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09/09/11

Da arena e da política

O ministro Gaspar não para de dar entrevistas mas nós ainda não entendemos nada. Ou melhor, de tanto visualizarmos é que já não ouvimos. Estando eu há dias muito atenta à sua exposição televisiva, dei por mim a pensar no cavalo do João Moura. É que quando fugia do ferro, fraquejaram-lhe as dianteiras e não só se machucou como atirou com o cavaleiro para o chão. Cenas tristes e que se antecipam.

31/03/11

Vou ali e já venho

Victoria Station, London
Como  não há paciência para ouvir, vou ali e já venho. Com a  prosa do Passos Coelho posso bem e vou ali e já venho. Com os juros da divida externa não posso mas vou ali e já venho. Com os dados oficiais rectificados do desemprego vou ali e já venho. Com as medidas de salvação nacional dos partidos da oposição vou ali e já venho. Ainda assim, logo à noite, vou ouvir a Judite entrevistar alguém que já não sei quem é e amanhã, agora sim e de verdade vou ali e já venho.

12/03/11

É este o povo, pá!

O efeito multiplicador é assim, não sabemos o que leva um, dois, centenas, milhares de pessoas a aderirem a uma causa. No passado era a ideologia, hoje sabemos que a experiência faz parte do processo e faltando a ideologia fica o humor, a raiva, o ódio ou o amor do povo. O que começou por ser um protesto da juventude passou a causa nacional com direito a manifestação e debate, dentro de dias será a representação de um país num festival, depois logo se verá o que vai ser. Esta cena, que até podia ser um movimento de luta, vai continuar e apenas os que não têm que fazer continuarão a passear o seu tempo pelas experiências, porque quem tem de garantir o que se põe em cima da mesa, vai lutar pelo retorno da ideologia da riqueza e pela experiência que a fartura traz ao povo. Para já, e por aquilo que já deu para ver, serão apenas uns tantos a andar silenciosos com cartazes na mão. Logo à noite a festa continua nos bares e locais nocturnos do costume com mais alguma algazarra. No início da semana outra experiência ditará a concentração a organizar nas redes sociais. Pelo caminho, alguns poderão acreditar que a luta se está a fazer, para a maioria tudo ficará igual.  É este o povo, pá!

29/01/11

Alemães e portugueses

A notícia não seria tal se os alemães não tivessem começado a chegar em 1980, há um ano se tivesse desconfiado e há um mês se constatasse a veracidade dos factos e há dois dias se tivesse divulgado. Assim, de repente até parece mentira, mas não é. Os alemães, ou seja a Alemanha, ao abrigo duma lei que permite enviar, "deslocalizar" cidadãos problemáticos  para outros países da comunidade, para se tornarem gente civilizada,  desatou a despachar jovens para o Alentejo e Algarve. Esses jovens são enviados para casa de famílias alemãs que recebem 3800 euros mensais para os porem no sítio, os jovens claro. Estes, pelos vistos começaram a fazer alguns desacatos que se tornaram indesejáveis e deram nas vistas, apesar de andarem há 25 anos por aí. As famílias encantadas, e só é pena de não serem portuguesas a ganhar o tal chorudo subsidio, devem ter um pezinho de meia jeitoso e bem escondido. A tal associação que deveria formalizar o acordo comunitário nicles, diz que anda há dez anos a tentar, coisa que sendo os alemães gente tão séria , rápida e eficiente me espanta.
Agora e no meio disto tudo, eu pergunto se não somos mesmo uma cambada de parvos por termos deixado fugir este acordo para as mãos dos alemães e ainda mais não termos tratado de enviar em primeira classe para a Alemanha, todos aqueles indesejáveis que se encontram espalhados pelas cidades e terras deste país.
No mínimo somos muito distraídos!

07/01/11

Adeus às armas

Após a notícia das mesmas, nada melhor do que ler Hemingway.

23/07/10

Abutres em Portugal

Leio que há quarenta anos que não havia crias de abutre-preto a voar em Portugal. Não me espanta que estejam a regressar os que andavam fugidos, mas fico apreensiva. Já tínhamos tanta espécie à solta e ainda vêm mais estas juntar-se, aos de outras cores, que por aqui têm andado.

