Tem 23 anos e esvoaça pelos corredores com os seus lenços a condizer com as roupas. É tão jovem e engraçada que chama imediatamente a atenção. E tem graça, tem estilo e é diferente na sua juventude. Reparei nela um dia no bar do hospital, vestia em tons de lilás. O lenço e as sapatilhas a condizer. Estava com os pais, eles também gente com idade para ter filhos pequenos e faziam parte dum grupo que se distinguia pela forma como a mais nova se comportava. Via-se que os três estavam unidos de uma forma especial. Hoje soube que a Bárbara é filha única, terminou o curso de Gestão no ano passado e quando se preparava para iniciar o mestrado surgiu a dor no ouvido que se veio a verificar ser um linfoma. "Coisas que ninguém conta", diz-me a mãe, "a minha filha foi sempre uma criança saudável. Uma pessoa fica sem chão quando nos dão a notícia, a Bárbara nunca deitou uma lágrima, ouviu tudo com muita calma, o pai esteve três dias sem se chegar a ela, cada vez que tentava desatava a chorar. Se eu pudesse, passava a doença para mim".Bárbara é um nome de luta e esta menina de olhar determinado é mais um dos exemplos que vamos conhecendo no dia-a-dia dos corredores de hospital. "Vai entrar agora? perguntou-me, "é que eu podia ensinar-lhe outras formas de colocar os lenços". Lenços entrançados, feitos de tecido a metro e encomendados na costureira, tal e qual os vestidos. Uma graça que só a juventude consegue, ela que podia ser minha filha e que naquele momento era, também, uma divertida companheira de luta. "Então fica para outro dia, agora vou matar o bicho!" finalizou, enquanto se dirigia para a sala das poltronas com o sorriso e a juventude espalhados no rosto.
