| Portugal um país de tamanho colossal. |
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15/07/11
10/03/11
O sobressalto
O discurso trouxe o sobressalto da falta de timing, porque o verdadeiro teria sido no mandato anterior, sempre que o governo tivesse tomado medidas que o Presidente ponderando a sua função de "responsável" por todos os portugueses o tivesse admitido, chamado à atenção e usado os seus poderes ora de Chefe de Estado, ora de conhecimentos de economista e professor. Afinal, a única coisa que os portugueses gostariam de ter visto, era o desempenho de todas as funções do Prof. Cavaco Silva, do Presidente Cavaco Silva e do cidadão Cavaco Silva.
Fazer, agora na tomade de posse, um discurso supostamente revolucionário apelando ao poder da sociedade civil, que ao ser analisado pelas diferentes forças e cores políticas, tanto no seu palavreado, como nas suas entrelinhas, passando pelo almoço com jovens nas vésperas de manifestação, deixa no ar a possibilidade de dissolução da AR e a capacidade virtual da juventude com nome no mundo real, só cria sobressalto de mau gosto e não de empatia, que dadas as directrizes que nos governam é apenas o sobressalto que não leva a nenhum salto concreto.
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22/06/10
Ainda a frase
Independentemente da polémica em redor do ter ou não ter estado presente no funeral, do pior que eu ouvi Cavaco Silva dizer a propósito de Saramago, foi que nunca tinha tido o privilégio de o ter conhecido ou com ele ter privado. E isto para justificar o que fazem os amigos e admiradores de alguém em relação ao dever do chefe de Estado. Se eu fosse Presidente de todos os portugueses teria feito alguma coisa para conhecer o único português com o Nobel da Literatura.
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14/03/10
A dormitar

(Cartoon Elias o sem abrigo, de R. Reimão e Aníbal F)
Depois de ter passado o santo dia de ontem a dormitar, eis que acordo já de madrugada com a seguinte notícia. Pelos vistos vamos ter o tal emprego responsável. Fiquei sem saber se os ministros tinham estado a trabalhar todo o dia ou se tinham chegado depois do jantar. Eu estava desde manhã a tentar acompanhar o Congresso do PSD, sem êxito. Na pausa do jantar ainda tentei recuperar daquele estado de indolência que me tinha atingido o cérebro o dia todo. Fiquei sobressaltada com os carros dos ministros a chegarem apressados para rever o PEC. O que se trabalha para reduzir o que quer que seja e sem resultado! Teixeira dos Santos estava cansado mas parecia feliz. Tinha conseguido mais uns cortes orçamentais. Eu fiquei com a sensação que o exercício tinha sido igual ao que nos meus tempos de estudante fazíamos. "Olha pá, corta aí em qualquer lado que o prof. nem repara. A malta tem é de apresentar uma coisa arranjadinha que pareça bem e que dê nas vistas". Mas como estive a dormitar todo o santo dia, deve ser engano meu.
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04/03/10
Diferenças de berço

Este meu país não tem remédio. Depois do pequeno interregno dedicado às tragédias naturais de ventos e ribeiras, voltámos à tragédia da Rua de São Bento. A novela continua assim à procura de castings mais apropriados para voltar a defender no écran aquilo que se diz por aqui e por ali. O pior é que a malta que aparece não tem qualidade para se manter no ar a não ser com muita maquilhagem e paciência de quem os ouve. O paleio não cola e é uma perda de tempo comparar os discursos que não podem ser comparados. Esta foi a forma encontrada por Manuela Moura Guedes, para a continuarmos a ouvir à força, durante horas, entre esgares e sorrisos. Uma palhaçada que não merece palavras e muito menos tempo de antena dedicado à Comissão de Ética. Por sua vez, ouve quem lidasse com o tema desta forma. Diferenças de berço, presumo eu. O senhor e a senhora que se seguem podem ficar em casa. Please!
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01/02/10
Acho XI
Acho que mais vale esperarmos pela malta da porrada. Ao meio dia e meia de hoje, apanhei um táxi nos Clérigos. O taxista disse-me que estava parado desde as 10 da manhã. Serão necessárias palavras para dizer o que todos vêem? Economia parada, gente sem dinheiro e um Orçamento que, entre outras coisas, considera um aumento de 3,2% para as despesas com telemóveis, carros e viagens, apesar do ministro dizer que está disposto a perder parte do seu vencimento ninguém aguenta.
