17/05/10

Good Madness à segunda-feira!


Concha Buika - New afrospanish collective

16/05/10

Antes assim que pior

Para saber quem somos temos de reconhecer a nossa identidade e essa vai-se construindo com o decorrer dos anos. É assim com as pessoas e é assim com as nações e é talvez por isso que Portugal nunca se sentiu completamente dentro da Europa. Temos passado os anos com um pé dentro e outro fora, tentando a possibilidade de saltar se não gostássemos e de permanecer se as vantagens nos parecessem crescentes. Acontece que quem não se dedica de corpo e alma, quem não acredita com devoção nunca está completamente empenhado e por isso, não pode beneficiar das vantagens que lhe parecem antecipadamente suas. Portugal tem olhado para a União Europeia com um olho nos fundos comunitários e outro na malandrice e o resultado aparece agora da pior forma. O dono dos fundos fartou-se de aturar o puto reguila e como a criança nada lhe diz, não é filha nem enteada, não tem consideração na hora de punir. Afinal nem a criança se identifica com o parente distante nem o parente conhece a criança. Ao longo dos anos andaram os dois a tentar iludir o resto dos parentes, sabendo muito bem que um dia alguém haveria de descobrir o mais farsante. Agora que o mais vulnerável está nas mãos do outro tem de pagar pelos anos que andou à conta de quem tinha a faca e o queijo na mão. Portugal tem de pagar e calar se quer continuar a comer a sopa mesmo que os ingredientes lhe causem indigestão, mal estar e muitas idas à urgência. Neste momento em que o mal é melhor que a cura, resta-nos ser capazes de através de meios paliativos irmos andando, não bem, mas assim-assim. O que aliás, não deve ser difícil para um povo, que passa o tempo a sentir-se antes assim-assim que pior, graças a Deus.

10/05/10

Good Madness à segunda-feira!


Ella Fitzgerald : One note Samba (scat singing) 1969

07/05/10

Clima de afectos

Numa altura em que andamos preocupados com a crise, que não é apenas do país, mas da União Europeia e do colapso do Euro, o PSD anda empenhado em envolver o partido num clima de afectos. Aproximar os portugueses com beijos e abraços pode ser interessante, não me parece contudo que seja isso que vai levar os portugueses a ficarem entusiasmados com os dias de porta aberta e movimentos em prol da figura do simpatizante. Mas posso estar enganada, como tantos portugueses que gostariam de ver o país a andar em vez de estagnar. Pedro Passos Coelho tem de apresentar medidas que o distingam de Sócrates. Até agora, vi um role de sugestões, uma check-list do que deveríamos fazer. Mas como vários analistas têm afirmado, ninguém se tem preocupado em apresentar medidas para hoje e amanhã. A bancarrota tão pouco desejada e que se mantinha fora do pensamento dos portugueses mais ingénuos está à vista e não me parece que sejam os bons afectos que a vão parar. Não vale a pena perguntar se vamos ser, se somos iguais à Grécia ou se também aqui as pessoas irão para a rua. O que importa é evitar que tal aconteça. O povo tem sido sereno em muitas ocasiões, somos pacíficos até um dia, fizemos uma revolução exemplar sem sangue, até quando aguentamos é a pergunta que devemos fazer.

05/05/10

Diabo e anjinho

Tinham-se esquecido de me dizer que os malvados dos medicamentos nos fazem inchar até parecermos gordas, horrorosas e belas ao mesmo tempo. Durante o frio a moda estava de feição para os conjuntos que o Sr. Jóia apelidou "a toilette da doença". Leggings e camisolões confortáveis, elásticos na cintura e de vez em quando para as ocasiões mais formais aquelas invenções que nós mulheres sabemos usar para disfarçar a falta de vontade de nos arrebicarmos. Assim foram andando uns meses que entre idas ao hospital e ensaios de fisioterapia o que queria era tudo desde que fácil de usar. Com o tempo mais ameno e o calor a apertar iniciei o veste despe e... não temos nada que sirva. Um desespero de ficar com os cabelos em pé. Coisa que nem por isso me deixa mais confortável. Vai passar dizem as boas almas que me rodeiam é da cortisona, vai desaparecer quando terminarem os tratamentos. Claro que quando terminarem os tratamentos teremos passado o verão e esta história é como durante a gravidez. Todo o quilo acumulado não desaparece com o nascimento da criança, ficamos gordas, horrorosas e ao mesmo tempo belas. Constatado o facto, não só eliminei os doces que andavam a fazer-me um gostinho especial como o pão maravilhoso que me ia alimentando o dia. Pelo caminho deixei os queijos que uma alma não pode tirar tudo e concentrei-me nos conselhos do meu amigo Póvoas que nos manda comer com sabedoria, continuidade e resignação. E o resultado já se começa a perceber, pelo menos foi o que senti esta manhã quando à terceira tentativa encontrei uma toilette que não era de doença e que me fez sorrir de contentamento enquanto me devolvia a sensualidade e auto estima necessárias para me arrebicar com mais olhos e maquilhagem que o habitual nos últimos tempos. Até calcei uns sapatos de tacão porque mulher que se preze, não pode deixar de ser um diabo e um anjinho em pessoa por muito tempo.

03/05/10

Good Madness à segunda-feira!


Aretha Franklin - What A Difference A Day Makes

Fantástica «descoberta» científica!