
Eu já estava desconfiada que isto tinha de estar correlacionado. Se as laranjas estão em baixo como é que o preço das laranjas podia estar em alta? A questão claro que é económica. Se o cliente não procura a laranja o preço baixa e de tal forma que o produtor de laranjas começa agora a olhar para o seu vizinho que produz papoilas ou rosas ou martelos e pensa que aí é que está o negócio. Começa por elaborar uma sondagem, fala da crise da laranja diz que tem tangerina, mas o cliente não quer ou a muito custo lá vai levando porque a tangerina tem a pele mais lisa e as laranjas que existem não têm boa cara.Que fazer, então? Deve o produtor escoar a produção baixando o preço e esperar que o cliente volte a querer a laranja ou deve reciclar o seu negócio? A análise desta questão deve começar pelo principio. É que o cliente só deixou de procurar as laranjas porque elas não tinham boa qualidade e porque o produtor ao querer "gananciosamente" o melhor dos dois mundos - lucro e falácia- deixou de tratar dos terrenos, de os podar, de os fertilizar, passando a utilizar os produtos de qualidade duvidosa para enganar quem menos percebia de fruta e apenas bebia o sumo engarrafado.
Só que, como todos sabemos, a crise quando se instala traz bicho e foi o que aconteceu. De repente os laranjais do país ficaram pela hora da morte e as flores desataram a crescer, mesmo que selvagens e sem orientação no início. Agora as flores, as ceifeiras e as rosas começam a brilhar e as laranjas têm de esperar melhores dias.
Segundo notícia do Público, o valor da laranja do Algarve cai para preços de há 30 anos. Um saco de cinco quilos chega a dois euros ao consumidor final, enquanto um quilo de laranjas, já calibradas e lavadas, sai do armazém a 22 cêntimos.