18/06/10

Camas mal arrumadas

Diz o ditado que cama mal arrumada não dá sonos repousantes e mais, que quem a cama faz e nela se deita não tem de que se queixar. Acontece porém, que lá pelo Algarve há quem queira pôr fim a esta pouca vergonha de camas emprestadas à prima, vendidas livre de impostos e sem as respectivas receitas fiscais, a todos os que nelas se queiram deitar. Ainda por cima agora que o governo anda à caça de receitas e se deu conta desta riqueza nacional que dá pelo nome de economia paralela. A malta já desconfiava que era uma questão de tempo até virem em cima do colchão que temos a mais na garagem para o que der e vier, mas assim de repente não está certo. Por um lado pedem-nos para fazermos férias dentro de casa e que nos tornemos novos empresários e agora querem que deitemos fora as camas que nos davam o rendimento extra do negócio. Em Portugal a economia paralela só continua a ser fenómeno para quem gosta de passar por tanso, para os outros é representativo de uma economia frágil, desorganizada e onde os que se dizem espertos fazem pela vida e chegam a lugares de responsabilidade. Infelizmente sempre existiu e está aí para continuar nos mais diversos sectores. O turismo é apenas o último a ser chamado à pega, sem ninguém o conseguir controlar. São coisas do meu país em tempos de desarrumação.

16/05/10

Antes assim que pior

Para saber quem somos temos de reconhecer a nossa identidade e essa vai-se construindo com o decorrer dos anos. É assim com as pessoas e é assim com as nações e é talvez por isso que Portugal nunca se sentiu completamente dentro da Europa. Temos passado os anos com um pé dentro e outro fora, tentando a possibilidade de saltar se não gostássemos e de permanecer se as vantagens nos parecessem crescentes. Acontece que quem não se dedica de corpo e alma, quem não acredita com devoção nunca está completamente empenhado e por isso, não pode beneficiar das vantagens que lhe parecem antecipadamente suas. Portugal tem olhado para a União Europeia com um olho nos fundos comunitários e outro na malandrice e o resultado aparece agora da pior forma. O dono dos fundos fartou-se de aturar o puto reguila e como a criança nada lhe diz, não é filha nem enteada, não tem consideração na hora de punir. Afinal nem a criança se identifica com o parente distante nem o parente conhece a criança. Ao longo dos anos andaram os dois a tentar iludir o resto dos parentes, sabendo muito bem que um dia alguém haveria de descobrir o mais farsante. Agora que o mais vulnerável está nas mãos do outro tem de pagar pelos anos que andou à conta de quem tinha a faca e o queijo na mão. Portugal tem de pagar e calar se quer continuar a comer a sopa mesmo que os ingredientes lhe causem indigestão, mal estar e muitas idas à urgência. Neste momento em que o mal é melhor que a cura, resta-nos ser capazes de através de meios paliativos irmos andando, não bem, mas assim-assim. O que aliás, não deve ser difícil para um povo, que passa o tempo a sentir-se antes assim-assim que pior, graças a Deus.

13/01/10

Acho X

Há dias lembrei-me das expressões à volta da cozinha. Acho que não deve haver país que enrole tanto como o nosso. Enrolamos a palavra, enrolamos a fralda da camisa, enrolamos os assuntos, enrolamos quem nos ouve, enrolamos iguarias com condimentos, enrolamos couves lombarda, enrolamos. E também temos as almofadas. Almofada para o que der e vier, almofada para dormir, almofada para cair, almofada para comer. E trouxas que ouvem coisas de encantar, dormem nas almofadas sedosas e são enrolados sem saber mesmo quando lhes fazem elogios apetitosos. Para além do mar que enrola na areia e as areias que enrolam kilómetros. São enrolamentos sem parar.

