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| Gil Vicente - Auto da Barca do Inferno |
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14/02/11
Afinal quem é que é parvo?
20/01/11
A mania das grandezas
O Primeiro-Ministro e a mobilidade eléctrica para retratar a aposta energética portuguesa no World Future Energy Summit, em Abu Dhabi.
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18/06/10
Camas mal arrumadas
Diz o ditado que cama mal arrumada não dá sonos repousantes e mais, que quem a cama faz e nela se deita não tem de que se queixar. Acontece porém, que lá pelo Algarve há quem queira pôr fim a esta pouca vergonha de camas emprestadas à prima, vendidas livre de impostos e sem as respectivas receitas fiscais, a todos os que nelas se queiram deitar. Ainda por cima agora que o governo anda à caça de receitas e se deu conta desta riqueza nacional que dá pelo nome de economia paralela. A malta já desconfiava que era uma questão de tempo até virem em cima do colchão que temos a mais na garagem para o que der e vier, mas assim de repente não está certo. Por um lado pedem-nos para fazermos férias dentro de casa e que nos tornemos novos empresários e agora querem que deitemos fora as camas que nos davam o rendimento extra do negócio. Em Portugal a economia paralela só continua a ser fenómeno para quem gosta de passar por tanso, para os outros é representativo de uma economia frágil, desorganizada e onde os que se dizem espertos fazem pela vida e chegam a lugares de responsabilidade. Infelizmente sempre existiu e está aí para continuar nos mais diversos sectores. O turismo é apenas o último a ser chamado à pega, sem ninguém o conseguir controlar. São coisas do meu país em tempos de desarrumação.
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25/02/10
Ainda a Madeira
Ainda ontem falei com familiares madeirenses e a conclusão a que cheguei é que ainda há muita coisa por esclarecer. Falámos sobre as seguradoras e também sobre o facto da maioria não ter seguro. Mais tarde ouvi nas notícias que o Governo Regional tem uma verba alocada às tragédias naturais mas é necessário admitir calamidade pública. E volto à minha questão, para admitir calamidade é necessário dizer toda a verdade e isso está por apurar. Claro que sou a favor das ajudas internacionais, da Comunidade Europeia a fazer minuto de silêncio, das iniciativas musicais e outras acções de solidariedade para ajudar os madeirenses, mas não posso deixar de bater na tecla da irresponsabilidade interna das construções, do ambientalismo e de todas as infraestuturas que não foram feitas a tempo de corrigir os erros de construção do passado. Não basta dizer que o que é da ribeira à ribeira volta, ou que a Madeira conhece estes aluviões de tempos a tempos e que a história registou. O ponto é que as ajudas fazem-se e daqui a uns anos quando acontecer outra desgraça voltamos ao mesmo, tal como no caso da ponte de Entre-os-Rios de que ninguém já se lembra e que se mantém na mesma. Só no caso das pessoas que ficaram sem os seus automóveis, bens necessários numa ilha com transportes contados, a maioria só tinha seguro contra terceiros, o que significa sucata sem valor. O valor estimado só para cobrir a indústria automóvel é de 15 a 20 milhões de euros de indemnizações de acordo com um responsável da associação, apesar da notícia local apurar metade desse valor. Juntando o resto não serão apenas 50 milhões necessários, serão muitos mais em vidas e pessoas que perderam todas as suas poupanças numa terra de emigrantes e de gente que até há bem pouco tempo tinha pobreza à vista no interior da ilha. Por isso, o turismo se bem que crucial para o desenvolvimento não pode ser a receita e a desculpa para o fazer de conta em relação às responsabilidades de ordenamento ambiental.
