07/07/09

Tributos e amizades

Quando somos muito jovens tudo nos parece fácil de resolver cortando o mal pela raiz. Apesar de ser verdade, que há situações em que não devemos deixar crescer a árvore e em que a raiz deve ser cortada logo no início, outras há, em que deveríamos parar para pensar e o tempo ajudaria a não deixar de falar com muitas delas. Assim, vamos dando cabo de muitas árvores que nunca chegam a nascer e de muitas raízes que não seriam, necessariamente, daninhas se lhes tivéssemos dado uma oportunidade. Também é por isso que quanto mais jovens mais dados a fazer aquilo que os mais velhos reprovam, e também a ser mais activos e independentes, mais francos e espontâneos e menos diplomáticos. À medida que os anos vão passando ficamos mais sabedores. E ficamos mais sensatos ao deixar crescer raízes que nunca seremos capazes de cortar, mesmo que nos incomodem de vez em quando, ou que nos levantem a relva e nos deixem marcas no soalho.
Não sei medir os sentimentos, mas sei que as amizades não devem ser cortadas mesmo que os ramos da árvore nos tapem o sol de vez em quando. À medida que vamos ficando mais conhecedores, verificamos que não temos tempo para plantar e ver crescer as raízes da árvore noutro lugar e noutro tempo. E também sei que é por isso que devemos regar árvores e plantas, sem cobranças ou deveres, mesmo que a vez até possa não ser a nossa.
A nossa vez chegará, no dia em que soubermos fazer tributos e sentirmos que por nós, pelo menos uma ou duas amizades o irão igualmente fazer.Todos temos as nossas árvores, os nossos arquitectos e os nossos artistas e não há melhor tributo do que o contributo que essa amizade nos poder oferecer!

06/07/09

Good Madness à segunda - feira!


Serenade - Sonny Rollins

05/07/09

20 mil reais

A esta hora haverá crianças que apanham o carrinho do baptismo, outras que nascem nas urgências e terão uma caixa de papelão como berço e as que não terão tempo para usar todo o ouro do gavetão. As mais felizes são as que têm pais com tempo para lhes pegar ao colo.
Carrinho de bebé em ouro de 24 quilates

03/07/09

A Madeira é um paraíso

Vou verificar se é verdade. Aceitam-se encomendas para o tio Alberto João, mas rápido que ainda perco o avião. Darei notícias.
Câmara de Lobos, Madeira

Népias e corninhos

Fotografia: Nuno Ferreira Santos
Miguel Júdice que por razões pessoais se encontrava, por acaso, no Parlamento disse num canal de televisão que a comunicação social não devia ter acesso às imagens do que por lá se passa. Não fica bem, é desagradável! António Barreto, por outro lado sorriu, e mencionou que o preocupante é o clima de raiva, de mentira e de acusações que se instalou entre os deputados que elegemos. Aquilo, disse o sociólogo, parece uma associação de estudantes. Sempre à procura do que o outro disse e que agora já não é assim, sempre a rebuscar papéis para encontrar no meio das teias de aranha elementos que encostem o adversário à parede. Uma luta de galos e garnisés, digo eu. Ninguém percebe nada, ninguém se interessa por nada e todos se riem. Uma galhofa pegada a começar na Assembleia e a terminar em casa de quem vê.
Pelo que nos foi dado observar na Assembleia da Republica, o Estado da Nação define-se com as "palmas soviéticas" dos deputados da esquerda, um líder de direita "descomposto junto da lavoura", um partido da oposição que se define pelo verbo "rasgar", um governo com o "primeiro ministro dos anúncios" e finalmente o bate-papo Paulo Rangel-Jaime Gama, do "está, não estou, estou, não está, ai isso é que estou". Perdido o tempo, nem Rangel esclareceu o PS e o PCP nem repôs a verdade sobre a nova autoestrada Lisboa-Porto. Do outro lado ninguém ficou a perceber fosse o que fosse, népias!
Ontem o dia, na capital, foi complicado. Portugal ficou sem o meu ministro preferido. Com o ministro Pinho nunca estávamos desprevenidos. O país esteva bem num dia, difícil no outro, all the same e nada a assinalar nesta ou naquela ocasião. A coisa não correu bem e pela primeira vez, gostei da pessoa. Fez asneira, enervou-se, esqueceu-se que não andava em Milão a promover o calçado nacional e a dizer que gostava de comprar sapatos italianos, e pumba ilustrou o que pensava de forma feia. Pediu a demissão e fez bem. Mostrou, pela primeira vez, coerência. Mesmo que o gesto tenha sido bem menor do que muitas das palavras que por ali se ouvem. Fossemos todos ceguinhos, ou não estivessem lá as televisões e sabíamos népias. Apesar de Portugal ter muitas népias debaixo do tapete, não tenho a certeza que a maioria as queira sacudir porque não sabe onde as quer colocar.