08/12/09

O morto

O morto já era morto antes de ser. Claro que à volta dele todos faziam de conta que nada se passava ou seja, falavam como se o morto já estivesse morto há uns dias. O tempo em que o morto tinha palavra sobre os seus assuntos tinha um tempo que já era morto. O morto mal tentava abrir a boca para dizer alguma coisa viva logo lhe calavam a voz com um olhar que o podia matar. O morto estava mais vivo que todos os outros, mas morria de cinco em cinco segundos com a capacidade mortífera das palavras dos que o queriam morto. Pelo caminho levantava uma perna, depois um braço e perante o espanto daqueles que o tinham retalhado, o morto continuava de carne e osso a ouvir as palavras que lhe matraqueavam o cérebro. O problema é que também o tentavam aterrorizar com sábios venenos a quatro estações. Até ao dia em que o morto decidiu matar todos os vivos e constituir uma comunidade em que aparentemente todos estavam mortos e podiam falar livremente dos vivos que se mantinham mortos.

04/09/09

América no seu melhor...

Acho que estas coisas só acontecem na América. Andamos nós a tentar brincar aos cow-boys num país de sisudos e a querer imitar o impossível. Por um lado ainda bem, por outro é assim que se vê a capacidade de ganhar eleições com o poder dos media à mistura. Num país onde os preconceitos não existem, todos são artistas e tudo é exportado . É a diferença entre o palhaço pobre e o palhaço rico. No circo as crianças gostam do pobre e tendem a detestar o rico. Em adultos fazem de ricos sendo apenas uns pobres palhaços. A América no seu melhor e no meio da crise, diverte-se com políticos e gente desconhecida. Portugal no seu pior e no final de campanha, imagina casamentos sem tango ou melodia entre gente conhecida, enquanto aguarda pelos incógnitos. Sinais que eu sei que nós sabemos e vós sabeis, digo eu!


'JK Wedding Entrance Dance'

16/07/09

O País pisca - pisca

O país está na mesma, podemos ir de férias e regressar que nada de especial aconteceu. É como nas telenovelas, estamos um mês sem as ver e no espaço de dois dias o enredo está actualizado. Alegra-me passar pelas agendas culturais que neste Verão são para todos os gostos. Desde Glenn Miller Orchestra no Algarve para todas as idades, até ao Tony Carreira que há-de estar algures, passando pelas bandas que já por aí andam. O país está em festa e podíamos até dizer " este país parece uma discoteca" mas cuidado não se engasguem com os saltos e com a dança enquanto comem o rebuçado. Eu fiquei até muito apaziguada com as afirmações de Vítor Constâncio. Afinal Portugal só recupera em 2011 ao contrário do que tinha sido afirmado há dois meses. Nessa altura a recuperação era em 2010, mas estavamo-nos a esquecer de pequenos azares que esta malvada crise nos tem trazido. E as estatísticas, que coisa! Têm de ser publicadas de tempos a tempos sem massajar os números como já vem alertando o PR desde 2007. Fiquei mais tranquila, porque afinal o ex-Ministro Pinho não era o único que nos alegrava com notícias pisca-pisca. Hoje uma coisa, amanhã o invés. Com tanta festa neste Portugal a questão geradora tem trabalhado mais por causa do pisca-pisca eléctrico. Mas nada de nos assustarmos, porque o povo é sereno, o nosso Presidente fez 70 anos e representa a família feliz que Portugal é. Todos unidos e o importante é o jantarinho ou o almocinho.

15/06/09

Acho IV

Seth Godin

Acho que o Seth "made my day" e que bom seria ter comigo este sentimento todos os dias.

You matter!
"When you love the work you do and the people you do it with, you matter.
When you are so gracious and generous and aware that you think of other people before yourself, you matter.
When you leave the world a better place than you found it, you matter.
When you continue to raise the bar on what you do and how you do it, you matter.
When you teach and forgive and teach more before you rush to judge and demean, you matter.
When you touch the people in your life through your actions (and your words), you matter. When kids grow up wanting to be you, you matter.
When you see the world as it is, but insist on making it more like it could be, you matter.
When you inspire a Nobel prize winner or a slum dweller, you matter.
When the room brightens when you walk in, you matter.
And when the legacy you leave behind lasts for hours, days or a lifetime, you matter."