12/09/09
Vai dar ao mesmo
Identificar o produto pela marca é um hábito que uma vez adquirido leva tempo a desfazer. Foi o que aconteceu com a Compal durante muito tempo e nas terras do interior um "compal de pêra" ainda é bebida que se pede, mesmo que o produto e a marca sejam outros. O cliente esclarecido diz o que quer, mas para outros o que conta é a bebida, não necessariamente o produto e muito menos a marca. Durante muito tempo quando pedíamos uma Coca-Cola, serviam-nos uma Pepsi com toda a ligeireza, porque não havia diferença para quem vendia. Para as empresas, o cliente indiferenciado não interessa tal como os trabalhadores indiferenciados não interessam às empresas com dimensão e estrutura empresarial competitiva. O nosso país tem 80% de empresas com 4 trabalhadores. Não é esse o problema, as empresas virtuais podem ter apenas 1 trabalhador e serem muito lucrativas e eficientes. O ponto está em que 75% dos 80% tem 4 trabalhadores com habilitações para os cargos e o dobro ou o triplo de indiferenciados. É isto que representa um dos casos mais grave do país. Um país que qualquer coisa lhe serve porque tanto faz e vai dar ao mesmo. Coca-cola ou Pespi o que conta é a lata para continuar e o gás que ajuda a desfazer qualquer mal estar.
02/09/09
As madeiras portuguesas
Ali para a região de Paços de Ferreira a madeira que mais se tem usado ultimamente para desenvolver a indústria do móvel é o pinho. Antigamente, quem queria requinte escolhia as belas e exóticas madeiras africanas. Os móveis eram assim talhados artesanalmente pelos nossos artífices e vendidos mais tarde nas fábricas da região do Vale do Sousa. O país corria a Paços de Ferreira e a Paredes para comprar o que sabíamos ser a qualidade do produto nacional. Com o desenvolvimento das políticas ecológicas e de protecção da floresta, outras soluções como os aglomerados, apareceram e deram origem à famosa Tabopan na região de Amarante, e mais tarde a uma fatia razoável e parte do negócio de Belmiro de Azevedo. Enquanto este, se entendeu com as diversas formas de fazer barato o produto que muita gente aproveitou, o Comendador José de Abreu dono da Tabopan ficou em situação difícil no pós 25 de Abril com os trabalhadores em greve, o negócio em ruínas e sem as mordomias provenientes do anterior regime. Cada um fez o que pode para se enquadrar na nova realidade do Norte do país e das madeiras em geral. No entretanto, quem queria comprar uns móveis baratinhos de cozinha ou coisa simples ia à Rua da Picaria no Porto e escolhido o móvel de madeira de pinho, era só levar para casa acabar de envernizar ou pintar conforme o gosto. A madeira de pinho, nunca teve grande reputação, embora hoje se saiba que é utilizada de forma mais sofisticada por muitos arquitectos. É dura e difícil de trabalhar mas com arte e sabedoria tem sido utilizada com mais frequência e sem o mesmo rancor. Em Portugal, sempre encontramos forma de deitar abaixo o produto nacional, desvalorizar o material até ao dia em que o dito cai em desgraça. Aí, somos exímios em reabilitar a peça. Foi que aconteceu com Manuel Pinho, o nosso ex-ministro da Economia, meu predilecto pela capacidade de desenrascar as situações mais difíceis e também o mais absurdo dos ministros a dialogar com os empresários, que por alguma razão desconhecida e que só pode estar relacionada com a cena dos corninhos, passa a nome de avenida. E nada como a Câmara Municipal de Paços de Ferreira para lhe atribuir tal distinção. Na verdade, foi a graças a Pinho que parte das fábricas foram ao ar, as multinacionais se instalaram, a escola de design se fez, os suecos continuaram alimentar os jantares e eu, uma portuguesa incluída nos convites de apresentação das mega reformas e dos projectos de desenvolvimento tecnológico, comi o tal capão no dia da assinatura do Tratado de Lisboa. O Tratado foi-se e eu já me estou a fazer ao bife que irei saborear na próxima temporada de apresentações à pala de mais uns talhantes da região do Sousa com corninhos à mistura e madeiras do norte da Europa.
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28/07/09
Os intangíveis são domínio ou poder?