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08/01/10
Os Messias
Começam a surgir os aguardados Messias. Fernando Ulrich, Presidente do BPI apresenta o seu Estudo de final de ano. Como bom político em ascensão não apresenta linhas directrizes, apenas os factos, porque o resto virá no programa do Partido (leia-se PSD). Uma "combinação" início do ano que se apresenta e que o outro Presidente, o de Portugal, aprecia. Veremos quem são os senhores que se seguem. No entretanto, os economistas disponíveis para os lugares que chegam ao fim de mandato já se agitam com palestras e crónicas de jornal. É sempre um prazer ver Portugal a tocar baixinho tal e qual a guitarra portuguesa.
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10/12/09
Acho VIII
Acho que o Parlamento estaria melhor sem a palhaçada do deputado da província e da senhora de Cascais! Mereciamos melhores representantes. E o caso não é para rir, antes pelo contrário é uma autêntica dor de cabeça.
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29/09/09
Sou forçado, sou forçado!
Ora bem, tivemos os esclarecimentos do nosso PR, em versão interpretada dos factos. Na sua breve declaração, Cavaco Silva interpretou os factos e disse, o que pensou e pensa o Presidente. Não gostou de o fazer, não o costuma partilhar e foi forçado, forçado, repetiu! Tudo isto porque "queriam colar o Presidente ao PSD e desviar as atenções" e por outro lado centrar o problema na segurança informática, fica bem. Pelo caminho levantou dúvidas, que considerou não ser crime, visto ser normal todo o cidadão poder, em termos pessoais, ter dúvidas. Mas também levantou suspeitas em relação a assessores, a jornais, à confidencialidade e à segurança informática da Casa Civil. No fim de contas deixou bem presente que ninguém fala por ele e que o Presidente só fala quando promete e no momento que lhe convier. Siga a música, que desta já lavei as mãos.
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Cadeiras "ongoing"
O vai e vem das cadeiras começou. Moniz regressa à TVI, diz a imprensa, com lugar diferente e melhor comando. É o início de outras mudanças. Preparemo-nos e quem tiver lugar que se cuide, porque a função e o lugar são coisas distintas. Uma pessoa poder ficar com o assento e não ter função, pode ter cargo sem função, pode ter função sem cadeira, pode ter ministério sem pasta, pode ter pasta e não ter papel, pode ter no pior dos casos uma cadeira duvidosa, também! Desta vez, foi só um instantinho, para o que sempre foi viesse ao de cima. Nada mais que fusões e aquisições. Tanta confusão para uma simples negociação "ongoing". Porque é que somos assim?
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23/09/09
Acho IX
Acho, que uns fazem a música da lista ganhadora, enquanto outros fazem listas de escutas perdedoras. O bom samaritano diz que não fala, mas afinal ouviu e despachou quem o podia incomodar. A colega da matemática deve ter ficado a fazer contas de cabeça e quem se matou foi o mexilhão que por ali andava há muitos anos. Tal como William compôs e Perlman diz, não era necessário ser vítima, bastava conhecer e sentir a história do holocausto para conceber a música do filme. Por aqui, resta agora a marquise no Possolo para aprender a ouvir outros sons, mas antes disso, queremos ouvir o Presidente contar a história que escutou, que lhe disseram para escutar ou que apenas existia para ajudar a derrubar governos ou a fazer vítimas.
John Williams, Itzhak Perlman - Schindler's List
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06/09/09
Entre marido e mulher não metas a colher
Há muito que não se via um casal tão unido como o José Eduardo Moniz e a Manuela Moura Guedes. Também devo dizer que nunca vi o jornal da TVI a não ser nos apontamentos publicados nos blogues ou através do YouTube. Parece-me no entanto, que a saída de Moniz levaria mais tarde ou mais cedo ao afastamento de MMG pela simples razão de que ela só era subdirectora e tinha linha de acção para dizer e fazer o que lhe apetecia, não por ser uma jornalista séria, mas porque quem mandava na estação era a dupla marido e mulher. Quem não sabe isto deve andar muito distraído porque sempre assim foi. Por acaso, a jornalista tem talento suficiente para alguma estação televisiva ou é apenas mais uma forma de entretenimento para entrevistas e audiências? E alguém é ingénuo para acreditar que a Prisa a deixaria continuar com o estilo abusivo com que conduzia a informação e a falta de integridade jornalística com que abordava os temas ao abrigo da verdade? Pois aí está, parece que a política da verdade passou a cobrir melhor os noticiários desde que os dois retomaram o mesmo espaço.
