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31/12/10

Safa!

Parece uma idiotice ter chegado ao final de 2010 invejosa por ter encontrado quem fez melhor do que eu em matéria de cancro, mas foi o que senti ontem. Sem nos termos falado durante o ano, deixámos para o final  o telefonema de boas festas. Olá, olá, como estás, estou em falta, não estás nada eu é que estou, este ano foi difícil, conta lá. Bolas, não digas estamos iguais e não nos cruzamos nas poltronas e na radio por um triz, foi questão de dois ou três meses. Continuaste sempre a trabalhar e ainda fizeste os exames? Bolas, caramba, pensava eu que tinha feito muito bem, conseguiste isso tudo, fantástico, mulher! Quando é que nos vemos? tens exames até final de Fevereiro e só podes depois, ok! havemos de tomar um café tu com os teus quilos a mais e eu com os meus, tu com a tua protese capilar como gostas de chamar ao teu cabelo emprestado, eu com os meus caracóis verdadeiros, escada abaixo, escada acima, havemos de nos encontrar. Feliz ano novo, com muita saúde. olha lá, afinal o que é que mudou em ti, para além de teres ficado sem unhas, sobrancelhas, cabelo e pestanas? Estás na mesma, cheia de agitação, trabalho, astral elevado, tenho inveja da tua resistência tive dias em que me fui abaixo, não consegui trabalhar a tempo inteiro, nem sempre pude tomar conta da neta, houve dias em que as forças me faltaram, outros em que as lágrimas teimosamente me correram na pele, andei confusa, olhei o chão para logo ficar alegre e encontrar força para acreditar. Um dia, ainda me vais dizer onde guardaste os teus dias difíceis, porque eu sei que os tiveste. Um bom ano para ti, havemos de nos encontrar! bolas, nem mesmo em matéria de cancro se facilita, vá lá entender-se este conceito chamado competição na comunicação!

07/12/10

Qual é o espanto?

No país dos absurdos encontro tema para aqui voltar. Leio que Rui Pedro Soares e Emídio Rangel vão lançar um novo meio de comunicação, com capital aqui do lado. O accionista principal é um apoiante de Zapatero e seu conterrâneo. Nada mais se estranha neste país, e nem mesmo a chegada das eleições, muito a propósito, ou o processo dum deles impede a clareza das notícias que se propõem fazer. Não tenho dúvida que haverá leitores para tal periódico, não penso que seja mais um, será concerteza mais uma cambada deles que sentem necessidade de ter uma voz direccionada, mas pelo menos não enganam ninguém em relação à sua agenda política. Ficamos a saber quem paga e quem lê.

04/03/10

Newseum


Não conhecia e fiquei encantada. O que os tempos mudaram num quarto de século mais coisa menos coisa. A maravilha que teria sido quando vivi fora do país entre 1978 e 1986, poder ler os jornais portugueses sem ter de esperar pelo avião semanal ou poder visitar um museu qualquer online. Uma época em que as comunicações eram dificeis e caras por telefone, os jornais levavam tempo a chegar e a televisão raramente se lembrava de Portugal. Curiosamente, estivesse eu fora do país neste momento, acho que não me sentiria atraída pelas notícias da minha terra. Sabe-se lá porquê? "Come here and be there" é um slogan que eu gostaria de ter criado. Vá-se lá saber porquê?

18/07/09

Transparência jornalística

Walter Cronkite é uma referência do jornalismo, "That's the way it is" era a forma como terminava as suas reportagens, morreu ontem com 92 anos. O jornalismo devia ser um meio em que Transparency works if it's authentic e que interessante seria que os nossos meios de comunicação fossem ditados por gente, que tal como Walter, puderam fazer jornalismo e dar lições de fiabilidade ao mundo. E poderem criar certezas e deixar dúvidas sobre assuntos que nos cabe a nós leitores, ouvintes e espectadores decidir em vez de ser o jornalista não a concluir por si, mas a concluir conforme lhe dizem para fazer. A época em que os jornalistas falavam na primeira pessoa e relatavam factos, deixou de se fazer na maior parte dos meios. Os projectos empresariais ditam as necessidades de notícias que são títulos de escândalos de pequenas palavras de duplos sentidos para chamar audiências e vender folhas de jornal ou vender espaço televisivo. Sempre se soube que a qualidade da programação dependia da qualidade dos anunciantes, hoje as agências de publicidade fazem os seus spots conforme a qualidade de quem lhes paga. E quem o pode fazer, nem sempre é quem tem melhor qualidade ou melhor produto, mas sim maior número de ouvintes ou espectadores e também maior capacidade para comprar espaço publicitário, que se tornou acessível aos que outrora o ambicionavam. Os jornalistas têm de cumprir prazos e programação ou editoriais conforme o plano de gestão. A linha editorial quase que não existe ou vai mudando conforme os ventos políticos. A cor do dinheiro veio alterar toda a transparência do que é noticiado, do que é passado como informação. O espectador é cada vez mais livre de pensar o que quiser mas cada vez mais incapaz de ter uma opinião, de saber o que dizer, de saber distinguir os factos do palavreado que o induz a pensar bem ou mal, conforme a capacidade de manipulação de quem o disse. Por isso, quando alguns jornalistas e articulistas vêm finalmente dizer que não seria pior que se soubesse o que se passa no interior das redacções, eu tenho de concordar, aplaudir e juntar-me a eles mesmo não sendo jornalista. E pedir transparência não só mas também, nas outras áreas que lidam com a comunicação com a informação e com o poder. A democracia e a cidadania também anda por aqui, certo?

