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15/05/09

Do you speak other languages?

Miguel Esteves Cardoso faz no Público de hoje, a sua análise "Dobrada com feijão". Na sua opinião que é também a minha, Portugal não só se está a fechar para o mundo através do seu bem mais precioso, mas também a ficar mais pobre. A dobragem de filmes infantis que retiram a capacidade de nos expormos a outras realidades, castram a natural curiosidade e imaginação das crianças, bem como deixarmos de ouvir um filme ou novela em brasileiro ou de vermos filmes legendados no seu idioma original, fará de nós "poliglotas espanhóis". Na verdade, um povo que sempre se distinguiu pela sua facilidade de arranhar o portunhol, o franciú e o englishú, ficará mais pobre e virado para si mesmo.
Se uma coisa é preservar a língua portuguesa e o Acordo Ortográfico, outra é fecharmos os ouvidos aos sons e aos ritmos de outras culturas. Recordo a admiração com que somos recebidos sempre que viajamos e nos apresentamos a falar o idioma local. E a pergunta sacramental "onde é que aprendeu a falar assim?" Recordo também que nos países mais desenvolvidos qualquer homem de talho fala inglês, excepto em Espanha.
Seguindo a lenda "que de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos" espero que esta seja apenas uma moda para lançar novelas portuguesas. Se alguma coisa diferencia as gerações mais novas em relação à minha, é precisamente a capacidade de comunicação global, transversal e universal que o inglês, por exemplo, proporciona. Não é só a matemática que ajuda a compreender os negócios é também o inglês que evita que aviões caiam por falta de entendimento entre a torre de controlo e o cockpit, são as negociações internacionais, são o podermos ser portugueses dum Portugal moderno. Não quer isto dizer que não se fale bem o nosso idioma, mas essa parte faz-se mais através da leitura e menos através das novelas televisivas.