Eduardo Moniz, sempre estimado pelos colegas, disse que não via razão para que MMG também saísse da TVI. A relação marido e mulher e não dois jornalistas que por acaso são casados um com o outro, privilegiou o alinhamento do Jornal Nacional. É pena porque passou a vitimização nacional e argumento contra o partido do governo, nomeadamente, contra José Sócrates que ao esquecer que "não podia morder o cão", ajudou o par na sua mediatização, e aumentou as hipóteses de reemprego para Moura Guedes dando trunfos à oposição. Uma chachada duma salgalhada numa altura em que o país o que menos precisava era de mais distracções eleitorais. Assim sendo, diz lá agora Manela, quanto é que tu ganhas com esta ajudinha à partidite.
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02/09/09
As madeiras portuguesas
Ali para a região de Paços de Ferreira a madeira que mais se tem usado ultimamente para desenvolver a indústria do móvel é o pinho. Antigamente, quem queria requinte escolhia as belas e exóticas madeiras africanas. Os móveis eram assim talhados artesanalmente pelos nossos artífices e vendidos mais tarde nas fábricas da região do Vale do Sousa. O país corria a Paços de Ferreira e a Paredes para comprar o que sabíamos ser a qualidade do produto nacional. Com o desenvolvimento das políticas ecológicas e de protecção da floresta, outras soluções como os aglomerados, apareceram e deram origem à famosa Tabopan na região de Amarante, e mais tarde a uma fatia razoável e parte do negócio de Belmiro de Azevedo. Enquanto este, se entendeu com as diversas formas de fazer barato o produto que muita gente aproveitou, o Comendador José de Abreu dono da Tabopan ficou em situação difícil no pós 25 de Abril com os trabalhadores em greve, o negócio em ruínas e sem as mordomias provenientes do anterior regime. Cada um fez o que pode para se enquadrar na nova realidade do Norte do país e das madeiras em geral. No entretanto, quem queria comprar uns móveis baratinhos de cozinha ou coisa simples ia à Rua da Picaria no Porto e escolhido o móvel de madeira de pinho, era só levar para casa acabar de envernizar ou pintar conforme o gosto. A madeira de pinho, nunca teve grande reputação, embora hoje se saiba que é utilizada de forma mais sofisticada por muitos arquitectos. É dura e difícil de trabalhar mas com arte e sabedoria tem sido utilizada com mais frequência e sem o mesmo rancor. Em Portugal, sempre encontramos forma de deitar abaixo o produto nacional, desvalorizar o material até ao dia em que o dito cai em desgraça. Aí, somos exímios em reabilitar a peça. Foi que aconteceu com Manuel Pinho, o nosso ex-ministro da Economia, meu predilecto pela capacidade de desenrascar as situações mais difíceis e também o mais absurdo dos ministros a dialogar com os empresários, que por alguma razão desconhecida e que só pode estar relacionada com a cena dos corninhos, passa a nome de avenida. E nada como a Câmara Municipal de Paços de Ferreira para lhe atribuir tal distinção. Na verdade, foi a graças a Pinho que parte das fábricas foram ao ar, as multinacionais se instalaram, a escola de design se fez, os suecos continuaram alimentar os jantares e eu, uma portuguesa incluída nos convites de apresentação das mega reformas e dos projectos de desenvolvimento tecnológico, comi o tal capão no dia da assinatura do Tratado de Lisboa. O Tratado foi-se e eu já me estou a fazer ao bife que irei saborear na próxima temporada de apresentações à pala de mais uns talhantes da região do Sousa com corninhos à mistura e madeiras do norte da Europa.
