Depois, há aqueles dias em que gostava de saber onde está o tal sítio que nos dá o silêncio, o som das cigarras, um raio de sol e um vento leve que nos toca o corpo. E logo a seguir, procuro fugir das bolas no pé e dos bolos na areia, refugiando-me no cantinho da ilha encantada, do pé que não sai do lugar e do espaço que é só meu. Que saudades do paraíso ou melhor dizendo, do tempo em
que a criançada era apenas dos outros que viviam muito, muito longe do meu poiso.E é nestes momentos que sinto uma saudade grande dos lagos canadianos escondidos nas montanhas, livres do perigo das bolas e dos chutos, dos gritos e apitos. Espaço grande, água limpa, gente tranquila, pescarias de salmão e de truta. Tempos em que uma imensa saudade das águas e do sol português e das bolas não de areia, mas de berlim me assaltava a alma. Onde está esse lugar? Ai vida, que nunca nos dá o que queremos em tempo certo. Ou será muito sol na moleirinha e vontade de regressar ao dia a dia do começa e termina, recomeça e volta a girar? Só sei dizer que estou farta desta vida de areia, bolas no pé e de bolos com açúcar. Até para o ano, que vou procurar o meu refúgio, junto do verde dos pinheiros e dos eucaliptos lá do norte.