01/07/09

Acho VI

Acho que os anos são para se festejar. Uma amiga muito querida fez 50 anos há uns meses. Disse que não queria fazer festa mas, nós amigos íntimos, insistimos e aparecemos. Houve bolo e festa campestre.
Bem vinda aos cinquenta, disse-lhe eu. Nem tudo são rosas mas também não é tão mau. Tens é de esperar pelos 54. E o que acontece aos 54, perguntou ela?
E eu respondi-lhe que lidamos melhor com as chatices, cuidamos mais do corpo e da alma, compramos mini-saias, calçamos sapatos confortáveis, estamo-nos nas tintas para o que os outros pensam, organizamos o dia com outro ritmo, valorizamos o tempo, e só ouvimos os ais do parceiro se nos apetecer. Fazemos o que nos dá na gana. Relemos Simone de Beauvoir com os mesmos olhos mas com outro olhar, paramos para pensar, somos mais tolerantes e já não nos aborrece que nos digam que estamos a ficar parecidas com a nossa mãe.

Dias felizes e gente com sorte

Há dias importantes e gente com sorte. Os dias importantes podem ser positivos ou negativos e as pessoas com sorte podem ser adoráveis ou detestáveis, nunca neutras. Detesto pessoas neutras. Aquelas que ficam em cima do muro analisando o lado para que devem cair ou de que lado sopra o vento. E não acredito que seja sensatez que as faz assim, não é. É o jogo de rins que as equilibra e as mantém permanentemente na corda bamba. A corda bamba é um exercício que pegou moda em vários países. Há dias conheci um médico dentista que nos intervalos fazia corda bamba, no mês passado falaram-me num outro especialista da saúde que faz a dança do varão e dizem-me amigos comuns que o melhor é tratarmos de encontrar um hobby à medida. Desenvolver novos talentos é muito importante e ajuda nos momentos mais complexos. Tenho estado a pensar que talento devo desenvolver agora que estou menos ocupada com as maçadas empresariais. As minhas amigas sugerem que procure novos mundos, novas gentes, que faça um liftting, que me dedique ao prazer das compras e dos cabeleireiros, dos spas e dos solários. Os meus filhos perguntam de mansinho se estou disponível para os netos, as noras querem enfiar-me na hidroginástica, ou na natação, falam em prevenir os problemas ósseos. As filhas querem que me realize a ir às compras de preferência com elas e com os cartões de crédito à vista. Já para não falar do Senhor Jóia que decidiu comprar a colecção completa do "Faça você mesmo Jardinagem" e pedir-me ajuda com as ferramentas de jardim. Ele que só conhece a foice e o martelo do Karl e campo só se for o de golfe. Ainda não tenho genros com direito a opinar. Estou certa que seriam os mais certeiros a bem planear a arte de me colocar na cozinha a fazer bolos.
Mas dizia, eu, que há dias importantes. Ontem foi um deles e já haviam passado vinte e quatro horas sem que sentisse tédio ou aflição. Aqui está uma pessoa mais disponível e que a partir de agora andará por onde lhe apetecer, com toda a graça do testemunho passado ao filho mais velho. Estão criadas as oportunidades desejadas e dado o espaço a talentos mais jovens. E há pessoas felizes, porque não é todos os dias que um homem substitui a sua presidente e também não é uma qualquer que cede o poder da presidência. Para que fique claro a transparência da secretária e os vidros da entrada continuam no mesmo lugar. E como eu não gosto de pessoas neutras e a vida é uma estrada de dois sentidos também foi anteontem que a minha primeira neta fez seis meses. Há pessoas com sorte e há dias que ficam marcados pelas mais diversas razões. E quanto ao hobby, estou a pensar em escalar montanhas.