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31/08/09
O caroço nacional
Há dias, numa festa animada em que o aniversariante fazia uns belos e dinâmicos 80 anos perguntei como mantinha a jovialidade. Com 16 adjuntos, duas empresas para gerir, vários clientes por semana para visitar e um número razoável de quilómetros por ano ao volante, era a receita. E nas férias para não ficar estúpido, para além dos jornais e revistas para ler junta os seus clássicos. Está lá tudo, não precisa de ler outras coisas, diz este homem que até podia ter mordomias na fruteira. Ter oitenta anos e conseguir juntar quatro gerações à sua volta, ter uma assembleia de gente de várias idades a cantar e dançar pela noite fora é obra das pessoas alegres que matam os dissabores juntando gente divertida à sua roda. Por outro lado, anda por aí uma rapariga a atirar caroços a muita gente, já que aparece em tudo o que é sítio. Mas, senhores tenhamos dó da moça, ela tem apenas 22 anos, está a acabar um mestrado e tem dois programas de televisão, faz campanha por partido e é um bom partido para a publicidade. É jovem, morena e ingénua no faz de conta. Oxalá tenha mais juízo e saiba escolher frases mais normais daqui para a frente. De qualquer forma, ela está apenas ao nível da outra senhora que disse um dia que o contrário de estar vivo era estar morto, e essa que tem idade para ser avó da descaroçada continua desmiolada e esvoaçante. Desde que a coisa não contagie, esta é diversão nacional com a qual podemos bem. O preocupante é a parte da retoma e o fim da recessão técnica anunciada pela jovem cabeça de vento aos colegas com a mesma idade e que vão votar no próximo dia 27. É a crise no ramalhete e na cesta!
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03/07/09
Népias e corninhos
Fotografia: Nuno Ferreira SantosMiguel Júdice que por razões pessoais se encontrava, por acaso, no Parlamento disse num canal de televisão que a comunicação social não devia ter acesso às imagens do que por lá se passa. Não fica bem, é desagradável! António Barreto, por outro lado sorriu, e mencionou que o preocupante é o clima de raiva, de mentira e de acusações que se instalou entre os deputados que elegemos. Aquilo, disse o sociólogo, parece uma associação de estudantes. Sempre à procura do que o outro disse e que agora já não é assim, sempre a rebuscar papéis para encontrar no meio das teias de aranha elementos que encostem o adversário à parede. Uma luta de galos e garnisés, digo eu. Ninguém percebe nada, ninguém se interessa por nada e todos se riem. Uma galhofa pegada a começar na Assembleia e a terminar em casa de quem vê.
Pelo que nos foi dado observar na Assembleia da Republica, o Estado da Nação define-se com as "palmas soviéticas" dos deputados da esquerda, um líder de direita "descomposto junto da lavoura", um partido da oposição que se define pelo verbo "rasgar", um governo com o "primeiro ministro dos anúncios" e finalmente o bate-papo Paulo Rangel-Jaime Gama, do "está, não estou, estou, não está, ai isso é que estou". Perdido o tempo, nem Rangel esclareceu o PS e o PCP nem repôs a verdade sobre a nova autoestrada Lisboa-Porto. Do outro lado ninguém ficou a perceber fosse o que fosse, népias!
Ontem o dia, na capital, foi complicado. Portugal ficou sem o meu ministro preferido. Com o ministro Pinho nunca estávamos desprevenidos. O país esteva bem num dia, difícil no outro, all the same e nada a assinalar nesta ou naquela ocasião. A coisa não correu bem e pela primeira vez, gostei da pessoa. Fez asneira, enervou-se, esqueceu-se que não andava em Milão a promover o calçado nacional e a dizer que gostava de comprar sapatos italianos, e pumba ilustrou o que pensava de forma feia. Pediu a demissão e fez bem. Mostrou, pela primeira vez, coerência. Mesmo que o gesto tenha sido bem menor do que muitas das palavras que por ali se ouvem. Fossemos todos ceguinhos, ou não estivessem lá as televisões e sabíamos népias. Apesar de Portugal ter muitas népias debaixo do tapete, não tenho a certeza que a maioria as queira sacudir porque não sabe onde as quer colocar.
Pelo que nos foi dado observar na Assembleia da Republica, o Estado da Nação define-se com as "palmas soviéticas" dos deputados da esquerda, um líder de direita "descomposto junto da lavoura", um partido da oposição que se define pelo verbo "rasgar", um governo com o "primeiro ministro dos anúncios" e finalmente o bate-papo Paulo Rangel-Jaime Gama, do "está, não estou, estou, não está, ai isso é que estou". Perdido o tempo, nem Rangel esclareceu o PS e o PCP nem repôs a verdade sobre a nova autoestrada Lisboa-Porto. Do outro lado ninguém ficou a perceber fosse o que fosse, népias!