12/06/09

O detalhe da vírgula

Voltamos à questão da vírgula. Perante os produtos de retorno absoluto do BPP a questão vai centrar-se como sempre no pequeno problema, no detalhe. Nós somos bons em pequenos detalhes. No detalhe é que está o ganho! Se o legislador considerar que os produtos do BPP são ou eram tóxicos e que o banco tinha um risco sistémico, os clientes ainda vão ter possibilidade de recorrer aos tribunais e tentar ver algum do seu. Se por outro lado, os produtos tiverem classificação distinta, o problema não é de ninguém, quando muito dos pacóvios que escolherem o banco errado. A classificação é determinante tal como a vírgula o era e foi há uns anos atrás num diploma ou lei Constitucional. É tudo uma questão de vírgulas e zeros à esquerda. O BPP tem uma carteira que ronda os 2800 clientes, destes 2200 são de contas de retorno absoluto. Azar, dos que acham que são ou eram depósitos a prazo.
Já agora, uma pergunta lateral. Será que o livrinho do banqueiro continua a vender?

04/06/09

Reinventar caminhos

Inovar não é para todos e em Portugal é apenas exercício de alguns. Não se coloca sequer a questão de sabermos se somos bons no que fazemos, porque quem é sabe-o. De nada serve, porém, se o seu trabalho não é reconhecido ou se cada um não tem capacidade para procurar outros arejos que o avaliem de forma a que a pessoa se sinta preenchida. Em inglês a palavra é muito mais gratificante porque o accomplishment traduz esforço, objectivo, compensação e reconhecimento. Em Portugal significa esforço, tapar buracos e sair cansado. Muito cansado! O ciclo recomeça se os compromissos pessoais o ditarem, o esforço esmorece se a idade tiver passado o meio século. Seja o que for que façamos o importante não é o que fazemos mas porque o fazemos. Se a partir de determinada momento já não interessa então não há nem ventos nem moinhos, nem marés que nos façam continuar. O melhor mesmo, é não chegar a este ponto de paragem porque a saída é mesmo muito difícil. E é aqui que me interrogo porque ficam uns em estado de letargia, outros se suicidam e outros conseguem reinventar caminhos.

25/05/09

Pensar Alto

Não é pelo facto de sermos pequenos, é pelo facto de sermos uma cultura de gente pequena. De repente entendemos que todos somos iguais, que todos nascemos iguais, que todos podemos estar no mesmo espaço, que todos podemos ter direito ao nosso pão com manteiga. Acontece que as elites sempre existiram e a única forma do povo querer passar ao patamar de cima é ter referências. Hoje como não há elites não há referências. E não há referências tanto ao nível dos punhos de renda, eventualmente arcaicos e desajustados, mas também não os há nas filas de espera ou na frequência do autocarro, da biblioteca, do café ou do restaurante. Querer misturar as duas coisas sem aprendizagem prévia só leva a que fiquemos na verdade e agora sim, com tudo e todos iguais. Ou seja pobrezinhos e desajeitados a olhar para os talheres e adoptar comer à mão. Há uns tempos largos dizia eu, que um Presidente com gravatas de seda num país maioritariamente de T-shirt tinha de querer dizer alguma coisa. Por aqui também nos devíamos lembrar do inverso. Enfiar o Rossio na Rua da Betesga pode ser objectivo de muitos, mas que ainda não conseguimos também é verdade.