Já não sei se os intangíveis existem ou se fazem parte da nossa realidade fantasiada. No início tentámos objectivos que se diziam inatingíveis. Depois, passamos a falar de variáveis endógenas e exógenas, a montante e a jusante, de gestão e de marketing, de técnicas de comunicação de tangíveis da produção comparadas com os intangíveis da comunicação. Da emoção, da capacidade de indução e de captação, da arte de atrair, afastar e acrescentar valor. De vender, não um produto, mas uma marca com atributos intrínsecos, de medir e valorar o conjunto das variáveis que a produziu com aquele que a inventou e que a colocou no mercado. Mercado inventado por todos porque a mão invisível, afinal, parece que não existe. E eis que estamos outra vez a pressupor que afinal o homem não tinha necessidades e que tudo foi inventado por quem tinha de vender expectativas de crescimento e de globalização.E criamos um novo mundo de desconfiança em relação ao que aprendemos, às coisas em que acreditávamos, aos métodos sugeridos, às variáveis relevantes para passarmos a andar meios perdidos, à procura dum novo paradigma que nos dê essa visão ou essa capacidade de recomeçar a criar ilusões que já não são nem tangíveis nem intangíveis, que são apenas necessidade de criar valor, repor o sentimento de mercado e criar energia e magia. Uma energia que se mantém apesar de tudo à flor da pele e que continua a mover-se diariamente, racionalmente ou nem por isso. E o que é afinal o valor? E onde vamos buscar novas artes e onde pára a nossa imaginação e recomeça o sonho do homem seguinte? Certamente que não está no nosso espaço, ou nos continentes mais ricos, mas são os mesmos continentes que terão de continuar a tarefa dos anseios dos continentes que ainda não são economias fortes e poderosas. E a pergunta é aquela e a do costume. Deve ou não o homem mais poderoso dominar o que ainda não atingiu essa capacidade? Deve o homem tornar-se poderoso ao partilhar a sua sabedoria com o outro criando valor ou criando riqueza?
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13/04/09
Correlação laranja

Eu já estava desconfiada que isto tinha de estar correlacionado. Se as laranjas estão em baixo como é que o preço das laranjas podia estar em alta? A questão claro que é económica. Se o cliente não procura a laranja o preço baixa e de tal forma que o produtor de laranjas começa agora a olhar para o seu vizinho que produz papoilas ou rosas ou martelos e pensa que aí é que está o negócio. Começa por elaborar uma sondagem, fala da crise da laranja diz que tem tangerina, mas o cliente não quer ou a muito custo lá vai levando porque a tangerina tem a pele mais lisa e as laranjas que existem não têm boa cara.Que fazer, então? Deve o produtor escoar a produção baixando o preço e esperar que o cliente volte a querer a laranja ou deve reciclar o seu negócio? A análise desta questão deve começar pelo principio. É que o cliente só deixou de procurar as laranjas porque elas não tinham boa qualidade e porque o produtor ao querer "gananciosamente" o melhor dos dois mundos - lucro e falácia- deixou de tratar dos terrenos, de os podar, de os fertilizar, passando a utilizar os produtos de qualidade duvidosa para enganar quem menos percebia de fruta e apenas bebia o sumo engarrafado.
Só que, como todos sabemos, a crise quando se instala traz bicho e foi o que aconteceu. De repente os laranjais do país ficaram pela hora da morte e as flores desataram a crescer, mesmo que selvagens e sem orientação no início. Agora as flores, as ceifeiras e as rosas começam a brilhar e as laranjas têm de esperar melhores dias.
Segundo notícia do Público, o valor da laranja do Algarve cai para preços de há 30 anos. Um saco de cinco quilos chega a dois euros ao consumidor final, enquanto um quilo de laranjas, já calibradas e lavadas, sai do armazém a 22 cêntimos.
12/04/09
A escolha orgânica e justa
Passado o Domingo de Páscoa e por sugestão de gente conhecedora não há razão para deixar o chocolate de lado. Apenas temos de conhecer e saber escolher.Se for Organic and Fairtrade melhor, porque estamos a contribuir para o comércio justo em que o produtor recebe uma percentagem do que estamos a comprar. A economia agradece e os produtores de cacau também.
