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12/08/11
A pensar na Dreamer
Quando iniciei a leitura deste livro, lembrei-me da Dreamer e quanto esta amiga deveria gostar de o ler. Por isso aqui fica a sugestão. Eu gostei muito. A narrativa leva-nos constantemente entre o nosso passado e o presente português na cultura árabe, e dos portugueses de hoje e outrora. Leonor Xavier mostra-nos os caminhos de Afonso de Albuquerque numa peregrinação dos dias de hoje à procura dos vestígios do passado. Os desenhos de João Queiroz são parte imprescindível para a vivência da viagem.
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19/06/10
José Saramago (1922-2010)
A RTP2 passou ontem em repetição, uma entrevista de José Saramago a José Rodrigues dos Santos, parte de um programa intitulado "Conversas de escritores" que foi transmitido há cerca de um ano e que é importante rever. A conversa orientada para a obra a maior parte do tempo, revelou Saramago de forma simples, afável como não o terá sido noutras épocas da sua vida, condescendente com os seus erros e sem nada mais a provar num tempo que ele próprio terá reconhecido como próximo do fim. Saramago, soube no final da sua vida, criar o impacto que levará muitos a querer conhecer a sua obra. No final vi aquilo que ele quereria que eu tivesse compreendido - uma certa forma de ser- em formato de travessão gramatical. Saramago, tal como Borges, que ele admirava, vai ficar na história da literatura não apenas pelo prémio Nobel que todos querem reclamar, mas pelo estilo que soube criar com muitas ou poucas virgulas, com ou sem minúsculas nos nomes próprios, com ou sem memória para contar. O próprio deixou claro que os livros mais representativos da sua obra são o "Caderno de Pintura e Caligrafia" e "Levantado do Chão". Que reste em paz, quem tão polémico foi!
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15/04/10
Fernando Namora
Fernando Namora é um autor esquecido e que passou de moda. Faria hoje 91 anos.
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11/03/09
Crónicas do Barroso
"Pertenço a uma família de caçadores inveterados. Eu não cheguei a viciar-me porque sou pitosga de nascença e só comecei a usar óculos aos vinte e tal anos. Suponho que foi por isso. Ou não seria. O certo é que, quando de férias, uma vez por outra, pegava na espingarda e saía para o monte. O meu pretexto era esticar as pernas. Minha mãe e irmãs, no entanto, partiam do principio de que, se eu ia à caça, tinha obrigação de trazer coelho, perdiz ou lebre para arroz. Neste pressuposto, se a sorte me favorecia, quer dizer, se os cães agarrassem qualquer coisa para eu pôr à cinta, elas recebiam-nos de sorriso aberto e mesa posta. Se não, corriam os cães da cozinha a pontapés, como a dizer-me:
- Era o que tu merecias...
Também hoje merecia pontapés. Saí de casa à cata de assunto para este prolegómeno e trouxe apenas um braçado de flores silvestres. É à volta delas que vou circunvagar.
... Já trazia um ramalhete de dedaleiras. Juntei-lhe outro de mentrastos e fui andando...
... Colhi um ramo de flores de sabugueiro e fui andando...Em breve as flores eram mais do que os meus braços podiam abarcar. Retrocedi.
Em sentido oposto vinham duas jovens de palhinha, biquini e sandálias...
Elas continuaram a descer em direcção ao rio e eu fiquei a observá-las pelas costas.
Decerto convencida que eu havia continuado, uma delas fez o seguinte comentário:
- O homem parece uma jarra de flores.
- O que ele parece é um jarreta - acrescentou a outra." (in op, O Jarreta, pgs 211 -213)
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