18/05/10
17/05/10
Comunicação
Como trazer colorido aos documentos que à priori nada têm de divertido é uma das tarefas dos criativos. Esta é a altura da apresentação de "Relatórios e Contas" empresariais e nem tudo tem de ser enfadonho. A capa pode ser divertida e colorida. A arte e o grafismo devem seguir a perspectiva do miolo, e não têm de ter a rigidez do sisudo argumento que com coisas sérias não se brinca, ou que a imagem transmitida deve ser sóbria, o que entre nós é sinónimo de coisa cinzenta. Durante muito tempo, as empresas não entenderam que os documentos apelativos podem chamar a atenção dos investidores, e que é muito mais agradável abrir um relatório com bom aspecto do que ler a performance da empresa publicada num jornal. A relutância em gastar verbas nos relatórios e contas, seja em versão digital ou em papel, está relacionada com a ideia antiquada de que os números só interessam a pessoas muito específicas que não têm sensibilidade para a arte da publicidade e da comunicação. E também que o que interessa é ter bons resultados apenas mostrados publicamente nos órgãos que a lei obriga. Acontece que os resultados empresariais são o espelho da empresa e toda a fotografia deve espelhar a cultura e o interior daquela unidade. Numa época de cortes orçamentais as empresas começam por aquilo que consideram ser desperdício, mas estão erradas quando decidem tornar cinzenta toda a informação e comunicação com os seus clientes, funcionários, accionistas e potenciais interessados. Não é fácil comunicar em altura de crise, mas é bem pior manter a política de luto permanente mesmo que a dor ainda não tenha passado.A forma de comunicar reflecte também a cultura de um povo. Mesmo em momentos de cultura global nunca o glocal foi descurado pelas empresas que souberam entender os mercados locais. No Brasil, por exemplo, independentemente das áreas de negócio, os olhos são alimentados com o colorido do design que é um reflexo de quem o produz mas também da arte que faz parte do dia a dia. Uma simples edição revisada não tem de ser incipiente. Assim, mesmo em crise, até a crise passa mais rápido e ao som da música. O lado bom da crise tem ética, imaginação e minoria que convida a descobrir novos rumos e estratégias. É só necessário ser capaz de olhar com graça e com colorido para a vida e ultrapassar a nosso fado de que tudo é um caso sério. Noutros países os casos são apenas sérios.
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Good Madness à segunda-feira!
Concha Buika - New afrospanish collective
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16/05/10
Antes assim que pior
Para saber quem somos temos de reconhecer a nossa identidade e essa vai-se construindo com o decorrer dos anos. É assim com as pessoas e é assim com as nações e é talvez por isso que Portugal nunca se sentiu completamente dentro da Europa. Temos passado os anos com um pé dentro e outro fora, tentando a possibilidade de saltar se não gostássemos e de permanecer se as vantagens nos parecessem crescentes. Acontece que quem não se dedica de corpo e alma, quem não acredita com devoção nunca está completamente empenhado e por isso, não pode beneficiar das vantagens que lhe parecem antecipadamente suas. Portugal tem olhado para a União Europeia com um olho nos fundos comunitários e outro na malandrice e o resultado aparece agora da pior forma. O dono dos fundos fartou-se de aturar o puto reguila e como a criança nada lhe diz, não é filha nem enteada, não tem consideração na hora de punir. Afinal nem a criança se identifica com o parente distante nem o parente conhece a criança. Ao longo dos anos andaram os dois a tentar iludir o resto dos parentes, sabendo muito bem que um dia alguém haveria de descobrir o mais farsante. Agora que o mais vulnerável está nas mãos do outro tem de pagar pelos anos que andou à conta de quem tinha a faca e o queijo na mão. Portugal tem de pagar e calar se quer continuar a comer a sopa mesmo que os ingredientes lhe causem indigestão, mal estar e muitas idas à urgência. Neste momento em que o mal é melhor que a cura, resta-nos ser capazes de através de meios paliativos irmos andando, não bem, mas assim-assim. O que aliás, não deve ser difícil para um povo, que passa o tempo a sentir-se antes assim-assim que pior, graças a Deus.
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coisas e loisas
10/05/10
Good Madness à segunda-feira!
Ella Fitzgerald : One note Samba (scat singing) 1969
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07/05/10
Clima de afectos
Numa altura em que andamos preocupados com a crise, que não é apenas do país, mas da União Europeia e do colapso do Euro, o PSD anda empenhado em envolver o partido num clima de afectos. Aproximar os portugueses com beijos e abraços pode ser interessante, não me parece contudo que seja isso que vai levar os portugueses a ficarem entusiasmados com os dias de porta aberta e movimentos em prol da figura do simpatizante. Mas posso estar enganada, como tantos portugueses que gostariam de ver o país a andar em vez de estagnar. Pedro Passos Coelho tem de apresentar medidas que o distingam de Sócrates. Até agora, vi um role de sugestões, uma check-list do que deveríamos fazer. Mas como vários analistas têm afirmado, ninguém se tem preocupado em apresentar medidas para hoje e amanhã. A bancarrota tão pouco desejada e que se mantinha fora do pensamento dos portugueses mais ingénuos está à vista e não me parece que sejam os bons afectos que a vão parar. Não vale a pena perguntar se vamos ser, se somos iguais à Grécia ou se também aqui as pessoas irão para a rua. O que importa é evitar que tal aconteça. O povo tem sido sereno em muitas ocasiões, somos pacíficos até um dia, fizemos uma revolução exemplar sem sangue, até quando aguentamos é a pergunta que devemos fazer.
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05/05/10
Diabo e anjinho
Tinham-se esquecido de me dizer que os malvados dos medicamentos nos fazem inchar até parecermos gordas, horrorosas e belas ao mesmo tempo. Durante o frio a moda estava de feição para os conjuntos que o Sr. Jóia apelidou "a toilette da doença". Leggings e camisolões confortáveis, elásticos na cintura e de vez em quando para as ocasiões mais formais aquelas invenções que nós mulheres sabemos usar para disfarçar a falta de vontade de nos arrebicarmos. Assim foram andando uns meses que entre idas ao hospital e ensaios de fisioterapia o que queria era tudo desde que fácil de usar. Com o tempo mais ameno e o calor a apertar iniciei o veste despe e... não temos nada que sirva. Um desespero de ficar com os cabelos em pé. Coisa que nem por isso me deixa mais confortável. Vai passar dizem as boas almas que me rodeiam é da cortisona, vai desaparecer quando terminarem os tratamentos. Claro que quando terminarem os tratamentos teremos passado o verão e esta história é como durante a gravidez. Todo o quilo acumulado não desaparece com o nascimento da criança, ficamos gordas, horrorosas e ao mesmo tempo belas. Constatado o facto, não só eliminei os doces que andavam a fazer-me um gostinho especial como o pão maravilhoso que me ia alimentando o dia. Pelo caminho deixei os queijos que uma alma não pode tirar tudo e concentrei-me nos conselhos do meu amigo Póvoas que nos manda comer com sabedoria, continuidade e resignação. E o resultado já se começa a perceber, pelo menos foi o que senti esta manhã quando à terceira tentativa encontrei uma toilette que não era de doença e que me fez sorrir de contentamento enquanto me devolvia a sensualidade e auto estima necessárias para me arrebicar com mais olhos e maquilhagem que o habitual nos últimos tempos. Até calcei uns sapatos de tacão porque mulher que se preze, não pode deixar de ser um diabo e um anjinho em pessoa por muito tempo.
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