Por outro lado a nossa consciência colectiva cresce e estende-se até aos países produtores e a favor de quem estamos a beneficiar. As empresas que produzem e os consumidores que preferem estão a proporcionar aos fazendeiros do sul um prémio suplementar para as suas colheitas, permitindo um crescimento sustentável do negócio, investimento em equipamento e melhores colheitas.
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18/03/09
Nós por cá todos bem
Apesar das dúvidas em relações ao exterior, em Portugal está tudo fixe, apenas com uma ligeira preocupação sobre o peso do Presidente, que já está medicado com vitaminas extra. Eu fico contente porque o que é preciso, é ter saúde. A preocupação é grande não só com o Presidente mas segundo sei com outros portugueses. Até já andam a controlar os padeiros com a questão do sal, o que também me parece adequado, desde que não nos estraguem os queijos, os enchidos e as outras iguarias que vamos ter dificuldade de manter à venda. De qualquer forma como o bolso anda magro e enquanto enche, o povo educa o paladar, tornando todos mais contentes e podendo cumprir com rigor a legislação e alterar os hábitos alimentares. Os banquetes com reis, rainhas e ilustres estão a dar nas vistas em Portugal e o sal e a pimenta têm de ser qb.Ao que parece anda também por aí, uma grande vontade de encontrar os lugares certos em mesa especial. Ouvi qualquer coisa sobre a falta de cadeiras mas o problema foi resolvido com bancos e cadeiras de praia. Ao que parece ninguém queria perder o lugar no "jogo do lenço", porque o castigo era ter de dançar funáná.
Por outro lado, a coordenação europeia no combate à crise precisa de agitação. E Carlos Queiroz já disse que "temos de trabalhar e não ter uma atitude de bebés chorões". Dizem-me que isto não tem nada a ver com o resto, era de futebol que ele falava.
Lá fora, quer dizer, no resto do mundo, Obama prepara plano para as pequenas e médias empresas o que levará a que tudo esteja resolvido daqui a um a ano no máximo dois, apesar de Krugman entender que a resposta europeia é decepcionante e que o plano americano corresponde a um terço do valor necessário enquanto o europeu a bem menos de metade. Parece igualmente que a queda do PIB na Europa é maior que nos Estados Unidos e por outro lado que Portugal se arrisca a ser um cheque sem cobertura por causa do endividamento, como nos alerta Abel Mateus. Contaram-me que devo estar atenta ao Bernarke que prevê a retoma nos EUA já em 2010 e também para o consultor Charan que garantiu em Lisboa que a crise económica mundial recupera dentro de 5 a 6 meses.
Nós por cá para não complicar muito, temos empresas, Cimpor, a cair 38,5%, a criação de empresas recuou 44,7% e para dar um toque internacional, os Britânicos perderam 28% da riqueza em ano e meio. Enquanto isto, apesar do nosso ministro Manuel Pinho ter pedido 132 milhões de indemnização à Opel por fechar a fabrica da Azambuja, parece que só vamos receber 18, o que também dá ideia que já foi feito.
Para terminar, a única coisa que corre bem é o sector da distribuição alimentar que criou 15 mil empregos e a notícia de que a Unicer vai investir 1 milhão nas Festas de Lisboa. Vai haver bebida e comida para todos, espectáculos, concertos e esperemos que venham pelo menos mais cinco turistas. Também espero que os jovens saibam beber com conta, peso e medida.
Para não maçar mais, abstenho-me de fazer links para os nomes que acabei de citar, porque como já sabemos isso agora já não interessa nada!
