
Interrogo-me sobre até onde vai a liberdade de expressão e termina o domínio da "coisa"?
No Parlamento Europeu o, quase de saída porque no final de mandato, comissário Almunia é desautorizado por ter comparado Portugal à Grécia. Ninguém o impediu de falar mas ele foi desautorizado. Em Portugal, os deputados não chegaram a apresentar a proposta dos rendimentos na internet porque foram desautorizados pelo líder de bancada. Francisco Assis, não conhecia o teor da proposta e não tinha, portanto, o domínio da coisa. O comissário europeu também o fez à revelia dos países dos quais falou e também foi posto na ordem pela vice-ministra espanhola Elena Salgado que quis dominar a coisa. Durão Barroso, que o escolheu para a pasta da concorrência nos próximos cinco anos, ficou numa situação incómoda ao ver o seu país tratado pelo inimigo e também não dominou a coisa.
A outro nível, jornalistas querem publicar artigos e dizem não ter o domínio das coisas. Fala-se em liberdade de expressão. Portugal não tem feito outra coisa senão ouvir escutas e escutar quem diz o que lhe apetece sob o argumento do domínio da coisa. Não se sabendo em quem acreditar e que juízo fazer, quem ouve passa a não ligar ao que quer que seja. Perante tal calamidade, tornamo-nos num país de indiferentes e onde ninguém manda. Passamos a constar como uma força silenciosa que pode um dia ter de marchar contra os canhões da inglória e que nem puxar o gatilho sabe. E uma força silenciosa que não domina a coisa, pode tornar-se no rastilho necessário e a jeito para os que têm a tentação de nos quartejar a liberdade de expressão com a ilusão de querer comandar a coisa.