29/09/08

Sarkozy bling bling Carla Bruni

22/07/08

Big in Japan

10/04/08

As Relações Públicas e os Blogues

Debate-se esta semana, o papel dos blogues como uma ferramenta das Relações Públicas. Bruno Guissani está em Portugal para ser o principal orador na terceira edição das conversas da Unicer intitulada: "Blogoesfera inimiga das empresas ou um universo das relações públicas?
Sendo as RP um instrumento da comunicação empresarial é mais do que evidente que os blogues corporativos estão na ordem do dia. Apesar de já terem sido testados nalgumas empresas, não tem sido eficiente a sua dinamização junto do principal público - alvo: o cliente.
A interactividade pretendida não tem tido os frutos que justifiquem a manutenção de um blogue por parte das empresas. Por outro lado, nem sempre se incentiva os outros públicos directamente ligados às empresas, como a comunidade local, os fornecedores, os accionistas e o público interno a participar, pela simples razão de ser suposto haver liberdade de expressão por parte de quem comenta e por outro de só serem publicados os comentários validados pelo back-office.
O que se pretende agora debater é a capacidade dos especialistas de marketing, utilizarem as técnicas de relações públicas para aumentarem a notoriedade de uma marca ou segmentarem o posicionamento de marketing na comunicação do produto ou na comunicação institucional.
Sendo a blogosfera por si só um veículo poderoso este será o próximo investimento a ser dado pelas empresas em geral, dando ouvidos aos responsáveis da comunicação e prestando a devida homenagem à era da Internet.

04/04/08

Um senhor da comunicação

"É como se fosse Rádio, mas...
Há uma experiência da minha vida profissional antiga que me tem ajudado muito a escrever para este blogue. É a experiência da Rádio.
Frases curtas e simples. Sequência natural de sujeito, predicado e complementos. O sujeito repetido. A marcação de um ritmo através da alternância da dimensão dos períodos. O pontuar com palavras ricas e pouca usura semântica. Tudo escrito (dito) de forma sintética (muitas vezes no teclado e no monitor minúsculos do Qtek).
Isto no plano da forma. No plano do conteúdo, pouco tempo para reflectir, ideias que se abrem mas não se fecham. E que se complementam nas hiperligações – uma espécie de rm’s (registos magnéticos).
Acresce que se pode escrever hoje programando para ser publicado amanhã ou depois, tal como na Rádio se faz, dando a ilusão de que tudo é instantâneo, “on line” ou “on”.
Há, no entanto, uma diferença fundamental entre a Rádio que fiz (porque ainda não tinha “espelho” na web) e o blogue que faço.
É que na Rádio tudo passava. No blogue tudo fica.
Escrevem-me, o que agradeço sempre, a corrigir gralhas ou erros gramaticais. Escrevem-me, o que agradeço por vezes, a chamar a atenção para contradições, eventuais mal-entendidos e textos talvez “politicamente incorrectos”.
E citam-me, por sinal mais fora da blogosfera (media tradicionais) do que na blogosfera, dando uma dimensão profunda a peças que, frequentemente, resultaram de reflexões apressadas e superficiais.
Por vezes, essas citações soam-me desconhecidas. Nem parece que as escrevi. É porque, de facto, escrevi-as como se estivesse a dizê-las com o microfone à minha frente."

Texto de LPM
em LUGARES DE LUÍS PAIXÃO MARTINS