Quando somos muito jovens tudo nos parece fácil de resolver cortando o mal pela raiz. Apesar de ser verdade, que há situações em que não devemos deixar crescer a árvore e em que a raiz deve ser cortada logo no início, outras há, em que deveríamos parar para pensar e o tempo ajudaria a não deixar de falar com muitas delas. Assim, vamos dando cabo de muitas árvores que nunca chegam a nascer e de muitas raízes que não seriam, necessariamente, daninhas se lhes tivéssemos dado uma oportunidade. Também é por isso que quanto mais jovens mais dados a fazer aquilo que os mais velhos reprovam, e também a ser mais activos e independentes, mais francos e espontâneos e menos diplomáticos. À medida que os anos vão passando ficamos mais sabedores. E ficamos mais sensatos ao deixar crescer raízes que nunca seremos capazes de cortar, mesmo que nos incomodem de vez em quando, ou que nos levantem a relva e nos deixem marcas no soalho.Não sei medir os sentimentos, mas sei que as amizades não devem ser cortadas mesmo que os ramos da árvore nos tapem o sol de vez em quando. À medida que vamos ficando mais conhecedores, verificamos que não temos tempo para plantar e ver crescer as raízes da árvore noutro lugar e noutro tempo. E também sei que é por isso que devemos regar árvores e plantas, sem cobranças ou deveres, mesmo que a vez até possa não ser a nossa.