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12/03/09
20/02/09
O Arrojo do negócio
Há dias o Avelino arreliado dizia que os centros de formação estavam a patrocinar cursos para cabeleireiras e que o país ia vender caracóis. Eu própria comentei aqui que o nosso homem de Guimarães tinha razão porque um salão de cabeleireiro se podia fazer num quartinho lá de casa. Ver o país dentro dum quartinho tem sido o problema nacional, praticamente, desde que existimos. Tirando pequenas referências históricas, sempre nos vimos pequenos, feios e atarracados, mesmo que alguns nos venham falar nos descobrimentos, da grandeza da nação e na pujança do passado. Escritores e artistas de várias áreas, sempre tivemos em quantidade e qualidade suficiente. É certo, que muitos não passaram do consumo interno, mas temos muitos que saíram do quartinho e voaram para outra dimensão. Souberam passar o testemunho da alma portuguesa e do ser português e deixaram obra e nome que não tem fronteiras. A nossa tragédia foi sempre ao nível do empreendedorismo. Aí temos falhado consecutivamente, não porque não saibamos fazer, mas porque temos a vista curta e a dimensão do mar não nos deixa alcançar outros lugares sem apanhar um transporte. Por terra sempre foi difícil e por mar parecendo mais fácil só levou a que uns partissem e outros ficassem na praia a aguardar a chegada dos primeiros. Porque nós voltamos sempre, às vezes até animados, mas não somos combativos. E não sabemos tirar partido do que vemos e não conseguimos por em prática por medo de falhar, por falta de ambição, por cautela à critica, por desconfiança. Apesar de regressados acabamos por ficar com uma mão à frente e outra atrás. A da frente tapando a miséria e a de trás protegendo o corpo que o diabo amassou e do qual não soubemos fugir. Nesta fase difícil, de recuperação económica das nações, em que os modelos de crescimento estão a ser repensados e a globalização a ser posta em causa, podíamos olhar e aprender com quem já sabe, tem garra e arrisca. E em vez de criticar o marketing das ideias fazê-lo crescer de acordo com as necessidades do momento. Nem o consumidor é demasiado racional nem o marketeer irracional, pelo contrário, "a oportunidade está em mostrar ao consumidor racional que está a ser irracional (Seth Godin)" E também não há muito para descobrir, mas adaptar o que até aqui se entendia como global. Eu sei que é vira o disco e toca o mesmo para os da área, mas enquanto escolhemos a música e o aparelho, as variáveis invertem-se e quem sabe algo de novo aparece. Se não tentarmos ficamos na verdade a vender caracóis no quartinho de casa, enquanto podíamos ter o ARROJO de fazer crescer o negócio numa dimensão local mas que já provou ser inovadora, mesmo que isto aqui não seja a América nem o país Nova Iorque.
10/02/09
O ímpeto do fio de cetim em Guimarães
O Avelino Queirós esfregou as mãos de contente quando o Martins, seu vizinho, faliu. O Martins tinha 80 trabalhadoras e Queirós precisava de 10. Mas o Martins não conseguiu nenhuma e a razão está, segundo ele, no valor do subsídio de desemprego. O Queirós tem razão, pelo mesmo valor ou quase não vale a pena sair de casa. "Não encontrei quem quisesse trabalhar, minha senhora!"dizia o Avelino à Fátima Campos Ferreira."E o senhor já pensou em pagar mais às suas trabalhadoras?" perguntou a Fátima ao que o Queirós respondeu indignado "Mas ó minha senhora, julga que eu sou o Pai Natal?... então eu estou à beira da falência, já expliquei que se não encontrar as 10 empregadas, não consigo entregar os pares de calças e fecho no final do mês, e acha que posso pagar mais?".
Ora bem, depois dos aplausos da plateia ao empresário corajoso da Fio de Cetim, falou Alberto Figueiredo o empresário de sucesso da Impetus. Com um discurso totalmente diferente mostrando que "uma parte da crise é psicológica" e que os empresários têm de estar nalguns lugares mesmo que isso não dê ganho imediato, procurou dizer que a estratégia de entrada em novos mercados implica riscos e custos.
Estamos todos de acordo com esta visão, só que o problema é que o Avelino Queirós representa a grande fasquia dos empresários do têxtil, que apenas utilizou, se é que o fez, os subsídios comunitários para comprar máquinas, mas continua a ter encomendas a feitio. As mulheres que anteriormente recebiam moldes e apenas coziam, continuam a fazer o mesmo apenas em máquinas mais sofisticadas.