Ontem o dia, na capital, foi complicado. Portugal ficou sem o meu ministro preferido. Com o ministro Pinho nunca estávamos desprevenidos. O país esteva bem num dia, difícil no outro, all the same e nada a assinalar nesta ou naquela ocasião. A coisa não correu bem e pela primeira vez, gostei da pessoa. Fez asneira, enervou-se, esqueceu-se que não andava em Milão a promover o calçado nacional e a dizer que gostava de comprar sapatos italianos, e pumba ilustrou o que pensava de forma feia. Pediu a demissão e fez bem. Mostrou, pela primeira vez, coerência. Mesmo que o gesto tenha sido bem menor do que muitas das palavras que por ali se ouvem. Fossemos todos ceguinhos, ou não estivessem lá as televisões e sabíamos népias. Apesar de Portugal ter muitas népias debaixo do tapete, não tenho a certeza que a maioria as queira sacudir porque não sabe onde as quer colocar.
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30/06/09
Pântanos, óasis e consensos
Identificada a ineficácia da teoria da arrogância, passamos agora à teoria dos consensos. Como já experimentamos as duas, a novidade só está num novo líder. Os lideres dos consensos não chegaram muito longe, houve até casos em que só atingiram o pântano. Os consensos trazem o desgaste da conversa, reuniões até altas horas, dossiers para discutir, observatórios e relatórios. Pode ser giro, porque as tangas também costumam abundar nessas reuniões de trabalho. A trabalheira para encontrar o "Dr. Rumo" vai continuar a sentir-se, e já começo a ter saudades do oásis perfilhado por Braga de Macedo, hoje, esquecido sem dó ou piedade. Apesar do nosso Ministro Teixeira dos Santos dizer que com a chegada do Verão a crise vai abrandar e o índice de confiança está a dar os primeiros passos positivos, tenho esperança que haja música para acompanhar este fado fininho. O vento que sopra lá do resto da Europa e produz efeitos tranquilizantes para quem acredita nos poderes mágicos da mão invisível, pode promover viagens a países distantes. Só gostava era de saber onde está e a quem pertence essa dita mão gigante, não vá o cidadão enganar-se e bater na porta errada. Haja esperança e trabalho, que para o resto já cá temos quem nos trate da saúde e o tempo é curto.
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18/06/09
Vira o disco e toca o mesmo!
Se há coisa que eu detesto é o discurso do coitadinho e do aleijadinho. E se o discurso vem dos que têm poder e neste caso do actual primeiro ministro, aspirante a vencedor nas próximas eleições, ainda mais. Já há dias me perguntava o que podia fazer um homem derrotado pelas eleições a não ser trabalhar melhor e continuar. Os pedidos para que Sócrates se amargurasse perante as câmaras pedindo desculpa, deixando a arrogância e fazendo-se de humilde têm-me dado que pensar. Porque razão haveria um pessoa que é arrogante passar a humilde duma hora para a outra e nós acreditarmos que tínhamos, agora, à nossa frente um novo homem? O homem novo ? Será que os portugueses querem o mesmo mascarado de outro? É isso que ganha eleições e governa um país? Foi isso que os portugueses manifestaram nas eleições recentes? Não me parece!Claro que se o tempo de campanha fosse de um ano talvez o homem tivesse tempo de mudar e de nos convencer, mas isto aqui não é a América em que os candidatos pedem desculpa, procuram ajuda na psicanálise ou na igreja ou no pastor e todos ficam contentes que fizeram o melhor e encontraram o seu líder renascido e purificado.
Nós aqui é mais moscas e chapéus. E essas desaparecem nestes meses de Verão para voltar no Outono e os chapéus surgem agora com o calor e ele há muitos e de todas as cores.
Ou nós gostamos de novelas ou temos andado a confundir os actores com o realizador ou já estamos de tal modo habituados ao vira o disco e toca o mesmo que nem damos pela diferença!
