar a vida.

09/08/10

A internacionalização dos comes e bebes

Este ano, a minha praia do costume está diferente. Ela foi invadida por franceses, ingleses e americanos verdadeiros, daqueles que dizem hotdog e pommes frites e gostam de red wine servido a copo às 5 da tarde. Penso que dada a proximidade do campo de golfe de Óbidos, o imobiliário que se foi vendendo especialmente a ingleses e respectiva divulgação feita pelos próprios, a terra se internacionalizou, deixando os meus conterrâneos, por um lado, à deriva e assustados com tanto estrangeiro a usar e a comprar os nossos produtos, e por outro a esfregar as mãos de contentamento provisório. Claro, que esta grandiosa alteração veio provocar igualmente um aumento não dos preços, que esses já estavam previstos pelos comerciantes atentos ao aumento do iva e outros impostos, mas da oferta de comes e bebes. Assim, para além dos habituais cafés e esplanadas de verão, temos mais cafés e mais esplanadas o que se traduz numa maior variedade de sandwiches, sopas, e saladas, que substituem as empadas, rissóis, croquetes,pastelinho de bacalhau e chamuchas de sempre. Mesmo assim, ainda não temos um belo sortido de quiches, antevendo-se um nicho de mercado que será aproveitado no próximo verão,aliás, eu própria estou a equacionar candidatar-me a empresária de tartes doces e salgadas já este ano, dada a minha disponibilidade sombria e enquanto o negócio se mantém longe do fisco. Para além destes novos atractivos, S. Martinho inaugurou um novo take-away de jovens em idade apropriada para os novos e atraentes países no final das férias. É que com tanto estrangeiro(a) os namoros vão pegar e vão dar que falar até ao natal, época em que as esplanadas darão lugar a verdadeiros pontos de pasmaceira, a menos que os bifes se mantenham cá na terra.

Um deleite?

A rapariga ainda estava com o registo afrancesado quando lhe pedi um pão de leite, é que o rapaz anterior tinha pedido uma hamburga, um cão(que é como vocês dizem(?), um de filete. Chegada a cliente da burka, olhou para mim e perguntou outra vez: um deleite? A que é que vocês chamam deleite?
Olhe menina, nós (eu, na realidade) não chamamos nada porque não fomos a lado nenhum, agora que isto é e sempre foi pão de leite, na minha e na sua terra é que é uma verdade! Amanhã peço em português de france e então é que vai ser um autêntico deleite assistir ao seu français. Vivam as férias no mês de Agosto!

01/08/10

Bom Domingo


Mr. Bean