Sardinha assada com punhos de renda

Há quem lhe chame crise mas é sempre bom ver como se pode dar a volta ao texto e do negativo fazer uma solução contrária. Pelo menos uma vez na vida quem habitualmente não se lembraria de entrar no "Eleven" vai poder pelo menos ver como é. A iniciativa é interessante mas fica por aqui. No futuro são os mesmos que continuarão a frequentar os locais onde a democratização não é assim tão bem vinda quanto parecerá a quem agora aproveitar a boleia.
Atitude e acção muito diferente em vigor há já algum tempo no antigo "Bule" e agora reformado e chique restaurante de alguns dos jogadores do FCP. Ali na Foz, o jogo e o futebol é diferente. O arrozinho de pato, especialidade antiga da casa, tem 50% de desconto em determinados dias da semana. Mesmo assim, uma refeição para dois com vinho, sobremesa e direito a um número razoável de empregados atentos ronda os 50 euros. Se não tivesse o tal desconto não seria o dobro mas passaria ao patamar seguinte. Pergunta existencial: quem é que pode? Os mesmos do costume.
Democratização dá-me ideia que só no Senhor de Matosinhos ou nos Santos Populares com a sardinha assada, essa sim para todos lado a lado, mesmo que as bolsas sejam diferentes e as toilettes opostas.

14/04/09

Um emigrante de segunda geração


Não sei se estamos a evoluir na divulgação dos nossos produtos se estamos a ficar com mais um emigrante português ou um americano de descendência portuguesa. Antigamente quando chegávamos aos Estados Unidos tínhamos de fazer grande esforço para perceberem que Portugal era um país e não fazia parte de Espanha. E também tínhamos de dizer muito explicadinho onde ficava Portugal e em que Continente.
Mais tarde identificado o país havia sempre uma boa alma que muito contente nos dizia que o jardineiro, a cozinheira, o motorista ou o canalizador eram portugueses.
Neste momento estamos todos felizes porque as notícias falam de Portugal ou pelo menos do novo residente português na Casa Branca. E desta vez não é o jardineiro nem a cozinheira, mas o "Bo" que vai brincar com as meninas Obama. Para já o residente salta e brinca e tem a vantagem de ser um animal que gosta de crianças, é limpo, o pêlo é suficientemente baixo para não causar alergias e gosta de mar. Tem a aprovação da família Kennedy o que é importante, e pode ser que nos traga alguns turistas, quanto mais não seja para ver o tal país que fica do outro lado do Atlântico que não é Espanha mas é Europa e tem cães cujos padrões condizem com os critérios americanos.

20/03/09

Limpar o acento e dar brilho ao assento!

Caro MO, está tudo resolvido...
Falei com a "minhotinha das merendas" que se mostrou disponível para limpar os acentos em navegação. Fez apenas uma exigência. Para além do combinado em creolina, ela quer dar brilho aos assentos da casa. Já tem o produto que dará o colorido das oliveiras em flor e uma síncope ao imaginário de serviço. É necessário fazer diáriamente um inquérito sobre o sal e o caroço da azeitona, enquanto come o respectivo pãozinho. Por via satélite a "minhotinha" vai enviar um cesto de merendas. Enquanto o elevador estiver fora de serviço, cada um que se amanhe porque não haverá entregas ao domicílio.
Em caso de órgência, aconselha o pãozinho bijú que se descongela durante a noite no Café do Aires. Brevemente poderá distribuir feijão e mandioca se o fornecedor não falhar com as encomendas que serão enviadas por asa delta.
Até breve e boas ondas!

11/02/09

Alfredo: Afinador de Cabelos

Alfredo afina cabelos com perfeição. Às vezes tem teorias que só os cabeleireiros têm, gosta de explicar o mundo à luz não da navalha, mas do secador. Para ele tudo tem explicação racional, os ingleses não aderiram ao euro por conspiração feita com os americanos contra o resto da Europa. Se não vejamos, eles sempre estiveram juntos e as alianças não se quebram, e cá para mim, diz o meu afinador, os ingleses nunca foram muito da Europa. E é preciso não esquecer que falam a mesma língua - o inglês.

Eu gosto de ouvir as teorias de todos os afinadores, mas confesso que apesar do meu afinador de cabelos ter algumas muito estranhas, eu saio de lá sempre satisfeita. Com o cabelo e com o afinador e o resto do dia rende-me muito mais, sinto-me bela e jovial. E o mais importante é que nem vejo as rugas ... enquanto não colocar os óculos e isso só acontece quando me voltar a sentar à secretária a trabalhar, mas aí felizmente não tenho espelhos. Haja decência!