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18/03/09
Nós por cá todos bem
Apesar das dúvidas em relações ao exterior, em Portugal está tudo fixe, apenas com uma ligeira preocupação sobre o peso do Presidente, que já está medicado com vitaminas extra. Eu fico contente porque o que é preciso, é ter saúde. A preocupação é grande não só com o Presidente mas segundo sei com outros portugueses. Até já andam a controlar os padeiros com a questão do sal, o que também me parece adequado, desde que não nos estraguem os queijos, os enchidos e as outras iguarias que vamos ter dificuldade de manter à venda. De qualquer forma como o bolso anda magro e enquanto enche, o povo educa o paladar, tornando todos mais contentes e podendo cumprir com rigor a legislação e alterar os hábitos alimentares. Os banquetes com reis, rainhas e ilustres estão a dar nas vistas em Portugal e o sal e a pimenta têm de ser qb.Ao que parece anda também por aí, uma grande vontade de encontrar os lugares certos em mesa especial. Ouvi qualquer coisa sobre a falta de cadeiras mas o problema foi resolvido com bancos e cadeiras de praia. Ao que parece ninguém queria perder o lugar no "jogo do lenço", porque o castigo era ter de dançar funáná.
Por outro lado, a coordenação europeia no combate à crise precisa de agitação. E Carlos Queiroz já disse que "temos de trabalhar e não ter uma atitude de bebés chorões". Dizem-me que isto não tem nada a ver com o resto, era de futebol que ele falava.
Lá fora, quer dizer, no resto do mundo, Obama prepara plano para as pequenas e médias empresas o que levará a que tudo esteja resolvido daqui a um a ano no máximo dois, apesar de Krugman entender que a resposta europeia é decepcionante e que o plano americano corresponde a um terço do valor necessário enquanto o europeu a bem menos de metade. Parece igualmente que a queda do PIB na Europa é maior que nos Estados Unidos e por outro lado que Portugal se arrisca a ser um cheque sem cobertura por causa do endividamento, como nos alerta Abel Mateus. Contaram-me que devo estar atenta ao Bernarke que prevê a retoma nos EUA já em 2010 e também para o consultor Charan que garantiu em Lisboa que a crise económica mundial recupera dentro de 5 a 6 meses.
Nós por cá para não complicar muito, temos empresas, Cimpor, a cair 38,5%, a criação de empresas recuou 44,7% e para dar um toque internacional, os Britânicos perderam 28% da riqueza em ano e meio. Enquanto isto, apesar do nosso ministro Manuel Pinho ter pedido 132 milhões de indemnização à Opel por fechar a fabrica da Azambuja, parece que só vamos receber 18, o que também dá ideia que já foi feito.
Para terminar, a única coisa que corre bem é o sector da distribuição alimentar que criou 15 mil empregos e a notícia de que a Unicer vai investir 1 milhão nas Festas de Lisboa. Vai haver bebida e comida para todos, espectáculos, concertos e esperemos que venham pelo menos mais cinco turistas. Também espero que os jovens saibam beber com conta, peso e medida.
Para não maçar mais, abstenho-me de fazer links para os nomes que acabei de citar, porque como já sabemos isso agora já não interessa nada!
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12/03/09
Nhaque-nhaque-nhinhos
Continuando a leitura dos jornais e como qualquer verdadeiro tripeiro poderia ter percebido, e até antecipado, parece que a candidata "independente" e disponível para apresentar a sua candidatura com o apoio do PS, está um bocado atrapalhada com o que também já era mais do que esperado pelos da casa. Parece que apenas 20 dias depois de ter cantado ao lado de Rui Veloso, o conhecido socialista Orlando Gaspar não achou piada que uma pessoa, e logo a candidata disponível para dar a cara pela cidade onde não tem vergonha de ter nascido, queira pelo sim pelo não, ser candidata às eleições europeias e também à Câmara do Porto.Por estas e por outras é que uns são da terra e outros apenas cá nasceram. E esta é uma história de ti-nó-ni e ti-nó-nó, idêntica à do fanhoso que queria comprar cinco tostões de nhaque-nhaque-nhinhos.
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03/02/09
Preocupada, eu?
Pergunto eu muito inocente se alguém sentiu alguém preocupado com o estado das coisas? Eu vi uma grande galhofeira por parte dos intervenientes do Prós e Contras, como se nada de novo houvesse a dizer. Não é verdade que já estamos habituados e que é essa a parte mais divertida do serviço público? Ou seja galhofar, contar anedotas e ter histórias picantes para divulgar? Antigamente os funerais eram o local ideal para contar anedotas, como agora são poucos os que frequentam esses lugares, então veja-se programas de televisão para animar. Dá-me ideia que isto é tudo uma grande palhaçada e um circo bem montado. Haja alegria!
Alegria Cirque du Soleil
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