O empresário se não tiver o número de trabalhadores que necessita não dá conta à encomenda das calças, ou camisas, ou saias e não cumprindo os prazos de entrega não há mais encomendas. E o empresário também não pode pagar mais às suas trabalhadoras porque não terá preços competitivos para o cliente. O empresário típico de Guimarães, Paços de Ferreira, ou outro qualquer lugar do Norte de Portugal, não pode fazer mais. E o mais grave é exactamente o que o Avelino Queirós dizia "há subsídios e cursos para cabeleireiras, nós agora vamos exportar caracóis".
Claro que o Avelino é bom homem e não é tão tosco como fazia parecer, porque sabe que os últimos dinheiros do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) estão prioritariamente vocacionados para os Programas Potencial Humano que na prática quer dizer formar e subsidiar pessoas e as mulheres em primeiro lugar, a criar o seu próprio emprego. Ora, um cabeleireiro elas podem fazer num quartinho lá de casa, agora comprar maquinaria e fazer como o Alberto Figueiredo da Impetus é que é pouco provável.
E o pior é que o Avelino, o Martins, o Figueiredo e muitos outros também sabem juntamente com o Presidente da Autarquia, com os Centros de Emprego, com os Ministros e muitos mais, que todos estes programas são apenas umas migalhas e que só quem tem estrutura montada e é de sucesso é que pode aceder e receber as tais linhas de financiamento.
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05/01/09
Intermezzo
"No século XVIII, o Haiti, então chamado de Saint-Domingue, e governado pelos franceses, era a mais próspera colônia no Novo Mundo. Seu solo enormemente fértil produzia uma grande abundância de colheitas e atraiu milhares de colonizadores franceses." (in wikipédia)
11/12/08
Portugal na era de Keynes
Medina Carreira em entrevista à SIC Notícias falou sem papas na língua como é seu hábito. Não sei se era pior a destreza das suas acusações, constatações e afirmações se a mímica de José Gomes Ferreira que já não sabia se havia de rir ou de chorar mas que, apesar de tudo, conseguiu manter a compostura e conduzir a entrevista à altura do entrevistado. Quem entrevista Medina Carreira tem de estar preparado para o que der e vier. Assinalo algumas "tiradas" e o link para uma entrevista que vale a pena ver."... Quando a crise passar lá fora passa cá dentro. Mas nós ficamos pobrezinhos na mesma e com os nossos problemas internos ..."
"... Agora descobriram o Keynes! Só que falar de Keynesianismo aqui ou no Alentejo é a mesma coisa... Se o Keynes viesse cá não concordava com nada disto. Agora põe-se a assinatura do Keynes em tudo o que é tontice..."
"...em Portugal não se vive da realidade mas de anúncios...um sujeito diz uma coisa aqui, outra ali e ninguém sabe nada..."
"...andam para aí uns papagaios a falar sobre política internacional..." e"...o Estado não pode ser um carrasco fiscal e depois um caloteiro..."
(Medina Carreira, em entrevista ao "Negócios da Semana", SIC Notícias)
04/12/08
Plano de salvação
Nos últimos dias temos assistido a diversas entrevistas e debates televisivos sobre o suposto "plano de salvamento" do BPP. O que assalta à mente é a coincidência da frase e das palavras. Para mim, isto parece mais um plano de salvação para a banca se não mesmo para o país. Acontece que a frase só me recorda tempos que só eram divertidos porque eu era uma jovem a "armar aos cágados". Infelizmente, nem o período é menos grave nem os cágados são outros, ainda que, tenham cores mais esbatidas. Estes planos, só podem ser mesmo planos de salvação nacional, especialmente, quando se discute a autoridade das palavras do Governador do Banco de Portugal face às apresentadas pelo Ministro das Finanças, ou se o discurso que devemos antecipar por parte do Primeiro Ministro deverá ser mais popular e o do Ministro das Finanças mais rigoroso.Isto quer dizer o quê? Que estamos num país em que cada um vai dizendo o que quer, o que pode ou aquilo que é verdade? Neste momento do salve-se quem puder, o melhor é revermos o poder que entregámos a quem nos representa enquanto há tempo.
