... e o mirtilo sem graça, foi levado para a casa mais próxima, agasalhado e alimentado.Passado uns dias, já com cor e cheiro que se sentisse, elegante e prazenteiro mirava ao seu redor. De longe a longe sonhava com os campos brancos e frios de neve. Entreabria os olhos e sem querer acordar ouvia o tinlitar dos sinos distantes. Do outro lado do vidro havia quem sonhasse com as estrelas em fantasia de jasmim, misturadas em mirtilos. Danças e amores em forma de rebuçado, tartes de açúcar e crocantes sons a acompanhar.
Mais valia o mirtilo fazer parte do tacho dos doces, pensava o olho envidraçado. E foi o que aconteceu no dia em que entre a dúvida e a consolação, o mirtilo viu o borbulhar da sua cor misturada com o açúcar e a colher de pau a rodopiar. A cor escura e elegante do fruto estava agora transformada em compota. Guardada em belos e elegantes frascos com rótulos aveludados pelas estrelas é adorado por todos e amado por muitos. O doce é hoje um dos preferidos do reino e não há princesa ou gambuzino que não o cobice aqui ou além-mar.