25/11/08
A coisa saiu para o torto
Se há pessoas que se preparam para "o cargo" uma vida toda, Teixeira dos Santos é um deles. Foi caminhando, deu passos com determinação e chegou ao lugar e função desejada. Ei-lo, Ministro das Finanças logo depois de ter passado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).E como é que a coisa lhe sai? Pelo vistos muito mal indeed!
Ele há coisas... Como se costuma dizer é preciso estar no lugar certo, no dia certo e à hora certa. Neste caso, a hora do ministro não é das melhores. Só me resta o consolo de o ver calado, porque se há coisa insuportável é mesmo os ministros e altos representantes da Nação andarem a dar explicações e a comentar o que deles dizem "antes de tempo" ou o tempo todo. É caso, para uma pessoa, pensar o que será que ainda está para vir ao de cima ou do que é que têm medo?
(Fotografia de Pedro Cunha (arquivo), Jornal Público)
20/10/08
O sufoco de MFL e os sufocados do boné
Quando Manuela Ferreira Leite (MFL) na sua crónica desta semana ao jornal Expresso menciona "...que uma economia excessivamente endividada e muito vulnerável à crise financeira, o que aliado ao facto de o governo sempre ter negado essa crise, não permitiu antecipar e minimizar os seus efeitos...", está igualmente a dizer o que a oposição podia ter dito e não disse, que o PSD devia ter ido por esse país fora e falar sobre o que importava. Mas o que o partido da oposição fez, foi continuar e propagandear o estado de graça que os ministros do actual governo foram tendo. Por essas terras do interior foram vistos muitos militantes do maior partido da oposição a bater palmas aos projectos implementados nas suas regiões. Projectos, que apesar de criarem postos de trabalho, não dinamizaram a economia porque obrigaram outros a fechar portas. Refiro-me nomeadamente, a Paços de Ferreira, em que o investimento da multinacional IKEA criou e retirou capacidade aos empresários do móvel. Foram vários os almoços e jantares perante assembleias de empresários que gostariam de ter planos alternativos e que se viram obrigados a fechar portas, criando em primeiro lugar endividamento e logo a seguir falência e desemprego. Durante os últimos dois anos temos assistido com maior preocupação, frequência e rapidez a empresas e empresários que não sabem o que fazer, que continuam à espera que se lhes diga o que fazer, à fraca capacidade do nosso tecido empresarial e ao limitado músculo financeiro das PME para fazer face a novas situações, que a palavra desafio já ninguém tem coragem para dizer.MFL bem pode vir dizer que o Parlamento é o órgão que controla o governo. Bem pode vir dizer que o orçamento não pode ser aprovado, mas o que a líder da oposição se tem esquecido de dizer é que ninguém advertiu os eleitores dos males do país, ninguém fez o que devia, ninguém falou no que importava. E assim sendo, como é que se espera que o povo vote na mudança. Que mudança? Se os portugueses não conhecem em primeiro lugar a verdade e em segundo o que fazer, nem o que o aguarda com um novo governo liderado pela senhora que se segue, que mudança?
Por outro lado, José Sócrates tem conseguido passar a mensagem do sucesso europeu, do controlo da economia, da rigidez dos dossiers, do sucesso em continuidade, e agora até conseguiu desencantar dinheiro onde não havia para os pensionistas, para a função pública, etc. Este homem que entende bem as "mensagens", tem vindo a acalmar os portugueses dando confiança sobre garantias bancárias, sobre aquilo que os portugueses querem ouvir e vai poder sair homem vitorioso num momento de crise internacional. E os portugueses gente de bem, acreditarão mais uma vez que este é o salvador do pátria. Pelo caminho ficam aqueles poucos de sempre e aqueles muitos sufocados a apanhar bonés.
13/10/08
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